9.8.16
O homem não mordeu o cão
Esta farta desta fotografia, que corre mundo, e das mais variadas ilacções, na maioria delirantes, que tenho visto sobre a mesma.
Uma egípcia e uma alemã, no torneio de voleibol de praia. Não era 100% espectável? Se a egípcia estivesse de biquíni e a alemã de hijab é que devia ser notícia! Aqui, o homem não mordeu o cão.
. Este Governo deve corresponder a uma exigência ética acrescida
«O caso dos convites feitos pela Galp a vários governantes e deputados para irem assistir a jogos do europeu de futebol em França oferece matéria para estudo. É evidente que, em particular, o caso do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, causou mal-estar no Governo, no PS e na maioria parlamentar que o apoia. É evidente, em particular, que o caso causou mal-estar ao próprio Rocha Andrade, que se deu conta, tarde demais, do erro que cometeu. Mas o governo, em vez de reagir como devia, reconhecendo o erro, não escondendo o mal-estar causado pelo erro e reparando de forma cabal esse erro, decidiu, envergonhadamente, tentar minimizar o incidente, pela voz de Rocha Andrade, primeiro, e de Augusto Santos Silva, depois. Chama-se a isto tentar reparar um erro cometendo outro. E, como sempre, é o segundo que dá dimensão ao primeiro. O que deveria ter feito o Governo? Declarar simplesmente: “Foi um erro. Não se repetirá.”
Essa era a declaração que esperávamos. Ficaríamos a saber que este governo tem a mesma escala de valores que nós – e não a de Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, Miguel Relvas, Paulo Portas e companhia. As pueris tentativas de minimização do caso (“não há conflito de interesses”, “o litígio com a Galp está na mão dos tribunais e não do Governo”) só agravam o caso porque nos deixam a impressão de que talvez o Governo não distinga o que está certo do que está errado e isso é altamente perturbador. Mais perturbador, e politicamente mais relevante, que o pouco discernimento revelado por Rocha Andrade ao aceitar os convites da Galp.
Quero dizer com isto que todo este caso se resume a “um problema de comunicação”? Não. É mais grave do que isso. Significa que o Governo (ou parte do Governo) ainda não percebeu aquilo que Catarina Martins explicou de uma forma claríssima: o facto de “este Governo estar sujeito a uma expectativa e a uma exigência sobre a sua conduta ética muito superior aos governos que o antecederam”. Neste Governo, estas falhas são inadmissíveis.(…)
Rocha Andrade deve demitir-se? Sim. Não pelo convite que aceitou, mas por não ter reconhecido o seu erro quando ele lhe foi posto à frente dos olhos. Era difícil fazê-lo individualmente? Deveria ter sido o Governo a fazê-lo? Sim, mas o resultado é o mesmo. Foi aliás o primeiro-ministro em exercício, Augusto Santos Silva, o primeiro a considerar que o seu secretário de Estado Jorge Costa Oliveira, outro convidado da Galp, tinha agora uma capacidade diminuída. O mesmo acontece com os outros secretários de Estado e a Galp é demasiado grande para que três SE possam ficar impedidos de despachar seja o que for que tenha a ver com a sua actividade.
E os deputados do PSD? Basta-me que não escarrem na mesa. Não seria lícito esperar mais deles.»
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09.08.1945. Depois de Hiroshima, Nagasaki
Há 71 anos, os EUA lançaram, em Nagasaki, uma bomba que matou 80.000 pessoas. Seis dias mais tarde, em 15 de Agosto de 1945, o Japão rendeu-se – no chamado Dia V-J que esteve na origem ao fim da Segunda Guerra Mundial.
Hoje, Parque da Paz de Nagasaki:

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8.8.16
De refugiadas a prostitutas
Expresso diário, 08.08.2016:
Chegaram a Itália 4.000 destas mulheres nos primeiros seis meses de 2016.
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Dia de Portugal 2019 no Cabo Horn
Porque não? O Magalhães / Magellan não era nosso?
O homem não pára: Marcelo admite celebrar o Dia de Portugal no Brasil em 2018.
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Rocha Andrade, o perdedor
«A literatura, o cinema ou a política estão repletos de perdedores. Sem eles seria mais difícil perceber o mundo. O que seria a nossa cultura sem Dom Quixote, o fidalgo que perdeu sempre contra os moinhos de vento.
Ou Charlot, que tem de pedir ajuda a uma bengala para não cair. Ou, se quisermos, Barry Goldwater, eterna esperança dos republicanos americanos, que nunca conseguiu ser presidente. Chegando a dizer: "A América é um grande país onde todos podem crescer para ser presidente - excepto eu." Há, claro, quem nunca tenha sido derrotado porque nunca se dignou ir, de peito aberto, para o campo de batalha. A política portuguesa tem muitos desses exemplos. E há, claro, quem perca por ingenuidade e por ter uma tendência para se suicidar politicamente.
