14.10.09

Mais lambuzadela, menos lambuzadela

Se apreciam os pensamentos e os conselhos de Laurinda Alves, não deixem de ler o que ela escreve hoje no «i».
E depois passem pelo der_terrorist.

Este grande senhor também ganhou um Prémio Nobel da Paz


Foi atribuído a Martin Luther King em 14 de Outubro de 1964.

«Aceito o Prémio Nobel da Paz num momento em que 22 milhões de negros nos Estados Unidos estão envolvidos numa batalha criativa para encerrar a longa noite da injustiça racial. Aceito este prémio em nome de um movimento de direitos civis que está avançando com determinação e um majestoso desprezo pelos riscos e perigos de estabelecer um reino de liberdade e um sistema de justiça. Estou ciente de que uma pobreza debilitante e asfixiante aflige o meu povo e o acorrenta ao degrau mais baixo da escala económica. Portanto, devo perguntar porque é que este prémio está a ser concedido a um movimento que é comprometido com uma luta incessante; a um movimento que não conquistou a própria paz e fraternidade que é a essência do Prémio Nobel. Depois de pensar a esse respeito, concluí que este prémio que recebo em nome desse movimento é um reconhecimento profundo de que a não-violência é a resposta à questão moral e política crucial de nosso tempo: a necessidade do homem superar a opressão e a violência sem recorrer à violência e à opressão (...).

Ainda creio que superaremos tudo isso. Essa fé dá-nos a coragem de enfrentar as incertezas do futuro. Dá forças aos nossos pés cansados enquanto continuamos a nossa marcha rumo à cidade da liberdade. Quando os nossos dias se tornarem lúgubres e cobertos por nuvens e as nossas noites se tornarem mais escuras que mil meias-noites, saberemos que estamos vivendo no tumulto criativo de uma civilização genuína que luta para nascer.»


(Excertos do discurso proferido em Oslo, em 10 de Dezembro de 1964)

Ficaram os Manifestos












«Se hoje Liedson marcar 5 golos (4 contra Malta e um na própria baliza) e amanhã aparecer um abaixo-assinado contra o "brasileiro" que traiu o nosso guarda-redes, vou ficar atento.»

Ferreira Fernandes, a propósito dos protestos generalizados, e até petições, contra o anúncio do Pingo Doce e as afirmações de Maitê Proença.

Um puro disparate. Mas sem um quarto acto eleitoral nem um novo discurso de Cavaco, enquanto não há nomes de ministros para discutir nem Carvalho da Silva convoca os militantes socialistas para uma manifestação, o povo podia indignar-se contra o quê?

13.10.09

Perturbações revolucionárias em Coimbra





















Com um protesto veemente aqui da periferia: esperamos que a editora não despreze os mouros, se digne organizar uma sessão de lançamento em Lisboa e garanta que Outubro também esteja à venda nas livrarias das nossas kasbahs.

Pacto prolífico de virtude

Não sei se um senhor que escreve no Público, e que dá pelo nome de Gonçalo Portocarrero de Almada, é director espiritual da drª Manuela Ferreira Leite, mas se não é podia sê-lo.
Em O matrimónio natural, património mundial, há esta, entre muitas outras pérolas:

«O casamento, mais do que amor ou união, é o pacto em virtude do qual a mulher se capacita para ser mãe, a palavra latina que, muito significativamente, é a raiz etimológica do termo matrimónio.»

Mais uma: «Também na linguagem popular, um casal não são dois machos ou duas fêmeas, mas um de cada, precisamente porque só essa união é prolífica.»

Isto mereceria uma análise mais cuidada, nomeadamente sobre as confusões na utilização dos termos «casamento» e «matrimónio» - mas, com franqueza... leiam o texto na íntegra, que a mais não me sinto obrigada.

(Está bem entregue a Vice-presidência da Confederação Nacional das Associações de Família!)

No rescaldo de Domingo
















Não era minha intenção escrever agora sobre a derrota do Bloco de Esquerda nas eleições autárquicas, mas não param os comentários e os mails em que me pedem (estou a ser meiga…) que o faça «já», vá lá saber-se porquê. Assim seja.

Mesmo excluindo o caso especial de Lisboa, fiquei admirada com a baixíssima percentagem de votos no Bloco? Gostaria que este tivesse um vereador na CML? Certamente que sim e não fui a única. Já muitos, bem mais qualificados do que eu, apontaram causas, deram conselhos, adivinharam futuros. Não vou por aí.

É-me totalmente indiferente que, dentro de quatro anos, o Bloco tenha vereadores em mais trinta Câmaras ou presidentes de Assembleias Municipais em Alguidares de Baixo e no Pulo do Lobo. Também pouco me interessa saber se Luís Fazenda deve tentar ser um pouco menos leninista ou Louçã mais sorridente.

Aquilo que espero, não agora mas desde há alguns anos, é que uma força de esquerda, menos marcada do que outras por passados absolutamente louváveis mas inevitavelmente pesados, possa servir de mola para que algo de novo nasça - como resultado de fracturas várias, certamente, mas com um vigor suficientemente significativo para romper com este anátema de vivermos num país que vota à esquerda e é governado (quase sempre) à direita.

