17.12.11

«Melhores blogs 2011»


Foi-me comunicado há pouco que «esta casa» foi nomeada, juntamente com algumas outras, na categoria «Melhor Blog Individual 2011», pelo programa «Combate de Blogs». O anúncio oficial será feito hoje, na emissão que irá para o ar às 23H, na TVI24, mas a votação, para as diferentes categorias, já está aberta AQUI.

É também a brincar que a gente se entende. A jogo, portanto…
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Dívida em Portugal e em vários outros países


A intervenção de Costas Lapavitsas neste debate, ontem. Vale a pena ouvir – e ver.


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E é por isso…

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…que, hoje, todos os caminhos vão dar ao cinema S. Jorge, em Lisboa.


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A frase da noite

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… de ontem: «Não precisamos necessariamente de uma Auditoria. Mas precisamos de uma Auditoria se quisermos (...) fazer isto de uma forma democrática».


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16.12.11

A realidade começa a ultrapassar a ficção

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O governo ultrapassa as exigências da troika, os empresários ultrapassam os desejos do governo, etc., etc. Até onde?


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Miguel Portas, hoje na Antena 1

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Sobre a Convenção para uma Auditoria Cidadã à Dívida, que se realiza hoje e amanhã no cinema S. Jorge e sobre as declarações do deputado Pedro Nuno Santos.

Debate / Convenção – Quem é quem (2)

Costas Lapavitsas é professor de economia na SOAS (School of Oriental and African Studies), Universidade de Londres, onde investiga a estrutura dos sistemas financeiros. É promotor da campanha por uma Comissão de Auditoria à Dívida Grega, colunista no jornal The Guardian e participou no documentário Debtocracy onde fala sobre a crise na Europa.


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Eduardo Lourenço – uma entrevista


Por Carlos Vaz Marques na revista LER nº 72, Setembro de 2008 (divulgada hoje pelo entrevistador no Facebook)

«Estou em dívida para com a humanidade inteira»

Sai do elevador num passo lento, um pouco hesitante, e com uma expressão grave, por detrás da qual esconde um sentido de humor a que não falta, por vezes, uma boa dose de traquinice. Combinámos o encontro no hotel em que se aloja sempre que vem a Lisboa e à porta, sob a percussão de uma betoneira, queixa-se das obras que já se arrastam há seis anos. “Coisas à portuguesa”, desabafa, num aparte que evidencia que continua sintonizado com a nossa maneira de ser, apesar de viver há mais de meio século no estrangeiro. Aos 85 anos, Eduardo Lourenço é o mais respeitado intelectual português vivo. Conquistou todo o tipo de distinções, do Prémio Camões ao Prémio Europeu de Ensaio. Escreveu muito mas sempre de forma dispersa. Experimentou a poesia e a narrativa, na juventude, mas abandonou-as para as trocar pela reflexão a partir da poesia e da narrativa dos autores que foi descobrindo e dando a conhecer ao longo da vida. Diz, com frequência, que do que gosta é de “paleio”. Tanto como continua a gostar de jornais. A caminho da Gulbenkian ainda temos de fazer um desvio para comprar a imprensa do dia. Tem passado ultimamente quase tanto tempo em Portugal como no sul de França, onde vive. Mantém-se tão à la page com a actualidade nacional como se nunca de cá tivesse saído. Quando chegamos ao gabinete que tem na Fundação, a conversa pelo caminho já o fez esquecer a pequena queixa de uma incómoda dor de garganta com que acordou, depois de na véspera ter apanhado uma pontinha de sol. Num curto desvio, vai perguntar a uma funcionária se haverá possibilidade de ser visto por um médico ainda antes da hora de almoço. Pela janela temos uma vista ampla do jardim. Sentamo-nos, um de cada lado da secretária, rodeados de livros. O meio natural para um homem que tem dedicado a vida toda às obras dos outros. Foi assim que construiu – com generosidade, imaginação e inteligência - uma obra própria a partir do seu tão pessoal modo de ler.

Acredita que o livro impresso tem futuro?
As mudanças têm sido tão vertiginosas - em todos os campos, nas tecnologias de ponta, como se diz - que é arriscado fazer vaticínios. O vaticínio é o nosso próprio desejo.

No caso, imagino que o seu desejo é o de que os livros continuem a existir.
É. Aqui há uns anos, em Praga, participei num colóquio cuja temática era um pouco esta: qual é o futuro do livro? Fiz na altura uma pequena intervenção lembrando que em tempos tinha visto um filme – creio que do Mankiewicz – sobre Júlio César. Havia nele uma famosa cena em que estava o Brutus a ler um livro.

