14.8.21

Mas o Google dá muito jeito!

 

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Selfies? Não é Marcelo quem quer

 

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Aljubarrota, 1385



Conta a história ou a lenda, e para o caso pouco importa, que foi num 14 de Agosto que «uma mulher corpulenta, ossuda e feia, de nariz adunco, boca muito rasgada e cabelos crespos», com seis dedos em cada mão, Brites de Almeida de seu nome, pegou em armas e se juntou às tropas portuguesas que se fartaram de matar castelhanos. Veio a casa, despachou mais sete que encontrou escondidos no forno e fez-se de novo à estrada.
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Ser uma pessoa real antes de pedir votos

 



«Sigo Sanna Marin no Instagram. Eu e mais de 470 mil pessoas. Não só pela sua simpatia, carisma e glamour. Acompanho-a porque, sem abrir mão de postar nas redes sociais, a primeira-ministra mais jovem do Mundo mostra-se uma pessoa real, mesmo sendo a primeira-ministra da Finlândia.

Um recandidato à presidência de uma câmara municipal portuguesa também me segue. Bem vistas as coisas, impôs-se num outdoor bem grudado à saída de minha casa, escondendo parte de um tranquilizante relvado de uma cidade onde todos os espaços verdes deveriam ter aqueles autocolantes que colamos nas caixas de correio com a inscrição "publicidade não endereçada, aqui não, obrigado".

Certamente por falha minha, conheço melhor a chefe do Governo de centro-esquerda finlandesa do que o candidato e presidente da autarquia onde resido. Sei que Sanna Marin é ecologista e feminista. Sei que cresceu numa família formada pela mãe e pela companheira, décadas antes de a lei finlandesa reconhecer o casamento homossexual. Sei que o seu trabalho se centra em torno da sustentabilidade e igualdade de género. Percebo que consegue agarrar a atenção dos mais jovens, o que explica grande parte do seu sucesso eleitoral.

Certamente por falha minha, conheço muito pouco do recandidato que impôs a sua fotografia em frente ao prédio onde habito. E a pergunta surgiu. Os 33,6 milhões de euros que partidos, isolados ou em coligações, e os movimentos independentes vão gastar durante a campanha eleitoral para as autárquicas do próximo mês farão com que cada português conheça melhor quem se propõe gerir a sua terra? Os orçamentos refletem essa preocupação.

Muitos milhares serão gastos em propaganda, comunicação impressa e digital, estruturas, cartazes, telas e comícios. Mas mais milhares vão para agências de comunicação e sondagens. Portanto, antes de pedirem os votos, os candidatos saberão bem a quem, onde e quando pedir. O como é que não muda. Tem mudado quase tudo, menos a forma que Sanna Marin já adotou há algum tempo. Ser uma pessoa real.»

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13.8.21

Cada crença tem o seu preço...

 

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13.08.1961 – O Muro de Berlim nasceu há 60 anos

 


Neste post de 2020, imagens e vídeos.
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Esta crónica não é 100% portuguesa



 

«Colecionar luso-descendentes para colar na caderneta “Portugueses Famosos no Estrangeiro” é um dos passatempos preferidos do país. Quando, ainda por cima, juram que têm Portugal na alma, é ver o ego nacional a inchar. No fundo, todos sabemos que o seu sucesso resulta de uma árvore genealógica com um ramo neste canto da Península Ibérica. Não tivesse pais açorianos e Nelly Furtado nunca teria produzido ‘I’m Like a Bird’, uma das músicas mais pegajosas do virar do século XXI. Antoine “Lopes” Griezmann só é uma das estrelas da seleção francesa porque o avô jogou no Paços de Ferreira. Quando tira o nosso passaporte da gaveta para servir a mãe-pátria, o luso-descendente é tratado como o filho pródigo que voltou a casa. Onde os pés de Raphaël Guerreiro ou as mãos de Anthony Lopes tocam numa bola está plantado um comentador emocionado com o regresso da nossa diáspora.

