23.10.25

Última hora! Parece que há extremismo num partido extremista

 


«Após cinco anos de militância no Chega, o prof. Gabriel Mithá Ribeiro, eminente intelectual, descobriu que André Ventura é um narcisista autoritário. Esta extraordinária perspicácia só está ao alcance de eminentes intelectuais como o prof. Gabriel Mithá Ribeiro. As pessoas normais mantêm a convicção de que André Ventura é um democrata humilde, mas o prof. Mithá dedicou-se a estudar o assunto e tirou outra conclusão. A divulgação da descoberta era tão urgente que levou o prof. Mithá a quebrar os seus princípios. Em 2024, ele escreveu um livro em que dava aos leitores o seguinte conselho, entre outros: “Defenda-se da guerra psicológica da comunicação social contra si tratando-a como é, o tumor maligno da democracia.”

Esta semana, coitado, viu-se forçado a aceitar os convites de vários tumores malignos, não para os submeter a vigorosa quimioterapia, mas para comunicar ao país a sua assombrosa revelação. Deu várias entrevistas na sequência de um artigo, publicado no “Observador”, em que escreveu o seguinte: o Chega é “um partido cada vez mais disfuncional no sentido patológico do termo”. E é nítido, segundo o prof. Mithá, o “inchaço do ego patológico do líder”. O problema é que, em Março do ano passado, a propósito do livro “Na Cabeça de Ventura”, do jornalista Vítor Matos, o prof. Mithá escreveu, no mesmo “Observador”, que a obra era uma manifestação da “avassaladora patologia sociomental esquerdista”, acrescentando que “o que resulta do livro é a promoção social de hábitos patologicamente selectivos na relação com o meio envolvente”, até por se tratar de uma obra que promovia um “tipo ameaçador de patologia mental”.

O seu autor, Vítor Matos, pertencia a uma casta “socialmente patológica”, e o próprio livro enfermava de uma “lógica patológica”: “A patologia de Vítor Matos é tal que atribui à sua sagrada pessoa o direito de determinar autocraticamente o que é ‘A cabeça de Ventura’.” O jornalista era “um violador patológico da busca da verdade e do respeito pela dignidade alheia”, e o prof. Mithá terminava o artigo lamentando o facto de vivermos numa “sociedade que tolera as patologias dos Vítores Matos & Associados”. Em Setembro de 2021, num artigo intitulado “Selvajaria contra o Chega”, o prof. Mithá já tinha alertado: “Vivemos na era dos sujeitos mentalmente patológicos tutelarem os demais.” E, em Maio de 2020, no texto “André Ventura: votaria nele?”, o prof. Mithá apontava os nomes de “José Saramago, Eduardo Lourenço ou José Gil”, e até pessoas “do calibre de Ricardo Araújo Pereira” como “cabeças instigadoras da pior patologia mental socialmente transmissível”. Este afã com que durante anos denunciou as mais patológicas patologias parece indicar que o prof. Mithá levou a sério a missão de constantemente recordar a todos que, aprisionada na palavra patologia, está a palavra tolo.

Uma novela muito engraçada de Machado de Assis conta a história do dr. Simão Bacamarte, um médico que tem, exactamente como o prof. Mithá, a mania de detectar patologias em todo o lado. Desata a identificar traços de loucura nas outras pessoas e a encarcerá-las num manicómio chamado Casa Verde. O hospício vai ficando cada vez mais cheio, porque o dr. Bacamarte vai progressivamente verificando que toda a gente que o rodeia é louca, circunstância que o leva a desconfiar de que talvez o único louco seja ele — e, por isso, no fim resolve fechar-se sozinho na Casa Verde. No preciso momento em que o prof. Mithá percebeu que os militantes do Chega sofriam de um distúrbio, vários dos seus antigos companheiros de partido descobriram que ele também não é bom da cabeça. O deputado Luís Paulo Fernandes foi à CNN dizer que o prof. Mithá “deve ter um problema grave de saúde mental”. Pela minha parte, lamento que o prof. Mithá e o Chega se tenham separado. Acho que, como se costuma dizer, só se estragava uma casa. E era, sem dúvida nenhuma, uma casa verde.»


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