20.5.15

Costa Gravas: «a democracia é que é radical»



Quem viu «Z», sobretudo antes do 25 de Abril, nunca esquecerá este magnífico filme realizado por Costa Gravas após o golpe dos coronéis na Grécia. Uma versão restaurada foi agora exibida no Festival de Cannes, pretexto para uma homenagem ao autor, aplaudido de pé pela assistência.

Costa Gravas não esqueceu o actual momento vivido no seu país: « Há quem diga que temos um governo de radicais. Isso não é verdade. O governo grego não é radical. O que é radical na Europa moderna é a própria democracia».

Entrevista desta semana, pelo canal Arte:


(Fonte: infoGrécia – sem dúvida, o melhor site em português com notícias sobre a Grécia.)
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19.5.15

Novas oportunidades para sair da sua zona de conforto




«A oferta de emprego, divulgada no site do Ministério do Serviço Público, indica que a função será “executar os condenados à morte” e não exige qualquer qualificação particular ou experiência.»
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Galeano e o futebol



«Como todos os uruguaios, eu também quis ser jogador de futebol. Jogava muito bem, era uma maravilha, mas só de noite, enquanto dormia: de dia era o pior perna de pau que já passou pelos campos do meu país. Como adepto, também deixava muito a desejar.(...)

Os anos passaram e, com o tempo, acabei por assumir a minha identidade: não passo de um mendigo de bom futebol. Ando pelo mundo de chapéu na mão e nos estádios suplico:

– Uma linda jogada, pelo amor de Deus!

E quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre – sem me importar com o clube ou o país que o oferece.»

Eduardo Galeano, Futebol, Sol e Sombra.
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Dica (54)



Apelo do Syriza à solidariedade dos povos europeus.

«Estamos num momento decisivo e é necessária vontade política dos nossos parceiros europeus para ultrapassar este impasse. Este apelo não é só um apelo à solidariedade, é um apelo para o respeito que é devido aos principais valores europeus.

Neste quadro, o Syriza apela a todas as forças sociais e políticas progressistas e democráticas que têm consciência de que a luta da Grécia não se limita às suas fronteiras, mas constitui uma luta pela democracia e justiça social na Europa.» 
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A mini-feijoada



«O país já não tem dinheiro para mega-feijoadas para comemorar qualquer coisa. Por isso, nestes tempos de austeridade, os líderes políticos contentam-se com mini-feijoadas. Foi esse o cenário do jantar comemorativo de um ano "sem troika" e de assinatura da coligação entre PSD e CDS. (...) Não conseguiram abrir uma garrafa de espumante para celebrar a saída do "lixo" carimbado pelas agências de "rating" na testa do País, porque quatro anos depois continuamos no latão da reciclagem.

Mas enfim, não se pode ter tudo, mesmo com políticos transformados em mágicos. Compreende-se o clima de festa dos partidos da coligação: nada está perdido. E a derrota não é certa. Assim é possível fazer um fogo-de-artifício à volta de canas virtuais. Repare-se num dos "sucessos" do Governo. Apesar de acreditar que controlou a dívida pública, ela era pouco mais de 93% do PIB em 2010 e agora está perto dos 129%. Nada mau como medalha de boa acção do Governo. O desemprego é o que se sabe. Centenas de milhares de portugueses emigraram e deixaram de assombrar as contas e o Governo ainda exulta com a "descida gradual" dos sem-emprego, após ter conseguido taxas recorde neste sector. Como vitória deve ser apenas moral. (...)

Cada político empanturra-se com o prato de que mais gosta. Mas transformar uns feijões mal cozidos numa feijoada pode causar uma indigestão.»

Fernando Sobral

18.5.15

Foi isto que eles estiveram a festejar em Guimarães?

Alexandre O'Neill e o futebol



«O que perde o futebol não é o jogo propriamente dito, mas todo o barulho que se faz à volta dele. É impossível a gente alhear-se do futebol, falado, comentado, transmitido, relatado, visto, ouvido, apostado, gritado, uivado, ladrado, festejado, bebido. O futebol passa deste modo a ser uma chateação permanente. É que não há tasca, pastelaria, salão de jogos, barbearia, recanto de jardim público, quiosque, bomba de gasolina, restaurante, Assembleia da República, supermercado, hipermercado, livraria, loja, montra, escritório, colégio, oficina, fábrica, habitação, diria até, onde, de algum modo, não se ouça falar do jogo que decorre, decorreu ou decorrerá. Quando há transmissão via TV ou Rádio, então a infernização é total. (...)

É grave? Não é grave? Sei lá. Verifico, apenas, que é assim por toda a parte. E isso massacra, desgosta, faz perder a razoabilidade, a isenção, o bom senso, a simples tineta.»

Alexandre O’Neill, Já cá não está quem falou.
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Dica (53)




«The child was alone in the apartment the mother was absent. The single mother had recently found a job in a factory and she was leaving her daughter alone to earn a living for both of them. (...)

With an express decision issued by the local prosecutor, the 32-year-old mother lost the custody over her daughter for “having neglected a minor”.»
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Quem ganhou com as privatizações?




Fundamental ouvir para recordar a história dos factos e interpretar a realidade actual. 
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País partido ao meio



«A lei da inércia vai sustentando o Governo, ao estilo do personagem dos desenhos animados, o célebre Coyote, que conseguia não cair no precipício, como se flutuasse no ar. Mas por fim precipitava-se no abismo quando olhava para baixo.

Lição política: o melhor é não olhar para o que se fez. É isso que o Governo faz: mira os dados do PIB, esquece os da dívida, olha para os das exportações e oblitera os do desemprego. Com a greve da TAP, o Governo faz o pino e aproveita a desastrosa aventura dos pilotos para privatizar a todo o vapor, como se não existisse amanhã. Nem tempo.

A questão é que, como insinuam as sondagens, os portugueses não encontram no PS uma voz de confiança. (...) O País vai ficar dividido ao meio, sem uma maioria clara, e em busca de acordos de regime ao estilo da sopa de pedra: atira-se tudo lá para dentro, mexe-se, e depois logo se vê o sabor. (...)

Mas talvez os discursos políticos não sejam tão diferentes. São flores do mesmo jardim plantado pelo Tratado Orçamental, pelo euro e pelo BCE. E, por isso mesmo, o embate esperado tornou-se num empate sonâmbulo.

Mais do que uma qualquer impossibilidade de alianças após as eleições, e o caos decorrente das presidenciais logo a seguir, o que transpira destas sondagens é que o País parece uma jangada imóvel. À espera de uma brisa que não aparece.» 

Fernando Sobral