7.10.20

Trump e o vírus

 

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6.10.20

Cavaco Silva: mensagens do além

 


Dizem que lança hoje um livro intitulado «Uma Experiência de Social-Democracia Moderna» (importa-se de repetir?...). 

Entre outras convicções certamente geniais, é nele classificada «a redução do horário de trabalho semanal no setor público como “um dos maiores erros do poder político”». E há mais, muito mais.
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Dia Europeu do Cuidador

 

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O que está em causa para o Orçamento de 2021?

 


«Em 2015, quando negociamos um acordo escrito com o PS, sabíamos que tínhamos de nos bater por medidas muito além do seu programa eleitoral e que davam ao país o que mais precisava: um plano para aumentar o salário mínimo e os rendimentos, o aumento das pensões, a tarifa social da energia ou a redução do IRS. 

Tudo o que hoje parece óbvio e adquirido, em 2015 foi conseguido contra o plano e as pressões de quem considerava a austeridade inevitável e a Comissão Europeia uma força invencível. 

Cinco anos depois, enfrentamos um desafio maior: combater uma pandemia mundial com efeitos económicos e sociais devastadores. O mesmo sentido de responsabilidade leva-nos agora a propor medidas que são essenciais para uma resposta determinada à crise: proteger o emprego e os salários, cuidar do SNS, apoiar os rendimentos e impedir novas perdas públicas com o Novo Banco. 

Até agora, o Governo não garantiu concretização suficiente na maior parte destas áreas: na proteção social, recusa o reforço das prestações de desemprego e não se compromete quanto a prazo ou valores da nova prestação social a criar. No trabalho, não admite alterações estruturais à lei e anunciou um recuo na atualização do salário mínimo nacional. Na saúde, não cumpriu o acordo para o aumento dos profissionais do SNS, que conta agora com menos médicos que no início da pandemia. Quanto ao Novo Banco, o Governo insiste em continuar a financiar os prejuízos da gestão do Lone Star, mesmo depois dos indícios de uma gestão desenhada para aumentar as perdas públicas. A solução apresentada, de pôr os bancos a financiar o Fundo de Resolução, é um truque de ilusionismo que não protege os contribuintes nem a estabilidade do Novo Banco. 

O Bloco fez, desde o início das negociações, um percurso transparente, com condições claras e públicas. A viabilização do Orçamento depende da construção de uma proposta que consagre uma prestação social consistente e a reposição das regras do subsídio de desemprego anteriores a 2010; que penalize de forma relevante os despedimentos em empresas com lucros ou apoios públicos, que reponha a indemnização por despedimento e a duração de três meses para o período experimental; que crie a carreira de técnico auxiliar de saúde e garanta ao SNS mais 8400 profissionais do que tinha em 2019 e mais vagas para a formação de médicos especialistas; que ponha fim ao assalto da Lone Star ao Novo Banco e ao erário público. 

Insistamos na clareza: nenhuma destas medidas vale uma crise política, pelo contrário. Em 2015, a relação de forças levou o PS a assinar o acordo que muitos julgavam impossível. Esperemos que, em 2020, os cálculos eleitorais do PS não o levem a cair na tentação de fazer diferente. O país precisa de respostas à altura da situação e da responsabilidade de as procurar à Esquerda.» 

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5.10.20

Ameaças destas, não, senhores polícias

 



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Hoje

 


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Bem agitado foi o 05.10.2012

 


Nós já andávamos de cabeça para baixo e a bandeira acompanhou-nos. 

E não só: 


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Um partido com 7% dos votos pode ter 12 deputados

 


«Há especialistas que sabem responder muito melhor do que eu à pergunta sobre quantos deputados pode ter um partido com 7% dos votos, porque há muitos factores a ter em conta. Em que círculos eleitorais são obtidos esses votos, quantas pessoas votam, quantos partidos concorrem, como de distribuem os votos. As incógnitas são várias. 

Numa perspectiva muito conservadora, é possível eleger um deputado com perto de 2% do total de votos. Nas últimas legislativas, porém, três partidos conseguiram sentar três parlamentares (um cada um) em São Bento com menos de 1,5% cada. O PAN, com cerca de 3,5%, elegeu quatro. E a CDU, com aproximadamente 6,5%, elegeu 12. 

A última sondagem publicada neste fim-de-semana no Expresso sobre intenções de voto nas legislativas aponta para que os dois maiores partidos mantenham valores idênticos aos obtidos em 2019. O PS sobe ligeiramente e o PSD desce algumas décimas, mas no essencial, no topo, pouco muda. O Bloco mantém-se em terceiro, perdendo votos. E o Chega sobe a quarto lugar, passando literalmente pela direita a CDU, o CDS, a IL e o Livre. 

