25.5.12

Isto vem de muito longe…



A ler: um artigo muito esclarecedor, publicado hoje no jornal «i» -  Poder político. A pressionar jornalistas desde 1974.
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Manifesto de apoio ao Syriza



Foi hoje lançado em Portugal, inicialmente por mais de 250 pessoas mas já com outras adesões, mais um manifesto de solidariedade com o povo grego, neste caso de apoio claro e explícito ao Syriza. Quando as sondagens indicam que esta coligação (agora em fase de transformação em partido) pode vencer as eleições do próximo dia 17 de Junho, não devem existir neutralidades nem falas mansas. É tempo de mostrar which side you are.  


Nas eleições do início de Maio, o povo grego rejeitou a política da troika. Desde então, o governo da Alemanha, a Comissão Europeia e o FMI ameaçam a Grécia com a expulsão do euro ou da União. Esta chantagem procura evitar que, no próximo 17 de Junho, vença um governo da esquerda contra a troika. 

A vitória de um governo unitário de esquerda é decisiva para a Grécia, mas abre também caminhos para rejeitar o dogma da austeridade e a tirania da dívida na Europa. 

Apelamos à solidariedade internacional com a democracia na Grécia. Apoiamos a coligação Syriza na luta por um governo que enfrente a catástrofe social e a bancarrota. 

Apoiamos a esquerda grega contra a troika porque também é necessário que a esquerda portuguesa construa caminhos de coerência e alternativas corajosas, fale sem meias palavras e conquiste a maioria.» 


O manifesto pode ser assinado AQUI. 

 No site onde o texto está alojado, há também informação sobre Sondagens (saiu entretanto uma outra em que o Syriza é dado como vencedor, com 30% dos votos), sobre o próprio Syriza, uma Entrevista a Alexis Tsipras e uma carta deste a Durão Barroso. 
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À Espera de Gustavo



Um texto de Rita Veloso.

Ana Maria estava nervosa. Era dia de o Aurélio voltar para casa e ela aguardava o seu telefonema para lhe dar sinal de que a zona estava segura. Desta vez, não era necessário pendurar panos na janela ou ir marcar árvores pré-estabelecidas. Bastava ele telefonar e ela dir-lhe-ia que o Gustavo viria jantar. Não sei se o jantar da senha tinha data prevista, se bastava isto:

— «O Gustavo vem cá jantar.»

Ana Maria e Aurélio Teixeira de Barros eram os nomes que constavam nos seus BI falsos. Era fácil, na altura, conseguir um BI com uma identidade nova. À volta do Arquivo de Identificação havia sempre gente a quem se podia pagar (dois contos, seria?) para servirem de testemunhas. Bastavam duas pessoas que garantissem que nos chamávamos assim, que tínhamos nascido ali, naquele dia e daqueles pais, que morávamos acolá, que éramos casados. Ana Maria Teixeira de Barros. Muitos anos mais tarde, já depois do 25 de Abril, ainda o meu pai lhe chamava Ana Maria. Dos vários nomes que teve, este foi o que se aguentou mais tempo. Às vezes ouvíamo-lo começar, numa ponta da casa: «Ó, ó, ó...» O hábito era mais forte. Já nem ligávamos, todas sabíamos que era por ela que ele chamava. «Ó...» Ainda hoje, se oiço alguém gritar «Ó...», olho em volta à procura dela. A minha mãe só soube o verdadeiro nome dele em 1969, com a emersão forçada da clandestinidade. Conheceram-se sete anos antes. A casa dela e do marido era uma das muitas casas de apoio do Partido. Deram-lhe guarida. Pouco tempo depois, ela divorciou-se e mergulhou na clandestinidade com aquele homem de quem nem o nome sabia.

— «Tu nasceste na clandestinidade» — explicava-me, quando me contava a minha pré-história, cheia de mudanças de casa, fugas, algumas perseguições. Aos oito anos, fiz uma troca com uma colega da primária: ela ensinava-me o que era uma prostituta, eu ensinava-lhe o que era a clandestinidade. Imensamente esclarecida, fiquei a saber que uma prostituta era uma mulher que se vendia por dinheiro. O que vendia e se haveria outras formas de pagamento, não percebi. A minha colega não ficou melhor. A clandestinidade era o prédio (secreto) onde viviam os comunistas. Tirando aquele complemento circunstancial de lugar — «tu nasceste na clandestinidade» —, nada explica a minha definição. Vivíamos no isolamento quase total, num universo de quatro, como nos desenhos infantis, mamã, papá, eu e a mana, com raríssimas incursões às casas dos vizinhos que partilhavam o famigerado prédio (raríssimas e às escondidas do meu pai, claro está, senão lá teríamos de nos mudar outra vez).

