8.11.16

América, no dia dela



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A Grécia não está parada




««A comissão impulsionada pela ex-presidente do parlamento grego prossegue agora como associação cívica e promete continuar a luta pela suspensão do pagamento da dívida.(…) 
Zoe criticou ainda a posição do novo governo, que deixou de falar na redução do montante da dívida, passando a reclamar apenas a sua restruturação de juros e montantes. E sublinhou a necessidade de continuar o trabalho da auditoria, agora sob a forma de associação cívica.»
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Chegou a hora da sorte! É a lotaria americana!



«Faltam poucas horas para a decisão do campeonato eleitoral norte-americano. Quem irá vencer? Hillary Clinton e Donald Trump correm lado a lado para chegar à Casa Branca.

E se são os americanos a votar, milhões de pessoas em todo o mundo roem as unhas. Fará toda a diferença se ganhar um ou o outro. Para a América. E para todo o planeta. (…)

No Weekly Standard, Fred Barnes dá conta do nervosismo no campo democrata e na razão por que Obama se tem esforçado tanto por apoiar Hillary: "Há uma razão para que os Presidentes façam campanha activa para eleger o seu sucessor. Os Presidentes são o passado. Os candidatos presidenciais são o futuro.” (…) Esta campanha conseguiu cindir a América. Joe Klein, na Time, não esconde a sua simpatia: "Trump não vive no mesmo universo de Harry Truman. Ele pertence ao mesmo mundo de Snooki (personalidade de 'reality shows'). E os seus apoiantes sabem isso: eles têm prazer vingativo na sua profunda falta de seriedade. Eles protestam contra a complexidade. Porque não podemos conquistar Mossul em três dias? Porque não podemos ter emprego na indústria e produtos baratos no Walmart ao mesmo tempo? Porque é que não podemos só ter emigrantes da Europa?" Os dados estão lançados.»

Fernando Sobral
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Dica (430)



Donald Trump Is America. (Dan O'Sullivan) 

«Trump should be a wake-up call — a frightening enough harbinger that the American dream is a dead end, leading only to failure, frustration, and thoughts of revenge.» 
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7.11.16

Há 4 anos, o discurso de vitória de Obama




Claro que as desilusões foram muitas, mas… quem nos dera
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CGD: uma embrulhada arriscada



Daniel Oliveira no Expresso diário de 07.11.2016.



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Vergonha alheia


O inefável Ascenso Simões botou palavra para defender o último livro de José Sócrates. Transcrevo apenas isto e mais não digo. Por vergonha alheia:

O túnel do amor do OE



«Portugal não tem um ministro das Finanças como o Presidente francês François Hollande. Que pode explicar à vista desarmada num livro que negociou um défice falso com a Comissão Europeia (seja com a de Durão Barroso, seja com a de Juncker), sabendo que nunca cumpriria os 3%. E que do outro lado tenha contado com a compreensão dos mosqueteiros de Bruxelas que lhe explicaram que tinha de fingir para que fosse possível pressionar outros países (como Portugal) a cumprir o défice mesmo que isso fosse destruir-lhes a economia e o tecido social. Aí está, preto no branco, como funciona a UE: todos são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros. Isto não isenta Portugal, que tem um longo historial de não conseguir equilibrar as contas públicas, por pobreza, desmazelo ou alucinação política. (…)

Assistir ao debate sobre o OE é, por isso, uma canção pop dos Dire Straits: um "Tunnel of Love" de várias horas, com solos de guitarra para todos os gostos. Música para o contribuinte que, entre o "não há aumento de impostos" e o "vai haver um grande aumento", já sabe o refrão. (…) Cada partido, como no tempo de Eça, é contra os impostos na oposição e depois tem o orgulho de lançar um aumento quando chega a S. Bento. Os brutais juros da dívida inviabilizam qualquer investimento a sério e os impostos tiram o sangue das veias dos portugueses. Será uma sina?»

Fernando Sobral

6.11.16

Sophia, 97



Sophia de Mello Breyner nasceu no Porto, em 6 de Novembro de 1919.

Escolho recordá-la como a resistente à ditadura, que foi durante décadas. Juntamente com o seu marido, Francisco Sousa Tavares (o «Tareco», para os que éramos seus amigos), nunca recusou uma presença, uma assinatura, uma voz, integrada no universo dos chamados «católicos progressistas».

Foi candidata pela oposição (CEUD) às eleições legislativas de 1969 e um ano antes escreveu um poema que muitos cantam mas poucos sabem ser de sua autoria: a Cantata da Paz, tão divulgada por Francisco Fanhais depois do 25 de Abril, e que foi por ele «estreada» numa Vigília contra a guerra colonial, na passagem do ano de 1968 para 1969 (onde Sophia esteve obviamente presente).



Foi há muito tempo. Mas quem esteve lá não esquece.
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Dica (429)



Desobedecer aos credores para romper a austeridade. (Eric Toussain e Fátima Martín) 

«A experiência mostra que os movimentos de esquerda podem chegar ao Governo sem conquistar o poder. A democracia, ou seja o exercício do poder pelo povo e para o povo, requer muito mais.» 
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EUA: não são apanhados


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O dia seguinte



«É pouco provável que Donald Trump vença as eleições. Mas pode acontecer, dada a peculiar democracia americana e sobretudo o estado de alienação a que chegou uma parte significativa da população.

Embrutecidos pela religião e pelos media muitos americanos aderem a ideias francamente retrógradas, contraditórias, claramente prejudiciais para as suas próprias existências. (…)

A eleição presidencial norte-americana é um bom exemplo. Muitos americanos e ainda mais não-americanos terão ficado surpreendidos com o baixo nível da campanha de Trump. Não tanto pela sua personalidade grotesca, mas por haver tanta gente a segui-lo. Um dos países mais avançados do mundo, uma das mais importantes economias do planeta, revela que tem uma percentagem muito significativa da sua população atrás de um alucinado, um tonto, um perigoso demagogo que insulta tudo e todos e que promete, se for eleito, antagonizar o mundo. Como muito bem afirma a campanha de Hillary Clinton: "Alguém está disposto a entregar o poder nuclear a este homem?" Pelos vistos muita gente está.

O maior problema destas eleições não é por isso o seu resultado. Seria uma enorme surpresa e um susto para o mundo se Trump ganhasse. Ainda que, nesse caso, o sistema não o deixaria governar, a começar pelos republicanos. A sua passagem pela presidência seria curta e o dano mínimo.

O maior problema começa no dia a seguir à eleição de Hillary Clinton. A América está francamente doente e cabe perguntar "como foi possível chegar a isto?" Uma parte significativa da sociedade é decadente, atrasada, ignorante, isolacionista, incapaz de se enquadrar no mundo global e responder aos desafios da acelerada evolução tecnológica. Não por acaso os Estados Unidos estão a perder terreno em várias frentes tecnológicas. Ideias primitivas, como o fanatismo religioso ou a falsa livre iniciativa, já que os Estados Unidos são dos países mais intervencionistas do mundo, impedem o desenvolvimento social, cultural e político.

As eleições revelam a falência do sistema de ensino norte-americano. Que criou gente tão ignorante capaz de acreditar nos maiores disparates. Como dizia uma jovem apoiante de Trump: prefiro Deus a oxigénio, porque este só foi inventado no século XVIII e Deus é desde sempre.»

Leonel Moura