23.12.09
22.12.09
Perguntar não ofende

- «A» e «B» são lésbicas e têm uma relação sólida.
- «A» adoptou uma criança que é criada como filha de ambas.
- »A» e «B» pensam casar-se assim que a lei o permitir.
- Se mais tarde «A» quiser adoptar mais uma criança, isso é possível? Logicamente, julgo que não: não poderá fazê-lo nem como solteira (que já não é), nem como casada (porque a lei, nos termos em que vai ver aprovada, não o permite). Faz sentido?
Estarei enganada?
- «A» adoptou uma criança que é criada como filha de ambas.
- »A» e «B» pensam casar-se assim que a lei o permitir.
- Se mais tarde «A» quiser adoptar mais uma criança, isso é possível? Logicamente, julgo que não: não poderá fazê-lo nem como solteira (que já não é), nem como casada (porque a lei, nos termos em que vai ver aprovada, não o permite). Faz sentido?
Estarei enganada?
Há sempre pastéis de nata em Xangai

E não só agora, com bolo-rei, vinho do Porto e filigrana. Como há chocolates Godiva, perfumes Chanel, relógios Gucci (verdadeiros) e uma arquitectura fabulosa numa espécie de nova Manhattan. A terra é redonda, tornou-se pequena e tudo chega rapidamente ao outro lado, onde está agora o centro do mundo.
O que dói é ver a Europa a marcar passo – na melhor das hipóteses.
Já tudo foi dito sobre o que se passou em Copenhaga, com culpas e desculpas, mas uma coisa parece certa: «a Europa julgou que podia convencer o resto do mundo a pensar como ela» - o que já não acontece -, com voluntarismo político e «uma certa dose de oportunismo: para os dirigentes europeus, confrontados com arsenais de impopularidade (...), a luta contra as mudanças climáticas parecia redentora». Não foi.
Dito de outra maneira: «O discurso da União Europeia parece-se com o de um velho hippie que alerta os filhos contra os perigos da droga.» Assino por baixo.
(Fonte)
O que dói é ver a Europa a marcar passo – na melhor das hipóteses.
Já tudo foi dito sobre o que se passou em Copenhaga, com culpas e desculpas, mas uma coisa parece certa: «a Europa julgou que podia convencer o resto do mundo a pensar como ela» - o que já não acontece -, com voluntarismo político e «uma certa dose de oportunismo: para os dirigentes europeus, confrontados com arsenais de impopularidade (...), a luta contra as mudanças climáticas parecia redentora». Não foi.
Dito de outra maneira: «O discurso da União Europeia parece-se com o de um velho hippie que alerta os filhos contra os perigos da droga.» Assino por baixo.
(Fonte)
21.12.09
Parece que estou a ver…
…o 45 rotações, igualzinho, até com a mesma cor - e com Georgi Fame, evidentemente. Redescobri-o hoje.
The ballade of Bonnie and Clyde
Bonnie and Clyde were pretty lookin' people
But I can tell you people They were the devil's children,
Bonnie and Clyde began their evil doin'
One lazy afternoon down Savannah way,
They robbed a store, and high-tailed outa that town
Got clean away in a stolen car,
And waited till the heat died down,
Bonnie and Clyde advanced their reputation
And made the graduation
Into the banking business.
"Reach for the sky" sweet-talking Clyde would holler
As Bonnie loaded dollars in the dewlap bag,
Now one brave man-he tried to take 'em alone
They left him Iyin' in a pool of blood,
And laughed about it all the way home.
Bonnie and Clyde got to be public enemy number one
Running and hiding from ev'ry American lawman's gun.
They used to laugh about dyin',
But deep inside 'em they knew
That pretty soon they'd be lyin'
Beneath the ground together
Pushing up daisies to welcome the sun
And the morning dew.
Acting upon reliable information
A fed'ral deputation laid a deadly ambush.
When Bonnie and Clyde came walking in the sunshine
A half a dozen carbines opened up on them.
Bonnie and Clyde, they lived a lot together
And finally together they died.
É a política...

