26.3.13

Não há escutas grátis



... como ficou provado no Diário da República de hoje.


Ou seja: um governo que não hesita em quebrar compromissos de todos os tipos, e das mais variadas maneiras, coloca zelosamente na Presidência do Conselho de Ministros alguém que saiu do serviço público por vontade própria e conveniência pessoal, sem que se espere sequer pela conclusão de um processo tão grave como aquele em que a pessoa em causa está acusada. E, sem certeza, até parece que o Estado lhe pagará, em retroactivos, os anos que esteve na Ongoing.

O governo limitou-se a aplicar uma lei, como devia? Ora... Como se isso significasse algo de concreto, nos tempos que vão correndo!
A decência regressará logo que possível.

(Diário da República)
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Está tudo maravilhoso



Excerto da crónica de José Vítor Malheiros, no Público de hoje (sem link).

«Não acha a maioria dos contribuintes que quem tem dívidas deve pagá-las depressa que se faz tarde e que as boas contas fazem os bons amigos? Não acha a maioria dos portugueses que viveu acima das suas possibilidades que a melhor maneira de ser feliz é pagar juros à troika? Não acha a maior parte dos votantes que o Estado gasta de mais e que devia gastar menos e que se deve cortar na despesa e nas funções sociais do Estado em vez de subir os impostos? Não está a maioria dos votantes de acordo com o memorando da troika? Não vai a maioria dos eleitores nas próximas eleições votar no Pedro Passos Seguro em vez de no António José Coelho ou vice-versa? Não sobe o PP de Paulo Portas nas intenções de voto só porque ele diz que se lhe perguntarem se discordou, discordou, e se lhe perguntarem se fez, fez, e se disse, disse? Quantos anos vão passar antes de percebermos que aquilo que estamos a viver é uma morte lenta e sem dignidade?»

(Imagem da página «A Portugueza» no Facebook)
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Selassie, o desapontado

Chipre – três notas



«Os que têm mais deixarão de poder investir, o que vai matar a economia. Resultado: os que têm menos vão sofrer as consequências.»

«Al mirar a Chipre, la sensación de los ahorradores italianos, portugueses y españoles es la misma que la del cochinillo cuando ve la fecha de San Martín acercarse pasito a paso por el calendario. Tanto jamón y ya no nos quedan piernas. Tantos billetes y tan poca gasolina.»

«A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.»

25.3.13

Grandes árvores (4)



Estas fotografias não foram tirados por mim (tenho muitas mais), mas são de uma árvore absolutamente extraordinária que se encontra na margem do rio Limpopo, na província de Gaza, em Moçambique. Toda trabalhada com esculturas de animais, é de um artista desconhecido e terá sido descoberta por biólogos em viagem de trabalho.






O vídeo ajuda a ter uma visão mais completa:



(Para ver a série, clicar na Label: ÁRVORES)
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Cavaco: a ser vaiado desde 1987



No Diário de Lisboa de 25/3/1987, lê-se que Cavaco Silva foi recebido na véspera, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, num espectáculo com lotação esgotada, «com uma estrondosa vaia» espontânea. Quando o público se apercebeu de que o primeiro-ministro estava no camarote de honra, «virou-se então como tocado por uma mola» e «desatou a vaiar e a bater com os pés». 

Um mês mais tarde, o governo caiu na sequência de uma moção de censura apresentada pelo PRD e que contou com os votos do PS e da APU. E, sim, em Julho do mesmo ano, os eleitores deram ao PSD e a Cavaco Silva a primeira maioria absoluta de um partido em democracia.

E nós? Por cá continuamos «c'o a cabeça entre as orelhas»...
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Nem assim!




Expresso, 23/3/2013
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Chipre, Alemanha e o resto



«La decisión llegó con nocturnidad y alevosía, la noche del viernes de la semana pasada, con los ministros del euro pensando tal vez que nadie se fijaría mucho en ese rescate que ha derivado en el primer corralito del euro. Europa, aún la principal potencia comercial del mundo, cada día más tutelada por Alemania, el BCE y el FMI, y cada día más pendiente de las necesidades de los grandes bancos alemanes, traspasaba una frontera inviolable: la sacralidad de los depósitos bancarios. Cuando el euro parecía salvado y los mercados habían dejado de jugar a la montaña rusa, los socios del euro se metieron un autogol por toda la escuadra. (...)

A partir de esas llamadas a las cancillerías, los socios del euro trataron de deshacer el lío. Pero el daño ya estaba hecho: ahora se trata de limitar las consecuencias. El error Chipre “es la constatación de que el euro está en manos de aficionados que apenas entienden lo que significa una unión monetaria. Es un desastre. Porque además la decisión está contaminada por ese calvinismo que presume de la virtud en el Norte, sobre todo en Alemania, y quiere un castigo ejemplar para el Sur corrompido. (...)

De repente, media isla —la otra media es turca— con dos bases militares británicas, prácticamente colonizada por Rusia revela al mundo el fracaso de la gobernanza de la UE, y saca a la luz la ausencia de liderazgo moral y político, y ese espíritu punitivo que mueve a Alemania. (...)

Bruselas apunta que no hay margen de maniobra: los ajustes seguirán; la única duda es si se mantiene el ritmo o se suaviza. ¿Hay salida? “En el primer trimestre de 2014, el crecimiento volverá y el paro empezará a bajar”, dice un portavoz del ministro alemán Wolfgang Schäuble. Hace solo un mes, tanto Berlín como Bruselas aseguraban que los brotes verdes llegarían en verano. Tras el error de Chipre, la mejoría se retrasa. En cambio, la receta no varía: sigan esperando, confíen en nosotros, y en caso de duda hagan como hicimos los alemanes.

Na íntegra aqui.


Ler também: IT'S OFFICIAL: Banks In Europe May Now Seize Deposits To Cover Their Gambling Losses
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24.3.13

Vantagens de ser cliente da ZON



Não precisar de resistir à tentação de ver isto
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Manipulações



Há 15 anos que o russo Andrei Budayev faz manipulações de quadros célebres com colagens de fotografias de políticos, o que lhe valeu já alguns dissabores e exposições proibidas no seu país.

Esta é magnífica e encontrei-a ontem num site grego. Lá estão Vladimir Putin, Christine Lagarde, Durão Barroso e, claro, Angela Merkel, aparentemente a ralhar com Gérard Depardieu. Atrás de Merkel, Antonis Samaras.

Mais imagens do mesmo autor:


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Um (mau) ano passou depressa



Em 24 de Março de 2012, comemorámos o 50º aniversário da Crise Académica de 1962.

Lia-se então, num grande cartaz que ocupava uma parede do hall da reitoria da Cidade Universitária de Lisboa: «Portugal era um país triste – Há 50 anos». Sem dúvida de modo diferente do que no início da década de 60, hoje também é. E está agora bem mais triste do que há um ano.

Nesse dia, mais de 400 pessoas aprovaram, por aclamação, um texto em que repudiavam cargas policiais no Chiado, ocorridas dois dias antes, «com uma violência desmedida e desproporcionada».

Creio que, em 2013, o conteúdo de uma  hipotética moção seria outro mas bem mais duro, com ou sem cargas policiais em pano de fundo. Porque o país está pior do que há um ano e continua portanto a ser válida a frase que correu então imprensa e telejornais: «Os jovens de 1962 não podem tolerar em democracia o que repudiavam em ditadura»
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Pregam um susto ao medo!