15.10.16

Dica (414)




«A verdade é que, no meio desta enxurrada de análises e pseudo-análises e confrontos mais ou menos pacíficos e mais ou menos esclarecidos, e educados, de opiniões, Bob Dylan ainda não se pronunciou sobre o assunto, nem mesmo na quinta-feira à noite, quando subiu ao palco do Chelsea at The Cosmopolitan, em Las Vegas, para mais um concerto. Irá ele dizer “não”, não e não? Ou irá, por outro lado, aceitar o prémio? Aliás: irá ele, sequer, falar alguma vez sobre o Nobel?» 
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Vamos ser uma «China country»?



Nicolau Santos, no caderno Economia do Expresso de 15.10.2016:


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Não resisto


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Portugal e as Nações Unidas



«É por demais evidente a diferença entre Guterres na ONU e Durão na UE. E é muito curiosa esta (quase) unanimidade doméstica em torno da eleição de Guterres para a secretaria-geral das Nações Unidas. Curiosa porque este é o país onde, a despropósito, se gosta das tiradas sobre a “ineficácia” e a “hipocrisia” da ONU (retórica que já vem dos tempos de Franco Nogueira no Palácio das Necessidades), quer porque o seu sistema de tomada de decisão impede o Ocidente de fazer com a ONU o que faz com a NATO, quer porque a grande maioria dos Estados-membros representam populações que até há 40-70 anos não eram mais do que súbditos coloniais, pelo que, com todo o paternalismo e preconceito rançoso que por aí predomina, é uma maçada ter de discutir com eles...

No âmago da nossa política externa predomina quem sempre menosprezou (ou simplesmente detesta) a ONU: primeiro porque ela apoiou empenhadamente o fim da hegemonia colonial da Europa e do Ocidente sobre o planeta; depois porque ela, e em particular as suas agências, assumiu uma leitura crescentemente social do mundo, de que, em certa medida, o Guterres alto-comissário para os Refugiados foi um porta-voz que nunca agradou a esta gente; finalmente, porque a ONU está fundada na ilegitimidade essencial dos comportamentos expansionistas e imperiais dos gendarmes do mundo, enquanto quem se arrogou o exclusivo de pensar e gerir a posição de Portugal no mundo entende que o nosso futuro passa por se colar aos grandes “do nosso lado”, sejam eles os norte-americanos desde 1945, possam eles ser hoje os alemães na UE.

A grande maioria da história da política externa portuguesa desde que entrámos na NATO (1949) e desde que pedimos para entrar na CEE (1977) foi gerida por governos que se empenhavam em colocar-se em bicos de pés para ver o que caía do prato dos mais poderosos do Ocidente. (...)

Durante a ditadura, o Governo português afrontou a ONU e tudo quanto de sistema internacional de gestão da paz e prevenção da guerra ela significava. Teimosa e abertamente partidário da preservação da hegemonia ocidental e da “supremacia branca” sobre o sistema internacional, Salazar, uma vez conseguido o ingresso na ONU (1955), nunca assinou a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e não só se recusou a aplicar a Carta das Nações Unidas, negando possuir colónias e, portanto, a prestar informação sobre elas, como sabotou o bloqueio internacional ao regime de minoria branca imposto na Rodésia em 1965. Mais grave ainda, sabotou uma das primeiras, e maiores, operações de paz da ONU, no Congo (1960-64), apoiando com armas e logística a secessão armada do Katanga alimentada por antigos colonos belgas. O próprio secretário-geral Dag Hammarskjöld foi assassinado quando o seu avião foi abatido na Zâmbia (ainda sob domínio colonial britânico), segundo os últimos dados da investigação (2011 e 2014) por mercenários belgas com o conhecimento de norte-americanos e britânicos. Marcelo, o Caetano, abandonou a UNESCO em 1971. Que a África do Sul tenha permanecido quase o único aliado de Portugal contra todas as sanções aprovadas pela ONU nos anos da Guerra Colonial diz bem do canto do sistema internacional para onde o Estado português se atirara. E ajuda a perceber porque é que os nossos governos se opuseram às sanções internacionais contra o regime do apartheid sul-africano, quer nos tempos de Salazar, quer nos de Cavaco Silva (e que vergonha este, com semelhante passado, se tenha atrevido a fazer o elogio póstumo de Mandela!).

O desprezo vem de há muitos anos e ainda não cessou.»

Manuel Loff

14.10.16

Regressemos à saga dos táxis



A ler: este texto de Fernanda Câncio no DN de hoje: Táxis uber alles?

«Haver muitas regras e não serem cumpridas porque ninguém as faz cumprir ou haver poucas ou nenhumas: nenhuma das opções é aceitável, nenhuma é justa. O Estado serve para mais do que aprovar leis. Tem de garantir que são cumpridas. E se por essa razão é escandaloso que o secretário de Estado da tutela diga (na RTP) que não tem de ter opinião sobre se a Uber e Cabify estão ilegais "porque isso é com os tribunais", é igualmente escandaloso que se permita há décadas a desobediência do setor de táxi às exigências legais, incluindo a do respeito pelos direitos dos trabalhadores - e dos clientes, que também são gente. O capitalismo selvagem e a roubalheira devem ser denunciados e combatidos quer usem boné e unha do dedo mindinho comprida quer não tenham rosto.» 
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Dica (413)




«As the noose around Aleppo tightens -- and the Assad regime and its Russian allies continue to bomb the city -- the extremely dangerous nature of this proxy war is becoming more apparent than ever. Could escalation between Moscow and Washington be on the horizon?» 
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14.10.1964 - Nobel da Paz para Luther King



O Nobel da Paz foi atribuído a Martin Luther King em 14 de Outubro de 1964.

