22.9.12

Na noite em que o Conselho ignorou o povo



O presidente da República esteve reunido, durante oito horas, com cerca de duas dezenas de senadores do País. No fim e como previsto, um não-senador leu um comunicado. Inócuo, incolor e inodoro. 

Era de esperar outra coisa? Não, de modo algum. Já se sabia que se ia dizer que a coligação voltou a estar bem muito obrigada e que a TSU vai ser substituída por outras medidas aparentemente menos canhestras. E, também, que não faltariam uns parágrafos bem-pensantes sobre necessidade de desenvolvimento, de consensos, diálogos e generalidades do mesmo tipo.

Durante muitas horas, milhares de pessoas em Lisboa, e muitas outras espalhadas pelo país, deram ao conclave e aos seus membros a importância suficiente para esperarem, de pé, e lançarem gritos de protesto, de apelo, de raiva. Continuaram o que várias centenas de milhares de portugueses tinham começado alguns dias antes.

Mas não mereceram uma simples referência no longo texto do comunicado, por mais ligeira e não «comprometida» que fosse. Foram ignorados. Os senadores limitaram-se a vê-los, através dos vidros dos carros topo de gama em que saíram a correr do palácio.

Quando os mais altos responsáveis de um Estado ignoram, oficialmente, que o povo está na rua, com a dimensão e o civismo mais do que demonstrados, entram em guerra contra ele. São agressivos – violência é isto. 
.

9 comments:

Blondewithaphd disse...

Bláblábláblá: a linguagem política deste país. Nunca esperei mais do que isso deste Conselho.

Exilado no Mundo disse...

Felizmente o povo está a acordar!

{anita} disse...

sim, violência é isto...
Ultimamente lembro-me muito do "se não têm pão, comam brioches": a cegueira em relação ao povo é algo que não costuma dar bons resultados.

pilantra disse...

O costume, não?

E as dificuldades aumentaram muito nos dias de semana, entre horários «supletivos» e os filhos.
Os desempregados ainda terão dinheiro para transportes? Andarão no biscate? etc., etc., etc..

De qualquer modo não há como não continuar. Até.
Não sei o que será o até. Mas eu se fosse ao sr silva, lavava melhor os ouvidos. Bem sei que a ele, principalmente a ele, não lhe convem.

É o que os trama : ou insistem ou voltam.

Oxalá!

PrimusBaro disse...

Se não estes, quais são as opções? A esquerda cómica de Louçã ou a repetetiva tagarelice de décadas de Gerónimo e sucessores?
Precisamos de opções e não de mais um a dizer o mesmo óbvio discurso de que 'a coisa não está bem'.

PrimusBaro disse...

Então e opções?
A esquerda cómica de Louça ou a do repetitivo e patético Gerónimo e sucessores?
Não sejamos somente mais uns a opinar. Aponte-se opções sérias e concretas!
De fala-baratice está este país cheio.
Opções onde estão? Apontem ou deixem-se de criticas vãs!
E não, este governo não tem nem a minha cor nem teve o meu voto.

Francisco Clamote disse...

Muito bem, Joana. Na "mouche".

Anónimo disse...

Num curto espaço de tempo, quase certo teremos um novo SALAZAR.

pilantra disse...

«sal, azar e bomba H», diria a Luiza Neto Jorge.

Esse não volta. Mas um sobrinho, não sei.
Aliás, nem sei se já não está cá o primo mais novo. Que este governo ou é primo ou um «relativo» qualquer.