23.9.09

Um país desgraçado













Nas montras da loja do Irão, os manequins femininos têm de ter véu e não podem exibir roupa apertada – curvas de corpos nunca, mesmo que estes sejam de plástico. Homens a venderem roupas para mulheres? Também não. Para quem prevaricar, primeiro um aviso, depois tribunal e «aulas de orientação».

Absolutamente revoltante. Por isto tudo, por mais que me digam que o Irão é um dos países mais espantosos do mundo, e apesar da minha tendência compulsiva para «ir» (e de até já ter tido em tempos uma viagem marcada), enquanto isto durar, «jamé»!

(Fonte)

Mi amigo José,


















Cesaste distribuición de Magellanes in Portugal? Envia todos para Venezuela e te ensinarei a vencer elecciones con maiorias decentes.

(Recebido por mail)

Memórias e desmemórias













«Desmemória quanto ao passado mais recente, em que o PREC, esse breve e conturbado período de “desnorte”, se foi tornando um trauma reprimido e silenciado, povoado de fantasmas que convém não acordar, sendo mais aconselhável apresentar o 25 de Abril como uma narrativa quase milagrosa: uma madrugada libertadora, um povo que da noite para o dia se descobre anti-fascista, uma revolução sem sangue por acção de um só homem, Salgueiro Maia, o herói post-mortem (porque em vida sabemos como foi...) retocado por sucessivas manipulações de memória, que o desvinculam do enorme colectivo injusta e escandalosamente silenciado.

De uma forma sucinta, podemos dizer que a nossa memória colectiva continua a produzir (e a consumir) de Portugal uma imagem dominante, que sob a gigantesca mistificação da identidade nacional, veicula fórmulas em que se casa o branqueamento histórico com o conservadorismo mais retrógrado (…)»

De um texto de Maria Manuela Cruzeiro, «Memória individual / memória colectiva: conflito e negociação». A ler na íntegra.

22.9.09

A voto útil não se olha o dente
















Restam três dias de campanha e jogam-se as últimas cartadas em ruas, palcos, feiras e até em gabinetes de Belém.

Tudo leva a crer que «les jeux sont faits», ou seja que o PS ganhará, com maior ou menor margem, e que o Bloco passará a terceira força - as sondagens que sairão amanhã e depois reforçarão, muito provavelmente, esta «crença». E, no entanto, os dois partidos do centro continuam a esgrimir a arma do voto útil, em todas as direcções, numa tentativa de dramatizarem o dilema e de despertarem um eventual sentimento de culpa nos que querem votar mais à direita ou mais à esquerda.

O argumento também vale para o PSD (que pouco me interessa), mas fixemo-nos no caso do PS. Tudo se passa na campanha e na blogosfera (e de que maneira…) como se não fossem os seus dirigentes e o actual governo os únicos responsáveis pela diminuição drástica no número de votos, pela falta de maioria absoluta ou até por uma eventual, embora pouco provável, vitória do PSD. Como se alguém tivesse roubado esses votos ao PS e não tivesse sido ele a perdê-los ao longo dos últimos anos.

Temos assistido às mais variadas vitimizações e a todos os ataques imagináveis. Aparentemente, eu e mais 20% de malandros, que vamos votar no BE ou no PCP, devíamos sentirmo-nos obrigados a salvar agora a situação com o tal voto útil – tristemente, de corda ao pescoço, de olhos vendados ou engasgados com um sapo na garganta. Do mesmo modo que, a 28 de Setembro, seremos certamente considerados responsáveis pela viabilização de um governo minoritário do PS, «forçando» aqueles em quem votámos a aceitá-la, com o mínimo de hesitações possível.

Mas, no ponto a que chegámos, o que é desejável é que, na nova AR, os partidos à esquerda do PS estejam tão fortalecidos quanto possível. Não se trata de um bando de malfeitores, mas de pessoas que querem tudo fazer - juntamente com o PS, evidentemente -, para que este país progrida e saia dos últimos lugares em quase todas as estatísticas. Será necessário negociar muito, respeitar, ceder – a democracia portuguesa amadurecerá, finalmente.

