30.1.13

No Rato, quem é que pariu alguma coisa?



Não sei em que estado de espírito estaria se fosse militante ou eleitora do PS. Mas, como cidadã, vejo os últimos dias, e a noite de ontem, como um espectáculo lamentável para a democracia: «entre uma farsa e uma comédia e, certamente para os apoiantes de António Costa, uma tragédia», como justamente lembrou João Pedro Henriques.

Os factos estão largamente noticiados. Antes do abraço entre Seguro e Costa, com que terá terminado a noite, o presidente da CML anunciou-se como candidato à autarquia e os seus próximos, agitadíssimos desde há alguns dias, deram-no como garantido adversário de Seguro para a liderança do partido.

Mas não: quando se julgava que a intenção era apear o actual secretário-geral por o considerarem incapaz de levar o PS a bom porto nesta fase crucial do país, afinal só pretendem que «ele una o partido», aceitando uma proposta-maravilha que Costa terá feito e cujo conteúdo exacto não foi revelado. Até ver: se não resultar, ele volta a atacar.

Mas não sei se, no fundo, o recuo de ontem não se deveu unicamente àquilo que se foi percebendo: tendo em conta os calendários, ao candidatar-se ao PS e à CML, António Costa corria o grande risco de perder ambas as batalhas. E agora? Com este adiamento, o risco foi diminuído? Talvez, mas de modo algum eliminado. 

Jogos de sombra, de bastidores e de cintura, que o governo agradece e a campanha autárquica de Fernando Seara também e de que maneira: um adversário a prazo, com uma asa no ar para outros possíveis voos, é um presente dado em bandeja dourada!

(Fonte)

29.1.13

As Cidades e as Praças (49)





Praça do Mercado Souq (Doha, 2012)

(Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
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O gozo que esta notícia me dá!




Mas todos os partidos da oposição (desta vez, parece que nem o PS se vai abster) já garantiram que recusam essa participação, embora tenham ainda uma semana para designar eventuais membros.

Restará a Coelho, Gaspar e Portas a hipótese de uma conversa amena num banquinho de jardim e... pronto: fica o Estado reformado, ou refundado, ou lá o que é! 
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Ainda sobre o «escurinho»

São ricos e não são parvos



FMI suspeita que ricos estão a fugir ao fisco.

«No caso dos rendimentos brutos declarados pelos profissionais liberais, o FMI indica que houve uma queda de 24% entre 2010 e 2011, enquanto o rendimento dos trabalhadores dependentes "caiu apenas 3%". E nas declarações dos dois escalões mais elevados de IRS, "o rendimento colectável caiu significativamente mais do que noutros escalões no mesmo período".»

Eu sei, e o FMI e a Autoridade Tributária e Aduaneira não sabem, que a economia paralela está a crescer a passos de gigante? Que muitos, mesmo muitos, profissionais liberais só não recebem em dinheiro quando não podem e que os clientes agradecem (e de que maneira!...) que lhes seja «descontado» o IVA nos serviços que pagam? Que só quem trabalha unicamente por conta de outrem não tem caminho de escape?

É isto louvável? Claro que não, mas só ceguinhos é que não previram que iria inevitavelmente acontecer. Sabe-se o que passa quando se estica uma corda para além do razoável. 
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28.1.13

Opus Dei, ainda



Continuando a percorrer o dossier do DN sobre a Opus Dei, leio uma entrevista a José Rafael Espírito Santo, líder da OD em Portugal. A propósito do Índex de livros proibidos, que referi esta tarde:


P: – Nesse guia, José Saramago é muito castigado.
R:- – Acha que Saramago é um autor cristão?

P: – Quando Saramago ganhou o Nobel, não sentiu orgulho por ser um português?
R: – Por ser português, sim. Mas o Egas Moniz também recebeu um prémio Nobel por uma coisa que depois se viu que fazia muito mal à saúde.

Grandes argumentos!!!
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Tema do dia: a Opus Dei e o seu Índex



O Diário de Notícias iniciou ontem, e termina amanhã, a publicação do resultado de uma investigação jornalística sobre a Opus Dei. Dedica-lhe hoje 12 páginas sobre várias vertentes da instituição, mas as mais badaladas estão a ser as que dizem respeito à «lista negra» de livros que figuram num Índex que, segundo o DN, contém 33.573 entradas. Este não é uma relíquia do passado, terá sido actualizado em 2007.

