16.7.11

Aos vindouros, se os houver...


Vós, que trabalhais só duas horas
a ver trabalhar a cibernética,
que não deixais o átomo a desoras
na gandaia, pois tendes uma ética;

que do amor sabeis o ponto e a vírgula
e vos engalfinhais livres de medo,
sem peçários, calendários, Pílula,
jaculatórias fora, tarde ou cedo;

computai, computai a nossa falha
sem perfurar demais vossa memória,
que nós fomos pràqui uma gentalha
a fazer passamanes com a história;

que nós fomos (fatal necessidade!)
quadrúmanos da vossa humanidade.

Alexandre O'Neill, Poemas com Endereço
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Dantes era assim (2)


Sem Barbies.

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Pois nós (também) somos a Grécia


... Mr. Obama.
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A destruição programada do SNS


No último número de Le Monde Diplomatique (edição portuguesa), um importante texto de Sandra Monteiro:

«Os cidadãos com rendimentos mais elevados também devem ter acesso gratuito a todos os cuidados de saúde prestados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). A concepção que esta afirmação encerra, e que está no centro da arquitectura do Estado social, não é uma herança de um qualquer tempo de vacas gordas em que se podia fazer tudo por todos − até pelos ricos, como se ouve agora −, nem exprime um pensamento utópico que ignora os condicionalismos dos recursos. Pelo contrário, assume que os recursos, além de serem limitados, são socialmente apropriados de forma assimétrica e em resultado de interesses divergentes e poderes desiguais. Procurando uma solução democrática de arbitragem e de escolha das finalidades a prosseguir, o Estado social procura encontrar as formas de redistribuição que melhor assegurem o bem-estar e a elevação geral do nível de vida dos cidadãos. Fazendo-o, o modelo em que ele assenta conseguiu resultados significativos ao nível da redistribuição de rendimentos, da diminuição das desigualdades e da racionalização dos recursos − muito mais do que os modelos assistencialista ou neoliberal, apesar dos erros, falhas e atrasos.

Em Portugal, o caso do SNS é exemplar, tanto pela melhoria dos indicadores de saúde por que é responsável nas últimas décadas, como pelos problemas persistentes que são visíveis no seu interior, mas exigem resolução concertada noutros âmbitos (caso dos determinantes sociais da saúde, que requerem alterações de políticas em sede de trabalho, salário, escolarização, habitação, ambiente…). Em vez de se pensar na melhoria do SNS, a actual crise a ser usada como pretexto para introduzir no sistema mudanças há muito desejadas, algumas já parcialmente concretizadas (parcerias público-privadas…), por elites económicas que vêem na saúde, sector com «clientes» inesgotáveis e particularmente fragilizados, um negócios muito lucrativo e quase sem risco. Essas elites apenas precisam de um Estado facilitador, algo que se prepara tanto com as medidas do «Programa do Governo» apresentado por Pedro Passos Coelho, que levam ainda mais longe o que estava previsto no «Memorando de Entendimento» assinado com a troika, como com a atribuição da pasta da Saúde ao ministro Paulo Macedo, ex-administrador da Médis e especialista na gestão de seguros de saúde.»

(Ler o resto AQUI.)
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15.7.11

Dantes era assim (1)


Sem email.
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Impunidade nos crimes políticos?


(Contributo de Jorge Pires da Conceição)

O que é que Zura Bitieva (1948-2003), Anna Politkovskaia (1958-2006), Alexander Litvinenko (1962-2006), Stanislav Markelov (1974-2009), Anastasia Baburova (1983-2009) e Natalia Estemírova (1958-2009), entre outros, têm de comum com a Chechénia, com Ramzam Kadyrov e com Vladimir Putin?... A Justiça internacional tem urgência em saber!!!

Por ocasião do 2º aniversário do horrível assassinato em Grozny da jornalista Natalia Estemírova (15.07.2011), militante dos direitos do homem na organização não governamental "Memorial", o Conselho da Europa tem urgência em conhecer e levar a Juízo, não apenas os quatro assassinos operacionais, mas os respectivos mandantes.

Na Chechénia e na Rússia poucos são os que terão dúvidas quanto à identidade dos mandantes: os assassinados na Chechénia (Zura e Natalia) tê-lo-ão sido por ordem expressa de Ramzam Kadyrov, o presidente, com o apoio e cobertura de Vladimir Putin. Os restantes, sobretudo a Anna e o coronel Alexander, por indicação directa de Vladimir Putin.

Um documentário passado (de madrugada) na TVI24 há menos de duas semanas dá claramente essas pistas, as quais eram, na verdade, factos já anteriormente dados como certos por muitos dos observadores.

Os responsáveis pelos estes crimes destes activistas dos direitos humanos - operacionais e mandantes - continuam impunes. Todos eles por, de algum modo, investigarem ou denunciarem o que se passava na Chechénia e por terem descoberto que os atentados em Moscovo tinham sido uma encenação concertada para justificar a intervenção russa na Chechénia, da qual resultou uma série de graves abusos dos direitos humanos. (Tema, aliás, que substanciou o livro "Um homem muito procurado", de John Le Carré). Pelo menos mantenhamos viva a memória dos que morreram por ser solidários e por lutar pela verdade e pela justiça, ousando enfrentar os poderosos deste Mundo!


