9.8.25

É mais um

 


Jarro em vidro esmaltado e estanho, 1895.
Daum Nancy,

Daqui.

Coitadinhas

 


Nagasaki além da bomba

 



A acção da célebre ópera de Puccini, Madame Butterfly, passa-se em Nagasaki e relata uma relação trágica entre um oficial da marinha americano e Cio-Cio-San (butterlfy ou borboleta), uma gueixa de 15 anos.

Entre 1915 e 1920, o papel de Cio-Cio San foi interpretado por uma célebre cantora japonesa, Tamaki Miura, e há uma estátua sua, e outra de Puccini, no magnífico Jardim Glover que se situa numa colina sobre Nagasaki e ao qual se acede pelo maior e mais íngreme complexo de escadas rolantes, que alguma vez me foi dado ver e utilizar.

Aí se visita também a residência de Thomas Blake Glover, um empresário escocês que muito contribuiu para a modernização industrial do Japão - uma lindíssima casa de estilo ocidental, a mais antiga que resta naquele país.



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09.08.1945 - Nagasaki, 11h02

 

(Museu da Bomba Atómica, Nagasaki)

Já tinha estado em Nagasaki, mas sem visitar o Museu da Bomba Atómica. Fi-lo há sete anos e este é o relógio parado na hora em que se deu a tragédia. 

Três dias depois de Hiroshima, os EUA lançaram, em Nagasaki, uma bomba que matou 80.000 pessoas. Em 15 de Agosto de 1945, o Japão rendeu-se – no chamado Dia V-J que esteve na origem ao fim da Segunda Guerra Mundial.




Hoje, Parque da Paz de Nagasaki:





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A ocasião faz o extremista

 


«É mau sinal quando as instituições do sector são surpreendidas por uma reforma. Quer dizer que não foram ouvidas e ela resultou de verdades apriorísticas, ideológicas no pior sentido. A FCT, responsável pelo financiamento da ciência, será extinta e fundida com a Agência Nacional para a Inovação, fazendo depender o investimento em ciência dos interesses das empresas. O Governo acredita que a inovação tem retorno económico imediato. Com este raciocínio nunca teriam existido vacinas contra a covid e boa parte das inovações tecnológicas. Porque a investigação fundamental arrisca e inova e, por isso, precisa do Estado. A investigação dependente das empresas é tendencialmente conservadora, só apostando no que já conhece. Além disto, a ciência é necessária para desenvolver políticas públicas, sem retorno financeiro. Também foi o automatismo ideológico que levou ao descalabro nas políticas da habitação. Enquanto punha fim à penalização das casas devolutas e às medidas de contenção do alojamento local, “socialistas”, o Governo avançou com garantias bancárias e isenção de IMT até aos 35 anos, “liberais”. A inflação foi imediata: 16% no primeiro trimestre, três vezes mais do que no resto da Europa. A Comissão Europeia criticou o baixo controlo dos preços e a pressão do AL. Até os bancos já assumem o erro. Foram achas para uma fogueira que já ia alta.

Mas nada foi tão longe como a contrarreforma laboral, apresentada em véspera de férias para ser discutida em campanha autárquica. Estava no programa eleitoral para promover “relações laborais estáveis e uma melhor conciliação da vida profissional, pessoal e familiar”, mas será, afinal, um recuo na grande evolução da última década — a redução do trabalho precário — e na vida familiar. Quanto à precariedade, alimentam-se os falsos recibos verdes, os trabalhadores das plataformas digitais perdem o que conseguiram, desaparece a criminalização do trabalho não declarado que levou à inscrição de dezenas de milhares de domésticas na segurança social, o tempo limite para o contrato a termo é aumentado, incentiva-se o trabalho temporário fraudulento. Quanto à conciliação com a vida familiar, além do regresso dos bancos de horas individuais e do alargamento da isenção de horário, propõem-se perdas nos direitos de parentalidade. Para justificar as alterações, da amamentação ao direito a recusar trabalhar à noite e ao fim de semana quando se têm filhos com menos de 12 anos, a ministra garante que há “muitas práticas” abusivas, mas nem sabe quantas mães pedem redução de horário, quanto mais as que abusam. Sabe, no entanto, como é a criadagem. A confiança que permite cada vez mais arbitrariedade do patrão fica para os de cima. Para o Governo, a família é o núcleo central da sociedade até pôr o lucro em causa. Segundo os defensores de outro recuo, só podem ser os pais a garantir a educação sexual dos filhos, mas não é por isso que precisam de estar com eles ao fim de semana e à noite. A CAP exige 60 horas semanais de trabalho, a CIP quer despedimentos livres e faltas justificadas não remuneradas e, tal como fez com o Chega na imigração, o Governo usará estas absurdas reivindicações para aparecer como a bissetriz deste tempo.

Os dois terços da direita no parlamento são a ocasião que faz regressar um passismo sem troika, com o forte tempero da IL e do Chega. É provável que, depois do chumbo constitucional de algumas propostas, até comece a ganhar fôlego uma revisão e uma radicalização da composição do TC. E é por isso que a resignação da esquerda, preparada para ter como candidato presidencial derrotado o protagonista da cedência sem luta à troika e ao passismo, me deixa atónito.