É aqui que está a grande diferença. O crescimento do Chega já não é só uma intuição, é uma evidência nas sondagens. Com estes valores, o partido de André Ventura passaria em tempo recorde, e com uma certa facilidade, de um deputado único para o quarto maior grupo parlamentar, com pelo menos uma dúzia de deputados (a percentagem que obtém na sondagem coloca-o acima da CDU nas legislativas de 2019). 

Valorizando estes números, que são os mais recentes, o CDS passaria a contar tanto quanto a Iniciativa Liberal conta actualmente, por exemplo. Nestas condições, o contributo de Francisco Rodrigues dos Santos para um eventual bloco de direita seria irrelevante e não faria qualquer diferença. 

É pelo facto de o Chega ser o partido que teria mais a ganhar numa ida às urnas que, neste momento, não interessa a nenhum dos principais partidos que haja uma crise política. O Presidente da República tem-no repetido à exaustão, numa tentativa de que esses mesmos partidos vejam além das negociações orçamentais. 

É que, a julgar por estes números, o que mudaria se houvesse eleições antecipadas não era a chefia do Governo, que continuaria a caber ao PS. Tão pouco mudaria a liderança da oposição, que se manteria nas mãos do PSD. A grande mudança seria naquele pequeno partido de extrema-direita que hoje, só com um deputado, já influencia muito o discurso, o debate e a agenda parlamentar, introduzindo temas já por várias vezes considerados inconstitucionais. É esta a razão por que nenhum responsável político quer ouvir falar em crise e em eleições. 

Todos nós já conhecemos André Ventura desde que era vereador do PSD em Loures e vamos escrutinando as suas propostas e declarações. Mas agora importa saber mais. Além dele, quem é o Chega? Diogo Pacheco Amorim? Elementos herdados de partidos ou movimentos extremistas? E mais? Quem teria lugar no Parlamento se as sondagens se confirmassem? Quem são e de onde vêm os militantes que sobressaíram no último congresso para mostrar que pensam diferente do líder (e que conseguem ser mais radicais do que ele)? Há um Chega além de Ventura? 

Tenho muito mais perguntas para os próximos tempos. Tentarei também ter as respostas.» 

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4.10.20

11 anos em Mercedes Sosa

 


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Sejamos realistas, vamos pedir o impossível

 


Preparemos os festejos do Natal… de 2021. 

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«Patrióticos» mas sem exagero

 

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A América merece ser ela, não um vírus, a derrotar Trump

 


«No debate, Donald Trump mascarou Joe Biden: “Ele usa sempre a maior máscara que jamais vi!” Trump levou as mãos à cara, gozando com o zorro democrata. Quanto a ele próprio: “Sei quando preciso de máscara e uso-a.” E a sua equipa? “Ainda esta noite fizemos testes e guardamos a distância social.” Enfim, o costume, Trump claro e falso. 

Nessa terça-feira, ao embarcar no Air Force One para Cleveland, a cidade do debate, Trump fez-se acompanhar pela mulher e filhos. Ao embarcar e desembarcar, ninguém usava máscara. O diretor da campanha Bill Stepien, sabe-se, nunca a usou dentro do avião. E, ao chegar, ele e Hope Hicks, a mais próxima colaboradora do Presidente na Casa Branca, entraram para uma carrinha, sem máscara — ambos pagariam caro. 

Na quarta-feira, Trump fez um comício no aeroporto de Duluth, no Minnesota, com pessoas apinhadas, a maioria sem máscara. Trump, também sem máscara, pegou num molhe de bonés e atirou-os, um a um, para mãos estendidas e abertas. Para apanhar o boné — ou talvez mais. Na quinta-feira, a conselheira Hicks soube que apanhou mais. Na madrugada de sexta, o Twitter de Trump anunciou que ele e a sua mulher, Melania, também tiveram teste positivo à covid-19. 

Do debate, disse na SIC o comentador televisivo Miguel Monjardino: “Foi um shit show.” E tendo ousado o palavrão anglófono, democratizou a informação: “Foi uma merda.” Gostei da ousadia da palavra, porém, o debate não foi shit, isto é, coisa sem valor. Pelo contrário, o debate gerou energia, tal como, a partir de excrementos, um processo chamado “digestão anaeróbia” captura o metano e o dióxido de carbono libertados por bactérias. É uma indústria moderna e útil, o aproveitamento dos excrementos. Na política também pode ser bom, se os cidadãos toparem a sinceridade sem vergonha e/ou a mentira descarada de quem debate. 

