11.1.20

«Livre» em modo harakiri



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Guiné-Bissau: da Memória ao Futuro




«Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro é testemunha das esperanças e dos bloqueios que foram construindo o país durante mais de quatro décadas. Filmado integralmente na Guiné-Bissau, em setembro de 2018, quando se celebravam os 45 anos da independência, o documentário regista os testemunhos de um conjunto de académicos de várias nacionalidades, membros da sociedade civil guineense, artistas e combatentes da luta de libertação nacional que refletem e debatem as memórias e os legados desse passado.

Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro percorre uma ampla viagem reflexiva sobre a imaginação e a construção da Guiné independente, mostrando-nos, também, como a memória pode servir de instrumento à geração do presente para a construção do futuro.»

Projecto CROME-CES

Sumário Ficha Técnica: Documentário / 60 minutos / Portugal – 2019
Realização: Diana Andringa
Guião: Diana Andringa e Miguel Cardina
Produção: Garden Films e CES-UC
Legendas: português e inglês
Um projeto com o apoio financeiro do ICA / Ministério da Cultura.
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O pântano



«Para justificar o pouco que conseguiu nas negociações que António Costa simulou entre a poncha da Madeira e o tofu do PAN, o PCP disse que “o PS está hoje menos condicionado do que na anterior legislatura”. Não é verdade. PCP e BE continuam a poder inviabilizar qualquer orçamento. Deixaram de ser necessários os dois ao mesmo tempo, mas isso resolvia-se com uma coordenação entre eles, que o PCP recusa. Deixaram de ter um acordo escrito que amarrasse o PS a alguma coisa, mas o PCP também não o desejou. É um enfraquecimento autoinfligido que se traduz no argumento para não votar contra: “O que foi alcançado não anda para trás.” Maior caricatura do partido de resistência é impossível. O BE absteve-se por medo. Tal como o PCP, as conquistas são pouco mais do que simbólicas. Tão pouco que Costa se deu por satisfeito ainda antes de conhecer o seu voto. Já fizera saber que esperava que o BE viesse a reboque do PCP. A humilhação pública será a estratégia de Costa, que quer esvaziar de sentido o voto no BE. E o BE não reage porque teme a memória do PEC IV, onde votou ao lado da direita e depois caiu para metade. Não percebe que era outro o contexto, foram outros os erros e serão outras as consequências.

Era agora que BE e PCP definiam as regras desta legislatura. O Parlamento não pode ser dissolvido, a direita não é um risco e Marcelo, a preparar a reeleição, não quer uma crise. Talvez os eleitores não o entendessem agora, mas este é o momento para definir um padrão para a legislatura: assinarem de cruz todos os orçamentos ou terem o poder de determinar alguma coisa. E será isso, e não o estado de espírito atual, ainda marcado pela defunta ‘geringonça’, que decidirá o voto nas próximas eleições. Se os eleitores de esquerda estiverem satisfeitos e sentirem que BE e PCP não contaram para nada, votarão PS. Se estiverem insatisfeitos e sentirem que BE e PCP não fizeram oposição, votarão noutra coisa qualquer. Perdem sempre. É verdade que têm uma janela de oportunidade daqui a um ano: o Parlamento voltará a não poder ser dissolvido, por estarmos nos últimos seis meses de mandato do Presidente. Mas o tom foi dado agora: o PCP voltará a não ter perdido nada do que já foi conquistado e o BE voltará a ter medo de votar com a direita. Ao terceiro orçamento, se Costa lá chegar, estarão atados de pés e mãos, com um preço demasiado alto a pagar por uma crise política.

