16.1.16

Grandes frustrações


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Dica (204)

Marisa Matias marca a diferença



«Marisa Matias é a candidatada do BE que, tal como o PCP, optou por marcar o seu terreno político. A diferença é que Marisa Matias é uma política de primeira água e de superior qualidade. E tem marcado a campanha de forma clara na defesa dos interesses do BE. Além disso tem sabido reagir com dignidade a uma vil, sórdida e boçal campanha sexista contra si, que tem mostrado o lado mais reles do machismo de lúmpen.»

São José Almeida, Público, 16.01.2016 


N.B. – Candidatos do PS é o que menos falta, mas Helena Roseta apoia Marisa Matias.
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Apoio Marisa também por isto



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Derrota ideológica e vitória política



José Pacheco Pereira, num belo texto do Público de hoje:

«Uma coisa a esquerda deve compreender com toda a clareza: a direita venceu a batalha ideológica nos últimos anos. Mais: essa vitória tem profundas repercussões nos anos futuros e molda a opinião pública. É uma vitória muito perigosa e pegajosa, porque se coloca no terreno daquilo que os sociólogos chamam “background assumptions”, molda o nosso pensamento sem trazer assinatura, parece a “realidade” quando é uma construção ideológica. No entanto, convém não confundir duas coisas distintas, a ideologia e política. E a direita perdeu a batalha política, o que ajuda a ocultar a sua vitória ideológica. O problema é que a solidez da vitória ideológica é maior do que a solidez da vitória política. (…)

A verdade é que em termos ideológicos, e também em termos políticos, passámos do cinema para a lanterna mágica. Andámos para trás, e isso acontece mais vezes do que aquilo que se deseja. Com a experiência de um Tea Party à portuguesa, ficamos “liberais” à americana. Por isso, lá tive, a contragosto e moendo-me todo, que voltar a falar a linguagem paupérrima da dualidade esquerda-direita.

Este retorno ao dualismo esquerda-direita foi uma vitória do PP de Monteiro-Portas e do Bloco de Esquerda. A sua vítima foi o centro político e o antigo PSD reformista. Ver o PSD de Passos e seus amigos a aceitar com toda a naturalidade serem classificados de direita, foi uma ruptura clara e explícita com o PSD de Sá Carneiro. Do outro lado, o PS evitou cuidadosamente auto nomear-se de esquerda, como se a palavra tivesse sarna, já para não dizer que os diminuía face aos seus novos amigos da banca e dos negócios nos últimos anos. A “terceira via” foi o caminho. Renderam-se todos aos “mercados” como Deus ex machina da política e isso desarmou-os ideologicamente. Por isso, todo o espectro político está puxado à direita e, por reflexo, deixou apenas franjas na esquerda. (…)

Mais relevante para perceber o que se passou é ver como o programa social virou parte do centro e da direita para o radicalismo e puxou parte da esquerda para ocupar esse centro. Será que a esquerda não se interroga se muitas das medidas que hoje enuncia como sendo o supra-sumo da esquerda, como seja a reposição de salários e pensões, não são propriamente de esquerda, e só se tornaram de esquerda pela radicalização da direita? Muitas vezes pergunto se a maioria daquilo que hoje passa por ser um radicalismo da esquerda (e que a direita saliva ao ouvir) não é pouco mais do que moderadamente social-democrata ou democrata-cristão. (…)

A aceitação de que a classificação política dos outros seja feita pela direita radical, coisa que a ala direita do PS interiorizou completamente, é um dos aspectos dessa vitória ideológica. A direita mais radical interiorizou em muitos portugueses um modo de pensar, uma maneira de defrontar os problemas, uma forma de questionar, uma interpretação da vida social, da economia, do estado, que é de facção, mas que muitos aceitam sem questionar. (…)

Recoloquemos aí muito daquilo que é hoje uma falsa fractura ideológica, não porque isso seja um limbo ideológico, mas porque essa recolocação ajuda a limpar o terreno. Depois podemos partir para as fracturas ideológicas do passado, que conhecemos como de esquerda e direita e analisá-las e teremos algumas surpresas pela inversão de alguns papéis. E depois podemos voltar ao limbo inicial para ver se ele subsiste para além de um sistema de valores e se o podemos arrumar de outro modo, limpando-o da superioridade moral que acarreta o uso de valores em política. Para combater a ideologia da direita radical precisamos de algum retorno à moralidade, como os espanhóis compreenderam com as suas “marchas pela dignidade”, e depois então vamos à política pura e dura para nos desentendermos, a boa coisa do debate em democracia e liberdade.» 
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15.1.16

Dica (203)


What Economic Policy For The Euro Area? (Maria João Rodrigues) 
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Nova sondagem – nenhuma surpresa




Eurosondagem, 15.01.2016. 

