1.10.12

Última hora – União das esquerdas



Perante a notícia de uma iniciativa conjunta de PCP e BE, a ser anunciada esta tarde, António José Seguro acaba de recordar que é o líder do maior partido de esquerda e convoca uma conferência de imprensa, a três, para esta noite. A expectativa é grande, mas parece que «já está» – desta é que é! 

Também tenho direito à minha Imprensa Falsa, não? É que começa a irritar-me muito ver tantas reacções ao anúncio de ontem, nas quais, velada ou explicitamente, se recorda que há mais esquerda para além de comunistas e bloquistas, como se estes tivessem culpa de que outros recusem juntar-se-lhes, depois de se terem deslocado aceleradamente para o centro – ou para «o meio», como agora é moda dizer-se. 
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Também marcou presença, claro


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30.9.12

É já depois de amanhã



d(Eficientes) Indignados

Esperamos ter muita gente na concentração que convocámos para o dia 2 de Outubro.

Mas vai ser mais do que uma concentração.

Vai ser uma vigília. Uma vigília a sério.

VAMOS FICAR EM FRENTE À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, DE DIA E DE NOITE, ATÉ SERMOS OUVIDOS PELO GOVERNO.

Quando está para ser discutido o Orçamento Geral do Estado de 2013, ainda há uma correcção a fazer ao de 2012. 

Não admitimos o corte de 30% na verba para produtos de apoio. Para que se saiba, produtos de apoio são o que necessitamos para viver. São fraldas, são sondas, são cadeiras de rodas, é tudo aquilo que a lei diz que é de atribuição UNIVERSAL e GRATUITA e que nos recusam ano após ano. 

Sairemos de lá quando for reposta a verba necessária para os pedidos que foram recusados.

Relativamente à discussão do orçamento de 2013 temos uma proposta para os partidos da governação:

SEJAM COERENTES 

Quando José Sócrates nos retirou os Benefícios Fiscais em 2007, defenderam a nossa posição e apresentaram propostas de alteração à Lei do Orçamento no sentido da reintrodução dos Benefícios Fiscais. Só exigimos coerência e que voltem a apresentar a mesma proposta corrigindo os valores de acordo com a inflação verificada desde então.

VAI SER ASSIM. 

SABEMOS QUE VAI SER DIFÍCIL, MAS JÁ ESTAMOS FARTOS DE SER CIDADÃOS DE 2ª.
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Optimismo



Um povo que sobreviveu a este passado que teve há-de pôr fim ao pesadelo que está a ter agora. 

(Imagem «oferecida» por António Domingues no Facebook)
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A direita desunida...

Da urgência



No rescaldo do dia de ontem, convém ver para além das imagens de multidões que encheram as ruas de Lisboa, Madrid, Atenas, Berlim, Roma (e até Tbilisi...). A onda de protestos que corre a Europa revela mais do que descontentamentos «normais» em países democráticos: é um alerta para perigos maiores que se avizinham e que não se evitam com receitas avulsas para o dia de amanhã. Gostava de ter a certeza – e não tenho - de que estamos suficientemente convencidos desta realidade, crua e dura: é a própria democracia que está em perigo.

Foi o que pensei ao ler o texto de Pedro Marques Lopes, hoje, no DN: «É tempo».

«O tempo por estes dias corre mais depressa. A torrente de acontecimentos é tal que a palavra dita ou escrita já perdeu actualidade no segundo seguinte. Acontecimentos, estudos, notícias que seriam dissecadas e permaneceriam no espaço público muito tempo são rapidamente substituídos por outros. (...)

Não surpreende por isso que a sondagem do DN/Universidade Católica do já muitíssimo distante dia 20 tivesse sido devorada pela enxurrada de acontecimentos: desde esse dia o mundo, segundo esta agenda de galinha bêbada, já teria mudado dez vezes. (...) Sim, sabíamos que as pessoas não andavam contentes, mas provavelmente não imaginaríamos que 87% dos portugueses estariam desiludidos com a democracia. (...)

Os tais 87% de portugueses desiludidos com a democracia são os mesmos cidadãos que se manifestam em Atenas ou Madrid. Iguais aos catalães que pensam que a sua independência (o paralelo com os anos 30 do século passado arrepia) lhe resolverá os problemas económicos (ou alguém pensa que o que se está a passar na Catalunha estaria a acontecer num período de saúde económica?). Estes portugueses são os italianos, os franceses, os holandeses e os próprios alemães daqui a uns meses. Gente que deixa de acreditar na democracia pela mais simples razão do mundo: para eles democracia significa bem-estar, direitos sociais, boas perspectivas para eles e para as suas famílias.(...)

O que está em causa não é mais ou menos austeridade, um menor ou maior empobrecimento, mais ou menos défice, já estamos para lá disso. O que está em causa é se queremos continuar a viver em democracia ou não. As manifestações, os insultos aos políticos são só o primeiro sinal. A conjugação, mais ou menos indissociável, entre a quebra de confiança em toda a classe política e a brutal queda nas condições de vida das populações é absolutamente letal para a democracia, e, claro está, para o País.

Infelizmente, não será só em Portugal que tudo isto corre o risco muito sério de acontecer, será em toda a Europa. Convinha mesmo acordar antes que seja tarde demais.»

Na íntegra aqui.
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29.9.12

É a economia, estúpidos!