Apaixonaram-se sem ela saber o nome dele nem qualquer pormenor da sua vida que não o ser um clandestino comunista, grande, bruto, mordaz e inteligente, que gostava de Pessoa, e com um olhar incisivo que mostrava que já tinha percebido o que estávamos a sentir ou a pensar, ainda antes de nós nos apercebermos de que sentíamos ou pensávamos fosse o que fosse. Bastou. Quando estava grávida, ele sugeria-lhe nomes para os filhos. Muitas vezes desconfiou de que ele ia buscar aqueles nomes horríveis à família e que pelo meio estaria o dele. É bem possível.

Ficava sempre nervosa nos dias de regresso do Aurélio. Apurava o ouvido, a tentar detectar a motorizada, qualquer barulho inesperado a deixava alerta. Podia vir ele, podia vir a PIDE. Não que achasse que ele vergasse na tortura, mas não era só dele que dependiam... O Verdial tinha sido preso havia uns tempos e uma das casas que denunciou foi a deles. Por sorte, tinham-se mudado uns dias antes, pela simples coincidência de ela se ter cruzado na rua com um antigo controleiro, o que quebrava a segurança da casa. Daquela vez, antes da motorizada tinha de vir o telefonema. E já tardava. Não sabia o que fazer às mãos, tudo lhe caía. Manteve a rotina com as miúdas, refeições, banhos, brincadeiras. Uma com cinco anos, outra com dois e meio, não podia sequer desabafar. Ligou a televisão para se distrair.

Era já de noite e as miúdas dormiam; entretinha-se com uma qualquer tarefa doméstica, quando, numa peça de teatro que passava na televisão, ouviu:

— «O Gustavo não vem.»

Não teve dúvidas sequer. Não era mais supersticiosa do que qualquer um, mas nesse momento soube. Soube que tinha de sair dali e de nos pôr em segurança. No dia seguinte, livrou-se do que pudesse ser comprometedor, emalou o essencial e fomos procurar refúgio na quinta de uns amigos, nos arredores de Lisboa. A mala incluía apenas duas ou três recordações de sete anos em comum: alguns livros do Pessoa e o «Aureliano», do Aragon, onde eu imagino que o meu pai se tenha inspirado para escolher o seu nome falso. Enquanto entrouxou sete anos e nas longas semanas que se seguiram, ouvia permanentemente o Bécaud a cantar-lhe ao ouvido.

«Et maintenant que vais-je faire 
De tout ce temps que sera ma vie 
De tous ces gens qui m'indiffèrent 
Maintenant que tu es partie»

A história deste dia na vida da minha mãe, ouvi dezenas de vezes, a propósito disto ou daquilo. O meu pai nunca nos contou como foi o dia dele. Soube (pela minha mãe? Por amigos dele? Por ele, a contar a amigos? Não sei dizer) que foi preso numa reunião do C.C., juntamente com os «comparsas», e que adormecera pouco depois de chegar à prisão, para frustração da PIDE, amesquinhado que ficou o terror da tortura para que já esfregava as mãos. Um dia encontrei este relato, numa carta escrita em Peniche, no dia em que fez dois anos que foi preso. Infelizmente, o pragmatismo da minha mãe levou-o a reescrever uma carta inicial, sintetizando o dia em sete linhas. A original, mais desenvolvida, deve ter ido parar à lixeira da prisão. Mesmo assim, a sua personalidade analítica e a sua escrita irónica constroem um testemunho que vale a pena. Pelo menos para mim.

«Esta é uma segunda carta. A primeira tenho-a para ali. (...) Já não sei bem como — e não gosto de reler-me — encontrei-me a descrever-te as primeiras horas da manhã deste dia 25 de Maio, mas em 1969; de como as coisas se foram reflectindo na minha cabeça, com uma lucidez, uma calma e também uma coragem de que no próprio momento se vai tendo consciência e espanta; de como as coisas se sucederam, levemente teatrais, às vezes sarcásticas, às vezes violentas, um pouco ridículas como todas estas coisas são, sempre muito tensas, até que – na posição mais incómoda, com espanto geral de todos os comparsas, no auge da tragédia (1.º acto) – adormeci profundamente como um justo. Depois tombara na indesculpável patetice de te contar um pouco destes 730 dias... Reli-me. Ouvi-te a falar-me de retórica, dos disfarces, da autenticidade. Finquei o olhar neste espaço fechado que me cerca e fui concluindo que era forçoso dar-te razão, que nada daquilo te poderia interessar senão muito literariamente (coisa que não sou) e que se impunha para nós ambos escrever-te uma outra carta. É esta.»


(Imagem daqui.)
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24.5.12

A crise da democracia europeia



Grande texto de Amartya Sem no New York Times.