O PS que «embrulhe» o imbróglio de que não quis sair ao não apoiar qualquer candidato. Mais: em não ter dado importância às presidenciais, identificando alguém capaz de vencer Marcelo Rebelo de Sousa – o que não é o caso nem de Maria de Belém nem de Sampaio da Nóvoa. 

Mas António Costa viverá bem com Marcelo em Belém – no problem, por aí. Essa é que é essa. 
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Mulheres em chefias de «big corporations»? Vou recuar mais de três décadas



Esta notícia da Apple, pela qual se fica a saber (se se confirmar como verdadeira) que aquela big corporation «não quer mais mulheres nem negros nas chefias», fez-me recuar mais de três décadas, ao início dos idos de 80, quando eu também andava por uma outra corporation, geralmente conhecida por «Big Blue?.

Em Portugal, contavam-se então pelos dedos de uma mão (vá lá: mais dedo, menos dedo…) o número de mulheres que ocupávamos posições de chefia (não de topo, é verdade, que para isso foi preciso esperar mais uns tantos anos, mas a partir de então foi um dado adquirido). Quando uma 6ª ou 7ª mulher foi promovida felicitei o responsável pelo facto, que, entre dentes, me sussurrou: «Se ela fosse preta, isso é que era!» Porquê? Porque na IBM era já grande a pressão, a nível mundial, para respeitar integração a nível de género, deficiência e etnia.

Nunca pensei que a tantos anos de distância, em pleno século XXI, ainda fosse possível aconselhar que se vote contra uma proposta que prevê «o aumento da diversidade entre os quadros de topo». Por onde andou o chamado primeiro mundo nestas últimas décadas? 
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Sempre quero ver se alguém boicota a idolatrada maçã




«A informação consta da documentação enviada aos accionistas da Apple, e que pode ser consultada no site da empresa, com uma recomendação muito clara do conselho de administração de "votar contra" a proposta que prevê o aumento da diversidade entre os quadros de topo.» 
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Vale tudo por Belém



«Depois dos debates presidenciais, entrámos na campanha em si. As televisões estão cheias de imagens dos candidatos à solta pelo país. Eles são dez, cada um no seu estilo e no seu local. Alguns repetem locais. Parece um "rally-paper" de esgrouviados. (…)

Chegámos a um ponto em que já não sabemos se foi Tino ou Marcelo que disse, ou fez, determinada coisa, porque é plausível ter sido qualquer um deles. Podia ter sido Tino a fazer piadas (melhores do que as de Marcelo) na agência funerária e Marcelo a enfiar um pau simbólico numa praia (com a ajuda do taxista que o transporta). Nesta campanha, o provável próximo PR podia ter feito, ou dito, exactamente o mesmo que o Tino. Por onde tu andas, Tino! (…)

Veja o leitor este exemplo e tente acertar, se for capaz e estiver para aí virado. Quem terá sido o candidato que declarou que um dos seus primeiros gestos como PR será para com Ronaldo... Hum? Quem será o grande intelectual que diz: se eu for PR deste país, vou logo acudir ao Ronaldo, coitado, que ficou sem casa nas cheias. Hum? Não... Não foi o dos óculos esquisitos. Também não foi o ex-padre do PCP. Podia ter sido se fosse para chamar o CR7 e nacionalizar-lhe os bens. Acabou o tempo. Veja a solução no parágrafo abaixo.

O professor Marcelo das análises aos problemas profundos do país, dos lares de idosos, da marmita da bolacha, do desemprego e da pobreza, mal chegue a Belém, vai falar com o Ronaldo. Tanta sabedoria, tanta vida, tanta pátria e faz o que faria qualquer "teenager". Provavelmente, quer uma "selfie" com ele. (…)

Sempre pensei que, assim que chegasse a Presidente da República, o seu primeiro gesto não fosse para com os que tudo têm. Do que conheço de Marcelo, esperava que o seu primeiro gesto fosse para os que foram donos disto tudo. Marcelo ainda me surpreende.»

João Quadros

14.1.16

Um hotel mítico




Este, em San Pedro de Atacama, no Chile, onde passei alguns dias inesquecíveis. Já lá vão mais de cinco anos. 
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Dica (202)



Os erros de Marcelo. (Francisco Louçã) 

«Por isso, a minha conclusão – e recomendação a quem disputa as eleições, que não Marcelo – é esta: ignorem a segunda volta, concentrem-se no que conta mesmo, que é o dia 24 de Janeiro. Quanto mais falarem de segunda volta mais se afastam dos eleitores, mais se refugiam numa bolha de discurso político que enumera as conveniências próprias das candidaturas mas que nada tem que ver com a vida das pessoas.

. O “todos contra Marcelo” ou “tudo contra Marcelo” é um favor a Marcelo, pois é duvidoso que mude a atitude dos outros eleitorados mas certamente ajuda a motivar os eleitores de direita e assim dispensa esse candidato de o procurar fazer, mantendo-o no conforto do seu discurso passeante e costista, como se nada fosse com ele.»
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