7.2.23

João Bénard da Costa

 


Seriam 88, hoje.
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07.02.1927 – Juliette Gréco

 


Juliette Gréco chegaria hoje aos 96, mas morreu em 2020. Viveu até aos 6 anos em Bordéus com os avós maternos e partiu então para Paris com a mãe e a irmã mais velha.

Numas férias passadas na Dordogne, a mãe foi presa pelos nazis por actividade na resistência, o mesmo acontecendo a Juliette, então com 16 anos, e à irmã mais velha. Saiu em liberdade um mês mais tarde e foi viver para Paris em casa de uma antiga professora que morava perto de Saint-Germain-des-Prés. Facto decisivo na sua vida! Viveu o entusiasmo do pós guerra, integrou-se rapidamente em grupos de intelectuais e artistas e acabou por contactar, como é sabido, Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Boris Vian, Jean Cocteau ou Miles Davis.

Algumas das suas interpretações clássicas:










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A maioria absoluta está morta?

 


«"O que queremos é uma maioria absoluta que não esteja morta". A frase é do presidente da República. Foi dita no rescaldo de uma entrevista, neste arranque de semana, em que António Costa se escudou na maioria absoluta, conseguida em janeiro do ano passado, para jurar que será primeiro-ministro até 2026. Se um cidadão português vindo de Marte aterrasse neste instante nas notícias sobre a atualidade política e fizesse uma interpretação literal das palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, a conclusão seria mais ou menos imediata, óbvia e brutal: o Governo tem os dias contados.

Se o mesmo cidadão se recordasse, entretanto, que houve eleições legislativas há apenas um ano, ficaria preocupado, e talvez fosse à procura de contexto. Mas poderia aterrar nesta outra frase de Marcelo, dita há um mês, a propósito de uma eventual demissão do Governo: "Não é claro que surgisse uma alternativa evidente, forte e imediata àquilo que existe". E a conclusão seria igualmente óbvia e brutal, mas menos imediata: o Governo tem os dias contados, mas só quando o presidente perceber que o PSD tem condições para ganhar eleições e liderar um Governo.

Não é fácil, de facto, lidar com a velocidade do tempo político em Portugal. Mas é mais ou menos evidente que o presidente, concorde-se ou não, decidiu apostar numa renovada centralidade política, desde que Costa se viu apanhado numa tempestade de casos, casinhos, demissões e escândalos. Marcelo está empenhado numa visão maximalista dos poderes que tem e faz questão de deixar isso bem claro, sempre que pode, ao primeiro-ministro.

É verdade que Marcelo já não goza da popularidade de outrora, como mostrou o mais recente barómetro político da Aximage para o JN. Mas Costa está ainda pior. Depois de anos em que foi o único líder partidário com avaliação positiva, passou a ser o político com maior índice de rejeição. Pior até do que André Ventura, o que não é coisa de somenos. E não deixa de ser paradoxal que o seu atestado de sobrevivência seja afinal a fragilidade do seu principal rival, Luís Montenegro. O líder do PSD não só não capitaliza os descontentes, como perde o pé. Talvez seja mesmo só por isso (a fazer fé nas farpas de Marcelo) que a maioria absoluta, parecendo moribunda, ainda não tenha sido dada como morta.»

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6.2.23

Não é em Alfama

 


É roupa a secar em Nova Iorque (Lower Manhattan), 1902. 

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Isto não se inventa

 


Marcelo «GARANTE» o que o Governo ainda não anunciou. E este terá mesmo «SUPERADO» ou será obrigado a fazê-lo daqui a umas horas?

(Observador, 06.02.2023)
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06.02.1932 – François Truffaut

 


François Truffaut nasceu em Paris e faria hoje 91 anos, morreu muito cedo (com 52), mas deixou-nos 26 filmes que o mantêm connosco. Com uma infância atribulada, que acaba por retratar parcialmente em «Les quatre cents coups», Truffaut fundou um cineclube aos 15 anos e foi rapidamente descoberto por André Bazin que viria a ter uma influência decisiva na sua carreira, introduzindo-o junto dos grandes nomes da época e nos celebérrimos «Cahiers du Cinéma». Tornou-se um dos principais representantes da «Nouvelle Vague» francesa e, nesses tempos áureos do cinema francês, era sempre com ansiedade que se aguardava a estreia de um novo título.

