3.1.11

Os sonhos molhados de Helena Matos


Helena Matos acordou há alguns dias cansada de tanto pesquisar para uma nova série de «Conta-me como foi», sentou-se ao computador e decidiu culpar Toni, o filho mais velho da família Lopes, por todos os desvarios de que hoje somos vítimas – exemplar certamente típico da «geração [de 60] que, não só nos tem governado, como também construiu o mundo imaginário onde vivemos» e que engloba «muitos daqueles que foram jovens um pouco antes ou depois dessa década ícone».

Como a autora não é ignorante, não fala de extraterrestres, nem sequer do Maio de 68 francês, (mas sim de Portugal, de Os Maias e de desejos de Salazar empalhado) e, para além disso, faz acusações relacionadas com factos mais do que recentes (como malefícios de mercados e decisões da senhora Merkel,) é difícil perceber qual é exactamente o alvo que tem em vista.

Quem é que nos governa, ou tem governado recentemente, que tenha sido jovem pouco antes ou pouco depois da década de 60? Sócrates tinha deixado as fraldas há pouco no início e entrava na adolescência no fim, o mesmo se passando aliás com Durão Barroso e Santana Lopes. Mesmo Teixeira dos Santos não tinha acabado o liceu quando arrancaram os anos 70 e  nem com uma lupa se descobrirá, no actual governo, quem possa posar para a fotografia. E se quisermos recuar até António Guterres, todos nos recordamos certamente dele, em jovem, como acérrimo defensor do flower power, a caminho de S. Francisco...

Helena Matos também pode querer chegar ao presidente da República e atingir o dr. Cavaco, mas esse nunca alimentou sonhos de ninguém – nem os próprios - e representa tanto a década de 60 como eu os defensores do lince ibérico. Soares já não era jovem na época em questão e Eanes andava aos tiros em África. Resta Sampaio para figurar no tal ícone – com todo o peso da Nação às costas e a reitoria da Clássica como pano de fundo.

A geração de 60 já saiu de cena em Portugal e não é «uma das primeiras em décadas e décadas a ser sucedida por outras que viverão pior». Porque se eu quisesse cair em generalizações fáceis como as do texto em questão, e não quero, diria que a geração que se seguiu imediatamente – a de 70, que é a de Helena Matos – viveu e está a viver muitíssimo bem. Essa, sim, é a safra de Durão, Santana e Sócrates, de dezenas de políticos, jornalistas e comentadores que sonharam ou não com revoluções à chinesa, e depois se entusiasmaram com o El Dorado do consumismo fácil, que alimentaram sonhos megalómanos e tristes que agora acabaram por ruir como baralhos de cartas. Sem que isso os atinja pessoalmente de maneira significativa, como é óbvio.

Usando os seus trunfos, errou por dez anos, dra. Helena Matos. Foram vocês que falharam.

P.S. – Já tinha escrito este post quando li um outro, de Miguel Madeira, que tem uma perspectiva semelhante nalguns pontos. E recomendo a leitura do que Vítor Dias escreveu, já há alguns dias.
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5 comments:

rui disse...

Acho assombroso que tanta e tão boa gente (Aqui, Medeiros Ferreira, Rui Bebiano, Vias de Facto, etc...) se dê ao trabalho de reagir a uma nulidade (se tomarmos como referência as patacoadas que escreve, quanto ao resto desconheço outros eventuais méritos que possa ter) como a Helena Matos.
É que a Helena Matos (como josé manuel fernandes, em parte como pacheco...) só existe como entidade mediática, por ter suficiente crédito junto dessa boa gente para que seja elegível como sujeitinho(a) "comentável".

Joana Lopes disse...

Rui,
Goste-se ou não, o Público (ainda) é um jornal de referência e, para o que aqui interessa, o Blasfémias é o blogue «político» de maior audiência em Portugal. E tem leitores de todo o espectro, da direita à esquerda.
Não é suficiente chutar para canto.

Nuno Gaspar disse...

Rui bidãovil,
Vai aprender a escrever.

Joana,
Acabou por dar razão a Helena Matos. E sim. O que ela e José Manuel Fernandes escrevem interessa a muito mais gente do que o que é escrito por Rui Bebiano, Medeiros Ferreira ou no Vias de Facto; sinal de que nem tudo está perdido.

Anónimo disse...

Quem é o nojo Nuno Gaspar?
Por acaso o animal, nem se lembra como a ditosa Helena, começou nesta vidinha, não? RTP/2, Maria J. Seixas?Recorda-se da dita senhora a dar uma de esquerda,cabelo empastado?Pois é....

Joana Lopes disse...

Caro Anónimo,
Estive para não publicar o seu comentário porque «animal» vai para além do que é habitual admitir neste blogue. Mas é bom que o Nuno Gaspar leia o que tenta recordar-lhe.