Temos um caso recente de um pequeno ou médio perdedor: Rocha Andrade. Não é um grande perdedor: é apenas vítima das circunstâncias que criou. Ao contrário dos outros dois secretários de Estado que, no meio da euforia de ir ver a Selecção a França, também esqueceram o dever de recato quando se tem funções estatais, Rocha Andrade tem uma posição central no Executivo. Quem gere o Fisco não pode pedir frugalidade aos comuns cidadãos, investigando se há desvios nas facturas, se vão ao cabeleireiro ou se vendem caracóis nas esquinas, se depois recebe ingenuamente um bilhete e uma viagem aprazível. Mesmo que seja patriótica. O Código de Conduta inventado pelo Governo é agora gás lacrimogéneo para fazer lacrimejar os tolos. E a tentativa de Rocha Andrade pagar o bilhete do jogo é como atirar um "boomerang" para acertar na cabeça de quem o lançou: o próprio secretário de Estado. O que o torna um perdedor visível. Porque, a partir de agora, Rocha Andrade tornou-se um fantasma político que vagueia pelo Governo. No país ninguém lhe vai dar a mínima importância, porque todos se lembrarão de ter ido à borla ao Euro em França. Mesmo continuando no Governo, Rocha Andrade tornou-se um Dom Quixote apeado.»
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7.8.16
Globalização? Segue dentro de momentos…
«A globalização, tal como foi sonhada nos anos 80 após o "Big Bang" do sector financeiro britânico, está ferida de morte. A mensagem está a ser deixada em várias caixas do correio. Mas há quem ainda esteja demasiado distraído para o entender.
Afinal, o fenómeno do Brexit é apenas um sinal disso, com o corte com a livre circulação de pessoas, algo que decorre da circulação planetária de dinheiro e de bens. A crise dos migrantes que afecta a Europa e a crescente robotização da indústria, que a curto prazo vai afastar as fábricas da Ásia, vai atirar milhões de "beneficiários" locais para o desemprego. O que levará a movimentos de nacionalismo económico. E a isso alia-se o patriotismo político que está a crescer desenfreadamente em diferentes países fulcrais para a continuação desta globalização como a conhecemos. Como é o caso dos Estados Unidos.
A pátria de todas as formas de globalização (da cultural de Hollywood à da economia digital representada pelas Microsoft, Amazon ou Facebook deste mundo) assiste a uma das suas cíclicas tentativas de se refocar em si próprio. A lógica proteccionista que está a ser o íman da campanha de Donald Trump (prometendo uma América mais forte se afastar os emigrantes e voltar a garantir trabalho a todos os que, no sector industrial, foram excluídos pela deslocalização de fábricas) não é um mero fogacho. É o resultado de um sintoma extremamente forte que contagia a sociedade americana.
O ataque de Trump aos tratados de comércio internacional, que têm sido uma das linhas de força da presidência de Barack Obama (veja-se o esforço derradeiro que está a ser feito para que, à porta fechada, seja assinado o acordo EUA-Europa [TTIP]), mesmo que ele seja extremamente gravoso em termos de segurança alimentar para os europeus e dê às empresas uma força legal sobre os Estados que é bastante controversa, mostra como a fasquia da discussão está alta. E essa mensagem de Trump está a cativar os eleitores norte-americanos, castigados (sobretudo as suas classes médias) por uma globalização que lhes foi vendida como fascinante e que redundou em desemprego e salários estagnados. No fundo, o fim do "american dream".
A força da mensagem do agora candidato republicano a Washington é tal que está a contaminar o sector democrata que até aqui era um forte adepto dos tratados comerciais internacionais sob a direcção de Obama. Hillary Clinton, percebendo para onde corre a brisa eleitoral (e tendo em conta a necessidade de não perder demasiados votos em estados fundamentais como o Ohio, onde este é um tema-chave), também já questiona os benefícios do tratado com o México e com o Canadá (Nafta) e com os países da Ásia/Pacífico, outra das prioridades de Obama. Não é por acaso: nos últimos 15 anos desapareceram perto de cinco milhões no sector industrial americano, resultado da deslocação de empresas, sobretudo no México e na Ásia. Algumas estão a regressar, mas usam robôs para baixar os custos.
Esses americanos, cantados por Bruce Springsteen, estão zangados. E o discurso de Trump assemelha-se, para eles, ao de uma sereia. O medo dos novos tratados é real. E garante votos ao candidato republicano. Mas este sentimento, aliado ao fecho de fronteiras a que se assiste na Europa, tem um significado mais vasto. Que será claro a muito curto prazo.»
Fernando Sobral
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