3.9.16

Maria Isabel Barreno



No dia que é anunciada a sua morte, vale a pena ver «a biografia breve», contada pela própria num pequeno vídeo.
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Inevitavelmente


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03.09.1940 - Eduardo Galeano



Nasceu em Montevideu, em 3 de Setembro de 1940, quis ser jogador de futebol, mas acabou como escritor com mais de 40 livros publicados.

Andou a fugir de ditaduras: em 1973 foi preso depois do golpe militar no seu país, exilou-se na Argentina, mas com o golpe militar de Jorge Videla, em 1976, viu o seu nome colocado na lista dos «esquadrões da morte» e partiu para Espanha. Só 9 anos mais tarde regressou à cidade que o viu nascer e onde morreu há pouco mais de um ano.

Lembrá-lo sempre.






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Presidenciais EUA: Preocupante

O Brasil, o Governo e o PS




O que me espanta é que ainda haja quem se espante. Este tema não consta dos acordos com os partidos de esquerda, pois não? Assim sendo… roda livre para o PS ser fiel ao seu ADN. 
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A (dis)função presidencial



José Pacheco Pereira no Público:

«Criticar alguém que se encontra no topo da popularidade não é fácil. O Presidente da República bate hoje todos os recordes de popularidade, beneficiando quer de qualidades que lhe são próprias, quer do contraste com o Presidente anterior, quer da actual conjuntura política, em que ele aparece como um moderador amável, cujas intenções explícitas parecem a todos benévolas. Sendo assim tudo parece desculpável.

Acresce que esse Presidente é Marcelo Rebelo de Sousa, com todos os defeitos e virtudes que se lhe conhecem. Nesta mesma semana, na abertura do ano judicial, fez um dos melhores discursos produzidos a partir de um lugar de poder que se ouviram nos últimos anos em Portugal. Fez teoria e prática e produziu um discurso muito acima do que é habitual, pela qualidade, e ancorado quer nos seus conhecimentos, quer também no melhor da sua sensibilidade. Foi uma coisa que há muito não se ouvia, o discurso de um presidente de formação social-democrata, que não a renega, mas que a aplica numa matéria muito sensível.(…)

Compreendo muito bem a estratégia não enunciada que está por trás da acção presidencial: Marcelo aceita a “geringonça”, mas pensa que ela é inerentemente instável, nem que seja pela Europa, e quer ter uma solução alternativa. Essa solução, que claramente prefere, é uma aliança entre PS e PSD. (…) Marcelo sabe que Costa se pode entender bem com outro líder do PSD, Rio por exemplo, mas não com Passos. (…) Mas não é isso que me preocupa hoje na acção do Presidente.

O que se passa é que o Presidente está a falar demais. A falar demais, a falar demais em todos os sentidos, a falar do que não deve, e a falar onde não deve. E o efeito é muito pernicioso, em primeiro lugar, para si, visto que banaliza a sua palavra, e, sendo hoje tacticamente bom para o Governo, a prazo será mau e, em segundo lugar, é muitas vezes um abuso dos seus próprios poderes no limite da inconstitucionalidade ainda verbal e virtual, mas, mesmo assim, tratando-se da palavra do Presidente, ela terá consequências disfuncionais. Somamos a isso um estilo demasiado exposto e exibicionista, embora reconheça que aqui as sensibilidades e o bom gosto são muito subjectivos. Mas o Presidente vai precisar de alguma gravitas, porque vai ter de tomar decisões difíceis, visto que até agora tudo é um mero aperitivo, um amuse-gueule. Ora nessa altura as selfies não lhe vão servir de nada, e se servirem será pior ainda, porque a popularidade pode tornar-se um populismo. (…)

No mês de Agosto, o apogeu da silly season, o Presidente ocupou todo o espaço mediático, das televisões às revistas cor-de-rosa, pronunciando-se muitas vezes de forma pouco responsável sobre matérias como a Caixa Geral de Depósitos, mas também teve silêncios, que, tratando-se de Marcelo Rebelo de Sousa, são silêncios que gritam altíssimo (…).

Este é o Presidente que temos, mas não é a Presidência de que precisamos. E o que mais que tudo é grave é que eu tenho a certeza, mas mesmo a certeza, de que Marcelo Rebelo de Sousa concorda com tudo o que escrevi, sabe que é assim, sabe quais são as consequências, e saberá melhor do que ninguém que “if you live by the word you will die by the word”. E que, um dia, tudo o que sobe desce, ou melhor, cai.» 
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2.9.16

De acordo, 100% de acordo



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Dica (378)




«Na sequência do impeachment, houve países que decidiram oficialmente não reconhecer como legítimo o governo resultante do golpe. Seria bom que, também por gestos concretos, fizéssemos saber que Portugal, um pequeno país que se orgulha de ter feito uma revolução democrática, está com quem no Brasil não quer que se regresse ao passado. Isto é: com quem, em condições adversas, continua a lutar pela democracia.» 
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Fujam, fujam!