É a montante de todas as justificações e subtilezas jurídicas, que encheram jornais e blogues, que a questão deve também ser interpretada e concordo por isso com o seguinte:
«A relação do Partido Socialista com a igualdade é uma história feita de ambiguidades, de ziguezagues e de falta de coragem. Há pouco mais de um ano, quando chumbou no Parlamento a proposta do Bloco para alargar o direito ao casamento a todos os cidadãos, alguns porta-vozes do PS anunciavam que eram a favor do que tinham acabado de chumbar porque era preciso "um grande debate nacional" antes de consagrar a igualdade.»
O secretário de Estado da Presidência do Conselho veio entretanto explicar que «o PS não tem “mandato democrático” para avançar com essa medida, porque o debate existente durante a campanha eleitoral versou apenas o casamento entre pessoas do mesmo sexo».
Dou de barato que, na legislatura anterior, Sócrates tenha receado que muitos dos seus deputados votassem contra o que agora foi decidido. Mas se o PS se tivesse manifestado claramente a favor da possibilidade de adopção por casais formados por pessoas do mesmo sexo durante a campanha eleitoral (prevendo todas as cláusulas a introduzir ou a retirar dos códigos), os novos candidatos a deputados saberiam com o que contar neste domínio. E não teriam o direito a reclamar se lhes fosse imposta disciplina de voto, como não reclamarão (julgo eu...) quando forem agora forçados a votar contra os projectos dos Verdes e do Bloco (*), que prevêem a adopção.
Mais vale um pássaro na mão? Certamente. Mas com alguma cautela porque ficam muitos pássaros por aí a voar.
(*) Leio hoje, 22/12, que, segundo Francisco Assis, nada está ainda decidido quanto à obrigatoriedade de os deputados do PS votarem contra os projectos dos Verdes e do Bloco.
«A relação do Partido Socialista com a igualdade é uma história feita de ambiguidades, de ziguezagues e de falta de coragem. Há pouco mais de um ano, quando chumbou no Parlamento a proposta do Bloco para alargar o direito ao casamento a todos os cidadãos, alguns porta-vozes do PS anunciavam que eram a favor do que tinham acabado de chumbar porque era preciso "um grande debate nacional" antes de consagrar a igualdade.»
O secretário de Estado da Presidência do Conselho veio entretanto explicar que «o PS não tem “mandato democrático” para avançar com essa medida, porque o debate existente durante a campanha eleitoral versou apenas o casamento entre pessoas do mesmo sexo».
Dou de barato que, na legislatura anterior, Sócrates tenha receado que muitos dos seus deputados votassem contra o que agora foi decidido. Mas se o PS se tivesse manifestado claramente a favor da possibilidade de adopção por casais formados por pessoas do mesmo sexo durante a campanha eleitoral (prevendo todas as cláusulas a introduzir ou a retirar dos códigos), os novos candidatos a deputados saberiam com o que contar neste domínio. E não teriam o direito a reclamar se lhes fosse imposta disciplina de voto, como não reclamarão (julgo eu...) quando forem agora forçados a votar contra os projectos dos Verdes e do Bloco (*), que prevêem a adopção.
Mais vale um pássaro na mão? Certamente. Mas com alguma cautela porque ficam muitos pássaros por aí a voar.
(*) Leio hoje, 22/12, que, segundo Francisco Assis, nada está ainda decidido quanto à obrigatoriedade de os deputados do PS votarem contra os projectos dos Verdes e do Bloco.
Já com algum atraso, parabéns camarada!

Estaline teria completado 130 anos no passado dia 18 e «Memorial», uma associação de defensores dos direitos humanos na Rússia, lançou uma campanha para que os seus crimes sejam juridicamente apreciados e valorizados. Já não é sem tempo!!!
Recorde-se que «Memorial» ganhou este ano o prémio Sakhrov. Um dos seus líderes, Arseni Roguinski, sublinha agora a urgência de «desestalinizar» o país como medida indispensável para que seja possível construir «um futuro normal».
Entretanto, o Partido Comunista da Rússia tinha pedido que, a propósito da efeméride, não manchassem a memória do ditador: «Quisiéramos que ese día cesen las discusiones acerca de ciertos errores de la época estalinista, para que la gente reflexione sobre la figura de Stalin como creador, pensador y patriota.»
Certos erros? Mas onde é que eu já ouvi isto???
Recorde-se que «Memorial» ganhou este ano o prémio Sakhrov. Um dos seus líderes, Arseni Roguinski, sublinha agora a urgência de «desestalinizar» o país como medida indispensável para que seja possível construir «um futuro normal».
Entretanto, o Partido Comunista da Rússia tinha pedido que, a propósito da efeméride, não manchassem a memória do ditador: «Quisiéramos que ese día cesen las discusiones acerca de ciertos errores de la época estalinista, para que la gente reflexione sobre la figura de Stalin como creador, pensador y patriota.»
Certos erros? Mas onde é que eu já ouvi isto???
20.12.09
Glórias passadas

