30.4.22

Futuro???

 


PROVE YOU’RE NOT A HUMAN BEING
.

30.04.1975 – O dia em que terminou a Guerra do Vietname

 


No dia 30 de Abril de 1975, a rendição de Saigão (actual Ho Chi Minh) pôs fim à Guerra do Vietname que durou quase duas décadas e se saldou, como se sabe, por uma estrondosa derrota dos norte-americanos.

Foi motivo para grandes contestações enquanto durou, despertou para a política toda uma geração, nos Estados Unidos e não só, esteve na origem de protestos um pouco por toda a parte. Até em Portugal, em tempos de fascismo e apesar de proibidas, tiveram lugar pelo menos duas manifestações em Lisboa, em 1968 e em 1970. Quem lá esteve lembra-se certamente da polícia a pé e a cavalo, na Duque de Loulé (era lá que se situava então a Embaixada dos EUA), a dispersar tudo e todos à bastonada. Mas confesso que só interiorizei verdadeiramente a dimensão do que foi o conflito em questão quando estive no Vietname.

Nunca esquecerei o War Remnants Museum, um dos mais terríveis que conheço, onde se encontram muitas imagens, instrumentos de tortura e outros pavorosos testemunhos da ferocidade de que o homem foi e é capaz. Foi muito difícil percorrê-lo depois de ter visitado Cu Chi, «Terra de ferro, cidadela de bronze», como se autodenomina, localidade a 60 quilómetros a Noroeste de Ho Chi Minh, que se orgulha de ter contribuído de um modo muito especial para a vitória da «Guerra anti-Yankees». É lá que se encontram 200 quilómetros de túneis que serviram de vias de comunicação, de esconderijo, de hospitais, e até de salas de parto, para os resistentes vietnamitas. Se tinha lido várias descrições, o que vi toca os limites do inacreditável.

E, para além de tudo isto, é quase impossível perceber como é que os americanos alguma vez acreditaram que podiam ganhar aquela guerra, apesar dos dois milhões de mortos que ficaram para trás.

Dois vídeos, um sobre o Museu, outro sobre os túneis de Cu Chi:






Uma coisa é Putin, outra a Rússia

 


«Eu tenho as melhores memórias da Rússia, melhor, eu devo muito à Rússia, e por isso me repugna confundir Putin com “os russos”, como agora se faz. Mais do que essas memórias, tenho uma grande admiração pelos russos e, quanto à cultura russa, ela “fez-me”, tanto como tudo o resto.

Conheci a Rússia ainda era URSS e depois logo a seguir, nos anos conturbados de transição, e no retorno a essa maldição russa, a autocracia, a ditadura. Lembro-me de um russo, membro da Duma, provavelmente do Partido Comunista, feliz por encontrar estrangeiros, convidar-me a ir a sua casa, muito modesta, num daqueles blocos de apartamentos dos subúrbios de Moscovo, iguais aos que os mísseis russos estão a destruir em Kiev. Abria os armários onde tinha a sua reserva de comidas “especiais”, aquelas que era difícil arranjar, por exemplo, uma espécie de fiambre, e oferecia-as ao “estrangeiro” por pura generosidade, porque nada tinha a ganhar com o que estava a fazer. Falámos do Hadji Murat, de Tolstoi, que ele tinha tido de estudar na escola, uma história do “império” que muito provavelmente tínhamos “lido” de forma muito diferente.

Saí pela porta daqueles prédios sinistros e hoje nem me lembro do nome do homem e da família que o acompanhava, mas sei o que significou a palavra hospitalidade. Havia uma proximidade muito parecida com a nossa, sem cerimónias nem protocolos, apenas companhia e conversa, entre dois mundos que estavam bastante longe na geografia e mesmo na história. O meu, por muito mau que fosse, com 48 anos de ditadura, o dele com a tragédia dos milhões de mortos às costas, alguns da sua família. Tragédia não é uma palavra leve, mas não se conhece nada da Rússia sem a perceber. E, no entanto, eu sabia que ele era da burocracia do poder soviético em extinção, e ele que eu era do “inimigo”. Mas, como já disse várias vezes, aquele foi um período excepcional em que as coisas podiam ter evoluído de forma diferente. Ou talvez não.

