13.4.13

Mas nem sabe quanto é que vão custar


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O bispo que escreveu a Salazar



António Ferreira Gomes, o bispo do Porto, que, em Julho de 1958, escreveu uma célebre carta a Salazar, morreu há 24 anos, em 13 de Abril de 1989. A carta em questão, muito crítica da situação política, social e religiosa do país, deu-lhe direito a um exílio de 10 anos em Espanha, França e Alemanha, do qual só regressou em 1969, já durante o marcelismo.

É bom recordar que tinham tido lugar, um mês antes, as eleições a que concorreu Humberto Delgado e que o país se encontrava ainda em grande agitação. Para muitos, sobretudo católicos, a conjugação destes dois acontecimentos – eleições com Delgado e carta do bispo do Porto – foi o verdadeiro pontapé de saída para a resistência e luta contra a ditadura, durante as décadas que se seguiram.

Era difícil ter acesso ao texto da carta, mas coloquei-o online na íntegra, já há alguns anos. Trata-se de um documento histórico que não deve ser esquecido. 
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Descubra diferenças e semelhanças


Portugal, Abril 2013


Espanha, Abril 2013

Fontes (1) e (2), leitura aconselhada.

Discurso político e Metalinguagem



Vale a pena ler o que São José Almeida escreve, no Público de hoje (sem link), sobre o tipo de discurso político que nos é imposto e que já nem estranhamos de tão habitual se tornou.

Alguns excertos:

«A política vive hoje de mentiras, de discursos falsos, de manipulação de factos. Demonstração disso é a declaração feita pelo primeiro-ministro no domingo, reagindo ao acórdão do Tribunal Constitucional (TC), que considerou inconstitucional normas do Orçamento do Estado (OE), como a cativação fiscal do subsídio dos funcionários públicos e dos pensionistas e reformados no OE.

Quem lê a declaração escrita que Passos Coelho proferiu e não conhece bem o contexto político do país, nem o sistema político, é levado a pensar que o TC extrapolou as suas funções de fiscalização da constitucionalidade das leis e que, por causa de uma inusitada decisão dos juízes-conselheiros, o país entra em crise orçamental. (...)

O discurso político, hoje, é, de facto,(...) um discurso que simboliza o real, que é feito sobre o real, uma ficção, cujos objectivos não são aqueles que são ditos, mas sim apenas a manutenção do poder no grupo que o conquistou e detém, bem como conseguir a obtenção de maior lucro financeiro para quem possui de facto esse poder e que está por detrás de quem governa. Um lucro que é obtido com o empobrecimento das populações do Sul da Europa.

Estamos assim perante um discurso falso que vive de uma metalinguagem, onde as palavras ditas em cascata, encadeadas uma nas outras pela habilidade e treino discursivo de quem as pronuncia, apresentam uma história que agrada a quem a ouve, porque mostra um mundo de fadas e de soluções de varinha de condão, um futuro radioso de sol na terra, que transformará a Europa numa terra de leite e mel. Mas que, quando analisado o seu conteúdo, quando espremido o palavreado, percebe-se que é oco, que não tem sumo, que é um encadeado de palavras fantasioso, mentiroso, que esconde a realidade e os verdadeiros objectivos de quem fala.

Ora, Sócrates usou a fórmula narrativa porque ele sabe do que fala enquanto artista exímio no uso dessa metalinguagem enquanto primeiro-ministro, tal como Durão Barroso faz antes dele e Passos Coelho e Paulo Portas fazem agora. Uma metalinguagem que é usada também por António José Seguro, que critica o Governo e se apresenta como alternativa, mas recorrendo ao mesmo jogo de sombras da metalinguagem política.

Assim perpetuamos as histórias da carochinha. Porque falar verdade hoje em Portugal era dizer que o objectivo político que está a ser imposto à população portuguesa é o da diminuição do seu poder de compra, baixando o valor do seu trabalho através da redução salarial, do aumento de impostos directos e indirectos e do aumento desemprego. (...)

Pôr fim à metalinguagem poria em causa os interesses dos que realmente detêm o poder. Resta esperar para perceber até quando as populações europeias vão aguentar a situação a que estão a ser submetidas.» 
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12.4.13

Aviso à Navegação



Ali em cima à direita, na Barra Lateral, continuam duas secções, que são atualizadas diariamente, com textos que «repesco» de algumas das minhas leituras, blogosféricas e não só. Não sei se são utilizadas, mas continuarão. 
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Muito provavelmente



@Steve Schapiro
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Lucy in the sky



Três comentadores, três palavras para caracterizar a presente actuação do governo: : psicadelismo, bullying, terrorismo. Completam-se e definem bem o ambiente destes dias que passam.

«O chumbo de várias normas do OE pelo Tribunal Constitucional abriu os diques do psicadelismo do Governo, que começa a estar ao nível do "Lucy in the Sky with Diamonds" dos Beatles. (...)
No tempo da Monarquia Constitucional o regenerador Gomes de Castro dizia que: "adeus bancos, adeus estradas, adeus tudo, tudo, tudo". Com este Governo pode dizer-se: "adeus Estado de direito, adeus desenvolvimento, adeus economia, adeus tudo, tudo, tudo".»

