24.2.18

Parece «Imprensa Falsa», mas não é



«"Um voto que poderia ter sido subscrito pelo próprio Donald Trump": foi assim que o PCP definiu o voto de condenação apresentado pelo Bloco de Esquerda no Parlamento pelos "bombardeamentos e crimes contra a humanidade sobre as populações da região de Ghouta, na Síria". Os comunistas, a par dos dois deputados do partido ecologista Os Verdes, foram assim os únicos a votar contra o texto do Bloco de Esquerda.»
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24.02.1927 - David Mourão-Ferreira



David Mourão-Ferreira faria hoje 91 anos. Um dos nossos grandes poetas do século XX, ficcionista também (quem não se recorda de Um amor feliz), acidentalmente político como Secretário de Estado da Cultura, de 1976 a Janeiro de 1978 e em 1979, autor de alguns poemas imortalizados pelo fado, na voz de Amália Rodrigues.

Dois poemas ditos pelo próprio:






Amália:



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Ensino Superior e asneira à deriva




Foi com espanto que vi esta (possível) decisão do governo. Se acham que é necessário (até parece que não, ficam sempre por preencher muitos lugares por esse país adentro, mas enfim), por que é que é não se abrem mais vagas no interior, SEM as reduzir em Lisboa e Porto? Isso, sim, daria mais hipóteses a todos. Ou o que se pretende é que nas duas principais cidades fiquem os melhores alunos (já que, globalmente, conseguirão entrar menos) e chutar os outros para onde não querem? Oferecê-los às privadas? Repovoar o reino com «castigos»? Falta de pachorra!
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A zona cinzenta



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Há um problema na política em democracia, e na política portuguesa em particular, que só se resolve com as pessoas. Nem as leis, nem muitas vezes uma lista de boas práticas, nem controlos burocráticos, são eficazes para o resolver. E, sem se darem passos para o resolver, não se consegue mitigar a pressão populista, nem prestigiar a vida política ou o exercício de cargos públicos.

Qualquer pessoa que tenha experiência política ou que conviva com a vida pública, mesmo para lá da política, nas instituições e no Estado, sabe que há muitas práticas que, não sendo ilegais, são inaceitáveis em si mesmas e por maioria de razão para a imagem das instituições e dos homens. Refiro-me a esta coisa tão simples: o acesso a determinados tipos de poder, quase sempre pequenos poderes, permite utilizar lugares e funções em proveito próprio ou dos próximos. Insisto: não estou a falar de crimes, nem mesmo na maioria dos casos de evidentes ilegalidades — estou a falar de abusos e aproveitamentos, infelizmente tão comuns na vida pública portuguesa. Conheci muita gente, e não é retórica o “muita”, que quando acede a um lugar ou um cargo deixa de ter a economia que a maioria das pessoas sem poder tem. Arranja maneira de quase todas as despesas pessoais e nalguns casos dos seus familiares e próximos serem cobertas por dinheiros públicos, aumenta-se a si própria, de forma directa ou indirecta, através de alcavalas ou de prebendas, usa o poder que tem para beneficiar amigos, familiares ou pessoas a quem se devem favores ou se quer que fiquem a dever favores.

Os instrumentos usados são muitas vezes meios que seriam legítimos em si mesmos — na verdade, ninguém deve “pagar” para ter um cargo, suportando despesas que lhe são inerentes e tem direito a que lhe paguem viagens, despesas de deslocações e estadia ou outras do mesmo género. Mas outra coisa é usar cada um destes direitos para os “aproveitar” para melhorar o seu trem de vida, com mil e uma pequenas (às vezes grandes) entorses ao que devia ser, sendo pagos por viagens e despesas hipotéticas com critérios que maximizam o que se recebe, sem apresentação de documentação, porque se está muitas vezes numa posição em que existe um poder discricionário para decidir pagamentos e prescindir de comprovativos. É isso que muitas auditorias infelizmente revelam, mesmo quando não há aparentes ilegalidades.

Essas pessoas acham que isso é “natural”, não pensam que exista qualquer problema e que é uma espécie de direito próprio e conhecem mil e um truques para maximizarem os seus “aproveitamentos”. No caso do Parlamento Europeu, eu só percebi muitas das práticas habituais que se passavam à minha volta quando estava para me vir embora, porque quem as conhecia escondia-as. Algumas eram conhecidas e muitas vezes motivo de escândalo, como seja o emprego de familiares como assessores, nalguns casos pagando a uma única pessoa que ganhava o que devia financiar um gabinete, assim como a utilização de transportes e viagens desnecessárias, quando estas eram pagas por um preço simbólico, acima do valor real.



Perguntas incómodas?


