20.10.14

O PS no seu reino do «Nim»



Há três ou quatro dias, recebi um mail de um amigo, entusiasmado com uma notícia que acabara de ler – António Costa avança com reestruturação da dívida –, na qual se anunciava que o PS apresentaria um Projecto de Resolução relacionado com o tema, a ser discutido no próximo dia 22, juntamente com textos do PCP e do BE e duas petições, uma do Manifesto dos 74 e outra da IAC.

Respondi-lhe logo que não acreditava que o «novo» PS usasse a palavra «reestruturação», num documento oficial, por razões eleitoralistas óbvias (mas confesso que não pensei que «renegociação» fosse ostracizada). Em todo o caso, preparei-me para ler (finalmente...) a posição oficial daquele partido sobre o tema, mas ela continua a não existir: no dia, esperado há muitos meses, em que a AR vai debater vários posicionamentos, de partidos e de cidadãos, a única coisa que vem do Largo do Rato é... uma proposta para um debate!

O texto (aqui na íntegra) não podia ser mais incolor e mais inodoro. Eis a conclusão:


Ou seja: depois de anos a ouvirmos todos os especialistas, de todos os quadrantes, portugueses e não só, depois de lermos n estudos, com vários matizes, sobre a dívida e formas de a abordar, o PS, que sabe tão bem como toda a gente que estamos perante opções eminentemente políticas, refugia-se num texto vago que parece querer adiar tudo, uma vez mais, para o dia do nunca. 
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5 comments:

Rogerio G. V. Pereira disse...

O link «ler aqui na integra» não funciona...

mas o que me foi dado ler,
confirma o «Nim»
o que que se há-de fazer?
o PS é assim

Joana Lopes disse...

Sorry, Rogério,o link já funciona.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Citei o teu texto...
Obrigado

J.P. Cravino disse...

O PS começa mal por partir de um pressuposto errado (embora generalizado):
"2. Reconhece ainda que com uma divida elevada é um sério obstáculo a um
crescimento sólido e duradouro da economia portuguesa e a defesa dos valores sociais europeus;"

Ora esta relação entre dívida elevada e crescimento económico, embora intuitivamente apelativa, não é nada clara. Vejam-se dois exemplos:

http://docs.dises.univpm.it/web/quaderni/pdfmofir/Mofir078.pdf
onde se escreve: "While many papers have found a negative correlation between debt and growth, our reading of the empirical literature is that there is no paper that can make a strong case for a causal relationship going from debt to economic growth"

http://publi.cerdi.org/ed/2012/2012.18.pdf
onde se escreve na conclusão:
"we reveal that economic growth and public debt are positively associated for debt ratios above 115%; for countries in this regime, simple equality tests support that average economic growth is not significantly different from the average growth rate of countries with a public debt ratio between 60 and 90%. In addition, this latter finding is confirmed when adopting a historical perspective, namely when considering the same panel of countries but for the 1880-2009 period"

Daniel Fins Santana disse...

De facto o texto não é nenhum "sobressalto", mas relendo não me parece pouca coisa por a Assem. da Repu.(local para tal deputado por excelência), tudo depende também da capacidade da esquerda de protagonizar o debate, sobretudo convidando especialistas cotados e credíveis. Não substimemos o Costa, é rapaz com alguma navegação - temos que saber navegar tão bem como ele