25.3.15

Carlos Costa



«Carlos Costa parece Robinson Crusoé, perdido numa ilha, cercado de mar. Só. Encurralado e sem aliados, conta os dias para ser libertado do cargo.

O calvário que lhe exigem, até que termine a sua comissão de serviço (lá para Maio ou Junho), tem muito a ver com a cultura política hoje instalada num país magoado, após quatro anos de austeridade mortal. (...)

A actuação de Carlos Costa não foi só motivada por um dever e por um destino. Não foi só um conjunto de actuações técnicas. Mas, nas decisões certas e erradas, não era um homem só como Robinson Crusoé. Serviu de pára-raios a um Governo que não se queria ferir numa rosa com espinhos, porque o BES foi o centro nevrálgico da economia (e da política) portuguesa durante as últimas décadas. Mas agora, delimitado o vírus, com a venda do Novo Banco à porta, com a incapacidade de encontrar culpados perfeitos para o descalabro BES/PT que arrasou a economia em que ainda julgamos viver, Carlos Costa é o bode expiatório perfeito para tudo. E ele, claro, vai engolir a cicuta para salvar o regime. A crise do BES, afinal, é parte da crise da política portuguesa. Que também é uma crise moral, como está à vista.»

Fernando Sobral