Gago Coutinho e Sacadura Cabral iniciaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul em 30 de Março de 1922 e chegaram a Fernando Noronha, depois de várias etapas e muitas aventuras. No dia 11 de Maio , data deste exemplar de O Século, descolaram daquela ilha - e muitas outras peripécias se seguiram.
O Editorial do jornal e uma série de textos que preenchem a primeira página são absolutamente extraordinários, tanto quanto a forma como quanto a conteúdo - grandiloquência em todo o seu esplendor! Uma pequena amostra:
«Estua mais forte o sangue nos corações lusíadas. Uma aura emocional desprende-se das almas e flutua e adeja e liberta-se para o Alto, em ânsia e em êxtase.
Hora santificada esta. Hora terníssima e religiosa, em que o espírito da Raça ampara e impele as suas polarizações mais belas para um infinito de glória. (…)
De novo a mais bela aventura da nossa Raça, para uma das maiores de todas as idades, a águia lusitana se libra, fitando o Sol, desafiando os elementos, orgulhosamente, dominadoramente. (…)
E uma saudade há-de cair dolente sobre a pedra tumular dessa «Lusitânia» de Sonho. Rico sarcófago para uma ânsia de infinito – o Oceano! Digna lágea sepulcral essa dos Rochedos – que desafiam os séculos – para um Sonho grande – que assombrou o mundo!»
Tudo isto porque encontrei hoje cá em casa este jornal - eu que, ao contrário do dr. Paulo Portas, nem sou sobrinha de nenhum dos dois navegadores. Era Primavera em Lisboa e o jornal publicou nesse dia esta fotografia com a seguinte legenda:
«Gentis passeantes, que o Sol de ontem atraiu a passeio, recolhendo apressadas, por se aproximar a noite».
A gentil passante do meio era a minha mãe.
O Editorial do jornal e uma série de textos que preenchem a primeira página são absolutamente extraordinários, tanto quanto a forma como quanto a conteúdo - grandiloquência em todo o seu esplendor! Uma pequena amostra:
«Estua mais forte o sangue nos corações lusíadas. Uma aura emocional desprende-se das almas e flutua e adeja e liberta-se para o Alto, em ânsia e em êxtase.
Hora santificada esta. Hora terníssima e religiosa, em que o espírito da Raça ampara e impele as suas polarizações mais belas para um infinito de glória. (…)
De novo a mais bela aventura da nossa Raça, para uma das maiores de todas as idades, a águia lusitana se libra, fitando o Sol, desafiando os elementos, orgulhosamente, dominadoramente. (…)
E uma saudade há-de cair dolente sobre a pedra tumular dessa «Lusitânia» de Sonho. Rico sarcófago para uma ânsia de infinito – o Oceano! Digna lágea sepulcral essa dos Rochedos – que desafiam os séculos – para um Sonho grande – que assombrou o mundo!»
Tudo isto porque encontrei hoje cá em casa este jornal - eu que, ao contrário do dr. Paulo Portas, nem sou sobrinha de nenhum dos dois navegadores. Era Primavera em Lisboa e o jornal publicou nesse dia esta fotografia com a seguinte legenda:«Gentis passeantes, que o Sol de ontem atraiu a passeio, recolhendo apressadas, por se aproximar a noite».
A gentil passante do meio era a minha mãe.
Diálogo previsível

Na caixa de um supermercado, algures nas redondezas:
- Então, felicidades!
- Obrigada, Bom Natal também para si.
- Não: para hoje.
- ?
- Contra o Porto!!!
- Então, felicidades!
- Obrigada, Bom Natal também para si.
- Não: para hoje.
- ?
- Contra o Porto!!!
Espantar e divertir a populaça
«O senhor de Paredes que resolveu gastar um milhão de euros numa placa inútil e horrível com a bandeira da República é um caso único ou é, para nossa desgraça, um caso típico? A disputa sobre o Red Bull infelizmente indica, que é um caso típico. As Câmaras estão hoje misteriosamente persuadidas de que lhes compete espantar e divertir a populaça: com "acrobacia aérea" ou o Rock in Rio, com festas, com feiras, com o que for. Pior ainda: pensam que só por si a publicidade (qualquer publicidade) do seu canto do mundo o beneficia. A ignorância e a grosseria tomaram pouco a pouco conta do país. Não temos, de facto, emenda.»
Vasco Pulido Valente, no Público de hoje.
Derivas libertárias