Vêm aí tempos perigosos. A direita estará em crise profunda, o PCP em hibernação e o PS apostado a ser um eucalipto, que seca tudo à sua volta sem mobilizar ninguém. Os sindicatos morrem lentamente e surgirão cada vez mais focos de contestação inorgânica, sobretudo entre os trabalhadores do Estado. E a extrema-direita estará, mais do que se julga, à espreita. É isto que me preocupa. A conclusão deste processo negocial traduz um erro estratégico de toda a esquerda. Do PCP, porque desistiu de conquistas; do BE, porque tem medo de aparecer como radical; e de António Costa, porque tenta enfiar no bolso os seus interlocutores à esquerda, não percebendo que eles são a única barreira ao crescimento de um descontentamento antidemocrático. Quatro anos de orçamentos viabilizados de cruz, sem conquistas nem oposição, atirarão o país para um pântano. E BE e PCP para uma monumental derrota.»

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10.1.20

A ver vamos…



«O governante teme o cenário de entendimentos entre os partidos à esquerda do PS e os que estão à direita em sede de especialidade no debate de o Orçamento do Estado. Medidas deste género poderiam afetar os equilíbrios orçamentais, num Orçamento que pela primeira vez, em democracia, apresenta um excedente. (…)

O ministro das Finanças não quer que sejam aprovadas medidas que “por aumentarem a despesa ou reduzirem impostos ponham Portugal no caminho do aumento da dívida” ou que “alterem o equilíbrio orçamental”.»
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Júlia Pomar



Seriam hoje 94.
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Mariana Mortágua, hoje, na AR




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As armas falarão mais alto e ditarão a lei?



«Tornou-se um lugar-comum afirmar que o mundo está a ficar um local perigoso para se viver.

É indesmentível - a ordem que saiu da segunda guerra mundial está a esvair-se e a ser substituída por uma nova ordem ditada pelo desequilíbrio da força militar. Haverá força para contrariar esta tendência? Que reequilíbrios se poderão vir a estabelecer? Os líderes que pugnam por uma nova ordem mundial são exatamente os mesmos que, no plano interno dos seus países, prosseguem políticas de apoio ao armamento dos cidadãos.

A configuração deste universo interno passa, no plano internacional, pela ação militar e o fim do apego à filosofia do atual direito internacional que proíbe a guerra.

Baseado numa superioridade militar/tecnológica, Trump vai-se apresentando como sherif do mundo e ostenta os diversos troféus que vai eliminando.

O assassinato do general iraniano constitui uma ação de guerra contra outro país, com a agravante de ter sido cometido noutro país… Há quem entenda que aquela ação serviria para desviar a atenção dos cidadãos dos EUA do impeachement.

Portugal ficou em silêncio face ao assassinato do general iraniano, mas foi rápido a condenar o ataque militar iraniano aos EUA, igualmente no Iraque e também ele um ato de guerra no território de outro país. Pesos e medidas que não abonam a credibilidade internacional. São precisos Estados coerentes na defesa da paz no meio deste mundo caótico.

Apesar de toda a retórica Trump parece ter abandonado a cadeia das respostas e contra respostas, dado a perigosidade da prossecução desse caminho. Na madrugada de quarta-feira o MNE iraniano já tinha deixado claro que aquela era a resposta, deixando antever o fim da “vingança”, esperando-se que tudo volte a uma certa normalidade em que as conversações substituam o ribombar das armas.

Os tempos, em certa medida, assemelham-se ao período que antecedeu a segunda guerra mundial em que todos se calavam para não enfurecer Hitler…

No Médio Oriente sauditas, iranianos, turcos, russos, e sobretudo os norte-americanos armam os grupos que fazem o seu jogo. Não são aceitáveis teorias que há terroristas melhores que outros. O terrorismo deve ser banido, seja ele qual for, incluindo o de Israel e da Arábia Saudita. Não eram iranianos os que atacaram Nova Iorque, muitos pertenciam à Arábia Saudita, país da origem de Ossama Bin Laden.

Qassem Soleimani não era nenhum anjinho, era o homem da política iraniana para a região da qual os EUA distam a mais de sete mil quilómetros, e apesar disso cercam toda a área por todos os lados acompanhados por tropas da NATO, incluindo portuguesas.

Trump chegou a pontos de ameaçar a destruição de centros culturais e civilizacionais que são pertença da Humanidade. Trump já se apropriou da linguagem do Daesh e das suas mensagens de destruição dos símbolos civilizacionais, arrependendo-se mais tarde, dado a lei internacional o proibir, algo que não lhe deve ter passado pela cabeça, mesmo sendo o Presidente dos EUA.