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Please, Europe

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Heranças que se arrastam?

@Paulete Matos

Quatro países periféricos da zona euro, hoje especialmente atingidos pela crise – Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda –, foram governados por ditaduras ou sistemas autoritários de extrema-direita durante décadas do século XX. Apesar dos progressos registados desde que esses regimes terminaram, eles foram determinantes para que esses países sejam ainda hoje pobres quando comparados com grande parte dos seus parceiros europeus (com um PIB bem abaixo da média registada na Europa dos 15).

Além de pobres, tratava-se de Estados altamente repressivos e com pouca sensibilidade social. Isso continua a reflectir-se no facto de serem, também na Europa das 15, aqueles que têm mais polícias por habitante e menor percentagem da população envolvida em actividades ligadas ao bem-estar (saúde, ensino, etc.).

Mais uma achega para percebermos porque estamos onde estamos…

(A partir de um texto de Vicenç Navarro, Las causas políticas de la crisis.)
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Ela, a crise, agora em música

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14.7.11

Descobri este vídeo enquanto ouvia o M. das Finanças

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… e acho que tem tudo a ver com ele.



(Para memória futura: «Desvio ($%&xYz$$$) colossal».)
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Um país «chumbado»


Notícias do dia anunciam que «os resultados dos exames do 9º ano são os piores dos últimos anos» e explicam que os mesmos se devem, fundamentalmente, ao facto de as provas serem agora mais difíceis.

Concretamente no que se refere à Matemática, a média dos mais de 90.000 alunos que se apresentaram à primeira chamada não ultrapassou 43% (sendo que mais de 16.000 não conseguiram ultrapassar 19% e cerca de 30.000 tiveram menos de 30%). Devastador! Assim não vamos lá, com FMI ou sem ele.

Ora acontece que não consigo admitir que alguém considere que o exame em questão (publicado aqui) deva, ou sequer possa, ser considerado difícil: percorri-o do princípio ao fim. Não o seria há cinquenta anos, nem há vinte – garanto eu que tenho bem presentes essas referências temporais –, quando nem sequer eram fornecidos, como agora, fórmulas tão elementares como as necessárias para calcular o perímetro de uma circunferência ou o valor de pi…

Haverá certamente muitos culpados - pais, professores, o Mário Nogueira, o 25 de Abril, Sócrates (sempre…) ou até a padeira de Aljubarrota – e dezenas de razões já apontadas por todos os Cratos deste país.

Acrescento mais uma: a infantilização que muitas perguntas de testes como este reflectem e que traduz um facilitismo bacoco e quase insultuoso, uma desistência de considerar que rapazes e raparigas com um mínimo de 15 anos são capazes de raciocínios abstractos e que não precisam que lhes contem histórias da carochinha para resolverem problemas elementares. Um exemplo nesta figura que reproduzo: por que raio se fala de uma choupana (!!!) para se pedir que se calcule a altura dum cilindro? Pretende-se exactamente o quê? Só se for que os alunos percam algum tempo por não saberem… o que é uma choupana!...

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No 1º aniversário foi assim

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Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Le peuple en ce jour sans cesse répète,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Malgré les mutins tout réussira.
Nos ennemis confus en restent là
Et nous allons chanter alléluia !
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Quand Boileau jadis du clergé parla
Comme un prophète il a prédit cela.
En chantant ma chansonnette
Avec plaisir on dira:
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!

Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Suivant les maximes de lévangile
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Du législateur tout saccomplira.
Celui qui sélève on labaissera
Celui qui sabaisse on lélèvera.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Le vrai catéchisme nous instruira
Et laffreux fanatisme séteindra.
Pour être à la loi docile
Tout Français sexercera.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!

Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Pierette et Margot chantent la guinguette
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Réjouissons-nous, le bon temps viendra!
Le peuple français jadis à quia,
L'aristocrate dit : mea cilpa!
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Le clergé regrette le bien qu'il a,
Par justice, la nation l'aura.
Par le prudent Lafayette,
Tout le monde s'apaisera.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!

Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Par les flambeaux de l'auguste assemblée,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Le peuple armé toujours se gardera.
Le vrai d'avec le faux l'on connaîtra,
Le citoyen pour le bien soutiendra.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Quand l'aristocrate protestera,
Le bon citoyen au nez lui rira,
Sans avoir l'âme troublée,
Toujours le plus fort sera.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!

Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Petits comme grands sont soldtas dans l'âme,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Pendant la guerre aucun ne trahira.
Avec coeur tout bon français combattra,
S'il voit du louche, hardiment parlera.
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Lafayette dit : "Vienne qui voudra!"
Sans craindre ni feu, ni flamme,
le français toujours vaincra!
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!

(Palavras anónimas, mais tardias: )

Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Les aristocrates à la lanterne,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira!
Les aristocrates, on les pendra!
Et quand on les aura tous pendus,
On leur fich'ra la pelle au cul.
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