16.4.13
Querido Tó Zé - a carta de Passos Coelho
(Se não vir o texto, clique em Share)
O secretário-geral do PS já leu a carta de Passos a convidá-lo para uma reunião, mas prosseguiu a agenda marcada e ainda não decidiu que resposta dará.
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Voltarei a jogar no Euromilhões
Sócrates perdeu 200 mil telespetadores na segunda semana como comentador na RTP, teve menos de metade do que aqueles que escolheram ver e ouvir Marcelo Rebelo de Sousa, sensivelmente à mesma hora.
Sempre me pareceu que isto aconteceria. Passada a curiosidade de rever «o bicho», de perceber se estava mais gordo ou mais velho, se o penteado era o mesmo e se vinha para sacanear o Tó Zé Seguro ou nem por isso, era de prever que tudo regressaria à normalidade e que Marcelo venceria, sem apelo nem agravo. Se ninguém lhe atribui grande credibilidade, tem pelo menos um carisma zandinga que diverte.
Além disso, e independentemente de comparações, o povo é sereno mas ainda não esqueceu o passado recente e estou certa de que houve uma debandada às 21:12, quando Sócrates voltou a falar do PEC IV! Confesso que resisti para não escolher outro botão no comando da TV, mas terá sido provavelmente a última vez.
O antigo primeiro-ministro não terá percebido que o seu regresso foi pelo menos prematuro. O país mudou muito. Ele não.
. Adios, adieu, auf wiedersehen, goodbye
(Clicar para ler)
(Cartoon Jornal de Negócios)
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15.4.13
As multidões gostam de vencedores
Uma recente conversa num jantar de amigos faz-me regressar a um acontecimento, que é conhecido mas não suficientemente recordado.
No dia 31 de Março de 1974, quinze dias depois do golpe falhado das Caldas e três semanas antes do fim da ditadura, Marcelo Caetano fez a sua última aparição em público, num Sporting-Benfica que viria a ficar célebre não só, nem sobretudo, porque os visitantes venceram por 3-5.
Num texto publicado em 1978 (Depoimento), MC comenta: «Quando o alto-falante anunciou que eu me achava no camarote principal, a assistência calculada em 80.000 espectadores como que movida por uma mola oculta, levantou-se a tributar-me quente e demorada ovação que a TV transmitiu a todo o Pais. Isso foi interpretado como repúdio por aventuras militares.»
E é verdade – confirmo eu que lá estava. Se houve vaias, e parece que sim, não foram significativas quando comparadas com a ovação. À minha volta, só o grupo de amigos em que eu me integrava e, umas filas mais abaixo, Vasco Pulido Valente e Filomena Mónica, assistíamos, perplexos, ao entusiasmo generalizado.
Há 39 anos que arrasto uma pergunta que nunca terá resposta: quantas daquelas pessoas terão estado no Largo do Carmo na última quinta-feira de Abril e nas ruas de Lisboa do 1º de Maio que se seguiu? Um grande número, certamente. As multidões manifestam-se contra muitas coisas, mas gostam de vencedores – é bom não esquecer.
. Destruição em curso
«Há uma destruição de Portugal em curso – provocada por um governo obediente, venerador e obrigado a políticas europeias devastadoras, mas dificilmente reversíveis. Acreditar numa mudança radical na Europa – onde Hollande se passeia a fazer figuras tristes– já começa a ser equivalente a acreditar nos amanhãs que cantam.»
Ana Sá Lopes
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Carta a Wolfgang Schäuble
Amigo Wolfgang:
Espero que esta carta te encontre bem aí em Berlim. Acredita que tenho muitas saudades dos tempos que labutei na fábrica da Volkswagen, em que trabalhámos juntos e éramos unha com carne: tu a mandar e eu fazer. Formávamos uma bela equipa e eu trouxe recordações das quais nunca mais me vou esquecer: uma hérnia discal, artrite, varizes nas pernas e uma reforma imune a cortes.
Pois que agora li que aí na Alemanha querem contratar 200 mil camionistas e que andam à procura deles no meu querido Portugal. Eu já não tenho idade para essas aventuras e além disso não tenho carta de pesados, mas informei o pessoal que pára aqui no café da Clotilde de que a oportunidade existe e que é de agarrar com as duas mãos. (Nota: tentativa de fazer piada, porque um volante agarra-se normalmente com as duas mãos).
Escrevo-te, amigo Wolfgang, para te meter uma cunha. O meu cunhado, o André, assim que soube disto dos camionistas quis ir logo para a Alemanha.(...) Eu estou a incentivá-lo a ir e até lhe prometi que dava um palavrinha por ele a ti, Wolfgang, que tens bons conhecimentos aí no Governo. É isso que estou a fazer. Por favor, ajuda o meu cunhado que é um bom moço, apesar de às vezes parecer desmiolado. Então não é que se pôs a criticar o Wolfgang Schäuble (pssiuuu!!! que ele não sabe que esse és tu), porque esta coisa da austeridade, diz ele, não leva a lado nenhum, e que esse tal de Schäuble (que afinal és tu) se comporta como um regedor da Europa. Já lhe disse para tirar essa ideias malucas da cabeça, porque os alemães são boas pessoas, só querem o bem da Europa e tomar conta de nós, devido à nossa manifesta incapacidade para o fazer. Afinal, são vocês que conduzem o nosso destino e nós somos apenas motoristas do grandioso itinerário que nos traçaram para lá chegar. Bem hajam por isso.
Um amplexo forte deste que te estima,
Virgolino Faneca
(Daqui, mas o link pode só funcionar mais tarde.)
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14.4.13
As mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre
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Um merecido prémio
O cartoonista grego Kountouris venceu o Grand Prix (o principal galardão) do World Press Cartoon.
«O desenho, com o título “Equipa de resgate da UE”, mostra homens vestido de fato preto a segurar uma cama elástica com as estrelas da União Europeia e, no chão, marcas de corpos de pessoas que não foram apanhadas. Foi publicado na revista grega Efimerida Ton Syntakton, em Dezembro do ano passado.»
Mais adequado aos tempos que passam seria difícil.
(Daqui)
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Gaspar, um ministro das Finanças da troika
«Durante estes quase dois anos, o primeiro-ministro defendeu Miguel Relvas contra tudo e contra todos. (...) Com Vítor Gaspar é a mesma coisa: não há clamoroso erro, não há falha gritante no atingir de metas, não há desvio colossal, não há disparar do desemprego, não há agravamento do buraco nas contas públicas, não há recessão, não há teimosia contra a Constituição que não aumente o poder do revolucionário ministro. (...)
Pode o primeiro-ministro ver as pessoas a desesperar sem emprego e sem dinheiro, a miséria a crescer nas ruas, em resultado da política criminosa de Gaspar e camaradas troikanos, que não o deixará de acompanhar de lira em punho enquanto o País arde aos seus pés. Talvez até convide os ministros alemães, finlandeses e outros tratantes europeus para assistir ao espectáculo. Os tais que se atrevem a mandar bitaites sobre os nossos assuntos, sem que o nosso primeiro-ministro ou o nosso Presidente da República se indignem e os mandem abaixo de Braga.»
E porque vem bem a propósito, oiça-se este vídeo (a que cheguei via Câmara Corporativa) e leia-se a notícia que o acompanha. Vítor Gaspar, a contra favor, «a troika finance minister».
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