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23.2.18

Dica (722)




«It may be tempting to connect the failure of the European left to the recent economic recession. It was during this recession or its aftermath that many left-wing governments (in Britain, Spain, Denmark) lost their mandates. Undeniably, the recession with its massive social cost caused much electoral instability, and opened a political door to various populist challengers. It would be, however, naive to suggest that the economic crisis was anything other than a catalyst. It was an accelerator that speeded up the onset of consequences of a structural development that we have been witnessing for at least three decades.»
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31 anos sem o Zeca



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Passaram ainda além da Traquitana



«O PSD pós-congresso não é um saco de gatos, é um ninho de vespas aziadas. Dos apupos à ex-braço-direito de Marinho Pinto, agora vice-presidente do PSD, passando pela voz não tão grossa, mas grosseira, de Montenegro - que afirmou no congresso: "Não deixe que o PSD se transforme no grupo de amigos de Rui Rio ou na agremiação dos amigos de Rui Rio", enquanto se preparava para formar um PSD de inimigos de Rui Rio - até à falta de Hugo Soares a uma reunião da Comissão Política, justificada por Rio e absolutamente injustificável segundo o ainda líder da bancada parlamentar, tudo leva a concluir que o PSD é um partido aos pedaços. Se a chamada Geringonça tivesse um dia assim, seria o fim. Se alcunharam o actual Governo de Geringonça, o mínimo é dar o nome de Traquitana a este PSD.

Enquanto Rui Rio se reúne duas horas e meia com António Costa para iniciar uma espécie de diálogo educado, a vice-presidente diz, em entrevista à SIC Notícias, que o actual Governo lhe "repugna por ser de esquerda". Deduzimos que Rio terá ido para a reunião com Costa munido de um daqueles sacos para vomitar que há nos aviões. Sendo esta crónica sobre o Congresso do PSD, não poderia deixar de recordar Sá Carneiro. Esta frase da ex-bastonária da Ordem dos Advogados faria Sá Carneiro dar voltas no caixão; o que seria terrível porque poderia dar origem a mais uma comissão de inquérito ao caso Camarate. Penso que o próprio Passos não chegaria tão longe. Ou seja, Elina foi além do Passos, proeza difícil se relembrarmos que o primeiro foi além da troika.

Escrevo esta crónica na noite de quarta-feira, na verdade já é quinta e, para bem de Rui Rio, suponho que quando o estimado e esbelto leitor estiver a ler, já Fernando Mimoso Negrão será o novo líder parlamentar do PSD. Não quero fazer trocadilhos com o apelido do recém-eleito, mas sempre achei que dava um excelente nome para actor de filmes porno. Dá jeito porque vai ser esse o ambiente na bancada que vai gerir.

Acrescentando a tudo isto, que descrevi nas linhas anteriores, Santana Lopes, que no Congresso foi quem protegeu Rui Rio como se fosse o seu bebé, talvez por solidariedade ao que teve de passar enquanto ainda estava na incubadora, veio avisar, e cito, não vão pensar que sou eu que uso uma linguagem popular: "Se Rio disser que vai para um Governo do PS, temos o caldo entornado." Santana, desta vez, não anda por aí, está aqui, em cima de Rio.

Entretanto, o denominado, com algum exagero, líder do PSD aparece sorridente na televisão, fazendo um sorriso às polémicas, e afirma: "Vai haver mais histórias. Cá estou para elas. É disso que eu gosto." Espero que Rui Rio não seja daquelas pessoas piegas que gosta de histórias com um final feliz.»

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22.2.18

PSD: Criatividade Eleitoral



Fernando Negrão só teve 35 votos a favor na eleição para dirigir a bancada parlamentar do PSD, de um total de 88, mas soma-lhes os brancos (32), que considera serem «benefício da dúvida». Ena!
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Enough is Enough!



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Quais porcos a andar de bicicleta!



Marcelo canta "Grândola, Vila Morena" em São Tomé e Príncipe.

(Ver e ouvir aqui.)
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Coragem: é a nossa vez



«Até há pouco tempo era considerado alarmismo a mais comparar o atual panorama político mundial aos perigosos anos 30 e 40 do século XX europeu. Hoje, essa questão paira no ar insistentemente: estamos na mesma atmosfera perigosa que precedeu a Segunda Guerra Mundial?

Líderes mundiais semearam retóricas de ódio e de discriminação, confundiram a opinião pública com notícias inventadas. Dos Estados Unidos à Turquia, à Hungria, às Filipinas, à Líbia, a Myanmar. Até em Portugal vimos já a discriminação e uma retórica aberta e perigosa que considera que algumas pessoas são menos humanas que outras.

O Relatório Anual da Amnistia Internacional sobre o estado dos direitos humanos no mundo mostra que já estamos a viver as consequências dessa retórica discriminatória. Desde os refugiados que vivem num limbo, sem segurança e à mercê do ódio daqueles que os perseguem e não deixam viver devido à sua religião ou etnia.

Nos primeiros dias do atual Presidente dos EUA em funções vimos a tentativa deste em demonizar todos os refugiados, muçulmanos e mexicanos. Vimos também a limpeza étnica dos rohingya em Myanmar. Na Hungria vimos as fronteiras do acolhimento fecharem-se aos refugiados. No Egito testemunhámos a perseguição feita a cristãos, a homossexuais, a ONG e a defensores de direitos humanos, especialmente dos direitos das mulheres.

Portugal não é exceção no que diz respeito à discriminação. País aberto ao mundo, continuamos a discriminar os outros. São muitas as formas como em Portugal alguns consideram os seus semelhantes menos humanos, seja por discriminação étnica e racial, seja pela discriminação e violência de género, seja no impedimento de acesso a condições dignas de habitação para os mais pobres e frágeis, com especial relevo das pessoas de ascendência africana e das comunidades ciganas, desalojadas à força e sem acesso a programas de realojamento dignos.