28.1.23

Luís Moita

 


Telefonei-lhe há três dias, não atendeu nem devolveu a chamada. Fiquei quase sem dúvidas de que estaria pior, mas não pensei que o fim estivesse tão perto: morreu hoje.

Conheci-o ainda na adolescência, como irmão que era da Xexão, minha colega de escola e amiga de sempre. Mas foi quando éramos já bem adultos que vivemos juntos tantas fases importantes das nossas vidas que o dia de hoje é mais uma machadada na minha – e grande. Ainda há poucas semanas ele comentava que já restavam por cá poucos dos que connosco viveram e lutaram, em várias arenas de tempos negros, por uma vida mais decente para este país. Menos um.

Deixo para os obituários a justiça que certamente farão à sua vida grande. Pouco mais me apetece escrever. O Luís era um homem muito inteligente, muito bom, sempre com um sorriso afável mesmo nos momentos mais difíceis. É tudo.
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1 comments:

Monteiro disse...

Fomos colegas de trabalho em 1971 e emprestei-lhe um livro que arranjei em Bissau sobre a alfabetização do PAIGC tema a que ele se dedicava e fi-lo como prova de amizade mas as divergências entre nós eram profundas. O que ele não aceitava era o conceito de Marx entre o Ser Social e o Ser Essência e o fenómeno social da alienação e isso levou-nos mesmo à incompatabilidade porque rigorosamente não aceitava tal dialéctica. A sua cultura de ex-padre católico era demasiado fechada para aceitar o materialismo não obstante todas as liberalidades filosóficas em que militava e que sempre respeitei. Lamento saber que morreu, pouco mais velho era do que eu e ambos por cá andámos, cada um à sua maneira tentando criar um Mundo mais fraterno e mais justo.