25.3.20

O drama na Índia




Há muitos dias que penso que a Índia será, muito provavelmente, o país onde a tragédia poderá vir a atingir valores inimagináveis, pela população que tem, pelas condições em que vive uma percentagem elevadíssima das pessoas, até por razões culturais e religiosas.

«Mais de um milhão de indianos podem ser infectados com o novo coronavírus até meados de Maio. (…)

O pânico está a crescer com a possibilidade bem real de que atinja comunidades pobres, e com as muitas dúvidas de que o sistema de saúde público, parco em recursos, seja capaz de lidar com esta crise.»
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24.3.20

Dia Nacional do Estudante



Segundo a Unesco, cerca de 850 milhões de estudantes de vários níveis, que representam mais de metade dos existentes a nível mundial, estão hoje em casa e não nas suas escolas. Em Portugal, onde se comemora hoje o Dia do Estudante, o mesmo acontece.

24 de Março é, para muitos de nós, uma data inesquecível em que manda a tradição que no juntemos na Cantina Velha de Lisboa, num mais do que tradicional jantar. As inscrições estavam feitas, o espaço reservado, o jantar não acontecerá por razões óbvias. Mas 1962 não será esquecido – nunca, enquanto por cá andarmos.
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Adeus Uderzo (1927 – 2020)



Manda-nos um barril de poção mágica - estamos a precisar.
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A responsabilidade de todos



«À medida que os dias passam, torna-se mais claro que as medidas económicas já anunciadas serão insuficientes para lidar com a destruição económica provocada pela Covid-19.

Para além da contenção do surto pandémico, a preocupação agora deve ser proteger os rendimentos das pessoas durante a suspensão da economia e conter a crise que virá depois. Estes objetivos exigem uma intervenção forte do Estado e a responsabilização das empresas e dos bancos.

No imediato, há medidas que podem proteger o acesso de todos a serviços básicos, da saúde à habitação, passando pela eletricidade. Quando esses serviços dependem do Estado, a sua provisão tem vindo a ser assegurada: é o caso dos municípios que suspenderam as rendas nos bairros de habitação pública, ou da Região Autónoma da Madeira, onde a eletricidade passou a ser gratuita. Mas o mesmo não está a acontecer com as grandes empresas privadas. A EDP ainda não garantiu o fornecimento de energia a quem foi mais afetado pela crise. Os bancos que - não esquecemos - foram salvos com dinheiros públicos, ainda não suspenderam os pagamentos dos créditos à habitação das pessoas que perdem os seus rendimentos e já começam a aproveitar o desespero para cobrar juros e comissões impossíveis às pequenas empresas.

Vivemos tempos de enorme exigência a responsabilidade. Os cidadãos estão a fazer a sua parte, e muitos pagarão com desemprego e pobreza o necessário isolamento na contenção da Covid-19. A responsabilidade das empresas não é apenas fazer doações de material médico, por importantes que sejam. Hoje fica claro que há monopólios que nunca deviam ter sido privatizados. Cabe agora ao Governo impor a essas empresas a garantia dos serviços essenciais que controlam. Sobre estas, como sobre todas as outras empresas, impende ainda outra responsabilidade maior: não despedir.

É para proteger a produção e o emprego que se estão a criar planos de apoio às empresas, que o regime de lay-off foi flexibilizado, assim como as regras contributivas e fiscais, e que o Estado apoia o pagamento de salários. Estas medidas podem e devem ser reforçadas e até complementadas por outros mecanismos, como os subsídios diretos. Mas tudo isto deve ter como contrapartida a manutenção dos salários e de todos os postos de trabalho, permanentes e temporários. Porquê? Porque se isso não for feito, depois do pico da pandemia, o país será confrontado com um nível de desemprego que impedirá a recuperação das contas públicas, mas também - pela queda da procura - das próprias empresas.

Proibir os despedimentos, proteger os rendimentos e o emprego. É essa a responsabilidade de um país que se mobiliza contra uma crise nunca antes vista.»

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Ajuda mental


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23.3.20

O que diriam os filósofos sobre o Coronavírus?


PLATÃO: fiquem na caverna, porra!

NIETZSCHE: fique em casa, por mais difícil que seja suportar a sua própria presença.

DESCARTES: habito, ergo sum.

HEGEL: tese: fique em casa; antítese: fique em casa; síntese: fique em casa.

HERÁCLITO: não se apanha duas vezes o mesmo vírus.

BUDA: a paz vem de dentro de si o O vírus, de fora. Fique em casa.

ROUSSEAU: o homem é bom por natureza, mas o vírus o corrompe.

SÓCRATES: a verdade sobre o vírus já está dentro de você. Tomara que o vírus não.

SANTO AGOSTINHO: a medida de amar é amar longe.

FRANCISCO DE ASSIS: onde houver vírus, que eu leve álcool gel.

KANT: duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado lá fora e eu aqui dentro.

WITTGENSTEIN: aquilo que não se pode contrair, não se pode transmitir.

SIMONE DE BEAUVOIR: não se nasce infectado, torna-se infectado.

SARTRE: nada a retificar, o inferno são os outros.

MARX: trabalhadores do mundo, separai-vos.

CRISTO: amai-vos uns aos outros ficando longe uns dos outros.

JUDITH BUTLER: o facto de esta lista ser composta por 95% de homens revela como a história da humanidade é a história da dominação patriarcal. Homens são o verdadeiro vírus.

(Via Helena Ferro de Gouveia no Facebook)
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Tempos de trevas mas também de luzes



«Nos tempos que correm, só há um tema, o que não nos ajuda a passar o tempo nem a libertar a mente. Vírus, corona, Covid-19, formas de contágio, infetados, internados, cuidados intensivos, mortes, são as palavras do momento. E, para aqueles que dizem ver mais além, as palavras não soam melhor: crise económica, falências, desemprego, recessão...

