1.11.16

A Espanha nos seus labirintos



Responsáveis haverá muitos, mas vale a pena ler este texto de Vicenç Navarro.

«Las declaraciones de Pedro Sánchez confirman lo que era fácil de ver. Ha ocurrido un “golpe de Estado civil” en el que grupos financieros, económicos y mediáticos han imposibilitado (utilizando medios antidemocráticos que incluyen la manipulación, desinformación, mentira y represión intelectual) vetando una alternativa progresista al gobierno más corrupto y reaccionario hoy existente en la UE-15. Y el aparato del PSOE, las figuras históricas y gran parte de los barones liderados por Susana Díaz, han sido cómplices ejecutores de tal golpe de Estado civil. La lástima, una enorme lástima es que a Pedro Sánchez le ha faltado la valentía (que ha mostrado ahora) para haber hecho estas declaraciones mucho antes. Si ello hubiera ocurrido, es probable que la era Rajoy hubiera ya terminado.» 
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A emigração não foi uma saída limpa



«A troika teve efeitos secundários irreversíveis e este foi um deles: apesar da diminuição da emigração e do aumento da imigração e da natalidade, o saldo migratório continua negativo pelo quinto ano consecutivo. Fosse qual fosse a zona de conforto em que se encontrasse ou o grau de formação, emigração e desemprego passaram a fazer parte do léxico de quem não tinha razões para confiar no futuro. (…)

A emigração acabou por não ser uma “saída limpa”, camuflando uma espécie de ordem de “expulsão”, mas um estratagema para diminuir o desemprego e respectivos subsídios, diminuir tensões sociais anti-troika e, já agora, aumentar remessas.

O que os dados ontem divulgados pelo INE nos vêm revelar é que o número de entradas no país não supera o número de saídas e que metade dos imigrantes são, afinal, de nacionalidade portuguesa. Ou seja, os “imigrantes” de hoje nas estatísticas do INE são, sobretudo, portugueses em idade activa que residiam em outros países da União Europeia, mas não só. (…) Já não saímos tanto porque há um “certo capital de esperança” no país e estamos a regressar por causa das actuais contingências de alguns dos destinos da nossa emigração.

O mais natural é que a maior percentagem desse grupo seja composta por trabalhadores desqualificados, uma vez que são eles, também, quem mais emigra. E esse é outro efeito secundário que pagaremos até à náusea: a mão-de-obra mais qualificada não se deixará tentar por um qualquer programa de apoio ao regresso dos emigrantes, como foi o caso do malfadado Vem. Essa geração desistiu do país mal a troika entrou em acção. (…)

A maioria dos inquiridos em estudos como o da Fuga de Cérebros, coordenado por Rui Machado Gomes, imagina-se a viver fora de Portugal durante “toda a vida”. E é o mesmo estudo que refere que a transferência de recursos de Portugal para o centro da Europa tem um preço demasiado elevado para o desenvolvimento do país: 10.312.500.000 de euros. Mais de dez mil milhões de euros. E este saldo continuará negativo por muitos mais anos.»  

Amílcar Correia

31.10.16

Diálogos televisivos


RTP3 (31.10.2016, pelas 22:30)

- Bernardino Soares: Amanhã é feriado, bom feriado!
- Ângelo Correia: É o dia dos mortos, não é?
- Bernardino Soares: Não, isso foi hoje.

Ora bem: amanhã, 1 de Novembro, é Dia de Todos os Santos; o dia dos mortos (mais exactamente Dia dos Fieis Defuntos) é 2 de Novembro. Nada disto tem a ver com Halloween, Dia das Bruxas, pode ser? 
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Bem entregues




“Entre un commissaire européen, l’Allemand Günther Oettinger, qui tient à la tribune des propos racistes, flirtant avec l’homophobie et méprisants à l’égard de la démocratie, et un «comité d’éthique» qui estime que l’ancien président de la Commission, José Manuel Durao Barroso, n’a pas violé son devoir «d’intégrité et de réserve» en se faisant embaucher par la banque d’affaires américaine, Goldman Sachs, l’image de l’exécutif communautaire est une nouvelle fois écornée.”
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Dica (425)



How a Pillar of German Banking Lost Its Way. (Ullrich Fichtner, Hauke Goos e Martin Hesse) 

«For most of its 146 years, Deutsche Bank was the embodiment of German values: reliable and safe. Now, the once-proud institution is facing the abyss. SPIEGEL tells the story of how Deutsche's 1990s rush to join the world banking elite paved the way for its own downfall.»
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Será que António Domingues não quer declarar quantos diamantes já comprou?




Dantes dizia-se: «Queres dinheiro? Vai ao Totta.» Agora é mais vinhos, champanhe, jóias, esculturas de Nossa Senhora de Fátima, barras de ouro, terços Siza Vieira, pratos Vista Alegre, faqueiros, etc., etc.