A Federação Russa de Putin estava a caminho, melhor, já lá estava. Conheci oligarcas, burocratas, militares, membros do PCUS, e não era difícil perceber que, à medida que se subia na escala do poder e do dinheiro, aumentava a brutalidade, na proporção directa do sofrimento histórico do povo russo em nome do qual exerciam o poder, e com essa indiferença pela violência quando os seus interesses estavam ameaçados. Indiferença que começava nos “seus”, em nome dos quais falavam.

Mas, na conversa anódina com o meu anfitrião russo, o território comum era o muito que aprendi sobre a Rússia e que veio dos livros, essa forma de saber cada vez mais desprezada pela ignorância atrevida das redes sociais e do mundo obsessivamente presencial dos dias de hoje. Foram estas memórias e a Rússia de Pushkin, Turgueniev, Tchekov, Tolstoi, Tsvetaeva, Akhmatova, Pasternak e Soljenitsin que me ajudaram a nunca me ter enganado sobre Putin. Em 2014, escrevi a propósito da sublevação da Praça Maidan que “a questão da Ucrânia chegou aqui, porque os europeus e os americanos foram irresponsáveis e atiçaram um conflito para que não tinham saída viável, e porque Putin é perigoso e não é de agora”.

Também não me enganei sobre Putin, nem sobre a elite dirigente da Ucrânia, sobre a qual convém não ter muitas ilusões, em particular não retratando esta guerra como uma guerra entre a democracia e a ditadura, mas sim como outra coisa: uma guerra entre um agressor e um agredido. O agressor não é o povo russo, é Putin e a sua corte militar e civil, mas o agredido é o povo ucraniano, seja quem for quem o governe. Esta diferença é aquela que, não sendo feita, faz com que quem a omite fique do lado do agressor. E nesta guerra ficar do lado do agressor é espezinhar a liberdade, a soberania, o direito, a humanidade e as pessoas. Não as pessoas “especiais”, mas as pessoas comuns. 

Admito que a maioria dos russos apoie esta guerra e não é apenas porque a censura de Putin evita o conhecimento do que se passa e a dura repressão impede qualquer liberdade para o protesto. Proibir e prender, agredir e matar é uma coisa que quem tem o poder na Rússia sabe muito bem fazer desde sempre, da Okrana à Cheka, ao KGB e ao SVR, dos czares, passando por Estaline, até Putin. Mas o que também faz parte dessa tragédia russa é que alguma da sua cultura esteja exactamente nos antípodas dessa violência, e que descreva melhor do que ninguém a combinação da obediência e da rebeldia, que a história com h pequeno fez ao povo russo, aos “humildes”. Nestes dias é do conto de Tolstoi Aliocha, o Pote que me lembro, descrevendo a sua morte após cair de um telhado:

“Rezou com o pope, apenas com as mãos e com o coração. E, no seu coração, havia o sentimento de que, se aqui é bom para aquele que obedece e não ofende, também lá será bom.
Falou pouco. Pediu apenas que lhe dessem de beber e surpreendeu-se com alguma coisa.
Surpreso com alguma coisa, estendeu a mão e morreu.”»

.

29.4.22

Tudo explicado

 

.

29.04.1945 – As francesas votam pela primeira vez


 

Em França, foi só em 1945 que as mulheres exerceram pela primeira vez o direito de voto. Em eleições municipais, 87 anos depois dos homens.

Em Outubro do mesmo ano, foram 33 as eleitas para a Assembleia Constituinte, num total de 586 deputados.

(Clicar AQUI para ver dois vídeos, num post do ano passado.)
.

O tempo passa, a saudade não

 


Cinco anos sem o Nuno.
.

Ajoelhados perante Putin

 


«Há duas semanas, assinalei aqui os cinquenta dias da guerra com uma pergunta: “Estamos mesmo com a Ucrânia?” Infelizmente, os acontecimentos dos últimos dias mostram que não estamos. De joelhos perante o agressor, não podemos estar ao lado do país invadido.