O expelido por Trump, no debate, expôs Trump. Que culpa tem ele de que alguns cidadãos, de além-mar e por cá também, sejam pitosgas? Ensinar-nos sobre quem discute é, aliás, a primeira função de um debate. Trump é um livro aberto. Em discursos, comícios, tweets e entrevistas, Trump nunca engana. Já o vi num palanque a gozar, com gestos incontrolados, um paraplégico; num discurso, sobre um colega de partido, o falecido senador McCain, ouvi-o chamar cobarde a um herói de guerra; e, numa entrevista, dei por ele a meter a perna direita pela esquerda, para dizer o que levou um certificado médico a livrar da guerra do Vietname o filho de milionário que ele era… 

Nos debates, se formos atentos à sua impudicícia, Trump diz-nos sempre muito. Viu-se na terça. Ele interrompeu quase todas as intervenções do adversário. Insultou o New York Times, que levou quatro anos a investigar o que qualquer candidato a Presidente faz questão em mostrar — a folha de impostos. Ignorou esta (15 últimos anos sem pagar ao fisco, exceto dois, cada um a 750 dólares) e ignorou as falências sucessivas, impróprias de um homem de negócios tão sagaz. E lançou à cara do adversário o vício de drogas por que passou um filho deste. 

Enfim, uma lista de mudslingers (como os americanos chamam às campanhas sujas) que não é novidade em eleições nos EUA. A originalidade de Trump é a sua ação política quase se limitar a essa prática e ele prolongá-la por todo o mandato. Acresce agora o mais grave: o Presidente da América faz pairar dúvidas sobre a legitimidade das eleições, ameaça não aceitar os resultados e manter-se na Casa Branca, mesmo se derrotado. Do nunca visto, com um píncaro no debate: “Proud Boys, cheguem-se para trás e aguardem”, disse Trump. Malta, já vos chamo quando forem necessários... 

Os Proud Boys são uma milícia armada pela supremacia branca. Imaginá-la a intimidar no dia da votação vai na esteira do que tem dito Trump. Mas algum senso veio do Partido Republicano e o Presidente teve de ir à Fox dizer que é contra os supremacistas brancos. E que pouco sabe dos Proud Boys. Entretanto, meteu-se o anúncio da covid-19 e Trump não teve ocasião de perguntar a Roger J. Stone, um seu antigo conselheiro, amigo desde a década de 80 e lobbyista de causas sulfurosas, incluindo os Proud Boys. 

A investigação oficial sobre a interferência russa nas eleições de 2016 considerou Roger Stone personagem-chave na tramóia de Putin. O FBI levou Stone a testemunhar no Congresso e ele mentiu para proteger alguém. No ano passado, um tribunal condenou-o a sete anos de prisão mas, este julho, Trump comutou-lhe a pena. E Roger J. Stone Jr. está longe de ser o finório com maior influência no narcisista que tomou a Casa Branca. 

Ironia extraordinária esta de um vírus transformar Trump no mais frágil dos candidatos em vésperas de presidenciais na América. Espera-se que lhe passe a covid-19, por duas razões. A primeira, porque a América merece ser ela, e não um vírus, a derrotar a bactéria que na história moderna mais pôs em perigo o país. A segunda, porque Donald Trump não pode desaparecer sem sabermos mais dele. Por exemplo, sobre o seu pai espiritual e mentor, o advogado Roy Cohn. 

Cohn foi um dos homens fulcrais nos Estados Unidos na segunda metade do século passado. Aos 24 anos era a cabeça pensante do McCarthyism que à pala de combater o comunismo (em plena Guerra Fria) perseguiu intelectuais, artistas e funcionários, numa paranóia liberticida que também caçou homossexuais — apesar de Roy Cohn ser gay (no armário). Nas décadas de 60 e 70, tornou-se o advogado mais temido de Nova Iorque, difamando os adversários, tecendo uma rede entre a câmara, a arquidiocese e a máfia, importando-lhe menos a lei do que corromper juízes do Bronx e de Brooklyn. Um credo: sempre atacar, nunca pedir desculpa. 

Em 1973, Donald J. Trump procurou Cohn, dez anos mais velho, mas já uma lenda com um quarto de século. Donald e o pai, milionários na construção civil, tinham um problema com o governo que queria multá-los por não alugarem casas a negros. O advogado pequenino, olhos azuis e um esgar de desprezo nos lábios tinha a solução: pôr o Governo em tribunal. Batem-te? Bate dez vezes mais forte. Ganha a todo o custo e nunca admitas ter errado. Apanhemos a máquina do tempo num regresso ao futuro: “Eu?! Dizer que a covid-16 era só simples gripe? Nunca disse…” 

Foi o começo de uma feia amizade. Expulso da barra dos tribunais de Nova Iorque por falsificar a assinatura de um cliente bilionário, Roy Marcus Cohn morreu de sida, em 1986, dizendo que era cancro no fígado. Deixou a herança a um amante. Casas de luxo e o Rolls Royce de chapa de matrícula com as suas iniciais “RMC” e a da limusina Cadillac: “DJT”, as iniciais de Trump. O herdeiro ficou desiludido, o fisco abocanhou quase tudo por causa dos impostos em dívida. Sobrou um par de botões de punho incrustados de diamantes que Trump lhe oferecera. Nem isso ganhou o herdeiro: os diamantes eram falsos. 

O cínico mestre Roy Cohn havia de gostar desse desfecho: o seu aprendiz iria longe. Talvez até à Casa Branca.» 

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