Pelo meio, são muitos os exemplos que nos mostram que o ser humano, no meio de todas as suas imperfeições, é, de facto, humano. No sentido de humanista, como o atesta a multiplicidade de estórias comoventes e comovedoras de dedicação ao bem comum, de amizade, de fraternidade, de solidariedade a que também vamos assistindo. Que nos fazem acreditar que, afinal, há futuro para a humanidade!

Mas, ao mesmo tempo, assistimos (os mais atentos e que diversificam as fontes de informação...) a episódios que mostram que o lado mais negro do Mundo continua a "brilhar". Só assim se pode classificar o facto de, nos tempos que correm, estar a decorrer, na Europa central e nos países bálticos, uma operação de grande envergadura da NATO, apelidada "Defender Europe 20". Que visa enviar 20 000 soldados diretamente dos EUA para a Europa, na maior mobilização de forças em mais de 25 anos. Ao mesmo tempo que milhões de pessoas são colocadas de quarentena em suas casas. Quando há falta de materiais e equipamentos básicos nos hospitais. Quando assistimos a diversos países, designadamente os EUA, a proibirem a entrada de cidadãos da Europa no seu país. Ao mesmo tempo, dizia, milhares de soldados dos EUA, acompanhados de equipamentos e material de guerra (e, presumo, acompanhados de hospitais de campanha bem apetrechados) cruzam o Atlântico para desembarcar na Europa onde, juntamente com militares de outros países da NATO, desenvolvem exercícios militares de grande envergadura. Que não foram suspensos devido à pandemia, apenas foram "ajustados". Porque, apesar de nos dizerem que esta pandemia se equipara a uma guerra, os verdadeiros "senhores da guerra" não podem abdicar dos seus exercícios militares!...

Simultaneamente, a União Europeia, um dos pilares da NATO, manifesta total incapacidade de apoiar os seus estados-membros, particularmente a Itália, cujo povo é o que mais tem sofrido os efeitos do Covid-19. Bem pode a UE, face aos tempos que vivemos, dizer que "alivia" as regras orçamentais - e era o que faltava se tal não acontecesse! Porque, de facto, nesta crise não houve UE! Situação que é ainda mais vergonhosa quando vemos a desembarcar, nessa mesma Itália, médicos e equipamentos chineses. Ou equipas de médicos cubanos que, apesar do selvático embargo económico ao seu país, dizem presente nos momentos em que a solidariedade se impõe...»

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Coronahumor (3)



Não há sabão que chegue!
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22.3.20

O mundo como nunca o imaginámos


Depois da China e de Cuba, a Rússia envia médicos e equipamento para Itália.
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USA – Da loucura




«As pessoas estão assustadas. Há muito pânico no mundo e as pessoas querem ser protegidas para o pior cenário.»
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Coronahumor (2)



Com os museus fechados...
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O que nos distingue



«Um estudante terá um dia perguntado à antropóloga Margaret Mead qual era o primeiro sinal de civilização. A resposta veio pronta: uma ossada com um fémur cicatrizado, encontrada numa estação arqueológica com 15 mil anos. Não foi nem um artefacto de caça, nem um pote de barro, nem uma pedra de moer. Para Meade, o que nos distinguiu foi termos começado a cuidar uns dos outros. Em sociedades recoletoras, alguém com uma perna partida seria inútil e incapaz de cuidar de si. A antropóloga acrescentou que, onde reina a lei da selva e só os mais aptos resistem, ninguém sobreviveria com esta condição. Se chegou até aos nossos dias um fémur cicatrizado é porque houve quem cuidasse de um doente, não o deixando ficar para trás. A evidência de compaixão é o primeiro sinal de civilização.

De alguma forma, a história das civilizações pode ser contada através da forma como fomos lidando com os riscos. Aqueles que sempre estiveram connosco, mas, também, os novos riscos, muitos deles criados pela modernização.

Poucas coisas mudaram tanto as nossas sociedades como a socialização dos riscos e o modo como fomos deixando de ser responsáveis pela nossa própria sorte. Mudou a sociedade e, acima de tudo, transformou a forma como nos entendemos na nossa individualidade. É esse, aliás, um princípio basilar do humanismo: somos na medida em que nos projetamos no outro e cuidamos dele.

Há, por isso, um longo processo que se iniciou no cuidador informal, teve um passo de gigante na passagem do século XIX para o século XX com a cria¬ção do seguro social público para enfrentar os riscos de velhice, doença e invalidez associados à industrialização, sob o impulso decisivo de Bismarck, na Alemanha, e que culminou na proteção social universal, no pós-guerra, com a institucionalização dos sistemas beveridgeanos.

Perante um novo risco como a covid-19, de contornos incertos e em parte manufaturado, vale a pena regressar à História. Tem sido muitas vezes dito que vivemos um tempo de guerra, com desafios económicos com poucos paralelos e que há que enfrentar o inimigo, para, depois, em tempo de paz, se tratar do resto. É um equívoco. Mesmo num período dramático como a II Guerra Mundial, não se esperou pela paz para planear o futuro. O relatório apresentado à Câmara dos Comuns por William Beveridge mudou de forma radical a gestão dos riscos nas sociedades democráticas do pós-guerra, mas é de 1942.

Agora é, certamente, o momento de responder à pandemia e aos seus efeitos seletivos. Mas é ainda mais importante planear já como é que vamos recompor a economia daqui a uns tempos. Não será certamente com as respostas do passado. É um daqueles momentos em que temos, de novo, de repensar a gestão dos riscos. Os de saúde pública, mas, também, os sociais, económicos e políticos.»

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