A crónica de Miguel Sousa Tavares, no Expresso de hoje (sem link) – «Yale, Campo de Ourique» – começa com uma pequena história, mais elucidativa do que muitas teorias, longos discursos ou contas de percentagens definidas e não atingidas. Ilustra bem a nossa «sina», neste fim do ano da graça de 2012

«Quando o Governo subiu o IVA de 13 para 23% na restauração, António, temendo as consequências da subida de preços no seu pequeno restaurante de Campo de Ourique, resolveu encaixar ele o aumento, sem o repercutir no preço das refeições. Aguentou até poder, mas mesmo assim a clientela começou a baixar lentamente: parte dela, que lhe assegurava umas trinta refeições ao almoço e metade disso ao jantar, era composta por funcionários públicos, que trabalhavam ali ao lado e cujos salários e subsídios tinham diminuído, como medida destinada a satisfazer as condições do “ajustamento” da economia. Quando reparou que Bernardo, um cliente fiel e diário, tinha passado a frequentar os seus almoços apenas três vezes por semana, António tomou aquilo como sinal dos tempos que aí vinham: sem outra alternativa, despediu a ajudante de cozinha, ficando apenas ele e a mulher no serviço de balcão e mesas e, lá dentro, um cozinheiro sem ajudante. Mas a seguir notou que também Carolina e Deolinda, que vinham almoçar umas três vezes por semana, agora vinham apenas uma e pouco mais comiam do que saladas ou ovos mexidos. Em desespero, teve de subir os preços e Eduardo, um reformado cuja pensão tinha diminuído, desapareceu de vez. Foi forçado a cortar drasticamente nas compras a Francisco, o seu fornecedor de peixe, e a atrasar-lhe os pagamentos: com cinco outros restaurantes, seus clientes, na mesma situação, Francisco viu o seu lucro reduzido a zero e optou por fechar a sua pequena empresa e inscrever-se no Fundo de Desemprego. Mais tarde, quando Gaspar, o ministro das Finanças, anunciou mais um aumento do IRS e declarou que o “ajustamento” não se faria através do consumo interno, também Bernardo desapareceu para sempre e, depois de três meses sentado na sala vazia, dando voltas à cabeça com a mulher e tendo ambos concluído que já era tarde para emigrarem, António tomou a decisão mais triste da sua vida, encerrando o restaurante Esperança de Campo de Ourique e indo os dois engrossar também o rol dos desempregados à conta do Estado. Apesar de ter gasto parte, agora importante, das suas poupanças de anos a anunciar o trespasse, António não conseguiu que ninguém lhe ficasse com o estabelecimento e não lhe restou alternativa senão entregá-lo ao senhorio Henrique, para não ter de pagar mais rendas. Quando desabou, demolidor, o novo aumento do IMI, já Henrique tinha desistido de conseguir alugar o espaço ou mesmo vender o imóvel: não pagou e deixou que as Finanças lhe levassem o prédio. 

Assim se concluiu, neste pequeno microcosmos económico de Campo de Ourique, o processo de “ajustamento” da economia portuguesa: vários trabalhadores reconvertidos à marmita, cinco outros desempregados, duas pequenas empresas encerradas e um senhorio desprovido da sua propriedade. Nessa altura, Gaspar, Rufus e Selassié deram-se conta, com espanto, de várias coisas que não vinham nos livros: que, apesar de aumentarem sistematicamente a carga fiscal, podia acontecer que a receita do Estado diminuísse; que os sacrifícios sem sentido implicavam mais recessão e a recessão custava mais caro ao Estado, sob a forma de mais subsídios de desemprego a pagar; que uma e outra coisa juntas não tinham permitido, ao contrário das suas previsões, diminuir o défice ou a dívida do Estado; e que o que mantinha o país a funcionar não eram as grandes empresas e grupos económicos protegidos, nem sequer os 7% de empresas exportadoras, mas sim os 93% de empresas dirigidas ao mercado interno, que respondiam pela esmagadora maioria dos empregos e atendiam às necessidades da vida corrente das pessoas comuns. E, passeando melancolicamente nos jardins de Yale, numa chuvosa manhã do Thanksgiving, Rufus e Selassié deram com um velho cartaz colado a uma parede, desde os tempos da primeira campanha eleitoral de Bill Clinton: “É a economia, estúpidos!”.» 

(Foto: Tommy Inberg)
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Hoje foi assim



Lisboa. Do chão, não dava para ver...



Madrid
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Já não está assim, mas continua linda



A caminho.

(Foto de Henri Cartier Bresson, 1955) 
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Freitas do Amaral dixit



«O esforço pedido a Portugal — de passar de um défice de 6,6% em 2012 para um défice virtuoso de 2,5% em 2014 — é pura e simplesmente impossível de concretizar em democracia.» 

No Expresso de hoje.
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João Proença



Houve quem se escandalizasse com este cartaz que um manifestante levou para a concentração junto ao Palácio de Belém, no passado dia 21.

Ontem, João Proença fez estas declarações:



Há obviamente muitos que aprovam, muitos que lamentam mais esta posição do responsável da UGT neste momento particularmente difícil da vida dos portugueses, outros que se limitam a chamar-lhe «palhaço».

Não é o meu caso, gostei de o ouvir porque foi, uma vez mais, cristalino: troika e troikistas podem contar com João Proença desde que não exagerem, ele é dos que acredita que é com consensos deste tipo que avança a História, por mais que esta o desminta.

Não fará falta, logo à tarde, no Terreiro do Paço. Como não faz em parte nenhuma. 
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Alguma dúvida?


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