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02.09.1939. Neruda e a chegada, ao Chile, de exilados da Guerra Civil Espanhola



Na noite de 2 de Setembro de 1939, o Winnipeg chegou a Valparaíso, no Chile, com 2.365 espanhóis, exilados da Guerra Civil Espanhola e que se encontravam refugiados em campos, em França.

Quando desembarcaram, no dia seguinte, nem queriam acreditar no que viam, nem percebiam bem onde estavam: o Chile era um terra longínqua e estavam a ser recebidos como heróis...

Se Pablo Neruda não foi o único promotor desta iniciativa, foi certamente o principal. No dia 4 de Agosto, quando o barco saíra do porto francês de Trompeloup, tinha escrito o que viria a relatar mais tarde nas suas Memórias: «Que la crítica borre toda mi poesía, si le parece. Pero este poema, que hoy recuerdo, no podrá borrarlo nadie.» Em Memorial de Isla Negra, incluiu o seguinte poema:




Yo los puse en mi barco.
Era de día y Francia
 su vestido de lujo
de cada día tuvo aquella vez,
fue
la misma claridad de vino y aire
su ropaje de diosa forestal.
Mi navío esperaba
con su remoto nombre “Winnipeg”
Pero mis españoles no venían
de Versalles,
del baile plateado,
de las viejas alfombras de amaranto,
de las copas que trinan
con el vino,
no, de allí no venían,
no, de allí no venían.
De más lejos,
de campos de prisiones,
de las arenas negras
del Sahara,
de ásperos escondrijos
donde yacieron
hambrientos y desnudos,
allí a mi barco claro,
al navío en el mar, a la esperanza
acudieron llamados uno a uno
por mí, desde sus cárceles,
desde las fortalezas
de Francia tambaleante
por mi boca llamados
acudieron,
Saavedra, dije, y vino el albañil,
Zúñiga, dije, y allí estaba,
Roces, llamé, y llegó con severa sonrisa,
grité, Alberti! y con manos de cuarzo
acudió la poesía.

Labriegos, carpinteros,
pescadores,
torneros, maquinistas,
alfareros, curtidores:
se iba poblando el barco
que partía a mi patria. Yo sentía en los dedos
las semillas
de España
que rescaté yo mismo y esparcí
sobre el mar, dirigidas
a la paz
de las praderas.
 .
(Mais descrições aqui e aqui.) .
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Sousa season



«E pronto, chegámos a Setembro, falta apenas a Universidade de Verão do PSD, que termina dia 4 de Setembro, para encerrar oficialmente a "silly season".

Foi uma "silly season" olímpica, marcada por chamas e medalhas. A grande figura foi Marcelo Rebelo de Sousa. A "silly season" é o "habitat" natural do nosso PR. Digo isto sem desprimor, mais ainda, sabendo que os dias que eram a cara do nosso ex-Presidente era o dia de finados e a Sexta-feira Santa, quando calhava num dia 13.

Marcelo esteve em todo o lado, abraçou e beijou toda a gente e nem um herpes labial apanhou. Acho que, desde aquele mergulho no Tejo, o nosso Presidente ficou com um sistema imunitário que lhe permite ir fazer uma presidência aberta a Chernobyl e vir de lá apenas bronzeado. Esta omnipresença de Marcelo mais facilmente nos desgasta a nós do que a ele. (…)

Pode ser mania minha, mas acho que há semelhanças físicas, de rosto, e até de tiques, entre o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o Mister Fernando Santos. Uma forma de falar, um estilo, um tom que tenta acalmar e convencer que está tudo bem mesmo quando nos parece que agora é que vai dar bronca. Vivem os dois muito da comparação com os antecessores. Paulo Bento e Cavaco Silva parecem ter sido feitos no mesmo torno. Marcelo recebeu os jogadores de futebol campeões europeus, os atletas olímpicos, os campeões europeus de atletismo. Nunca houve tanta testosterona naquela sala, excepto daquela vez em que Cavaco lambeu a mão à princesa Letizia. (…)

Do meu ponto de vista, é diferente dar uma medalha ao Zeinal Bava e, passado uns meses, descobrir que andou a assaltar a PT e dar uma medalha ao Ederzito. Sinto que, desta vez, não fomos aldrabados, a não ser que viéssemos a descobrir que o Eder estava a ser pago pelos franceses e que, na realidade, tentou um autogolo mas saiu-lhe mal.»

João Quadros