Vale pena ouvir este excerto do discurso feito perante o Congresso. Positivo, optimista, motivador. A América no seu esplendor, para o bem, provavelmente com um certo entusiasmo irrealista, mas que ajuda certamente a enfrentar o que aí está e, mais ainda, o que ainda estará para vir.
26.2.09
25.2.09
O problema é que o ridículo não mata

A propósito da anunciada canonização do «nosso» condestável, a Associação Ateísta Portuguesa enviou ontem um Comunicado à imprensa. Merece ser lido na íntegra, mas aqui ficam alguns excertos:
«...Deus podia mais facilmente ter evitado os salpicos de óleo que atingiram o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, enquanto fritava o peixe, e a consequente “úlcera da córnea, uma coisa gravíssima” – segundo o cardeal Saraiva Martins –, do que ter de a curar para o beato virar santo. Um vulto histórico, da dimensão de Nuno Álvares, não se engrandece com a cura de uma queimadela ocular quando há tantos amputados a quem o crescimento de uma perna facilitaria a vida e era mais relevante para o seu prestígio.»
E mais a sério:
«A Associação Ateísta Portuguesa não será cúmplice, com o seu silêncio, da manobra obscurantista em curso e, por isso, a denuncia. Apela ao espírito crítico dos portugueses para não crerem em afirmações sem provas e não confundirem a superstição com a realidade.»
De facto, muitos brincámos com o anúncio desta canonização, o nosso PR congratulou-se (em nome dele e da sua esposa, assim o esperamos), os espanhóis já esqueceram Aljubarrota e a RTP vai certamente enviar Fátima Campos Ferreira a Roma para comentar as cerimónias. Mas este culto do obscurantismo e de um patriotismo serôdio é muito mais prejudicial do que parece – e merece ser sistematicamente condenado.
Courbet na rádio
De um ouvinte, num Fórum de opinião:
«Acho bem que mostrem aquilo p’ra ver se os paneleiros sabem o que é bom.»
Não li nada de parecido na blogosfera...
«Acho bem que mostrem aquilo p’ra ver se os paneleiros sabem o que é bom.»
Não li nada de parecido na blogosfera...
Gmailer me confesso

A meio da manhã de ontem, 113 milhões de humanos ficaram sem acesso ao correio electrónico. Parece que ainda não foi explicada a razão da «desgraça»: entre ataque de hacker ou má actualização do software, o diabo que escolha. Poderá ter sido simplesmente uma maneira hábil de o Google nos mostrar que há dependências maiores do que a da maldita nicotina.
Por cá, foram horas animadas no Twitter, com dicas para se ultrapassar o problema e frases soissante-huitardes e não só: «sejamos razoáveis, peçamos o gmail», «sous les pavés le gmail», «j'écris ton nom, gmail», «gmail in the sky with diamonds»,«o gmail é do povo, não é de moscovo».
Antes isto, em manhã de Carnaval, do que ver, pela 115ª vez, a foto do quadro de Courbet num blogue das redondezas.
P.S. - Afinal foi mesmo phishing.
Minuto Pub
Hoje à noite, a Irene Pimentel e eu participaremos num debate organizado por Le Monde Diplomatique sobre:«Entre Portugal e Espanha: a luta em prol da memória histórica»
Associação O Bacalhoeiro (R. dos Bacalhoeiros, 125, junto à Casa dos Bicos, em Lisboa),
25 de Fevereiro, quarta-feira, às 22h.
Ler detalhes aqui.
N.B. - «Historiadora» não sou - quando muito memorialista amadora e con mucho gusto.
24.2.09
E «no pasa nada»?
O conteúdo deste ofício circula por aí, mas vale sempre a pena ver para crer.
Para a inefável responsável da DREN, a nossa língua não tem segredos. Vírgulas e outras minudências são para quando um homem quiser (mulher, hélas...). Mas nada é comparável à frase com que inicia o último parágrafo:
«Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável...»
(Clique na imagem)

Para a inefável responsável da DREN, a nossa língua não tem segredos. Vírgulas e outras minudências são para quando um homem quiser (mulher, hélas...). Mas nada é comparável à frase com que inicia o último parágrafo:
«Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável...»
(Clique na imagem)