«If proof were needed of the maxim that the road to hell is paved with good intentions, the economic crisis in Europe provides it. The worthy but narrow intentions of the European Union’s policy makers have been inadequate for a sound European economy and have produced instead a world of misery, chaos and confusion. (…) 

An intention that is fine on its own can conflict with a more urgent priority — in this case, the preservation of a democratic Europe that is concerned about societal well-being. (…) 

There is, in fact, plenty of historical evidence that the most effective way to cut deficits is to combine deficit reduction with rapid economic growth, which generates more revenue. The huge deficits after World War II largely disappeared with fast economic growth, and something similar happened during Bill Clinton’s presidency. (…) European countries today are being asked to cut their deficits while remaining trapped in zero or negative economic growth. (…) 

Perhaps the most troubling aspect of Europe’s current malaise is the replacement of democratic commitments by financial dictates (…) 

Europe cannot revive itself without addressing two areas of political legitimacy. First, Europe cannot hand itself over to the unilateral views — or good intentions — of experts without public reasoning and informed consent of its citizens. Given the transparent disdain for the public, it is no surprise that in election after election the public has shown its dissatisfaction by voting out incumbents. 

Second, both democracy and the chance of creating good policy are undermined when ineffective and blatantly unjust policies are dictated by leaders. The obvious failure of the austerity mandates imposed so far has undermined not only public participation — a value in itself — but also the possibility of arriving at a sensible, and sensibly timed, solution. 
 
This is a surely a far cry from the “united democratic Europe” that the pioneers of European unity sought.» 

Na íntegra aqui.
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Satisfação para mentes razoáveis e ajuizadas




Daniel Cohn-Bendit contra o Syriza grego…

Já não pede o impossível, já se foi la plage sous les pavés:  restarão talvez umas ervinhas, verdes como ele – poucas, cada vez menos…

(Vídeo via Luís Branco no Facebook)
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Na Grécia, o povo é quem mais ordena



Carta aberta aos Presidentes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional
 
Nas eleições de 6 de Maio o povo grego exprimiu democraticamente a sua vontade, manifestando a sua oposição às condições impostas pelo programa de assistência financeira. Essas condições lançaram os gregos no desespero e na miséria. Pela sua brutalidade, as medidas do programa estão a dilacerar a sociedade grega, provocando rupturas incompatíveis com uma recuperação social e económica que salvaguardem padrões de vida aceitáveis para a dignidade de todo o povo. 

Goradas as negociações para a constituição de um governo, os gregos vão regressar às urnas no próximo dia 17 de Junho. Trata-se de uma decisão enquadrada nas regras democráticas daquele país. Porém, está a assistir-se da parte dos mais altos representantes das instâncias internacionais a declarações que em nada facilitam uma solução ajustada à situação que se vive naquele país. Pelo contrário, as tomadas de posição já conhecidas vão no sentido de influenciar e condicionar a liberdade de escolha e decisão dos gregos, ao colocar na agenda política, ao arrepio dos tratados europeus, a sua saída da zona euro com todas as consequências daí decorrentes. 

Por outro lado, no mesmo sentido da consulta eleitoral na Grécia, os resultados das consultas eleitorais realizadas recentemente em França, na Alemanha, em Itália e no Reino Unido deram um sinal inequívoco de que também naqueles países as populações estão a rejeitar as medidas de austeridade que lhes querem impor em nome de um ajustamento orçamental cujos exemplos já conhecidos em nada estão a contribuir para melhorar as economias, nem sequer se revelam úteis para atingir o apregoado objectivo de resolver o problema das suas dívidas públicas. 

Por estas razões, os signatários desta carta aberta entendem que nas actuais circunstâncias se deve expressar todo o apoio e solidariedade ao povo grego, exigindo o cancelamento das medidas de austeridade que lhe foram impostas. Entendem também que os governos europeus não devem poupar esforços junto da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu para serem encontradas soluções que aliviem a tensão vivida em toda a Europa. Exigem, finalmente, que sejam respeitados os resultados das eleições de 17 de Junho enquanto escolha democrática do povo grego. 

Lisboa, 23 de Maio de 2012

ASSINAR AQUI.
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Jantar europeu sobre a Grécia



Portem-se bem, levem o casaco porque está frio, não voltem tarde se querem a semanada? É mais ou menos isto, não é?

P.S. – EU Leaders Send Greek PM Home with A Pat on the Shoulder…
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23.5.12

Bonnie & Clyde



Bonnie Parker e Clyde Barrow morreram em 23 de Maio de 1934. Ela tinha apenas 23 anos, ele 25, mas, apesar de curtas, as suas vidas foram atribuladíssimas, recheadas de assaltos e assassinatos, até que eles próprios foram abatidos numa emboscada, numa estrada deserta, algures no estado da Louisiana – cravados de balas, cerca de cinquenta para cada um, segundo consta. 