Se tudo se passar assim, é uma nova etapa, absolutamente imprevisível ainda há poucos meses, que deve ser aberta com profissionalismo, entusiasmo e vontade de vencer - e, também, com a alegria que ainda resta de uma 5º feira de Abril, que só aconteceu há trinta e cinco anos.

(O título deste post foi roubado a Júlio Machado Vaz)

Leva-os o vento











«As palavras não merecem confiança, há adjectivos que, às esquinas das frases, atacam honestos substantivos de regresso do trabalho diminuindo-os e enxovalhando-os, verbos que, em vez fazerem o discurso progredir, lhe travam o caminho e comprometem o sentido, advérbios preguiçosos, preposições despropositadas, sei lá que mais. (…)

Agora que as palavras andam por aí à solta, nos debates, nos comícios, nas declarações inflamadas, é bom que os políticos se cuidem. Sócrates, por exemplo, deveria estar de olho naquele "avançar", do slogan "Avançar Portugal", que pode muito bem significar "passar por cima de", e Ferreira Leite faria bem em desconfiar do substantivo "Verdade", que é dado a engasgar quem o usa e depois, sobretudo quando escrito com maiúscula, é difícil de engolir.»

Manuel António Pina, no JN de ontem.

Faltam poucos dias para as presidenciais
















«A partir de agora sabe-se que as próximas eleições presidenciais vão ser mesmo a sério. Ou seja Cavaco Silva tem fortes probabilidades de não se apresentar ou de não ser reeleito. E assim tudo muda quanto a candidatos. As legislativas seguem dentro de momentos.»

José Medeiros Ferreira

21.9.09

Um homem livre? Este













Confessa que gosta de andar bem vestido – e anda -, que não resiste ao acelerador e chega aos 150 km em auto-estrada, que rir é um remédio fantástico. Que gostaria de andar no espaço à volta da terra, que não tem pesadelos, nem guarda pedras no sapato. E, o que é absolutamente admirável e verdadeiro, que não tem medos – nenhum, de nada.

É Edmundo Pedro, quase 92 anos que poderiam ser 72 ou 42 - a liberdade em pessoa que tenho o privilégio de conhecer e de admirar e que me dá o enorme prazer de ser meu amigo.

Numa entrevista ao DN, publicada há dois dias, que me fez bem à alma no primeiro dia desta terrível semana.

(Clicar na imagem para ler na íntegra)











P.S. - Por falha imperdoável, não tinha visto o nome do entrevistador… Por um comentário aqui deixado pelo próprio, vi agora que se trata do Pedro Correia – um dos meus bloggers preferidos, a quem fico «a dever» mais este magnífico texto.

Ficar de olho

Tal como o carteiro, as cadeias blogosféricas tocam sempre duas vezes. Mas como este prémio vem do der_terrorist, respondo também à segunda. (O que não faria pelo meu agente noticioso por excelência! Quem o frequenta no Twitter sabe bem do que estou a falar!... )

E o «Vale a pena ficar de olho» vai direitinho para o Erecções 2009, como é natural.

Enxerto de fé

Nem só de maus fígados vive o homem e Sarkozy parece senti-lo na pele – um pouco mais de fé, vá lá saber-se em quê ou em quem, daria sempre jeito nos tempos que vão correndo.

20.9.09

Outros cartazes, outras campanhas (8)





Muda-se o ser, muda-se a confiança (2)

Adenda a este post - para bons entendedores…

Mário Soares:
«O antigo presidente da República, Mário Soares, referiu esta tarde esperar uma vitória socialista com maioria relativa, sublinhando que não lhe repugna um entendimento pós-eleitoral com o Bloco de Esquerda»

Francisco Louçã:
«Registo a opinião de Mário Soares, tem sido uma voz própria no debate político que não representa o PS. Pelo contrário, na questão das privatizações, José Sócrates nunca quis ouvir Mário Soares.»

As palavras possíveis

Elis Regina
1980, em plena ditadura militar no Brasil



Aos Nossos Filhos
Composição: Ivan Lins/Vitor Martins

Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...
Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...
Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...
E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...
E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...
Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...