Nas relações entre Estados a arrogância e a fanfarronice é má conselheira. Vale sempre a pena ter presente que o Iraque tem hoje esta influência iraniana graças a George W. Bush.

Ser o país mais poderoso nos tempos atuais não chega para ser respeitado e admirado. Nem chega para impor ao mundo a sua política.

Por instantes o Presidente dos EUA, embora arengando ameaças, parece ter abandonado para já a sua terminologia catastrófica e belicista acerca do que o Exército dos EUA é capaz de destruir.

Resta apesar de tudo o que não pode nunca morrer - a esperança da paz. Só a melhor consciência dos povos e de cada cidadão aliada a todos os Estados vinculados aos princípios da paz mundial poderá impedir o rumo para a barbárie. Que cada um pergunte a si e a todos se é inevitável o precipício.»

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9.1.20

Assim vão as nossas «livrarias»



Eu ainda sou do tempo em que a FNAC não vendia meios de transporte, nem toda uma parafernália de electrodomésticos e outra quinquilharia.

Actualmente, a área dedicada a livros «encolhe» aceleradamente e, nela, a de Literatura Lusófona está reduzida a mínimos. Assim vamos...
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Cristina Ferreira?



E eu que já tinha desistido de me divertir nas próximas presidenciais!

Ler: Cristina a Presidente? “Um dia poderia representar todos os portugueses”.
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Orçamento rosa pálido



«Desde Outubro, sabemos que, depois da inédita aliança à esquerda que foi a “geringonça”, o PS tinha um caleidoscópio de possibilidades para conseguir aprovar o seu Orçamento. Conforme os pequenos pedaços de vidro se conjugassem, poderia ser mais vermelho, mais verde ou mesmo mais laranja, não estivesse o principal partido da oposição impedido de participar na discussão por estar envolvido no processo eleitoral de escolha do seu líder.

No ponto em que estamos, talvez venha a ser rosa pálido. Um Orçamento socialista, diluído no branco da abstenção dos seus parceiros à esquerda. Sempre pálido, para quem acreditava que o “projecto” da “geringonça” tinha capacidade para prosseguir além da vitória do PS nas eleições legislativas. Umas tantas concessões na discussão da especialidade para garantir um encolher de ombros dos antigos parceiros na votação final. É quanto basta.

Apesar de tudo, não terá o vermelho de sinal de alerta por sacrificar as contas certas, pensarão outros. Num processo de aproximação sempre complicado, por PS, PCP e Bloco terem visões diferentes para a sociedade e, muito especialmente, para a economia, o espaço de compromisso, sem a disponibilidade para as cedências mútuas com que se constroem projectos comuns, tem sido obtido graças ao abrir dos cordões à bolsa. Prosseguir num segundo mandato esta política era ultrapassar em muito as reversões para entrar numa zona perigosa onde, definitivamente, os socialistas não querem estar.

À esquerda dos socialistas, com ousadias como a do superavit, o caminho do apoio começa a ser cada vez mais estreito. Mas ainda é cedo para uma ruptura definitiva que, antes do tempo certo, não deixaria de ser avaliada negativamente pelo eleitor flutuante de esquerda. Coube, mais uma vez, ao PCP voltar a definir o modo, até porque claramente são os comunistas os parceiros favoritos de Costa.

Catarina Martins ainda tentou, no sábado passado, fazer desta a semana essencial para determinar o sentido do seu voto, mas do outro lado não veio a resposta pretendida. O PCP, anunciando já a abstenção e atirando para a discussão da especialidade a possibilidade de um voto favorável, acaba por condicionar o BE. Havendo margem para algumas concessões, para mais uma vez pelo menos abrir os cordões à bolsa, como poderão os bloquistas assumir sozinhos os ónus de votar ao lado da direita?

Alguns jogos políticos e muito pouca paixão. É o que resta da “geringonça”.»

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