Um anacronismo.
Uma coisa que um romano não podia fazer. De maneira que é possível que no futuro aquilo a que nós hoje chamamos um livro – num futuro que já é presente – seja uma dessas caixinhas em que uma pessoa tem uma biblioteca inteira. Só com um toque os livros vão desfilando. Ao fazer essa constatação, eu dizia que entraríamos então num outro tempo. Um tempo a que faltaria uma das componentes essenciais do nosso relacionamento com o livro. Porque o livro transporta com ele, além da informação e do texto, um tempo próprio. Quer dizer, estar a ler os ensaios do Montaigne tal como eles apareceram no século XVI, numa edição desse tempo, não é a mesma coisa que estar a ler o mesmo texto – porque o texto é o mesmo – em qualquer das edições contemporâneas. Pior será quando for uma coisa do tipo puramente digitalizado. Falta essa cor do tempo. O cheiro do papel.

Não consegue imaginar um mundo sem livros?
Dificilmente. Bom, de qualquer modo os livros ainda estarão aí. Estarão aí, mas como museu. Em vez de termos uma biblioteca, que é uma floresta viva da memória humana, os livros estarão lá como espectros. Mas, enfim, podem ser ressuscitados pela leitura de cada um. Isso modifica a nossa relação com o mundo. Porque o relacionamento com os livros – que vem de todos os livros que a gente lê quando é jovem – torna-os bocados de nós próprios. São as tábuas privadas das nossas leis. As escritas e as não escritas. Faltará qualquer coisa quando a nossa relação com eles for puramente electrónica.


É só fazer as contas – lá se vão todos os feriados e não só

15.12.11

Dito por aí (6)

@João Abel Manta

«A questão é que a Europa, enquanto existiu como projecto, só funcionou para a burocracia e as directivas que favoreciam os interesses dos muito grandes e gananciosos. A Europa, que agora quer proibir o défice excessivo nas constituições, nunca emitiu directivas a proibir a pobreza, o desemprego, a indigência, ou a mandar transpor para a ordem interna dos países o bem-estar e o desafogo. E depois, por motivos meramente estratégicos, juntou num mesmo continente conteúdos tão diversos e tão distantes como a Noruega e a Bósnia-Herzegovina, a Suíça e a Bulgária, ou até mesmo o Luxemburgo e Portugal. A coesão não passou de um ‘slogan' e o Luxemburgo tem um poder de compra médio que representa mais do triplo da média do poder de compra dos portugueses. E Portugal, que o salazarismo reduziu a uma horta estagnada e a contra-revolução a uma quinta de compadres, entrou para o clube – primeiro da Comunidade Europeia, depois do euro – sem condições para pagar a jóia e malbaratando os fundos europeus.»
João Paulo Guerra, Pobreza

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«Quando se repete que "vivemos acima das nossas possibilidades", não se está só a apresentar uma análise económica, valha ela o que valer. Está-se também a assumir um juízo moral, e um juízo moral que historicamente sempre acompanhou o fenómeno da dívida. Porque a dívida instalou-se na cultura ocidental, e de um modo cada vez mais constante e avassalador, desde que se privilegiou de um modo absoluto a relação com o futuro, concebendo-o como um horizonte que acolhe e compatibiliza todas as promessas e expectativas, por mais contraditórias ou inviáveis que fossem.

Foi isso que, antes de todos, percebeu Nietzsche, o mais visionário dos filósofos do século XIX. Foi no segundo ensaio do seu livro A Genealogia da Moral, de 1887, que ele perspicazmente sugeriu que a sociedade não resulta da troca económica (como pensaram A. Smith ou K. Marx), nem assenta na troca simbólica (como viriam a defender as perspectivas antropológica ou psicanalítica), mas que ela se organiza a partir do crédito. Ou mais precisamente, da relação credor-devedor.»
Manuel Maria Carrilho, A dívida e a culpa

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«Quando estão no poder, as esquerdas não têm tempo para reflectir sobre as transformações que ocorrem nas sociedades e quando o fazem é sempre por reacção a qualquer acontecimento que perturbe o exercício do poder. A resposta é sempre defensiva. Quando não estão no poder, dividem-se internamente para definir quem vai ser o líder nas próximas eleições, e as reflexões e análises ficam vinculadas a esse objectivo. (…)

O movimento dos indignados e do occupy recusam a expropriação da democracia e optam por tomar decisões por consenso nas suas assembleias. São loucos ou são um sinal das exigências que vêm aí? As esquerdas já terão pensado que se não se sentirem confortáveis com formas de democracia de alta intensidade (no interior dos partidos e na república) esse será o sinal de que devem retirar-se ou refundar-se?»
Boaventura Sousa Santos, Terceira Carta às Esquerdas
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On vous attend

Debate / Convenção – Quem é quem (1)

Éric Toussaint é historiador e politólogo, presidente do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, membro do conselho científico da Attac França, da rede científica da Attac Bélgica e do conselho internacional do Fórum Social Mundial. Participou no Comité de Auditoria nomeado pelo Presidente do Equador Rafael Correia e acompanhou a par e passo a experiência de reestruturação desse país, que relata no documentário «Debtocracy».


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