30.12.07

Espanha: a Igreja ao ataque

ACTUALIZADO (*)


Realizou-se hoje, em Madrid, uma grande manifestação convocada pelo arcebispo da capital como «Acto de defesa da família cristã» – um milhão e meio de participantes, segundo os organizadores, quarenta bispos e uma mensagem especial de Bento XVI transmitida por videoconferência.

Na prática, e a três meses das eleições gerais, foi um protesto contra o governo de Zapatero, pelas medidas tomadas em vários domínios como divórcio, casamento de homossexuais, aborto e educação para a cidadania. O sistema foi acusado de defender um «laicismo radical» que, ao atacar a família, «leva à dissolução da democracia».

Os problemas das relações entre a Igreja e o governo socialista manifestaram-se desde que este iniciou o seu mandato, em 2004. O El País de hoje traz um interessante artigo sobre o assunto.

Neste momento, a hierarquia eclesiástica está de tal modo aliada ao PP, na oposição, que alguns sectores da Igreja e uma parte da própria direita se sentem incomodados. E isto apesar de alguns recuos por parte do governo:

«Además de renunciar a ampliar la legislación sobre el aborto y a abordar la eutanasia, el Gobierno ha mantenido la asignatura de religión en la escuela - como oferta obligatoria, aunque sin computar a los efectos de la nota final -, y ha estabilizado laboralmente a cargo de las arcas del Estado a los 15.000 profesores de la asignatura, 8.000 de ellos en la escuela pública, que la jerarquía eclesiástica selecciona y despide a su libre albedrío, guiada por criterios tan extravagantes para la moral civil como "vivir en pecado" o divorciarse.»

Assiste-se ao renascer de uma ideologia neotradicionalista que recupera a velha tentação de impor ao conjunto da sociedade as normas morais da Igreja – de uma forma muito intransigente e relativamente agressiva.


Perante tudo isto, os nossos policarpos parecem, apesar de tudo, mais ou menos meninos de coro – digo eu...

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(*) Aconselho a leitura deste texto de Rui Bebiano, o meu comentário ao mesmo e a sua resposta.