30.8.25

Música

 


Salão Smetana na Casa Municipal, Praga, 1905-1912. É principalmente uma sala de concertos com 1.200 lugares. Além de concertos, também acolhe diversos eventos como bailes tradicionais ou galas. É também o local dos concertos de abertura e encerramento do Festival Internacional de Música da Primavera de Praga.
Arquitectos: Osvald Polívka and Antonín Balsánek.

Daqui e não só.

Já terei em quem votar

 


Mudam-se os tempos...

 


Comissão Comemorativa do 25 de Novembro: quem escreve a história?

 


«No passado dia 28 de agosto, o governo da AD decidiu cumprir aquela que é uma das velhas bandeiras do CDS, até há um ano sem eco fora da sua bolha política. Confirma-se que a prometida “Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Novembro” se virá a materializar, naturalmente envolta em polémica. Trata-se de uma decisão inusitada na política portuguesa e nasce de um ímpeto revisionista da história com raízes impreterivelmente ideológicas, vindo a confirmar aquilo que tanto Nuno Melo como Luís Montenegro fizeram por desdizer ao longo do último ano: que, para os dirigentes, o 25 de Novembro de 1975 assume igual valor ao 25 de Abril de 1974, ato fundador da democracia portuguesa. No entanto, sendo esta uma data marcante da história portuguesa, porque é que não faz sentido a criação de uma comissão desta natureza?

Em primeiro lugar, urge esclarecer que uma decisão deste cariz pode apenas ter sido motivada por um de dois fatores: ou ignorância política ou uma motivação deliberada de reescrever a história. É que está em funções, desde 2022, uma Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, cujo objetivo é recordar não só o “dia inicial inteiro e limpo”, mas todo o contexto que o antecedeu e as suas consequências. Presidida pela renomada historiadora Maria Inácia Rezola, tem vindo a promover iniciativas sobre a memória da Revolução dos Cravos desde antes do seu eclodir e o seu programa alastra-se até 1976, ano em que se inicia o período constitucional e se conclui, finalmente, a transição para a democracia. Por conseguinte, é relativamente fácil concluir que sim, esta Comissão também se debruçará sobre o 25 de Novembro aquando do seu cinquentenário, com base na opinião dos historiadores e especialistas que a compõem.

Contudo, o governo parece querer ignorar que já existe uma entidade destinada a recordar o 25 de novembro, devidamente enquadrado no contexto revolucionário. Contrariando a sua existência, a AD incumbe Nuno Melo, líder do CDS e Ministro da Defesa, de nomear a quem caberá presidir esta nova comissão. Surge, no entanto, uma questão: se já está em funções uma comissão, com um programa já delineado e composta por especialistas a debruçar-se (também) sobre o 25 de Novembro, então quem presidirá esta nova comissão? Parece-me, no mínimo, uma atitude populista que se renegue a opinião dos historiadores sobre a história, dando lugar aos seus falsificadores.

E porque tem o governo medo que os historiadores falem sobre a história? Porque, como já foi repetidamente demonstrado, a visão do CDS (e não só) sobre o 25 de Novembro não se coaduna com a investigação científica feita nesse sentido. Embora ainda paire uma relativa névoa sobre este dia na nossa história, com pormenores ainda por esclarecer, uma coisa é certa: tratou-se de uma vitória da esquerda sobre a esquerda, que a direita agora pretende usurpar para fins políticos. A exaltação do 25 de Novembro, imbuída de ignorância histórica, serve um único fim – o de adensar a guerra cultural entre a esquerda e a direita, polarizando a sociedade e dividindo-a sobre o ato fundador da democracia portuguesa (que, por sinal, já teve melhores dias).

Não me cabe agora desenvolver o contexto histórico desta data ou aprofundar o porquê da sua comemoração, dado que já tive a oportunidade de o fazer num artigo publicado em novembro do ano passado. Cabe-me apenas sublinhar que a memória histórica é, infelizmente, uma arma. O controlo do passado foi, desde sempre, um poderoso instrumento do autoritarismo, uma ferramenta para influenciar mentalidades e ocultar factos. Espera-se de uma sociedade democrática que a memória histórica seja cultivada pela ciência, e não pelo Estado. Que seja motivada pela investigação e não tome parte em propaganda política. Será este recente endeusamento do 25 de Novembro, que nada seria sem o 25 de Abril, também ele um sinal do escurecimento democrático que se afigura avizinhar em Portugal, como está a acontecer um pouco por todo o mundo?»


