5.8.11

Ai vamos, vamos…

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Com dedicatória ao XIX Governo Constitucional e também àquele senhor que pôs os empregados a trabalhar no passado dia 1 de Maio.


E / Mas:


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De caridade em caridade...


Se esta notícia é verdadeira, o próximo anúncio do governo será o regresso da roda.

(Imagem: Roda na Basílica da Estrela, em Lisboa.)
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Um castelo medieval?


Os líderes políticos agitam-se como moscas tontas, os PIIGS reproduzem-se como cogumelos (os casais europeus nem por isso…), a extrema-direita vai de vento em pompa e odeia emigrantes, os africanos morrem pelo Mediterrâneo sem conseguirem chegar a Lampedusa, ou são violentamente reprimidos em Bari, e, cereja em cima do bolo, a Grécia constrói agora um fosso para se defender da entrada de turcos – simbolicamente, numa das últimas fronteiras terrestres europeias.

Queixas das organizações de defesa dos direitos humanos e da ACNUR? Who cares?

A Europa «como se fosse um castelo medieval cercado por bárbaros» - uma bela e terrível imagem.
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4.8.11

À procura do socialismo


Não conhecia este documentário de Alípio de Freitas e Mário Lindolfo, que a RTP iniciou em 1975 e só terminou em 1994. Muito bom e absolutamente original. De Antero de Quental ao PREC e a tudo o que se seguiu.

Merece os 51 minutos que são necessários para o ver. Se não o fizer agora, pode regressar mais tarde... Mas, se puder, avance com o ponteiro e veja os últimos minutos (a partir de 44:40).

Custa a crer que estejamos hoje no mesmo país – entristecido, desistente e aparentemente conformado.


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Efemérides? É comigo


Sabe-se lá como seríamos se não tivéssemos perdido Alcácer-Quibir, em 4 de Agosto de 1578… Sem sebastianismo, nós? Não estou a ver... Mas talvez não «tivéssemos» votado maioritariamente na troika / FMI, lá isso é verdade.


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Chantagem em Washington


Não será a maneira mais simpática de festejar o 50º aniversário de Obama, mas aconselho a leitura deste artigo de Serge Halimi no último número de Le Monde Diplomatique (versão portuguesa).

A disputa sobre a redução da dívida norte-americana que opõe o presidente Barack Obama e a maioria republicana no Congresso esconde o essencial: cedendo à chantagem dos adversários, Obama aceitou logo à partida que mais de três quartos do esforço orçamental dos próximos dez anos, ou seja, 3 biliões de dólares, sejam provenientes de cortes nos orçamentos sociais. A direita americana podia ter ficado satisfeita com a vitória, mas quer sempre mais. Mesmo que a sua intransigência possa prejudicar-lhe a popularidade.

Em Dezembro de 2010, cedendo uma primeira vez à pressão da direita, o presidente dos Estados Unidos prolongou por dois anos as muito desiguais diminuições de impostos decididas pelo anterior presidente, George W. Bush. Quatro meses mais tarde, falando desta vez como Ronald Reagan, Obama congratulou-se com a «mais importante redução anual das despesas da nossa história». A seguir deu início aos ciclos de negociações com os parlamentares republicanos, anunciando o seguinte: «Estou preparado para ser repreendido pelo meu partido se for para ter resultados». Resultado: novos recuos na Casa Branca…

A direita opõe-se a qualquer redução do endividamento que passe por um aumento de impostos. Esta condição prévia pode parecer estranha num país em que a avalancha de privilégios fiscais concedidos aos mais ricos gerou o mais baixo nível global de contribuição fiscal dos últimos cinquenta anos. Mas o que os republicanos na realidade querem, além de um endividamento que só se foque nas despesas, é «emagrecer o monstro» − isto é, para retomar a expressão de um dos seus estrategos, querem «reduzir a dimensão do Estado para a seguir ele poder ser afogado na banheira».

