31.3.08

O melhor «post» de Domingo

De Zèd, no Peão:

«Governo pede a D. Policarpo que controle o catolicismo de alguns membros do Episcopado.»

30.3.08

Sobre o vídeo holandês – ou nem por isso

Ando atrasada em leituras, só ontem vi o filme do holandês Geert Wilders e só hoje li o que nalguns blogues foi escrito sobre o assunto. Está tudo dito e, no entanto...

Quando entrei há pouco no Arrastão, o post em que Daniel Oliveira comenta o filme já tinha 102 comentários. Ainda li uns tantos, até que parei, extasiada, neste:

«Se é ateu devia abster-se de falar de religião. Porque não se deve falar daquilo que não se percebe. Uma religião não se limita àquilo que está escrito nos livros. Implica um sentimento que um ateu não consegue experimentar e muito menos entender. Um ateu pode ter opinião sobre pessoas religiosas, mas não sobre religiões.»

Total disparate. Além disso, fiquei numa situação esquisita, porque já fui convictamente crente e hoje sou ateia. Ou seja, já «experimentei» e já «entendi» e, por um qualquer processo de estupidificação que me escapou, deixei de poder falar de religião. É mais ou menos isto, não é?

Mas falo. Porque se há coisa que me exaspere, e que veio outra vez para a ordem do dia com esta discussão sobre o vídeo, é o respeito que muitos ateus de pura gema, da raça mais politicamente correcta que imaginar se possa, têm, ou se sentem obrigados a dizer que têm, pelas religiões. Como se destas não tivessem vindo – e não continuassem a vir – pelo menos tantos males como bens para a humanidade. Como se, mais tarde ou mais cedo, todas não tendessem para fanatismos e radicalismos que fazem milhões de vítimas. A História está aí para o mostrar.

Respeito merecem os crentes, não as crenças. Sobretudo os que são vítimas do obscurantismo das hierarquias cristãs, os que se suicidam ou matam em nome do radicalismo no mundo islâmico, os que se deixam morrer por motivos religiosos, miseravelmente, nas margens do Ganges.

O vídeo holandês é horrível? Certamente. Mas não passa de um episódio mais ou menos burlesco. Porque, como diz Rui Bebiano num comentário ao post que ele próprio escreveu sobre este assunto:

«É muito mais grave a subestimação do radicalismo islâmico, ou a invenção desculpabilizante de algumas das razões invocadas para o seu avanço, do que um filme de execrável propaganda racista do qual daqui por uns meses já ninguém se lembrará.»

67-68: Utopias e não só

29.3.08

O Profesor Marcelo respondeu

ADENDA (*)
Eis a resposta de Marcelo Rebelo de Sousa, no Público de hoje, à minha carta e à de Vítor Dias.

(Para ler, clicar na imagem)
É esta a passagem das declarações de MRS ao Público de 16/3, que estão em questão na sua resposta.

«"Fulano de tal [eu], que tem ideias perigosas, por sinal filho de Sua Excelência o Sr. Governador ou Ministro, consoante as alturas, estava a distribuir propaganda subversiva no dia x às tantas horas" ou a "colar cartazes" – o que se fazia de madrugada, mas nem por isso deixavam de aparecer as horas certas mencionadas.»

Fiquei assim a saber, como desejava, quais eram (ou não eram) os cartazes afixados e a propaganda subversiva que MRS distribuía, de madrugada, e que a PIDE registou nos seus ficheiros.


Assunto encerrado.

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(*) O Vítor Dias fez um comentário detalhado sobre a resposta de MRS.

28.3.08

Marcelo e a PIDE – Ainda (2)

No Público de hoje, a carta que enviei ao director, no passado dia 25.

Aguarda-se agora a reposta de Marcelo Rebelo de Sousa.




P. S. – Quem quiser esta saga desde o seu início, deve ler, por ordem, isto, isto e isto.

O que é de César

O DN de hoje revela reacções da Igreja às iniciativas legislativas do BE e do PS em matéria de divórcio.

Acusações de «facilitismo», de o Estado não «defender a união entre as pessoas», de se «armar o desejo em lei», de só se pensar «na liberdade do que se quer divorciar» e não na do outro, de «sentimentalização excessiva do amor» (!...).

Apenas uma pergunta.

Por que razão se mete a hierarquia da Igreja onde não é chamada? Ela que não reconhece o casamento civil, que o condena, ao ponto de vedar aos que por ele optam o acesso pleno às suas liturgias, vem agora defendê-lo? Sim, porque, para quem não saiba ou não se lembre, um par que não se tenha casado no altar vive «amancebado» e não pode, por exemplo, comungar nas missas. Eu sei que há hoje quem não ligue a estas minudências e não as respeite, mas as posições oficiais e públicas, os «códigos penais» da Igreja não mudaram. E é de legislações que estamos a falar.

Portanto, senhores dos púlpitos, não metam a foice em seara alheia. Deixem-nos, por favor, viver laica e responsavelmente as nossas vidas.

27.3.08

Neste país em miniatura


Televisões, jornais, opinion makers, bloggers, procuradores, psicólogos, o senhor do quiosque dos jornais, o dono do talho, todos continuam a falar e a escrever sobre a professora, a aluna e o telemóvel – nem sei há quantos dias.

O caso é desesperado? Certamente. Mas não é (assim tão) grave.

O que se passaria se um dos meninos da turma tivesse sacado de uma pistola e assassinado a professora e meia dúzia de colegas e pusesse tudo no Youtube?

Parava o país? Pedia-se a Espanha que nos anexasse? Proibia-se Sócrates de fazer jogging? Mandava-se prender Cavaco? Exigia-se a intervenção da NATO?


Haja deus...

26.3.08

Moçambique


Nestes dias com excesso de ruído em torno de Moçambique, olhei várias vezes para este belíssimo auto-retrato de Malangatana.

Pintou-o à minha frente e ofereceu-mo quando passou uns meses em Lisboa, no início da década de 70. Tratava-me então, carinhosamente, por «patrícia».

É para mim quase uma relíquia, tenho-o sempre por perto, mas hoje saiu da moldura para o scanner.

Aqui fica, em jeito de homenagem às acácias vermelhas da cidade onde nasci, e aí vai, com um abraço, para dois bloggers que passam de vez em quando por esta casa (do ma-shamba e do Lusofolia).

«So british»


Via Le Soir.

25.3.08

Marcelo e a PIDE - Ainda

ADENDA (*)

Carta de Vítor Dias ao director do Público, publicada hoje naquele jornal.

(Para ler, clicar na imagem)

Sobre o mesmo tema, ler, por exemplo, isto.

(*) Enviei agora uma carta sobre o mesmo assunto ao director do Público.

Maio de 68

O Nouvel Observateur criou uma página especial - Il y a 40 ans, Mai 68 -, onde é relatado o dia a dia, em França e no resto do mundo, entre 22 de Março e 30 de Junho de 1968: notícias, fotos, vídeos, etc.

A não perder.


(O link directo à página não funciona, mas é possível lá chegar a partir de aqui.)

Mais uma questão fracturante






«Le point-virgule est en danger. Il a disparu des journaux. Il se fait rare dans les romans (...).
Plus grave, le point-virgule intimide.»