23.2.09
O sindicalismo que não temos

Li há alguns dias um texto sobre o papel que os sindicatos têm e, sobretudo, aquele que deveriam ter e ignoram, que corresponde exactamente ao que desde há muito venho a pensar sobre o assunto (*).
Em resumo e no essencial: «... apesar de passarem mais de 4 meses sobre o começo da crise, os sindicalistas continuam a escudar-se na salvaguarda de postos de trabalho (...), sem contribuírem com soluções, continuam a utilizar a bandeira do combate pós-despedimento, em vez de apresentarem propostas para manter o emprego».
Também, e ao contrário do que se passa em muitos outros países, os nossos sindicatos não se ocupam dos desempregados e, volto a citar, não «mantém um serviço de aconselhamento», não «cuidam de qualificação e requalificação profissional e da recolocação no mercado de trabalho».
Mas não só. «O mundo mudou, as indústrias mudaram, e os Sindicatos têm que mudar. Foi assim em boa parte do mundo, mas em Portugal, no sindicalismo, como nas associações patronais, ficámos agarrados ao passado.». «O problema é encarar de frente os novos sistemas de trabalho, a flexibilidade, as novas polivalências, as novas profissões, os novos horários de trabalho respeitando as cargas de trabalho, no principio de que deve ser o trabalho a adaptar-se ao homem e não o contrário».
Entre nós, estas organizações transformaram-se «na maioria dos casos, em apêndices dos partidos políticos, calendarizando as suas lutas e ou submissões, conforme os interesses destes». Causa ou consequência, o centro da questão passa certamente também por aqui.
Tudo isto me parece de tal modo evidente que só posso aconselhar a leitura do texto na íntegra. O problema é demasiado sério para que lhe passemos ao lado – o nosso interesse não é mais do que um puro dever da mais elementar cidadania.
(*) O autor do texto é António Chora, da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e dirigente do Bloco de Esquerda.
Obama e Sarkozy
Vale a pena ver este vídeo sobre o papel dos cientistas e da investigação nesta fase da vida do mundo. Ele é o resultado de uma montagem, inevitavelmente subjectiva, de excertos de dois discursos, um de Obama em 20/12/2008, outro de Sarkozy no passado dia 20 de Janeiro.
O contraste é tão flagrante que quase dispensa comentários: o primeiro virado para o futuro, directo, com uma calma impressionante; o segundo defensivo, sinuoso, com uma certa dose de agressividade. Até a diferença na postura física fala por si.
Uma estranha sensação de que está ali retratada, também embora não só, toda a distância entre uma nova América e uma certa Europa.
(Encontrado aqui.)
O contraste é tão flagrante que quase dispensa comentários: o primeiro virado para o futuro, directo, com uma calma impressionante; o segundo defensivo, sinuoso, com uma certa dose de agressividade. Até a diferença na postura física fala por si.
Uma estranha sensação de que está ali retratada, também embora não só, toda a distância entre uma nova América e uma certa Europa.
(Encontrado aqui.)
22.2.09
Carnavais

Eu sei que aquilo que o Sol escreve nem sempre se diz, mas fala-se de uma possível «aparição» de Hugo Chávez no congresso do PS. Ele é homem para isso e para muito mais, mesmo que tenha sido o partido e não ele a ser convidado.
A meio do caminho entre Carnaval e Mi-Carême (*), seria melhor do que um tiro no porta-aviões: «passavam» nas votações todas as questões fracturantes, qualquer nome para cabeça de lista às europeias seria distraidamente aplaudido e talvez o Brotas conseguisse uns votozitos para a sua moção.
«Si non è vero» seria certamente «ben trovato».
(*) Ou Micareta, como preferirem.
Help, I need somebody

«Mas já antes disso alguém tinha querido arear as pratas ao brio do pachola português. Ao que parece com origem na Lusa, foi-nos servido o pedido de ajuda a Portugal que Barack Obama terá endereçado a Cavaco Silva (no dia seguinte, foi-nos revelada idêntica diligência junto de José Sócrates). Por vazia que a barriga possa estar, o nosso ego insuflado tomou-lhe os espaços. O episódio demonstra que uma boa educação compensa. A resposta, feita em linha de montagem, do Presidente americano aos telegramas de felicitações das autoridades políticas do mundo inteiro, sendo uma formalidade cortês para todos os outros, era afinal a admissão de que, sem nós, a América soçobraria no mercado do escândalo, do vício e da desregulação dos costumes. E de que os herdeiros políticos do xerife Fontoura levariam Newark a salvar os Estados Unidos. Perante a boa recepção que o facto teve entre nós, o Congresso suspirou de alívio e a Casa Branca abriu Mateus Rosé.»
Nuno Brederode Santos, no DN de hoje.
E, em jeito de brinde, neste Domingo de Carnaval:
«Se na terça-feira for, de facto, Carnaval, então eu alinho: durmo a sesta de fato e gravata.»
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