Ora, como explicar o recente disparo da dívida pública americana? Em primeiro lugar, pela crise económica, em grande medida provocada pela desregulação financeira das últimas décadas. Em seguida, pelo prolongamento regular das diminuições provisórias de impostos aprovadas em 2001 (ficando por recolher 2 biliões de dólares). Por fim, pelas guerras do pós-11 de Setembro no Afeganistão e no Iraque (1,3 biliões de dólares). O partido de Reagan e de Bush quer agora resolver o problema do endividamento protegendo ao mesmo tempo os mais ricos, a que chama os «criadores de empregos», e o orçamento do Pentágono, que em dez anos aumentou, em termos reais, 67%.

No passado dia 5 de Abril, Paul Ryan, presidente da Comissão Orçamental da Câmara dos Representantes, apresentou aliás de forma detalhada os projectos dos republicanos para as próximas décadas. O seu plano prevê que as despesas públicas, que actualmente representam 24% do produto interno bruto (PIB), não representem mais do que 14,75% do PIB em 2050, passando a taxa máxima de contribuição de 35% para 25% (o nível mais baixo desde 1931). Todos os nichos fiscais dos privilegiados serão preservados, mas serão congelados os reembolsos com despesas de saúde destinados aos idosos e aos pobres.

Se Obama continuar a fugir a este combate, as funções sociais do Estado americano podem muito em breve assemelhar-se ao cadáver na banheira.

terça-feira 2 de Agosto de 2011
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O papa a ajudar as nossas exportações


Quando o papa estiver em Madrid, de 16 a 21 deste mês, serão distribuídos 7.000 rolos de papel higiénico – com as cores do Vaticano, evidentemente. Para o uso a que normalmente é destinado? Não: para engalanar a cidade e alegrar Bento 16.

Mas também pode ser comprado e «tiene tres capas, aroma y está testado dermatológicamente, por lo que también se puede utilizar para fines menos celebratorios».

It loves papa e é de marca portuguesa. Contente, Álvaro?

(Daqui)
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3.8.11

Persopolis (2)

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Dantes era assim (10)

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(Jacques Prévert lê Itinéraire e responde a perguntas de Roger Stéphane.)

E o tabaco ainda «não matava».
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Álvaro:


Há velhinhos que não gostam de andar de avião, mas que são modernaços!
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Samudaripen – o massacre dos ciganos


Contributo de Jorge Pires da Conceição.

Thorbjørn Jagland, Secretário Geral do Conselho da Europa, fez ontem um apelo aos Europeus para honrarem a memória dos ciganos mortos pelo regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial, comprometendo-se a construir um futuro melhor para as gerações vindouras.

Este apelo surgiu na véspera de uma data fatídica para o Povo Cigano (os Roms ou Roma, de Romani), a noite de 2 para 3 de Agosto de 1944, em que muitos milhares ou dezenas de milhar de ciganos foram massacrados no Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau.

Calcula-se que, entre 1939 e 1945, mais de 500.000 ciganos tenham sido mortos pela Alemanha e seus aliados. Há estimativas que apontam para cerca de 680.000 mortos. Havendo mesmo quem quantifique em 1.500.000, embora tal número possa ser excessivo, atendendo a que outra estimativa indicava que a população Rom antes da II Guerra deveria rondar um milhão de pessoas. De qualquer modo são números que caracterizam tal mortandade como um Genocídio - o Samudaripen (ou Pharrajimos, ou Porajmos ou Porrajmos), palavra(s) usada(s) para mencionar o genocídio dos ciganos à mão do regime nazi.

Genocídio que em nada difere daquele que os nazis efectuaram sobre o povo judaico, como se pode constatar por algumas declarações:

Commander of Einsatzgruppe D, Otto Ohlendorf said at the Nuremberg trials : " There was no difference between the Gypsies and the Jews. At that time, the same order applied for Both. "

“It was the wish of the all-powerful Reichsfhhrer Adolf Hitler to have the Gypsies disappear from the face of the earth” (SS Officer Percy Broad, Auschwitz Political Division).