Ficaram imortalizados no imaginário da história do crime norte-americano como Bonnie & Clyde e foram trazidos para o nosso por um magnífico filme de Arthur Penn (1967), com «som» de Serge Gainsbourg, e, também, por uma inesquecível balada cantada por Giorgie Fame. 




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Ao centro, volver




«Neste momento, o país não permite mais adiamentos e é preciso tomar decisões." – afirma, tonitruante, o líder parlamentar do Partido Socialista. Eis então a decisão decidida: recomendar ao governo que, se for possível, apresente aos outros governos da UE a proposta de virem a pensar na eventualidade de aprovarem uma adenda ao tratado que impõe a austeridade como política oficial, de modo a que a austeridade se mantenha como regra primeira e clara mas se possa talvez pensar em algumas medidas para a temperar aqui e além com uns pozinhos de crescimento. A direita, claro, acha bem uma tão decidida decisão. Agora é que o coiso se vai resolver! » 
José Manuel Pureza, hoje, no Facebook. 

E eu assino por baixo.
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Imagens da crise


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Sem pressa, nem medo



O último «Prós e Contras», com o apelativo título «Vozes Independentes», foi uma amálgama de grupos e de organizações que falaram em paralelo, sem hipótese de verdadeiro diálogo ou confronto, a tal ponto os objectivos que se propõem são radicalmente diferentes. Mas adiante porque não é isso que aqui me traz. 

No excerto mostrado no vídeo, e embora as declarações do Tiago Castelhano sejam importantes, o que me interessa é realçar a curta intervenção de António Dores – um «perigoso» investigador do ISCTE, que conheço, nem jovem, nem mal cheiroso, sem rastas nem tatuagens visíveis (a partir do minuto 3:18). 



Quem quiser perceber um pouco o fenómeno dos chamados « movimentos sociais» terá vantagem em ouvi-lo – concorde ou não. 
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Enquanto a ERC vai e vem



… folgam muitas costas. E, oxalá me engane, continuarão a folgar porque suspeito, desde a primeira hora, que nada será dado como provado. Mas repito: talvez…, quem sabe…, por uma vez…, já que a esperança é a última a morrer mesmo quando a fé vacila. 

Convém no entanto manter a chama viva sobre o caso Relvas, antes que outros acontecimentos mais ou menos picantes o arrumem numa prateleira. 

José Vítor Malheiros, no Público de ontem (sem link, mas já divulgado aqui.) 

«Não se trata de surpresa pelas acusações mas de surpresa (e de tristeza) pela ausência de surpresa. Ausência de surpresa no meio político, no meio jornalístico e até ausência de surpresa nos cafés e na rua. Que estas acusações apenas tenham conseguido suscitar vagos comentários dubitativos por parte de correligionários de Miguel Relvas, que sabemos obrigados por razões de lealdade partidária, diz muito sobre a estatura moral das pessoas a quem se confiou o Governo deste país. Mais: se alguém tivesse feito um inflamado discurso de defesa de Miguel Relvas - que outras personalidades, se tivessem sido acusadas da mesma coisa, poderiam ter suscitado - penso que o resultado seria, igualmente, uma sonora gargalhada do Minho aos Açores. (…) 

A minha segunda tristeza diz respeito à “comunicação” feita por Relvas à Entidade Reguladora da Comunicação, que já anunciou a sua intenção de proceder a uma averiguação. Imagine mais uma vez, caro leitor, que ainda está na pele de Relvas e que - faça um esforço - não cometeu nenhum dos actos de que os jornalistas deste jornal o acusam. Qual é o seu primeiro gesto de defesa? Queixar-se à ERC de que uma jornalista do Público faz “jornalismo interpretativo”? Calar-se perante as câmaras de TV? Não explicar sequer por que razão pediu desculpa à direcção do Público? Ou quereria explicar preto no branco cada um dos seus gestos, cada uma das suas palavras e indignar-se pela descabida acusação? Não quereria que fossem investigadas as críticas que lhe fazem? Não quereria contrapor a sua verdade à versão de quem o acusa? Pareceria normal, não é? Em teoria, Relvas pode estar inocente daquilo de que o acusam. Mas a sua atitude não reforça essa convicção. » 


E já que, antes da esperança, a penúltima coisa a morrer deve ser o sentido de humor, Manuel António Pina, ontem, no JN: 

«Um jornalista com vida privada está sempre exposto a que um político, designadamente um governante, o ameace de a revelar publicamente. Eu, por exemplo, deixaria de escrever a maior parte destas crónicas se um governante me ameaçasse que, caso continuasse a fazê-lo, revelaria publicamente que ando com buracos nas meias, coisa que hoje já todo o Governo deve saber pois falei disso ao telemóvel com a minha empregada e o SIS está, como se sabe, na dependência directa do primeiro-ministro.» 

Assim vamos…
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