15.10.10

Círculo já sem quadratura


Assisti hoje a uma notável exibição de ausência de um mínimo de pluralismo no debate político: a repetição do programa «Quadratura do Círculo», emitido ontem à noite pela SIC Notícias.

Nem sequer pondo em causa que uma estação de televisão, por ser privada, possa escolher os comentadores que entender, e sendo certo que os elementos que compõem o painel são os mesmos desde há muito, deu-se agora um salto qualitativo no sentido de uma convergência cada vez maior de posições, ancorada na fatídica «inevitabilidade» do destino negro que, «lá fora», outros estão a decidir por nós para os próximos longos tempos.

Só a distribuição de culpas parece distinguir defesas e ataques, já que, quanto ao resto, se ouvem afirmações perfeitamente cristalinas, como esta de Pacheco Pereira: «O que se vai votar é tão importante para o PS como para o PSD e o Orçamento não seria muito diferente se fosse este último a fazê-lo». Sic.

Mais esclarecedora ainda foi a posição assertiva de António Costa, para quem o país tem um verdadeiro problema de governabilidade porque as maiorias absolutas são raras e as coligações difíceis – sobretudo à esquerda, porque 20% do eleitorado (peanuts…) é representado por partidos com os quais não é possível funcionar. Que fazer então? Uma coligação PS – PSD? Não, porque há que permitir a alternância. Mas estes dois partidos devem criar condições para que aquele que ganhar governe, com base num «pacto de regime» que assegure a aprovação do programa e do orçamento, bem como a gestão de moções de censura e de confiança. Assim mesmo, sem tirar nem pôr e para todo o sempre.

É isto que entra pela nossa casa dentro, é contra este monolitismo que se impõe a exigência de diversidade e é nesta batalha que se insere a Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico, lançada há dez dias, e que conta já com mais de 1.000 assinaturas.

P.S. – Aproveito para informar que acaba de ser lançado um blogue - Pluralismo no Debate -, que está a reunir textos e toda a informação relacionada com a Petição em causa.
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3 comments:

mikael ar canjas disse...

no importa que ganen terreno los coelhistas
es un hecho que se impondrán en las próximas elecciones
y caramba que aquí también
yo mismo voto por los coelhistas
porque estoy convencido
de que no van tras el interés personal
aunque sepa que están equivocados
siempre estarán ahí los sacerdotes
cavakistas
para ponerlos en el lugar que les corresponde
en caso de que lleguen a sobrepasarse
cosa que en Chile no sucederá
porque los presidentes enterrados son muy pocos
mientras que en la Península Ibérica
hay más presidentes desenterrados que moscas en la miel

jpt disse...

Fui ver o blog de recolha de textos. Para além da simpatia que este seu texto me convoca (muito me irrita o discurso da alternância como um bem em si, em particular quando é entre dois partidos limítrofes) alguns dos textos que li (há autores que não leio, pura e simplesmente) levantam algo interessante: a generalização da opinião publicada (imprensa escrita ou audiovisual) de economistas liberais numa sociedade não-liberal. Portugal é uma sociedade capitalista não uma sociedade liberal (por mais que dê jeito à retórica misturar os dois termos). Partindo do princípio que a primeira possibilidade é correcta seria interessante entender o porquê.

A segunda é esta, mas eu de economia não percebo. A ideia de fazer crescer assim como estes economistas não liberais (ou seja, não capitalistas?) querem não é a ideia que tem dominado? Através da exploração dos homens pelos homens (ou seja, dos vindouros pelos actuais?) Ou estou radicalmente enganado? [claro que estou, um vil liberal]

Joana Lopes disse...

De economia também percebo muuuuito pouco e não sei se entendo a sua pergunta. Mas não me parece, de todo,
que tenha dominado o que alguns textos recolhidos no blogue defendem (atacando).