29.7.17

Templos budistas e não só (7)



Kinkaku-ji (Templo do Pavilhão Dourado). Quioto, Japão (2006).

O templo budista Kinkaku-ji, com exceção do rés-do-chão, está coberto por uma folha de ouro e é rodeado pelo Kyōko-chi (Lago Espelhado). Construído em 1397, foi incendiado em 1950 por um monge louco, datando a estrutura actual de 1955. Infelizmente não é permitido visitar o interior, mas o reflexo do dourado do templo no lago é absolutamente espectacular. 
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Dica (596)



Já não nos vemos gregos? (João Rodrigues e Nuno Teles) 

«Os EUA têm um papel directo na crise da Zona Euro, ainda que se confirme que delegam na Alemanha e nas instituições europeias que esta controla a manutenção da ordem neoliberal deste lado do Atlântico.» 
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Van Gogh morreu num 29 de Julho



Tudo se sabe sobre este extraordinário pintor nascido na cinzenta Holanda, mas prefiro recordar a sua estadia em Arles por onde voltei a passar há poucos anos.

Foi em Arles que o pintor se exaltou com a luz do Sul e pintou muitos dos quadros que tão bem conhecemos, desde os famosos girassóis aos ciprestes, à casa amarela onde viveu, ao célebre quarto, ao autoretrato com a ligadura depois de ter cortado a orelha após uma forte zanga com Gauguin – 185 quadros entre Fevereiro de 1888 e Maio de 1889.

Depois do corte da orelha, a população considerou-o cada vez mais louco e exigiu o seu internamento definitivo no Hotel de Deus da cidade, misto de asilo e hospital. O claustro está hoje intacto (foto no topo deste post), tal como ele o pintou. Pediu depois para ser transferido para um hospital psiquiátrico perto de Saint-Rémy-de-Provence e regressou mais tarde aos arredores de Paris.

Se não o tratou bem em vida, Arles tira hoje todo o partido possível da estadia de Van Gogh nas suas terras.



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Assim vamos


Num restaurante, um puto de 4 ou 5 anos deixa cair um garfo ao chão. O pai apanha-o e entrega-lho sem mais. O dito puto agarra num guardanapo e limpa o garfo. Fico com esperanças no futuro.

Não em pareceu que o pai fosse cigano ou de outra etnia esquisita e falava um português escorreito. 
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A desertificação de Portugal



«A tartaruga poderia ser o símbolo perfeito de Portugal. Da sua lentidão para concretizar qualquer sonho ou para resolver qualquer desafio. Entre os prós e os contras de cada opção, o país coloca uma venda nos olhos como a justiça e tenta equilibrar os benefícios e danos.

O resultado é a ausência de decisões. A reforma da floresta é, ela própria, o palco mais óbvio deste desencontro com o calendário veloz dos tempos recentes. (…) O fogo será vencido pelos tempos frescos e porque já há pouco para arder. Este é o tempo de se cortar a direito, doa a quem doer. Porque num país como este, que tem pouco mais do que a sua beleza natural como recurso estratégico, deixar desaparecer o seu ambiente é um crime.

Falta alguma coisa para que se enterrem machados de guerra e interesses políticos, ou cumplicidades económicas, e se faça um consenso nacional sobre a floresta, sobretudo num país onde o Estado tem um peso insignificante na sua propriedade? Um dia destes não há país verde. Haverá um imenso deserto. O que está a acontecer afecta os próximos 10, 20 ou 30 anos. Com a ameaça, cada vez mais real, da desertificação do país, ficar sem floresta (e a sua riqueza de fauna e flora) é um tiro na própria testa.(…)

Vivemos tempos de extremos. E este pequeno país à beira-mar especado tem de aprender a preservar aquilo que tem de mais rico: o seu ambiente e as suas gentes. É isso que, nestas décadas, não foi feito. Por ignorância, ganância e desprendimento. Por falta de cultura das elites que mandam. Quando acabar este tempo de incêndios e se olhar para um país mais cinzento, com menos pessoas no interior, menos árvores, menos pássaros e animais selvagens, menos diversidade e menos beleza, se perceberá melhor o que se perdeu. E, agora, só se trava o deserto ou ele transformará Portugal num Sahara com prédios com ar condicionado pelo meio.»

28.7.17

Templos budistas e não só (6)



Angkor Wat. Siem Reap, Camboja (2009).

