20.8.16
Dica (365)
«The project on holding a referendum similar to Brexit is being prepared in the Netherlands, said Geert Wilders, the leader of the Freedom Party thus far leading the Netherlands' polls.»
. Portugueses nos Olímpicos
Tenho para mim que Marcelo devia ter trocado a praia do Gigi por Ipanema. Anda por lá grande falta de afectos!
. As políticas do impossível
«Diz-se que a política é a arte do possível. Mas, no tempo em que o imprevisível domina e os novos desafios surgem a cada esquina, é cada vez mais difícil encontrar respostas e soluções no campo do possível.
A maioria dos cidadãos considera a classe política incapaz e incompetente. Basta referir os casos de França e do Governo de Hollande, da trapalhada do Brexit ou das constantes acrobacias das instituições europeias. A velha política dos consensos, dos equilíbrios, dos interesses, do só fazer aquilo que se pode fazer e nunca mais do que isso, faliu.
Em seu lugar vão emergindo as políticas do impossível. Aquelas que representam propostas inesperadas ou soluções imprevistas. Em Portugal, temos o caso da atual coligação que junta PS, PC, Bloco e Verdes. Até ao momento em que se formalizou era tida por impossível. O arco da governação não o permitia. Meses depois, com excelentes resultados num clima de cooperação aberta como nunca existiu, em que se assume as diferenças, mesmo assim são muitos os que continuam a dizer que não pode ser, não funciona, vai acabar para a semana. Não percebendo que, mesmo que isso seja inevitável, tudo morre, se abriu um caminho que alterou radicalmente a política portuguesa.
Outro exemplo, num sentido totalmente oposto, é o de Donald Trump nos Estados Unidos. Conseguiu notoriedade, venceu as primárias, porque representa o campo do impossível. Desmantelou a compostura do partido republicano, faz propostas tresloucadas, tem uma atitude extremamente agressiva, de verdadeiro "bully". (…)
As políticas do impossível vão expandir-se para todos os lados. Para as utopias e para as distopias. Apesar dos riscos, são inevitáveis. Não só porque a política tradicional está esgotada, mas porque temos hoje desafios que irão forçar mudanças radicais. Causados pelos problemas ambientais que põem em risco a própria sobrevivência da vida no planeta. Pelo crescente e insuportável fosso entre ricos e pobres que gera violência social. Pela crise do capitalismo financeiro que leva à falência empresas, bancos e famílias. Pelo terrorismo que nos quer fazer regressar à idade das trevas.
Pelo seu carácter disruptor, destacaria o incontornável desafio que coloca a inovação tecnológica. Sabemos como a revolução digital provocou vastas alterações nos modos de vida e na atividade humana. Extinguiu profissões, obrigou a mudar comportamentos a uma enorme velocidade. Promete, com a inteligência artificial e com a robótica, provocar uma desocupação generalizada para a espécie humana. Os números apontam para que, dentro de poucas décadas, 50% das pessoas não tenham qualquer atividade remunerada. Não será certamente com as políticas do possível, os fundos de desemprego e a assistência social, que a sociedade poderá aguentar um tal embate. Só o que é hoje tido por impossível nos pode salvar.»
Leonel Moura
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19.8.16
Lorca morreu há 80 anos. A homenagem de ciganos
@Khadzhi-Murad Alikhanov
Federico García Lorca conta-se entre as primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola. Foi fuzilado, com apenas 38 anos, em Agosto de 1936, entre os dias 17 e 19, pelo seu alinhamento político com os Republicanos e por ser declaradamente homossexual.
Todos os anos nesta data, em Viznar, perto de Granada, ciganos cantam, dançam e dizem poesia em honra de Lorca e de cerca de 3.000 fuzilados pelos franquistas, cujas ossadas se encontram por perto. De madrugada, à luz de velas e das estrelas, sem nada programado, sem nenhuma convocação formal.
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Dica (364)
¿Es el crecimiento del desempleo y de la precariedad consecuencia de la revolución digital? (Vicenç Navarro)
«Las causas mayores del aumento del desempleo y de la precariedad tienen mucho más que ver con la aplicación de las políticas neoliberales que se han estado imponiendo a los países de la Eurozona (y muy en particular a los del sur de Europa, como España, Grecia y Portugal), que con las innovaciones tecnológicas implantadas con la revolución digital.»