Se rebentamos todos de orgulho com quem faz gala da sua ascendência portuguesa, nem todos apreciam que sejam para aqui chamadas heranças alheias, sobretudo se forem mais escuras. A visão de uma bandeira da Guiné nos festejos da eleição de Joa¬cine Katar Moreira causou vários ataques de apoplexia. Até Patrícia Mamona, a atual detentora da medalha de prata olímpica no triplo salto, ressente-se de muitos não a considerarem uma portuguesa a sério por ter ascendência angolana. E, enquanto recebemos de braços abertos os filhos de emigrantes que jogam na seleção, o nosso primeiro instinto perante um estrangeiro naturalizado que queira fazer o mesmo é desconfiar. Quando os brasileiros Deco e Pepe viraram portugueses para marcar golos por Portugal, foi-lhes rapidamente explicado que o amor à pátria é muito bonito, sim senhor, mas guardem lá isso para o vosso país de origem.

O último suspeito de apresentar níveis deficientes de portugalidade é Pedro Pichardo, o atleta que, depois de abandonar Cuba, se fez português em 2017 e acabou de ganhar nos Jogos Olímpicos a medalha de ouro no triplo salto. Por mais que o homem se esforce por falar português e cantar o hino, elogie o clima ameno, faça referência à filha nascida em solo nacional e garanta que até vê jogos do Benfica, muita gente continua a medir com suspeição o seu índice de lusitanidade. Tudo bem, ganhou uma medalha de ouro que nos ofereceu em sinal de agradecimento, mas olhando bem, com olhos de ver, a coisa é capaz de não ser assim tão portuguesa.

Caso o “Portugal Total” dependa de uma formação apenas em instituições com certificado de autenticidade lusa, como defende o candidato da CDU à Câmara de Aveiro, nunca produzi nada made in Portugal. Com toda a escolaridade feita em escolas públicas francesas, obter um 100% está fora de questão. Também devo chumbar nos testes de nacionalismo mais exigentes que o Chega gostava de aplicar a quem pretende naturalizar-se português. Consigo debitar mais reis franceses do que portugueses, tenho dificuldade em reduzir Napoleão a um facínora que pôs o país a saque e continuo a achar que chamar croissant à massa de brioche vendida por aí é publicidade enganosa. Durante o último Euro, fui, inclusive, acusada de cantar ‘A Marselhesa’ com mais convicção do que ‘A Portuguesa’ — o que, dizem-me, é matéria para crime de alta traição.

Só que a mim ninguém me pergunta nada, sendo certo que também nunca produzi nada de muito relevante, quanto mais ouro olímpico. Mas também ninguém questiona o índice de nacionalismo dos jogadores de futebol que aproveitaram ter pais portugueses para trocar França por Portugal. Já Pichardo é obrigado a repetir declarações de gratidão, rejeitar energicamente qualquer ligação ao Estado cubano e sujeitar-se a uma verificação constante dos seus progressos no portuguesismo — ao princípio, péssimo sinal, não apreciou muito esta mania do bacalhau; agora está bem melhor, até diz que só lhe apetece comer um bom bacalhau à Brás.

Perante a lei, tanto podem ser nacionais portugueses os luso-descendentes como, preenchidas certas condições, os que nascem em território português ou aí residem há mais de cinco anos. No caso de Pichardo, foi aplicada uma norma especial que permite atribuir a nacionalidade a quem seja chamado a prestar um serviço relevante à comunidade nacional — conseguir saltar mais de 18 metros e ter uma medalha de ouro olímpico é capaz de ser suficiente para preencher esta regra. Portugal também convive pacificamente com a dupla nacionalidade desde 1981, estando ultrapassada a ideia de que, como ninguém pode servir dois senhores, ninguém pode ter dois países.

Nada disso impede muitos portugueses de continuarem a privilegiar, por sistema, a origem portuguesa e a exigirem que as ligações ao estrangeiro sejam, no mínimo, camufladas. Acumular uma origem portuguesa com uma nacionalidade estrangeira é motivo de orgulho; declarar-se português e orgulhar-se de uma ligação ao estrangeiro é crime de bigamia lesa-pátria. O passaporte português de um luso-descendente é uma continuação natural do álbum com fotografias dos avós e da casa de férias em Ponte de Lima. O mesmo passaporte nas mãos de um estrangeiro só pode ser um livre-trânsito para se aproveitar de nós. Daí a exigência de declarações de dedicação exclusiva a Portugal e o “esqueçam lá esse sítio de onde vieram” — ou de onde vieram os vossos pais.