Angkor Wat é o maior dos templos de Angkor, primeiro hindu e depois budista, expoente máximo da arquitetura Khmer, um dos tesouros arqueológicos mais importantes do mundo.
Angkor foi capital do Império Khmer entre os séculos IX e XV e pesquisas recentes concluíram que poderá ter ocupado 3.000 km² e tido uma população de 500.000 habitantes («a maior cidade pré-industrial do mundo»). Nela foram encontradas ruínas de mais de 1.000 templos. Por lá andei uns dias e não vi mais do que uma pequeníssima parte – com um calor tórrido e húmido como nunca experimentei em mais alguma parte do mundo… 




Chico Buarque


Novinha em folha, conhecida hoje.


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Van Gogh na véspera do suicídio





Eduardo Galeano, Los hijos de los días. 
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Marques Mendes deitou mal as cartas




Claro que PAFs e assimilados vão dizer que o INE falseou o resultado, hoje divulgado, para não dar razão a Marques Mendes. (Aliás, já tinham até afirmado que isso aconteceria…) 
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Sordid season



«Infelizmente, este Verão, uma pessoa tem a televisão ligada e parece que tem uma daquelas lareiras falsas. Impressionante, em termos estatísticos, é ainda não ter ardido nenhuma padaria portuguesa. Mas é triste e medonho ver cavalgar politicamente o número de mortos de Pedrógão.

Esta foi uma semana de política necrófila. Fiquei assustado. Porque uns indivíduos que acusam o Governo de esconder mortos para não perder a popularidade são capazes de tudo, incluindo usar mortos para serem populares. (…)

No Expresso, um colunista falava em 100 mortos e demissão do Governo. Até no jornal Crime diziam - "eh pá, 100, calma, isso é demasiado sensacionalista." O jornal Expresso devia usar aquela calculadora da devolução da taxa extra do IRS para contar os mortos de Pedrógão.

De imediato, Hugo Soares, como um javali numa loja de porcelanas, deu 24 horas ao Governo para divulgar a lista nominal dos mortos. O PSD ameaçava contratar uma espírita para contar os mortos de Pedrógão. Hugo Soares queria estrear-se com uma entrada a pés juntos e só faltou exigir uma lista nominal de mortos, até agora, no Game of Thrones, e dar 24 horas a Paco Bandeira para revelar o número de discos que queimou.

Depois da divulgação da lista, pela PGR, Hugo Soares disse: "Finalmente foi posto um ponto final numa especulação criada pelo Governo." Criada por quem?! Estão a confundir os Costa. Este é o irmão, o do Expresso. (…)

Esta estratégia de transformar a "silly season" numa "sordid season" começou com os suicidas de Passos e continuou com os mortos escondidos pelo Governo. Toda esta celeuma nasceu de uma lista publicada no facebook por uma empresária que tinha andando a contar campas frescas. O chamado jornalismo de investigação. (…)

No estado a que isto chegou, estamos com sorte, porque ainda nenhum jornal se lembrou de aproveitar a tragédia e fazer uma colecção da panini com as vítimas de Pedrógão.»

27.7.17

Templos budistas e não só (5)



Wat Xieng Thong. Luang Prabang, Laos (2009).

Wat Xieng Thong (ou Templo da Cidade Dourada) é um dos mais importantes complexos budistas do Laos, com mais de vinte estruturas, para além de jardins com árvores e flores. Construído em 1559-1560, foi sendo aumentado e restaurado, nomeadamente já no século XX com uma ajuda especial da França.



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O fogo e o gelo



«O que mais custa em tudo isso é que o país arde. Está a tornar-se cinza. Com as consequências terríveis, em termos ambientais, humanos e económicos, em que isso se traduz. Estamos a pagar caro o fim da nossa relação com a natureza. Deixámos de dialogar com ela. E as políticas de retirada do interior do país, alimentadas nas últimas décadas, selaram este triste destino. Acabámos com os guardas-florestais, centralizámos nas grandes cidades e nos gabinetes os serviços ligados à agricultura ou à floresta. Fechámos os serviços públicos (de escolas a centros de saúde) que davam oxigénio ao interior. Não foi só a inexistente política florestal que chacinou o nosso contacto com a natureza.

Numa das suas belas poesias, Ruy Belo escreveu: "No princípio de tudo o coração/como o fogo alastrava em redor/uma nuvem qualquer toldou então/céus de canção promessa e amor/Mas tudo é apenas o que é/levanta-te do chão põe-te de pé/lembra-te apenas o que te esqueceu." Perdemos a ligação à natureza e devotámos a nossa fé na tecnologia. A desertificação florestal do interior começou com o fim da presença do Estado no interior. Agora não há gelo que apague o fogo. Só resta este insulto moral à dor nacional que muitos cavalgaram como valquírias dispensáveis. Como se gostassem do cheiro do napalm pela manhã.»