Alguns entre muitos inesquecíveis: «Baisers Volés» (1968), «Les quatre cents coups» (1959), Fahrenheit 451 (1966) e o último dos seus filmes, estreado um ano antes de morrer: «Vivement dimanche!» (1983).








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André Ventura ministro da Administração Interna? Sim, é possível

 


«O PSD tem as malas prontas para fazer um Governo de coligação com André Ventura caso vença as próximas eleições. O partido enviou à sessão de encerramento da convenção o seu vice-presidente que, desde a primeira hora, imaginou uma coligação com o Chega, Miguel Pinto Luz. Isso foi um sinal, assim como se espalha a ideia de aproximação de cada vez que Montenegro diz aquela frase terrível "Para mim o Chega não é assunto" ou similar. Peço perdão pela minha ingenuidade: no Congresso do PSD até achei que Montenegro se estava a afastar do Chega. Devia estar toldada por uma vontade qualquer de dar o benefício da dúvida. Obviamente, o discurso foi feito apenas para "épater les bourgeois" como eu.

Sobre um futuro Governo PSD-Chega, a frase que, para mim, acabou por ser decisiva esta semana foi a resposta de Miguel Relvas, no seu programa de comentário na CNN-Portugal, a uma pergunta do jornalista Paulo Magalhães. "Repugna-lhe um Governo PSD-Chega?", questiona Magalhães. "Não", afirma, com a rapidez com que se responde a perguntas singelas, Miguel Relvas.

Miguel Relvas pode estar afastado da política activa, mas não é um militante qualquer. Foi número dois de Passos Coelho no PSD, no Governo PSD/CDS foi ministro-adjunto, liderou a campanha interna de Passos e a conquista do aparelho. Deputado desde os tempos da JSD, Relvas é, de certa maneira, um bom barómetro do PSD mais autêntico, das bases. É verdade que o cenário de um Governo PSD-Chega repugna a Jorge Moreira da Silva e ao eurodeputado José Manuel Fernandes. Mas parece não existir um clamor social-democrata contra uma aliança com o Chega.

O caminho para a coligação PSD-Chega começou a ser feito nos tempos em que Rui Rio popularizou aquele slogan "sim-se-o-Chega-se-moderar". O polémico acordo dos Açores funcionou como a experiência regional e antecâmara daquilo a que estamos agora a assistir. É importante ler na edição desta sexta-feira o excelente texto de Francisco Mendes da Silva cujo título é "O PSD já claudicou perante o Chega. E agora?".

O Chega exige vários ministérios, incluindo o Ministério da Administração Interna – como Salvini ocupou no Governo italiano. Pode lá chegar. Jorge Almeida Fernandes, na sua magnífica newsletter, lembra como Mitterrand favoreceu a ascensão da extrema-direita. Às vezes, quando se assistem a certas atitudes dos socialistas portugueses parece que andam a querer copiar franceses, como já foi moda em Portugal. Como foi possível o Governo enviar uma das suas ministras mais importantes e com mais peso político no PS ao encerramento da convenção do Chega? A opção burocrática de que, como o Chega é um partido com representação parlamentar, manda-se a ministra dos Assuntos Parlamentares não devia ter sido feita.

Mitterrand facilitou a ascensão de Le Pen e hoje, em França, os velhos partidos tradicionais, equivalentes aos nossos PS e PSD, faleceram. Macron saiu do Governo Hollande para criar um movimento independente – En Marche – que depois transformou no partido que agora rebaptizou de Renascimento. Do outro lado está Le Pen. O semimorto PS francês, onde militou Mitterrand Presidente, já se coligou com a França Insubmissa de Jean-Luc Melénchon.

A implosão do regime em França devia ser lida com muito cuidado pelos portugueses porque, com o PS em queda e o PSD naquele estado, um dia destes acordamos com dois pólos alternativos que não são nenhum destes.

Por enquanto, o PS tem uma maioria absoluta consagrada nas eleições de há um ano. Costa tenta recuperar a iniciativa, como tentou fazer na entrevista televisiva desta semana, mas sete anos no poder tornam a tarefa de começar do zero muito difícil. Com o PSD rendido ao Chega, é natural que parte do eleitorado do centro continue a votar PS para impedir a extrema-direita de ser Governo. Mas é impossível eternizar o PS no poder.

Caro leitor, cara leitora: se um dia acordarmos com André Ventura como ministro da Administração Interna não podemos dizer que não fomos avisados.»

Ana Sá Lopes 
Newsletter do Público (excerto), 03.02.2023
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