Ai Deus, e u é!.. 
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Malas e edredões



«O comissário Pierre Moscovici fez provas, há alguns dias, para ser o sucessor do mágico Houdini. Segundo ele: "Temos de fazer caber o edredão na mala." Sintetizando: o volumoso edredão é o OE italiano.

A mala é o Pacto de Estabilidade e Crescimento da UE, que às vezes parece não ser maior do que a bagagem que se pode transportar numa "low-cost". Compreende-se o dilema de Moscovici para conseguir colocar um edredão do tamanho de Itália na malinha de cartão da UE. Mesmo empurrando é difícil que lá se consiga encaixar. Nada que admire os mais sensatos. Depois de vários anos de emagrecimento austero decretado por Bruxelas à sombra de umas leis que todos aprovaram por pressão da Alemanha e quando se pensava que o crescimento económico seria imparável, os resultados estão à vista. Uma coisa era ter aproveitado os anos férteis para colocar as contas públicas em dia. Outra era ter-se trocado, a meio do caminho depois da crise de 2008, uma política expansionista por outra de travão e marcha à retaguarda. (…)

Basta escutar os dislates do ministro Wolfgang Schäuble para se perceber como funcionam os neurónios de alguns políticos no centro da Europa. O problema é que a economia também é política. No caso de Itália, uma das maiores economias da Zona Euro, Matteo Renzi tem pela frente um duro desafio eleitoral daqui a pouco tempo. Se ceder às pretensões de Bruxelas, o seu destino em Itália estará traçado. Por isso revolta-se e pede uma mala de cartão maior para acomodar o seu desconfortável edredão. No fundo a questão maior é: como podem conviver malas e edredões?»

Fernando Sobral

30.10.16

Ghostwriters



Mas afinal qual é o problema? Platão não foi ghostwriter de Sócrates?
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Entretanto em Espanha


Vale a pena ouvir e / ou ler o discurso de um deputado da Esquerda Republicana Catalã sobre a abstenção do PSOE, que viabilizou o governo da direita.

Dica (424)




«While Italy struggles with weak growth, rising debt and political instability, its European partners are left with little choice but to continue supporting it.» 
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A insustentável leveza de António Costa



«No momento em que escrevo, o suspense que paira sobre a novela da Caixa Geral de Depósitos (CGD) não tem ainda o seu desfecho anunciado. Mas o pedregulho que o Governo tem no sapato já não lhe permite enfiar o pé sem deixar uma fractura exposta. Assim, um caso que deveria ser claramente secundário face à importância dos desafios que se colocam a António Costa e à sua equipa acabou por afectar seriamente a credibilidade política e ética do executivo.

A insustentável leveza com que o primeiro-ministro foi gerindo os percalços da nomeação da nova administração da CGD – deixando à rédea solta o seu ministro das Finanças e a já proverbial inabilidade que demonstrou em vários episódios – ameaça pôr em causa a imagem e a coerência de procedimentos que se esperaria de um Governo apostado em devolver esperança e justiça aos portugueses depois dos funestos tempos da troika. (…)

Temos, pois, o Governo isolado pela primeira vez, à esquerda e à direita, depois de um processo tortuoso e marcado por um inexplicável amadorismo, com o Ministério das Finanças crescentemente refém das exigências e regalias reivindicadas por António Domingues. O banqueiro passou assim da vice-presidência do BPI – onde não consta que tenha brilhado por uma genialidade ímpar, a não ser aos olhos de Mário Centeno… – para um estatuto régio que lhe permitiu, numa audição parlamentar, escusar-se a uma auditoria pretendida pelo Governo à anterior gestão da CGD. Aliás, durante esse processo fora notório o clientelismo selectivo de Domingues na escolha dos numerosos administradores não executivos, bem típico do Bloco Central, e que se expôs a uma humilhante reprovação do BCE devido à acumulação de cargos desses administradores noutras instituições ou à sua duvidosa competência bancária.

Que acontecerá agora? Ou Domingues renuncia ao cargo, ou o Governo corre o risco de ser desautorizado no Parlamento – e a história terá de voltar ao início, com todas as consequências desastrosas para a recuperação do banco público já mergulhado num pesadelo financeiro que os portugueses serão chamados a pagar por um preço ainda mais estratosférico do que aquele já anunciado. E que custará, por acréscimo, uma perda grave do capital de confiança e respeitabilidade do Governo.»

Refugiados em Paris



«Conséquence du démantèlement de la "jungle" de Calais, certains exilés récalcitrants à l'idée de partir dans l'un des 287 centres d'accueil et d'orientation répartis un peu partout dans l'Hexagone ont fait le choix de se tourner vers la capitale.»

Isto vai acabar mal. 
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