. Fogo que arde e se vê
«Chegou tarde, mas chegou em força, a temporada de incêndios. Como sempre, nesta altura, há especialistas em incêndios nos sete canais.
Todos têm teorias sobre o que já devia ter sido feito, o que não se fez e o que não deviam ter desfeito. Chegando o fresco Setembro, já nunca mais ninguém pensa nisto. Depois, passam uns meses e vêm os especialistas nas cheias em Albufeira e Santarém, e o ano termina com a falta de limpa-neves na serra da Estrela (que tem a única estância de esqui do mundo que, quando neva, fecha). Já todos sabemos que, depois, fica tudo na mesma. A única medida para ajudar na prevenção dos incêndios em 2017 era aumentar o tamanho dos baldes das esfregonas, porque acaba sempre por ser o popular com o balde a lutar com o incêndio. (…)
Na verdade, Portugal acabou a ser ajudado pelos russos e pelos marroquinos, nossos parceiros na União Europeia. Não sejamos injustos, há uma explicação. A UE justificou a ajuda limitada a Portugal com falta de disponibilidade de meios devido aos incêndios registados em vários Estados-membros, e ao gato do Schäuble, que não queria descer de uma árvore.
Pior do que a prevenção de incêndios, só a cobertura jornalística dos mesmos. O jornalista está convencido de que é melhor jornalista quanto mais perto estiver do fogo. Se estiver com dificuldades em respirar, melhor ainda. Mas não ajuda no combate, isso, nem pensar. Entrevista um senhor que está a lutar pela vida, com um ramo contra uma labareda, mas não intervém. Limita-se a perguntar - vocês correm o risco de ficar sem nada? - Sim, se o senhor não se chegar para o lado ou não for buscar um balde.
Depois, há os senhores jornalistas que, perante pessoas em choro e desespero, a quem tudo ardeu, perguntam sempre o mesmo: "É uma situação que nunca tinha vivido?"
- A minha casa ardeu, fiquei sem nada, não sei do meu filho...
- É uma situação que nunca tinha vivido?
- Não, ainda na semana passada lutei com uma lula gigante.
Evitem. É só estúpido.»
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18.8.16
Dica (363)
«Donald Trump's candidacy started as a joke. Fed by the media and opportunistic politicians, he's become a threat to the US political system and even world peace. Now it's time to treat him as such.»
. J. E. Agualusa sobre o congresso do MPLA
«O cuidado a ter com a vasta comunidade portuguesa em Angola justifica esta participação dos partidos no congresso do MPLA?
Acho que é exactamente o contrário. Quando se pensa numa relação a longo prazo, tem que se pensar na relação entre povos, não na relação entre regimes. Este foi o erro que se cometeu com a África do Sul no tempo do “apartheid”, quando se apoiou o “apartheid” até ao fim. Isso não beneficiou nada a comunidade portuguesa, pelo contrário, prejudicou imenso a comunidade portuguesa, que ainda hoje é vista como uma comunidade que apoiou o “apartheid”.
A longo prazo, esta atitude não beneficiaria em nada a comunidade portuguesa, que hoje já não é vista com bons olhos em Angola. É vista como uma comunidade que sustenta o regime. Há diferentes comunidades portuguesas em Angola, há portugueses que estão em Angola há muito tempo e estão perfeitamente integrados e depois há estes novos portugueses que foram em busca de negócios, tentarem fazer a sua vida sem terem grande ligação aos angolanos, nem procurarem ter essa ligação. São comunidades muito diferentes, mas, de uma forma geral, este tipo de atitude não beneficia nada.»
. Brincar aos reclusozinhos
Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:
«Nada se assemelha mais ao reino dos céus do que o sistema judicial português: é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar na prisão. Ricardo Salgado pode ter uma mansão em Cascais mas, por mais que tente, não consegue lugar num quartinho modesto de dois metros por dois na Carregueira. E, como é sabido, os prazeres simples são os melhores da vida.»
Na íntegra AQUI.
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