“At Home in Two Countries” é o título de um livro escrito por um professor de Direito norte-americano, Peter J. Spiro, onde este estuda a história e a situação atual da dupla nacionalidade. Ter mais do que uma nacionalidade é o melhor exemplo da possibilidade de estar em casa em vários espaços nacionais. Sendo Portugal um país de emigrantes, isto devia ser óbvio. Em vez de duvidar da real integração de Pichardo no país onde vive, devíamos lamentar que não possa voltar ao país onde nasceu e perguntar-lhe como se vai manter cubano enquanto aprende a ser português. Um processo normalmente bastante mais rápido do que muitos parecem achar, como pode atestar quem me apanhou em 1977 a torcer pela vitória da canção francesa na Eurovisão — em minha defesa, a cantora era a luso-descendente Marie Myriam. É perfeitamente possível vibrar mais com o “allons enfants de la Patrie” do que com os nossos “egré¬gios avós” e, mesmo assim, odiar todos os franceses quando conseguem eliminar a seleção nacional.»

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12.8.21

Autárquicas? Tesourinhos não faltam



 

Que a terra se chame Aranhas é como o outro. Mas não havia necessidade de querer abraçá-las…
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Galeano


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12.08.1963 – «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem»



 

Foi em 12 de Agosto de 1963, duas semanas depois de o Conselho de Segurança ter condenado a política colonial portuguesa, que Salazar fez um importante discurso – «Vamos a ver se nos entendemos» – , na RTP e na Emissora Nacional.

Mas seria esta frase, rebuscada bem no seu estilo, que ficaria na lista das citações históricas do ditador: «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem».

Mais informação, vídeo e sons neste post de 2019.
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O exemplo dos políticos

 


«Numa das campanhas presidenciais de Cavaco Silva, coube-me cobrir duas ações do candidato em instituições sociais de Miranda do Corvo e da Lousã, no distrito de Coimbra.

Na primeira delas, a comitiva visitou utentes com sequelas físicas resultantes de acidentes de viação e, no fim, Cavaco Silva proferiu um discurso de apelo ao cuidado dos automobilistas na estrada. A escolha do tema e o apelo faziam todo o sentido, numa época em que o país tinha índices de sinistralidade rodoviária ainda piores que os de hoje.

Porém, findo o discurso político, a comitiva do candidato arrancou a todo o gás para a Lousã. Ao volante do meu carro, tentei não ficar muito para trás e lembro-me de ver o ponteiro do conta-quilómetros acima dos 140, numa estrada onde não seria permitido ultrapassar os 90. Mesmo assim, quando cheguei ao destino, já a visita do candidato à instituição lousanense ia a meio. Não devo ter perdido nada de importante, mas, na altura, julguei pertinente chamar a título de jornal um velho aforismo: "Bem prega Frei Tomás; faz o que ele diz, não faças o que ele faz".

Lembrei-me do episódio a propósito do atropelamento mortal, pela viatura oficial do ministro da Administração Interna, de um trabalhador da empresa que limpa as bermas da A 6. Já lá vão quase dois meses e a pergunta que todos continuam a fazer é: ia ou não a viatura ministerial em excesso de velocidade? Dada a periclitante situação política em que a dúvida deixou Eduardo Cabrita, creio que já teríamos tido resposta, se a sua viatura não tivesse surpreendido o malogrado trabalhador a uma velocidade muito acima do limite legal de 120 km/h.

Mas o que tivemos até agora da parte do Governo foi, essencialmente, silêncio, a garantia ministerial (taxativamente desmentida do lado da Brisa) de que "não havia qualquer sinalização" dos trabalhos de limpeza na A6 e um Augusto Santos Silva (o ministro reservado para as horas difíceis dos seus "compagnons de route") estupefacto por se "trazer acidentes de viação para o debate político". Como se o ministro da Administração Interna não tivesse "por missão formular, conduzir, executar e avaliar as políticas de segurança rodoviária". Como se, enfim, não coubesse a um ministro dar o exemplo - o bom exemplo.

P.S.
Não é só o ministro da Administração Interna que está em causa. A GNR, mais importante para o país do que qualquer político de passagem por aquele cargo, também joga aqui a sua credibilidade. Espera-se dela que use todos os meios ao seu dispor para investigar o acidente com objetividade, rigor e, já agora, sem derrapagens. Cinquenta e cinco dias parecem já uma demora excessiva.»

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