28.1.15

Ainda quanto ao « conto de crianças»



«Para Passos Coelho as promessas do Syriza são um "conto de crianças". Ou seja, são demasiado simples para almas complexas como a do primeiro-ministro português. Conhece-se o profundo "conto de adultos" que Passos Coelho tem contado aos portugueses. (...)

Passos Coelho caiu no ridículo. Uma coisa, legítima, é não gostar do Syriza. Outra são as relações de Estado. Tal como muitos dos seus pares europeus, Passos Coelho não percebeu o essencial da vitória do Syriza e da coligação com um partido de direita, os Gregos Independentes. Tsipras criou um bloco histórico na Grécia, não só contra a austeridade, mas contra esta Europa. Não é um "conto de crianças". Ele pretende explorar as contradições da Europa, coisa que ainda está por se fazer até hoje. (...)

O discurso que une o bloco histórico grego é contra a Alemanha, o centro do poder europeu. As promessas eleitorais poderão cair. Mas se a Europa cortar o crédito, Tsipras poderá recordar o lugar estratégico da Grécia no contexto militar (como sabem americanos e russos) e uma simples coisa: a Grécia faz parte dos Balcãs, onde a história da Europa sempre se fez e desfez. Ele mostrou outra coisa: não são os partidos do centro político em quem votava a extinta classe média que estão a perder votos na Europa. É a democracia.»

Fernando Sobral