“The motives invoked to justify the death of the Gypsies were the same as those ordering the murder of the Jews, and the methods employed for the one were identical with those employed for the other” (Miriam Novitch, Ghetto Fighters’ House, Israel).

“The genocide of the Sinti and Roma was carried out from the same motive of racial mania, with the same premeditation, with the same wish for the systematic and total extermination as the genocide of the Jews. Complete families from the very young to the very old were systematically murdered within the entire sphere of influence of the National Socialists” (Roman Herzog, Federal President of Germany, 16 March 1997).

A repressão sobre os ciganos, porém, não acabou com o fim da Guerra. Em França, os ciganos (que nunca chegaram a ser deportados daqui) continuaram internados até 1946 em campos de reeducação (para serem “socializados” e “sedentarizados”…). Na Alemanha, mantiveram-se todas as medidas que haviam sido tomadas contra eles antes de 1943 e só em 1982 o chanceler alemão Helmut Köhl reconheceu formalmente o genocídio dos Ciganos.

Por isso Thorbjørn Jagland, no seu apelo a todos os Europeus, além de repetir a conhecida frase «Para que nunca mais!», exorta-nos com estas palavras: «Nós devemos criar medidas legislativas para lutar contra a discriminação e promover a integração dos Roms na Sociedade. Conhecer melhor a cultura e a história deste povo, e particularmente os aspectos mais sombrios da perseguição aos Roms, ajuda a criar uma oposição aos preconceitos e à intolerância. O Conselho da Europa quer preservar a memória pelo ensino do Samudaripen nas escolas, paralelamente com outros esforços de promoção da tolerância e da imparcialidade para com os Roms, em todos os países."

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2.8.11

Solidariedade com a Noruega


Acaba de ser lançada uma petição de solidariedade com as vítimas dos atentados na Noruega, promovida por várias organizações (lista no fim do texto), que está disponível AQUI para recolha de assinaturas individuais.

Será dado conhecimento da iniciativa a várias organizações sociais norueguesas.

Acompanhámos, num misto de choque, fúria e profunda tristeza, o horror que aconteceu em Oslo e Utoya no dia 22 de Julho. Antes de mais, pensamos, obviamente, nas vítimas, famílias, amigos e camaradas. Aceitem as nossas mais sentidas condolências e solidariedade.

Enquanto activistas de diferentes movimentos sociais e políticos portugueses, estendemos as nossas condolências à Liga dos Jovens Trabalhistas e também ao povo norueguês. E ainda a todos aqueles que, como nós, na Europa e no resto do mundo, compreendem a ameaça representada por ideologias racistas, xenófobas e fascistas, sobretudo quando encontram eco nos discursos e crenças políticas que nos entram pelas casas dentro todos os dias.

Quando se vota no ódio e na exclusão, quando líderes políticos põem em causa os valores do multiculturalismo, quando as minorias são transformadas em bodes expiatórios para os erros de sistemas políticos que promovem a exclusão e a discriminação, o ódio passa a ser aceite na política. E as armas precisarão sempre do ódio como munição.

Podia ter sido qualquer um de nós. Por isso, a maior homenagem que podemos prestar a todos os que morreram, ficaram feridos ou perderam entes queridos é o nosso compromisso com a luta pelo respeito, diversidade, justiça e paz e por uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva. Responderemos com mais democracia.

Artigo 21.º * Associação 25 de Abril * Associação Abril * Associação República e Laicidade * ATTAC Portugal * Bloco de Esquerda * Convergência e Alternativa * Crioulidades - Arte e Cultura na Diáspora * Fartos/as d'Estes Recibos Verdes * M12M * Movimento Escola Pública * Não Apaguem a Memória * Opus Gay * Panteras Rosa * PES Portugal * Portugal Uncut * Precários Inflexíveis * Rainbow Rose Portugal * Renovação Comunista * Sindicato dos Professores da Grande Lisboa * União de Mulheres Alternativa e Resistência * Vidas Alternativas

P.S. – Peço aos bloggers que por aqui passarem que ajudem a divulgar esta iniciativa nos seus blogues.

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