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«Eu sabia que íamos pagar caro o festejo. Perante a decisão do Tribunal Constitucional, era de esperar que Coelho e Gaspar resolvessem ir fazer "bullying" à nação. Foi a única coisa que o bom aluno aprendeu com estes professores: tiveram 20 a Sadismo na Óptica do Utilizador. O Ministro que não acerta uma conta não ia deixar de acertar contas connosco.
Não há gente mais vingativa que esta que nos governa. Só lhes fica mal e é contraproducente, porque a raiva denuncia que o que os move são razões ideológicas. Ninguém fica raivoso por razões económicas.»

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«Este comportamento não denuncia apenas uma genuína cultura antidemocrática. Tem que ser designado pelo seu verdadeiro nome: "terrorismo"! A maioria que governa, que legisla e que chefia o Estado, passou à fase da agressão violenta aos tribunais e aos cidadãos... e o Presidente terá em breve de escolher o seu lado da barricada. Sem emenda nem remorso pelas quatro infrações cometidas contra a Lei Fundamental que todavia juraram cumprir, o Governo foi descendo todos os degraus de decência e passou abertamente ao terrorismo administrativo e financeiro, como se lê no despacho assinado por Vítor Gaspar, onde este se dá por vítima do poder judicial, à semelhança de muitos reclusos a cumprir pena nos estabelecimentos prisionais. A política transformou-se numa obscenidade. Não há diálogo possível com o terrorismo.»

P.S. - Alguns dos links podem só funcionar mais tarde ou amanhã. 
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Yes, Mrs Thatcher


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11.4.13

Seis anos a blogar



Dizem os registos que o «Brumas» nasceu em 11 de Abril de 2007, este é o 6 498º post que publico (parece mentira, mas não é) e foi alimentado não só a partir de Lisboa, mas também de mais de 30 países por onde fui viajando.

Como o povo é quem mais ordena, continuará activo enquanto a clientela quiser – e parece que quer já que o número de visitas quase duplicou durante o último ano.

Se fizerem o favor de continuar a passar por aqui, a gerência agradece. 
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Notas para um discurso



Ricardo Araújo Pereira regressa com um texto-proposta para um futuro discurso de Pedro Passos Coelho.

«O Governo, preocupado com o aumento do desemprego, criou legislação que permitiria reduzir a taxa de desemprego em 50 por cento. Era uma medida corajosa que consistia no seguinte: executar, com um tiro na nuca, 500 mil desempregados. Mais uma vez, o tribunal rejeitou a medida por violar aquilo a que os juízes chamam, naquele jargão jurídico impenetrável, a "lei".»

Na íntegra AQUI.
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Enquanto não somos a Irlanda



... veja lá se não segue o exemplo da Grécia, dr. Gaspar: nos hospitais públicos, o papel higiénico passou a ser mais áspero e em rolos mais estreitos. Abstenho-me de fazer comentários, mas vale a pena lê-los
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Gaspar, o louco



A persona Vítor Gaspar e o seu modo de agir, para além de absolutamente sinistros, tornaram-se a tal ponto insólitos que os comentadores recorrem cada vez mais a comparações e imagens inesperadas para tentarem caracterizá-los. Não conseguem fazer-nos sorrir porque o que está em causa é demasiado grave e nocivo, mas ajudam-nos a compreender a criatura e as suas criações.

«O Homem de Gelo, herói da Banda Desenhada, começou por sentir frio num dia muito quente. Refugiou-se na garagem e esta ficou cheia de neve. Descobriu os seus poderes: podia criar rajadas congelantes, espinhos de gelo que surgem do nada e solidificar a água. (...)
Mais modestamente, o nosso Homem de Gelo, Vítor Gaspar, só quer congelar o Estado. E, a partir daí, congelar o país. Poderá valer-lhe um Nobel qualquer, ou mesmo um lugar no BCE ou no FMI, mas pelo caminho transforma Portugal num inóspito Pólo Norte. (...)
Gaspar pode ter a tentação de querer transformar os portugueses em morsas ou pinguins, mas deveria primeiro ter bom senso. (...) Se não há dinheiro, deve explicar isso aos portugueses. E não transformar as palavras em gelo e as explicações num frigorífico.» 
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«O ministro Vítor Gaspar pertence a uma categoria curiosa de criaturas, que qualquer ministério ou grande empresa deve guardar, cuidadosamente, num gabinete de estudos. (...) Num gabinete de estudos, uma pessoa como Gaspar ajuda a estabelecer limites, a afastar hipóteses, a calibrar escalas. Serve como os canários nas minas, para avisar da proximidade de gases tóxicos.(...) O grande problema é que, com este governo, Gaspar saiu da zona de segurança e ameaça transformar Portugal num campo de teste para armas de destruição maciça.»  
Viriato Soromenho-Marques