O sucesso do Bloco nas europeias e nas legislativas fez-me crer que tudo isto poderia acontecer mais depressa do que expectável? Com certeza. Mas não é a derrota nas autárquicas, grande e indesmentível, que é neste momento o mais grave, mas sim o seu aproveitamento em mais do que prováveis guerrilhas, umas internas outras atiçadas do exterior, que poderão ajudar a matar quase à nascença esforços positivos e louváveis, e que poderão acabar por comprometer o que parecia possível.

Se isso vier a acontecer, será mais uma oportunidade perdida e é lamentável. Mas outras virão. Retomo um dos meus lemas preferidos: nada leva a crer que o mundo acabe nos tempos que aí vêm.


P.S. – Exprimi-me mal no penúltimo parágrafo e recebi reacções por mail. Não pretendo de modo algum dizer que o Bloco não deva discutir internamente o que se passou em toda esta fase eleitoral – claro que sim e só se os seus dirigentes fossem inconscientes é que não o fariam. Espero apenas que essas discussões não paralisem tudo o resto.

12.10.09

Countdown













Falta um mês, os guias já chegaram do Amazon e vou viver agarrada ao Google. A viagem vai começar…

Primeira novidade: dizem-me que não há ATM’s nem se aceita cartões de crédito. Terei de levar dólares num saquinho de pano - talvez em chita…

«Aqui impera a comédia»












Mário Soares dixit:

«La buena relación afectiva entre Soares y Sócrates, de 52 años -"me trata como si fuera su padre"-, no le impide al fundador del PS admitir las diferencias políticas entre ambos. "Estoy a la izquierda de Sócrates. Él era blairista, y yo he sido crítico de Blair desde el primer día. Me decepcionó su apoyo a la reelección de José Manuel Durão Barroso, le dije que fue un gran error".

Soares cree que la relación del primer ministro con el presidente no será fácil, y reconoce que temió un conflicto institucional a raíz de los ataques de Cavaco Silva al Gobierno y al Partido Socialista después de las legislativas. "Pero, a diferencia de España, en Portugal raramente ocurren tragedias, exceptuando las naturales. Aquí impera la comedia, cuando no la farsa"».

Comédia ou farsa, como se preferir. A prova? A questão das alegadas escutas regressa hoje ao Prós & Contras…

E se…?













À medida que se aproxima a data que será comemorado o 20º aniversário da queda do muro de Berlim, multiplicam-se os textos não só sobre o facto propriamente dito como acerca de todo o contexto histórico em que o mesmo ocorreu.

Le Figaro de hoje publica uma longa entrevista a Mikhaïl Gorbatchev, que merece ser lida. Explica a visão que o levou a abrir o país, a devolver a liberdade de movimento aos cidadãos, a reintroduzir a liberdade de expressão e de religião. «Naquela época, não tinha nenhuma hesitação, sabia que era esse o caminho a seguir. E acreditei que, assim, seria possível preservar a União Soviética. (…) Tinha todas as razões para crer que a perestroika era apoiada pela maioria.»

O golpe de Estado de 1991 deitou por terra estas esperanças e Gorbatchev diz agora que foi demasiado confiante e que deveria ter sido mais firme para evitar o pior. Tê-lo-ia conseguido ? Poderia existir hoje algo a meio de caminho entre o império de Estaline e o de Medvedev? Nunca saberemos o que seria – é matéria para a chamada História Virtual, mais do que discutível, mas pela qual há muito que tenho um irresistível fascínio.

11.10.09

Será que para a próxima terei de votar em Freixo de espada à Cinta?
















Há milhares de eleitores (ninguém sabe quantos…), portadores de cartão de cidadão, que vão hoje votar numa freguesia que não é a sua, por erro da responsabilidade da Direcção geral da Administração Interna.

Três observações:

1 – Este facto tem implicações directas nos resultados das autárquicas, já que se vota também para a Junta de Freguesia.

2 – Aparentemente, o erro deve-se ao facto de a atribuição do local de voto ter sido feita tendo em conta o código postal, e não o nome da freguesia, e à crua realidade de haver muitas freguesias que partilham o mesmo código postal. Quem programou a nova aplicação desconhecia certamente este facto mas, também, que existe uma possibilidade chamada «pesquisa alfabética» que devia ter sido obrigatoriamente utilizada, no mínimo, na fase de testes de validação e consolidação dos dados (se é que alguém ainda sabe o que isto significa) – há quarenta anos ela era muito complexa, mas foi engenhosamente aplicada desde a emissão dos primeiros Bilhetes de Identidade em computador.

3 – Certamente que o erro foi detectado, pelo menos, nas últimas eleições europeias, altura em que foram utilizados os novos cadernos eleitorais. Em mais de quatro meses, não foi possível corrigir a falha e emitir novas listagens? É uma vergonha.

(Fonte)