Estarão incluídas 84 obras de autores portugueses nos quatro «piores» de seis «níveis de interdição», sendo Eça de Queirós e José Saramago os mais castigados, mas sem que escapem Fernando Pessoa, Aquilino Ribeiro, Torga, Cardoso Pires e muitos outros.

O Nível 6 é o mais grave: «Leitura absolutamente proibida (só com autorização do prelado)», seguido pelo Nível 5: «Livros que não é possível ler (só com a autorização da Cúria), Nível 4: «Podem ser lidos apenas por quem tem formação ou profissão relacionada» e Nível 3:«Livros que contêm cenas ou excertos inconvenientes».

Se clicar nesta imagem, verá a lista dos 84 livros portugueses.


Que os membros da Opus Dei interditem uns aos outros o que quer que seja é lá com eles, não me aquece nem arrefece que não conheçam Os Maias e só leiam o Borda d'Água. Mas já me faz mais confusão que sejam responsáveis por vários estabelecimentos de ensino, entre os quais quatro reputados colégios, dois em Lisboa e dois no Porto, por onde passam milhares de adolescentes portugueses que se arriscam a ser educados, em pleno século XXI, num terrível obscurantismo.

Mais: um número razoável destas obras figura no Plano Nacional de Leitura (fui ver) e «saem» nos exames nacionais. Para não ir mais longe, numa das provas de Português do 12º ano, em 2012, havia um grupo de perguntas sobre o perigosíssimo Memorial do Convento, de Saramago, que está inscrito no nível mais interdito deste Índex. Como procedem os professores do Planalto ou do Mira Rio? Mandam ao «prelado» uma lista dos seus alunos para que ele autorize uma «leitura absolutamente proibida»? Ou vivem no mundo do faz de conta?

Há realidades tão absurdas que parecem pura ficção.

(Notícia parcial aqui.)
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Brasil: «A maior tragédia das nossas vidas»



Um amigo brasileiro deixou, no meu mural do Facebook, este texto escrito ontem por Fabrício Carpinejar
 
Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.
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Cortes e mais cortes



«A operação de corte permanente nos serviços públicos, nomeadamente na Segurança Social, na Educação e na Saúde – por vezes refere-se a Justiça à maneira do gato escaldado –, tem recebido vários nomes de código que propositadamente transcendem o escopo da questão. Uns, como o FMI, chamam-lhe "reformas estruturais", outros, como Passos Coelho, cobrem-na com o revolucionário objetivo de "refundar o regime". (...)

Ainda não se sabe se essa operação para reduzir o Estado de forma tão significativa em certos setores como o da Educação e da Saúde levará, ou não, à mudança de Constituição em Portugal. Mas leva certamente à mudança de sociedade. Para pior.»

José Medeiros Ferreira

27.1.13

Prefácio


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DIAP: uma queixa sem resposta



Como aqui divulguei, Diana Andringa e eu própria entregámos no DIAP, no passado dia 10 de Agosto, uma queixa-crime contra o cidadão norte-americano Jonathan Winer, pelos motivos apontados no texto que abaixo volto a transcrever, sem que tenhamos, até à data, recebido qualquer tipo de resposta. Insistimos agora:

Exm.ª Senhora Procuradora-Geral Distrital Adjunta,

Dr.ª Francisca Van Dunen:

Em 10 de Agosto de 2012, acompanhada por Maria Joana de Menezes Lopes, entreguei no DIAP uma carta dirigida ao então Procurador Geral da República, requerendo a instauração de procedimento criminal contra o cidadão norte-americano Jonathan Winer, pela prática de um crime de instigação pública à prática de crimes. Nenhuma de nós recebeu, até hoje, qualquer resposta.
Pensando que tal só pode ser explicado por extravio da carta, junto envio cópia da mesma, esperando que, desta vez, chegue ao seu destino.

Com os nossos melhores cumprimentos, também pessoais,

Diana Andringa

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Texto entregue em 10/8/2012:


O «racismozinho» do camarada Arménio



Não há desculpa possível para a afirmação estupidamente racista que Arménio Carlos terá feito ontem, no discurso de encerramento da manifestação dos professores. Referir-se a Selassie como o rei mago «escurinho» do FMI é , no mínimo, reles. A confirmar-se que foi mesmo assim, espero que a esquerda não se cale e não deixe para outros o direito à indignação (embora uma rápida pesquisa «googliana» me leve, para já, a temer que isso aconteça).

Já vi cair cabeças por muito menos. Mas, se já entrou algum pedido de demissão na sede da CGTP, ainda não foi comunicado à Lusa. 
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