«Aceito o Prémio Nobel da Paz num momento em que 22 milhões de negros nos Estados Unidos estão envolvidos numa batalha criativa para encerrar a longa noite da injustiça racial. Aceito este prémio em nome de um movimento de direitos civis que está avançando com determinação e um majestoso desprezo pelos riscos e perigos de estabelecer um reino de liberdade e um sistema de justiça. Estou ciente de que uma pobreza debilitante e asfixiante aflige o meu povo e o acorrenta ao degrau mais baixo da escala económica. Portanto, devo perguntar porque é que este prémio está a ser concedido a um movimento que é comprometido com uma luta incessante; a um movimento que não conquistou a própria paz e fraternidade que é a essência do Prémio Nobel. Depois de pensar a esse respeito, concluí que este prémio que recebo em nome desse movimento é um reconhecimento profundo de que a não-violência é a resposta à questão moral e política crucial de nosso tempo: a necessidade do homem superar a opressão e a violência sem recorrer à violência e à opressão (...).

Ainda creio que superaremos tudo isso. Essa fé dá-nos a coragem de enfrentar as incertezas do futuro. Dá forças aos nossos pés cansados enquanto continuamos a nossa marcha rumo à cidade da liberdade. Quando os nossos dias se tornarem lúgubres e cobertos por nuvens e as nossas noites se tornarem mais escuras que mil meias-noites, saberemos que estamos vivendo no tumulto criativo de uma civilização genuína que luta para nascer.»

(Excertos do discurso proferido em Oslo, em 10 de Dezembro de 1964) 
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O pipi dele



«As eleições nos EUA estão na recta final e esta semana ficou marcada pelo segundo, e penúltimo, debate entre os candidatos e a divulgação de um vídeo, com 10 anos, onde, resumindo, Donald Trump diz que não aguenta ver mulheres bonitas e que as pode beijar e "grab them by the pussy", mesmo contra a sua vontade, só porque é uma celebridade. Falando por mim, garanto-vos que não é assim.

Trump confunde conversa de balneário com paleio de sarjeta. Vê-se bem que ele está gordo e não faz desporto. Nos nossos dias, a conversa de balneário é sobre quem levanta mais peso, tomou proteína ou fez flexões em menos tempo. A conversa de Trump não é de quem anda de fato de treino a malhar no ginásio, é de quem anda de gabardina no apalpanço nos transportes públicos.

De repente, Trump vê-se abandonado, em parte, pelo Partido Republicano, por dizer, em privado (numa gravação de dois minutos), que é um cão de Pavlov com mãos de gorila e cérebro de coelho quando há mulheres giras por perto. Percebo o choque, mas este é o mesmo Trump que falou sobre expulsar todos os muçulmanos, sobre o uso de bombas nucleares contra países, sobre como todos os mexicanos são violadores e ladrões e a maioria dos negros criminosos. É o mesmo Trump que falou sobre torturar prisioneiros. Tudo isto foi dito, não como conversa de balneário mas como discurso e ideias para o futuro da maior potência mundial. A moral do partido republicano é muito estranha. É como aquelas pessoas que adoram cozido à portuguesa mas toucinho, nem pensar! Que nojo! (…)

O debate não foi o banho de sangue que todos esperavam. Hillary acabou por quase deixar empatar um jogo que, antes de começar, já vencia por 7-0. Quando vejo Hillary e Trump, lembro-me daquelas eleições no meu SCP onde tinha de escolher, respectivamente, entre o Bettencourt e o Paulo Pereira Cristóvão. Na altura, não votei mas é evidente que uma pessoa no seu perfeito juízo, e apesar de tudo o que representa Hillary, tem de votar contra Trump. Neste caso, é mesmo uma questão de vida ou de morte.»

João Quadros

13.10.16

E o ridículo não mata nem paga impostos

Frankenstrump, uma história menos conhecida de Mary Shelley



O texto de Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje, é a tal ponto delirante como um todo, que sou incapaz de destacar qualquer excerto. É sobre Trump, como é visível - e excelente, na minha opinião.

Na íntegra AQUI.
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13.10.1921, Yves Montand



Não sei se Yves Montand teria alguma hipótese de ganhar um qualquer Nobel se fosse vivo, mas permito-me duvidar – e muito. Mas faria hoje 95 anos e isso merece comemoração.

Paris, Paris:






Porque é tempo delas:




E, inevitavelmente:

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Nobel da Literatura???



Esta atribuição do Nobel a Bob Dylan não é uma espécie de Uberização da Literatura?

 Ouvindo alguns livreiros...
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