Perante a tática governamental do “choque e pavor”, disparando ao mesmo tempo para todo o lado, o novo líder do PS foi de férias com este post: “Hoje, no primeiro dia de férias, fiz o almoço. Arroz, salmão e uns legumes frescos. Nada de especial, mas soube bem. Usei ingredientes simples, ideias claras e um pouco de bom senso.” Além do incómodo do Presidente com a guinada em direitos fundamentais na imigração, as últimas semanas foram marcadas por uma contrarreforma laboral agressiva, uma reforma na ciência em que nem os envolvidos foram ouvidos e recuos na educação sexual, recorrendo sempre a um prefabricado ideológico que já teve resultados desastrosos na habitação. E o líder do PS oferece arroz. “Nada de especial.” O Governo mais extremista da nossa democracia constitucional não se explica apenas com os dois terços de direita. Também se explica com o outro terço. O problema não é a polarização. É haver um lado que se calou, levando a este perigoso desequilíbrio.»


8.8.25

Parabéns, parabéns!

 


Continuem assim que vão longe!

NÃO que cada vez mais é SIM

 


«Depois da Lei dos Estrangeiros, da Nacionalidade e do IRS, o Governo quer contar com o Chega para fazer passar no Parlamento as alterações às leis laborais. O Chega não esconde que está disponível para dar de novo a mão ao Governo e diz estar “de acordo com os pressupostos subjacentes ao anteprojeto do Governo”»


08.08.1937 – Dustin Hoffman



Faz hoje 88 e ainda não parou.

Protagonizou dezenas de filmes, mas eu fixei sobretudo os da sua primeira fase. E se The Graduate (1967) não foi o seu primeiro filme, foi certamente aquele em que alcançou fama e que o lançou no mundo do cinema. Com ele, e com Rain Man, ganhou dois Óscares.

Mas não consigo separá-lo de um outro – Kramer vs. Kramer – que vi e revi algumas vezes.




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Raul Solnado

 



Ficámos sem ele já 16 anos, mas devemos-lhe tanto…

Anda tudo a mamar

 


«Quem costuma reputar de populista a ideia segundo a qual, e cito, “anda tudo a mamar”, teve esta semana um azedo revés. Essa opinião, que é habitualmente expendida em certos snack-bares, foi no entanto subscrita pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, num ambiente em que, de acordo com os jornais, não era possível avistar uma única sandes de torresmo. A perspectiva subiu na vida, tendo migrado do snack-bar para o ministério, e tomou a seguinte forma: “Infelizmente, também temos conhecimento de muitas práticas em que, de facto, as crianças parece que continuam a ser amamentadas para dar à trabalhadora um horário reduzido, que é duas horas por dia que o empregador paga, até andarem na escola primária.” O primeiro aspecto a reter é de ordem, digamos, epistemológica. Quando a ministra revela ter “conhecimento de muitas práticas em que, de facto, as crianças parece que continuam a ser amamentadas (…) até andarem na escola primária”, dá um contributo para a ciência que não foi devidamente valorizado. Ela mostra que é possível conhecer um facto cuja descrição começa com a expressão “parece que”. Noutros tempos, isso seria estranho, e a formulação “tenho conhecimento de que parece que” seria escarnecida por ser familiar de outras tais como “temos provas irrefutáveis de que se calhar”, “tudo indica com rigorosa precisão que é mais ou menos isto”, e “não há dúvida de que talvez”. Mas hoje ficamos satisfeitos por saber, de ciência certa, que parece que. E o que parece é que há mulheres, que a ministra diz serem “muitas”, que, para manterem a redução de horário, amamentam os filhos até eles andarem na primária. Pessoalmente, não conheço muitas mulheres que amamentem até aos dois anos de idade. Que amamentem até aos três, suponho que sejam menos ainda. Até aos quatro talvez haja algumas, mas nunca soube de um único caso. O que significa que também desconheço práticas de amamentação até aos cinco anos de idade. Portanto, fico surpreendido que haja “muitas” mulheres que amamentam até aos seis, que é a idade em que as crianças entram na primária. Não sabemos exactamente quantas serão essas muitas, mas são as suficientes para que a ministra as refira. Por isso, tenho a certeza de que parece que são várias.

O segundo aspecto importante da intervenção da ministra tem a ver com o problema demográfico. Sempre que se aborda o tema do envelhecimento da nossa população, há quem defenda que é preciso incentivar a natalidade. Esquecendo, claro, que cada bebé nascido tem uma mãe. Uma destas vigaristas que depois vão, em grande número, tentar amamentar os filhos até ao ensino básico. O ideal seria que os bebés tivessem dois tipos de consulta periódica: uma com o pediatra, outra com a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Uma para zelar pela saúde do bebé, outra para evitar que a saúde do bebé prejudique a saúde das empresas.»


7.8.25

Pra não dizer que não falei das flores

 


Jardineira “Flora Marina, Flora exótica”. Corrimão esculpido, vários marchetes de madeira, zinco e interior de chumbo. Apresentada na Exposição Universal de Paris em 1889.
Trabalho colectivo de Émile Gallé, Victor Prouvé e Louis Hestaux.

Daqui.

Se o mundo não endoideceu, anda lá perto

 


«O festival de música Way Out West, em Gotemburgo, na Suécia, lançou a iniciativa “The Kidney Pass”, que oferece passes de três dias a festivaleiros que se registem como dadores de órgãos. Esta ação visa aumentar a consciencialização sobre a escassez de órgãos para transplante e incentivar a doação no país.»

Notícia AQUI.