O The Russian Energy Export Tracker, disponível no site do finlandês Center for Research on Energy and Clean Air, rastreia o transporte de combustíveis fósseis em navios de carga e via gasoduto para nos permitir acompanhar as exportações russas. Ontem a meio da tarde, o tracker dizia que, desde 24 de fevereiro, a União Europeia já pagara à Rússia 46.667.715.000 euros. O contador continuava a mexer, mas o meu texto tinha de seguir viagem.

O valor é obsceno quando comparado com dois outros. O primeiro: a Rússia exportou um total de 63 mil milhões de euros desde o início da guerra até 27 de abril, pelo que a parte da UE no financiamento da guerra de Putin é sem paralelo com qualquer outro país ou bloco económico: pagámos 71% do sangue ucraniano. O segundo: a UE anunciou três pacotes de 500 milhões de ajuda militar à Ucrânia, a 28 de fevereiro, 23 de março, e agora a 13 de abril. Um total de 1,5 mil milhões, ou o equivalente ao que pagamos a Putin em apenas dois dias pela energia.

Daniel Yergin, historiador económico especialista em energia, explicou recentemente ao colunista Ezra Klein, do New York Times, que tanto a anexação da Crimeia como a invasão da Ucrânia coincidiram com períodos de preços elevados da energia. Preços elevados significam escassez de energia, ou seja, períodos nos quais a oferta disponível no mercado está a ter mais dificuldade em satisfazer a procura, o que aumenta a dependência energética. São momentos em que a genuflexão se acentua.

A Rússia é o maior fornecedor de combustíveis fósseis à União Europeia: em 2021, pagámos a Putin mais de 100 mil milhões de euros. Além disso, é entre 2,5 a 3 vezes mais importante do que os países que se lhe seguem em termos de peso dos fornecimentos. Em 2020, a União Europeia importava da Rússia 26,9% do petróleo. O segundo fornecedor mais importante era o Iraque, com apenas 9%. Importava igualmente 46,7% do carvão da Rússia. O segundo fornecedor mais importante eram os EUA, responsáveis por 17,7% do carvão utilizado na UE. Quanto ao gás, à frente estava a Rússia, com 41,1% e atrás a Noruega, com 16,2%.

Genuflexão europeia só é mesmo fletida quando verga a Alemanha, que importa 65% do seu gás da Rússia. Há países ainda mais dependentes (Chéquia e Hungria, com 100%), mas que importam muito menos e não têm o peso da Alemanha nas instituições da União. A Alemanha é responsável por um quarto dos pagamentos europeus à Rússia por conta dos combustíveis fósseis. Não pode ser só por ingenuidade que se chega a este ponto. A genuflexão alemã inclui a cabeça de Gerhard Schroeder, que se tornou assalariado de Putin escassos 17 dias depois de deixar de ser chanceler alemão em 2005. Os seus vários cargos em empresas energéticas russas rendem-lhe 1 milhão de euros por ano.

A administração Trump tinha imposto sanções às empresas europeias que participassem na construção do gasoduto Nord Stream 2, avisando que a Alemanha se arriscava a ficar “cativa” da Rússia. Em face da resistência de vários Estados-membros que também tinham reservas quanto a esta ideia alemã de meter o lobo na toca do coelho, Merkel tinha afirmado perentoriamente que o seu país não iria ficar dependente do gás russo. Visto a esta distância, tem a sua piada. É que o NordStream 2 foi parado em fevereiro e ia duplicar a capacidade de importação. Se estamos como estamos só com o Nord Stream 1, imaginem se o segundo estivesse a funcionar.

O que nos traz aos pagamentos em rublos. A utilidade dos euros para a Rússia diminuiu bastante com as sanções, devido à decisão de muitas empresas ocidentais de deixar de ter comércio com a Rússia. Mesmo se fosse só por isso que Putin queria rublos, não era razão para lhe fazer a vontade. Mas a verdade é tragicamente outra. Putin está a pôr as companhias europeias de energia a fazer o trabalho que o seu banco central está impedido de fazer para segurar o valor da sua moeda. A usá-las como marionetas para desfazer o impacto das sanções da UE. Senão, vejamos.