Talude e Cova da Moura

 


29.8.25

Timor-Leste: O Sonho do Crocodilo

 



Um filme de Diana Andringa a ver ou rever.

Timor-Leste, no 26º aniversário do Referendo

 


Foi há 26 anos que se realizou o Referendo em que 78,5% dos eleitores se pronunciaram a favor da independência de Timor Leste. Quase três anos mais tarde, em 20 de Maio de 2002, viria a nascer a primeira nova Nação deste milénio: Timor Lorosa’e.


Ingrid Bergman

 


Nasceu em 29 de Agosto de 1915 e morreu 67 anos depois, também num 29 de Agosto.



Marcelo tem razão: Trump é um agente de Putin

 


«O Presidente da República foi à Universidade de Verão do PSD e disse uma coisa diplomaticamente incorrecta mas verdadeira, "peculiar" e "complexa": "O líder máximo da maior superpotência do mundo, objectivamente, é um activo soviético ou russo".

Nem de propósito: a reacção tranquila dos Estados Unidos ao ataque desta quinta-feira a Kiev, que atingiu a missão da União Europeia, foi mais uma prova de que existe, cada vez com mais força, um eixo Estados Unidos/Rússia, e que isso é uma alteração sísmica em toda a geopolítica pós-Segunda Guerra.

Marcelo, na Universidade de Verão, lembrou como "a nova liderança norte-americana tem favorecido, estrategicamente, a Federação Russa" e criticou a impotente Europa por ter "minimizado o senhor Trump e o trumpismo", assim como "a hipótese de, de repente, haver uma nova balança de poderes".

Um novo eixo está em formação, à nossa frente. Vivemos estes tempos com alguma denegação, que é um mecanismo que costuma acontecer na sequência de traumas violentos.

Uma parte muito interessante do discurso de Marcelo em Castelo de Vide incide exactamente nesta denegação sobre o que se está a passar nos Estados Unidos da América, um país que tratamos como "aliado" e ao qual nos subjugamos – o conjunto dos europeus.

O Presidente da República criticou "a minimização de tudo o que é a separação de poderes" levada a cabo por Trump: "Se for preciso, ameaçando intervir na vida de uma empresa privada, num tribunal ou numa reserva federal".

"O actual Trump noutros tempos chocaria imenso", diz Marcelo. Não choca hoje porquê? Porque as democracias estão a morrer aos poucos. Porque se popularizaram as "democracias iliberais", uma expressão que é um contra-senso.

Trump disse esta semana que muitas pessoas "parecem querer um ditador", que dizem "talvez nós gostássemos de um ditador", mas que ele "não é um ditador". Quanto tempo faltará para começarmos a chamar a Trump "ditador" como chamamos a Putin? Na Rússia também há eleições.

Mais uma vez Marcelo: "Este é o tempo dos radicais com os quais as democracias se fazem de outra maneira, mas estamos a descobrir todos como é que se vão fazer, com que instituições e de que modo".

Isto era sobre Portugal e referia-se directamente ao PSD e à potencial aliança com o Chega: "Não é que não haja espaço em democracia para todas as formações e todos os posicionamentos políticos. Agora, é evidente que é mais fácil fazer acordos de regime, fazer consensos, encontrar soluções ao centro, se um partido de centro-direita for um partido de centro-direita e não de direita que é de direita radical".»

Ana Sá Lopes
Newsletter do Público (Excerto)

Dizem que é uma MAI

 


28.8.25

Biscoitos

 


Decoração de pote para biscoitos, 1904.
Alphonse Mucha.


Daqui.

28.08.1963 – Luther King, «I have a dream»

 


Em 28 de Agosto de 1963, quando Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom», não podia ter imaginado que o mundo estaria como está hoje. A história dos direitos adquiridos não será destruída, mas não está a ser nada fácil.



(No fim deste post, o texto do discurso na íntegra.)


A propósito:







«I have a dream» – Texto: