11.4.17

Entre 10 Brumas e muita Memória



Este blogue faz hoje dez anos, nasceu no tempo da inocência das redes sociais, já viajou pelos cinco continentes e vai crescendo e envelhecendo comigo.

Tem resistido bem ao dinamismo avassalador do Facebook, talvez por este ser o amigo leal que traz um número muito significativo daqueles que aterram aqui. Mas também lhe deve «favores», como espelho do que se passa por lá. Vénia recíproca, portanto…

A todos os que lerem este 12602º post do blogue, muito obrigada.

La nave va! E hoje com música:






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Eles «compreendem»…



… tudo e o seu contrário?

«Os primeiros-ministros dos sete países do sul da Europa (França, Itália, Espanha, Portugal, Chipre, Grécia e Malta), ontem reunidos, como seria de esperar não esboçaram qualquer ato de condenação do ataque lançado pelos Estados Unidos contra a Síria na madrugada da passada sexta-feira. Revelaram até compreensão. E aqui entra a contradição suprema, porque ao mesmo tempo que entendem ser necessário sublinhar que “não pode haver uma solução militar do conflito”, acrescentam que apenas no âmbito das resoluções da ONU e das conversações de Genebra será possível encontrar uma solução política crível, capaz de assegurar a paz, a estabilidade da Síria e a derrota do autodenominado Estado Islâmico. Ou seja, tudo o contrário do que fizeram os EUA e pelo qual estes países mostraram compreensão.»
Valdemar Cruz no Expresso curto de hoje. 
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Voar como Ícaro



«Passos Coelho tem estado a licenciar-se, durante este último ano, num novo curso de aviação. O "brevet" chama-se "voar como Ícaro" e o líder do PSD está a comportar-se como um digno sucessor do filho de Dédalo.

Tal como estes na mitologia grega, Passos Coelho construiu o seu labirinto do Minotauro. Mas como o Minotauro foi morto por Teseu, Dédalo construiu asas artificiais com cera para se poder libertar da reclusão. Alertou Ícaro para não voar muito perto do Sol, mas este não ouviu os conselhos do pai e despenhou-se no mar. Passos Coelho segue o voo de Ícaro. Diz que não se demite se perder as eleições autárquicas, mostrando a sua vontade irredutível. Rui Rio, o eterno futuro ex-líder, já percebeu isso e sentou-se ao seu lado para abençoar o candidato à Câmara do Porto. Mas, enquanto o sonho comanda a vida de Passos, as sondagens dão a dimensão da tragédia: um dia destes o PSD dissolve-se sem remissão.

Este é um país de desculpas e alguém será culpado do desaire que Passos Coelho não quer ver. Tal como se buscam culpados para o divertimento militante de jovens finalistas em Torremolinos. Quando, na verdade, se evita questionar o essencial: como é que adolescentes têm no contrato com o hotel bar aberto das 9 às 23 horas? É uma nova forma de educação? Neste país de desculpabilizações entende-se melhor como António Costa leva facilmente a água ao seu moinho. Com inimigos assim quem é que precisa de muitos aliados? Já se percebeu que os dislates do senhor Dijsselbloem servem às mil maravilhas para o Governo português ter um bombo da festa para consumo interno enquanto em Bruxelas se discute, no pacato mundo dos bastidores da burocracia europeia, quem poderá conduzir a carroça do Eurogrupo. Outras coisas importantes deixam assim de ter importância. A relatividade da política atinge em Portugal o seu momento de consagração. Portugal sabe há muito como consegue evitar ser Ícaro: cai, mas não se afoga no oceano. E, até agora, essa política cíclica deu sempre resultados.»

10.4.17

Janelas e mais janelas (2)



Jaipur (Índia), 2005.
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Dica (526)




«In six months, Germany will go to the polls in a showdown between Chancellor Angela Merkel and her Social Democratic challenger Martin Schulz. One issue is set to dominate the campaign: What to do about the European Union.» 
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E se tivesse sido o Iraque a bombardear os Estado Unidos?



Eduardo Galeano, em Los Hijos de los Dias:

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França: virão as boas novidades de onde menos se esperava?




«Il prendrait ainsi la troisième place à François Fillon, stable à 17 %. Marine Le Pen et Emmanuel Macron subissent tous les deux une baisse de 2 points, à 24 % d'intentions de vote. Benoît Hamon, candidat du PS, baisse pour sa part de 3 points, pour atteindre 9 %.»
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9.4.17

Janelas e mais janelas (1)



Cartagena de Índias (Colômbia), 2012.
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Dica (525)




«‘My fear is that Muslims, for all our apologies, will always be perceived as Europe’s integrated aliens.’»
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Novo mundo



Hoje almocei num restaurante onde o empregado, mesmo antes de perguntar o que queríamos comer e sem que ninguém lhe pedisse, escreveu na toalha em papel o nome da rede wi-fi e respectiva password
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E a Polónia amiga do nosso turismo




«O Parlamento da Polónia aprovou na sexta-feira uma resolução por ocasião do centenário das aparições de Fátima, em Portugal. (…)
“De modo particularmente dramático, através do segredo transmitido em três partes e de um espectacular milagre do sol, a Virgem recordou a verdade evangélica de que os homens, para serem felizes, precisam apenas de Deus omnipotente, que os criou apenas para si e deseja partilhar connosco a plenitude da felicidade”, lê-se na resolução aprovada pelos deputados.»
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09.04.1974 – A última acção armada contra a ditadura



Os principais alvos das organizações de luta armada, que surgiram em Portugal durante o marcelismo, enquadravam-se no protesto contra a guerra colonial. Com uma população desesperada e exausta por partir e ver partir os seus para uma terrível aventura sem fim à vista, tudo o que fosse atingir símbolos da política colonialista da ditadura tinha uma grande repercussão e era objecto de um significativo regozijo, mesmo que discreto e silencioso.

Foi o caso com a acção de sabotagem ao navio Niassa, no dia 9 de Abril, no Cais de Alcântara em Lisboa, no momento em que ia partir para Bissau com um contingente de soldados. Tratou-se de uma iniciativa das Brigadas Revolucionárias (BR) que avisaram a PSP do porto de Lisboa uma hora e quinze minutos antes, para que o navio fosse evacuado.

Há na net vários testemunhos de militares que se encontravam a bordo. Um exemplo:
«Para todos nós que íamos para um cenário de guerra, durante a nossa instrução já tínhamos assistido a rebentamentos de granadas, morteiros etc. mas sempre em situações controladas.
Este rebentamento para todos os presentes foi, surpresa seguida de um descontrole, mas para quem preparou a acção foi controlo completo.
O local onde foi colocado o engenho explosivo assim como a hora da sua detonação foi de tal forma feito a não permitir qualquer baixa, mas não evitou a perda, total ou parcial das bagagens dos companheiros que iam nesse porão.
A explosão verificou-se num dos porões mesmo junto da linha de água, fez um rombo de cerca 80cm nas duas chapas de ferro.
Depois do navio estar completamente evacuado, foi adernado por forma a evitar entrada de água no porão e entretanto começaram a reparação do rombo na parte exterior.
Até à meia noite tivemos de embarcar e na manhã seguinte quando acordamos estávamos no meio do Tejo junto à Ponte.
Neste dia tive oportunidade de me deslocar ao local da deflagração e verifiquei os estragos que provocou.
O rombo interior estava a ser reparado nesta altura.
Na manhã do dia 11 de Abril quando acordámos já navegávamos em alto mar.»

Outro testemunho aqui.

E os preparativos da acção, descritos por quem neles esteve envolvida: 
«A bomba foi dentro de um colete meu. Eu tinha um fato com um colete integrado. Nós cortámos o plástico em fatias e enchemos o forro desse colete, que por sua vez, foi dentro do blusão do militar que transportou a bomba para dentro do navio. Lembro-me de nos preocuparmos com o facto de ele ter de se abraçar à família antes de partir. A bomba não ia explodir, mas a carga plástica ia nesse colete que ele levava vestido e, ao ser abraçado, a família podia aperceber-se de algo anormal.» In Isabel Lindim, Mulheres de Armas, p. 215.
Laurinda Queirós, a «Branquinha», militante das BR, 23 anos em 1974, estudante de Medicina, hoje médica no Porto.
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