Nas semanas que se seguiram à invasão da Ucrânia, a moeda russa perdeu valor, tendo atingido um mínimo a 7 de março, quando os 100 rublos que no início de fevereiro valiam pouco mais de 1 euro atingiram o valor de 61 cêntimos – o mais baixo em mais de duas décadas. Desde meados de abril que o rublo recuperou o seu valor pré-guerra. Ontem, os tais 100 rublos já valiam 1,31 euros.

Vários países – EUA, Japão, França, Alemanha, Reino Unido, Áustria e Canadá – congelaram as reservas do Banco Central russo nos seus países, o que representa quase metade dos 585 mil milhões detidos pelo Banco da Rússia em países estrangeiros. Assim, a Rússia ficou impedida de vender essas reservas e comprar rublos, o que lhe permitiria segurar o valor da sua moeda.

Como explicou o Think Tank Bruegel num artigo recente, uma interpretação abrangente das sanções impostas pela União Europeia ao Banco da Rússia pode impedir a Rússia de ter acesso a qualquer ativo estrangeiro na sua posse, o que inclui os pagamentos em euros feitos ao Gazprombank. Para pagar em rublos, o importador europeu tem de abrir uma conta denominada em rublos no Gazprombank, para além da conta em euros que já detém. Para pagar à Gazprom, o importador deposita o pagamento em euros e ordena ao banco que os converta em rublos. O Gazprombank levanta depois os rublos do Banco da Rússia, utilizando a conta em euros como garantia. E usa estes rublos para pagar à Gazprom – que é como quem diz, ao Estado russo – que vendeu o gás. Assim, não há transações em euros com o Banco da Rússia; as operações em rublos entre o Gazprombank e o banco central estão fora do âmbito das sanções.

A UE, muito devido ao peso da Alemanha e à sua resistência às sanções, anda empenhada em fazer figura de parva. Primeiro, mantiveram o Gazprombank no sistema SWIFT para garantir que os pagamentos de gás natural não iam ser afetados. Depois, anunciaram o embargo ao carvão, que representa pouco mais de 5% das importações de combustíveis fósseis russos. Um arranhãozinho. Há um mês atrás, Putin assina o decreto que, na prática, exige às energéticas europeias que desfaçam as sanções que a UE lhe impôs e a união esperneia, faz umas declarações, diz que é ilegal porque os contratos não preveem pagamentos em rublos e tal, mas nada faz que doa mesmo.

Como se não bastasse, Putin resolveu mesmo cortar o fornecimento a dois países – Polónia e Bulgária – na quarta-feira. Se a UE quisesse guardar alguma réstia de credibilidade, retaliaria banindo as importações dos restantes países imediatamente. Ao invés, as companhias energéticas alemãs, austríacas, húngaras e eslovacas começaram a fazer o necessário para abrir contas em rublos na filial suíça do Gazprombank e fazer a vontade a Putin. Vamos lá ver se nos entendemos: a ideia das sanções é mostrar a Putin que temos uma arma económica para usar contra ele. Assim, de joelhos, só lhe mostramos que é ele que manda em nós.»

.

28.4.22

Sempre a aprender

 

.

É só fazer as contas

 

.

Saudades?

 


Hoje, ele chegaria já aos 133!
.

Solidários a tempo inteiro ou pelo bem da reputação?

 


«Estamos a assistir a uma guerra em directo, graças ao crescente uso das tecnologias e redes sociais, e, nesse contexto, as organizações vêem-se também confrontadas com o desafio cada vez mais exigente de gerir a sua reputação online. Todos os dias nos chegam notícias de mais uma personalidade ou uma empresa que disponibiliza serviços para ajudar, como o caso de Elon Musk com o sistema de satélites, ou a Google que acolhe refugiados nos seus escritórios polacos.