Registe-se que a hierarquia da igreja portuguesa já veio dizer que não entrará em guerra aberta com o governo nem com a Assembleia da República por causa do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Aliás, dado o passado recente e a brandura dos nossos costumes, imagina-se mal o cardeal de Lisboa, ou mesmo o arcebispo de Braga, a convocarem multidões gigantescas como Rouco e os seus irmãos, em Madrid.
Mas isto não significa que a dita hierarquia esteja parada e a recente atribuição do Prémio Pessoa ao bispo do Porto não podia ter vindo em melhor data – disse-o e repito. Fomos hoje brindados, no Expresso, com uma longa entrevista em papel e um bónus extra online.
Que Manuel Clemente se declare contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo por «fidelidade» aos seus superiores seria de esperar, o modo como o faz revela bem que é do seu próprio posicionamento pessoal que se trata. Diz aliás (na entrevista em papel) que, embora sendo cristão, aborda a problemática do casamento «numa perspectiva humana», que implica «a complementaridade masculino e feminino, bem como a possibilidade e a previsão da geração e da educação da prole». E com a consequente incapacidade de transmissão de alguns valores num hipotético casal homossexual, porque «a psicologia diz que a primeira consciência que temos da nossa limitação é verificarmos que o pai e a mãe não são iguais». Limitação??? Como se não houvesses, logo à nascença e ao longo de toda a vida, «limitações» e diferenças bem mais graves entre ricos e pobres, saudáveis e estropiados e por aí fora. Adiante.
Mas é no complemento da entrevista no Expresso online que se encontram as afirmações mais estranhas, que já referi ontem. Para o novo Prémio Pessoa, legalizar o casamento de homossexuais é «tornar formal este campo contra natural». Pergunta também até onde se pode impor o reconhecimento público de uma «preferência ocasional», de um «desejo esporádico ou episódico».
É isso a homossexualidade para Manuel Clemente: algo contra-natura, um acidente de percurso – só falta dizer «que se pode tratar»! Registe-se.
Quanto ao resto da entrevista, nem vale a pena comentar a mentalidade revelada numa série de banalidades em que, por exemplo, se condena a «deriva libertária» em que as sociedades ocidentais vivem desde o fim da II Guerra Mundial...
Ler para crer – e para «agradecer», uma vez mais, ao júri do Prémio Pessoa.
P.S. – Este texto saiu muito mais brando do que eu esperava. É que ontem, pelas três da manhã, estava indignada. Agora, já nem isso.
Mas isto não significa que a dita hierarquia esteja parada e a recente atribuição do Prémio Pessoa ao bispo do Porto não podia ter vindo em melhor data – disse-o e repito. Fomos hoje brindados, no Expresso, com uma longa entrevista em papel e um bónus extra online.
Que Manuel Clemente se declare contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo por «fidelidade» aos seus superiores seria de esperar, o modo como o faz revela bem que é do seu próprio posicionamento pessoal que se trata. Diz aliás (na entrevista em papel) que, embora sendo cristão, aborda a problemática do casamento «numa perspectiva humana», que implica «a complementaridade masculino e feminino, bem como a possibilidade e a previsão da geração e da educação da prole». E com a consequente incapacidade de transmissão de alguns valores num hipotético casal homossexual, porque «a psicologia diz que a primeira consciência que temos da nossa limitação é verificarmos que o pai e a mãe não são iguais». Limitação??? Como se não houvesses, logo à nascença e ao longo de toda a vida, «limitações» e diferenças bem mais graves entre ricos e pobres, saudáveis e estropiados e por aí fora. Adiante.
Mas é no complemento da entrevista no Expresso online que se encontram as afirmações mais estranhas, que já referi ontem. Para o novo Prémio Pessoa, legalizar o casamento de homossexuais é «tornar formal este campo contra natural». Pergunta também até onde se pode impor o reconhecimento público de uma «preferência ocasional», de um «desejo esporádico ou episódico».
É isso a homossexualidade para Manuel Clemente: algo contra-natura, um acidente de percurso – só falta dizer «que se pode tratar»! Registe-se.
Quanto ao resto da entrevista, nem vale a pena comentar a mentalidade revelada numa série de banalidades em que, por exemplo, se condena a «deriva libertária» em que as sociedades ocidentais vivem desde o fim da II Guerra Mundial...
Ler para crer – e para «agradecer», uma vez mais, ao júri do Prémio Pessoa.
P.S. – Este texto saiu muito mais brando do que eu esperava. É que ontem, pelas três da manhã, estava indignada. Agora, já nem isso.
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