O actual conceito de guerra e a forma como as guerras acontecem é completamente diferente do que conhecíamos antes — joga-se mais no plano do mercado, da economia e da diplomacia económica. Joga-se igualmente no campo reputacional e da necessidade de criar uma imagem para a opinião pública, que tanto peso tem nos negócios das empresas, e nas suas escolhas de gestão.

Estamos, assim, perante um paradigma de mudança da reputação e da opinião pública, muito por culpa da guerra da Ucrânia e das sanções económicas impostas que alteram a opinião dos consumidores. No entanto, e quando falamos em mudanças, devemos ter também um pensamento a longo prazo e sobre qual o futuro de problemas sociais complexos e profundos, que precisam de respostas consistentes. Não podemos cair no erro de avaliar as alterações destas dinâmicas apenas no agora, no imediato.

Celebrou-se a 24 de Abril o Dia para o Multilateralismo e a Diplomacia para a Paz, da ONU, e, enquanto todos ansiamos pelo restabelecimento da paz na Ucrânia e assistimos da Europa e do resto do mundo às sanções económicas, empresas a retirarem-se da Rússia e mesmo organizações a quebrarem negócios de longa data (como o caso das gasolineiras, por exemplo), é altura também de pensar no futuro do fim deste conflito: qual a reputação da Rússia quando a guerra acabar? Qual a imagem da empresa X que fechou escritórios em território russo? Foi só naquele momento ou será para durar? E a empresa Y, que nada fez para ajudar, vamos continuar a comprar os seus produtos?

Não chega ser neutro. A neutralidade é cada vez mais vista da pior forma e não são só os países que são chamados a tomar uma posição, também as empresas e os cidadãos têm de escolher um lado.

A própria integração dos refugiados entra para a balança da reputação das empresas, e é a ilustração do que sempre defendemos na Casa do Impacto: há uma acrescida importância de uma sociedade civil cada vez mais forte e preocupada em ter um impacto positivo para resolver possíveis problemas sociais e ambientais. A grande diferença está na inclusão das empresas e das organizações na tomada de acção para criar impacto, para além dos governos e instituições públicas. Assistimos a empresas a terem uma posição, uma causa, uma tomada de acção, uma mão amiga que contribui activamente para a inclusão dos refugiados, assim como para a conclusão da guerra.

Há empresas que deixam de ter relações comerciais com um país e também há empresas a fazerem inúmeras coisas para ajudar (para além de apoio monetário e voluntariado), como alguns exemplos que nos têm chegado de empresas portuguesas que abriram vagas para receber cidadãos ucranianos para trabalhar e querem também integrar as crianças e jovens familiares desses trabalhadores. Nesta grande onda de solidariedade vimos crescer também no ecossistema das start-ups projectos como o Speak for Ukraine, que apoia refugiados através da sua plataforma ligando-os a quem possa ajudar — sejam cidadãos ou empresas.

Questões ambientais e questões sociais têm cada vez mais peso na forma como as empresas têm de ser geridas, no sentido em que não é só a qualidade dos produtos ou serviços prestados, mas também a forma como funcionam para além da lei da oferta e da procura, que contam cada vez mais para a sua reputação e para a forma como são vistas pelos consumidores. Fala-se mesmo do desenvolvimento de um capitalismo ético e inclusivo, como cunhou o Papa Francisco, no ano passado.

O grande desafio vai ser a longo prazo — neste momento temos quase seis milhões de refugiados em dois meses de guerra, mas no futuro como será a integração destas pessoas e a ajuda para a reconstrução do país? Temos de abraçar a questão das consequências, tantas vezes tão nefastas quando abandonamos a maratona a meio. O que acontece se as empresas e a sociedade civil decidirem que já não navegam esta onda solidária? A solidariedade a que assistimos será de curto prazo?

Fazendo um paralelo com o empreendedorismo de impacto: é sempre preciso capital paciente (gíria do investimento), pois problemas altamente complexos implicam uma consistência para a resolução eficaz e duradoura de problemas.»

.