12.10.13

Para ler e reflectir

11.10.13

Piaf, sempre



Uns dizem que morreu em 10 de Outubro de 1963, muitos mais que foi no dia seguinte, poucas horas antes do seu grande amigo Jean Cocteau. Seja como for, aquilo que não parece real é que 50 anos tenham passado entretanto!

Piaf colou-se para sempre à «pele» da minha geração, como tantos outros cantores sobretudo franceses, quando este país era quase tão sombrio como os vestidos pretos que ela nunca largou. Mas acrescento uma nota pessoal: acabada de regressar de Portugal, onde tinha vivido a primeira parte da crise académica de 1962, eu vi-a e ouvi-a, em Lovaina, no mesmo dia (vim a sabê-lo algumas horas mais tarde) em que 1.500 estudantes foram presos na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa. «L'hymne à l'amour» ficou para sempre associado, em mim, ao Dia do Estudante.




Mas há tantas, tantas outras recordações que não passam:






A mais terrível, na minha opinião:




P.S. - Site de homenagem a Piaf, criado neste 50º aniversário da sua morte.
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Passos versus Mao



«No Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung encontramos as suas máximas. Nos discursos de Pedro Passos Coelho encontramos as suas mínimas. Há uma diferença enorme entre a qualidade de pensamento dos dois políticos. Mas, na essência, Passos é atraído pela unicidade ideológica que Mao tornou lei na China.»

Fernando Sobral, no Jornal de Negócios de ontem. 
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10.10.13

Ponto de situação



Estamos no XIX Governo Retroactivo de Portugal (a palavra Constitucional pode cair). 
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Maquiavel escreve a Passos Coelho



«Caro sr. primeiro-ministro,
O conjunto de medidas que me enviou para apreciação parece-me extraordinário. Confiscar as pensões dos idosos é muito inteligente. Em 2015, ano das próximas eleições legislativas, muitos velhotes não estarão cá para votar. Tem-se observado que uma coisa que os idosos fazem muito é falecer. É uma espécie de passatempo, competindo em popularidade com o dominó. E, se lhes cortarmos na pensão, essa tendência agrava-se bastante. Ora, gente defunta não penaliza o governo nas urnas.»

Na íntegra AQUI.
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Não há becos sem saída



Manifestação a 26 de Outubro, 15h, Rossio - São Bento 

Texto de apelo aprovado no plenário aberto realizado a 22 de Setembro, no Teatro do Bairro, em Lisboa.

Que se lixe a troika! Não há becos sem saída!

É tempo de agir.
Sabemos que o regime de austeridade no qual nos mergulharam não é, nem será, uma solução. Voltamos a afirmar que não aceitamos inevitabilidades. Em democracia elas não existem.
É tempo de escolhas simples. Educação para todos ou só para alguns? Saúde pública ou flagelo? Transporte público ou gueto? Constituição ou memorando da troika? Cultura ou ignorância? Pensões e salários dignos ou miséria permanente?
Nós ou a troika?
Sectores vitais para a nossa sobrevivência estão a ser entregues a banqueiros e especuladores, que os reduzirão à razão do lucro: água, energia, transportes, florestas, comunicações. Querem forçar-nos a abdicar do que construímos: na Saúde, na Educação, nos direitos mais básicos como habitação, alimentação, trabalho e descanso.
A troika e os governos que a servem pretendem deitar fora o sonho de gerações de uma sociedade mais livre e igualitária.
A quem está farto de ver vidas penhoradas e esvaziadas, fazemos o apelo a que se junte a nós na construção da manifestação de 26 de Outubro.
A manifestação será mais um passo determinante na resistência ao governo e à troika!
Não há becos sem saída.


P.S. – Os nomes das várias centenas de subscritores que lançaram o apelo, em 9/10/2013, encontra-se AQUI.
Nota: Quem quiser subscrever o texto pode fazê-lo enviando um e-mail com o nome para plenario22set@gmail.com 
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Quando tanto se fala da Ponte 25 de Abril



6 de Agosto de 1966 foi um dia importante para quem vivia nas duas margens do Tejo: acabava a dependência dos nevoeiros que impediam, tantas vezes, que os cacilheiros navegassem e, sobretudo, as longas filas de espera quando era preciso embarcar também um automóvel.

Mas é óbvio que não se escapou a mais um discurso do inefável Américo Tomás:



Antes do início das cerimónias da inauguração, ao ver o seu nome num dos pilares, Salazar perguntou: «As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas? É que, se estão fundidas no bloco de bronze, vão dar muito trabalho a arrancar.»


Já não estava cá para ver que foi assim, em 1974:



40 e muitos anos depois, discute-se se pode ser atravessada a pé ou só a correr. Surrealismo também é isto. 
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9.10.13

Brel foi-se embora há 35 anos



Adormeceu um dia. Excepto que estava muito longe de ser velho como os velhos que tão bem cantou: «Les vieux ne meurent pas, ils s’endorment un jour et dorment trop longtemps».




Mais algumas, entre muitas outras:








Já agora, Jacques Brel com dois outros monstros sagrados, Léo Ferré e Georges Brassens: 

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Parece que faria hoje 73 anos



John Lennon, estupidamente assassinado à beira de fazer 40 anos.

Tantas e tantas recordações a ele nos ligam! Mas hoje só consigo recordar a emoção com que a canção «Imagine» foi recebida em 1971 e como teríamos sido então totalmente descrentes se nos tivessem dito que ela viria ser mais actual e necessária do que nunca quarenta e alguns anos depois. Aqui fica, com nostalgia e alguma raiva.



Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people living life in peace

You, you may say
I'm a dreamer, but I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people sharing all the world

You, you may say
I'm a dreamer, but I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will live as one
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Dizem que é uma passageira...




E pergunto eu, ingenuamente: um objecto (sim, porque é disso que se trata) não pode ir no porão exactamente porquê? 
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Luís Amado: peca por alguma originalidade?



Luís Amado não é um português anónimo nem um militante socialista «de base». Tem uma longa carreira no partido do Largo do Rato, foi deputado, pertenceu a governos socialistas pelo menos desde 1995, foi ministro dos Negócios Estrangeiros (e até de Estado) em governos de José Sócrates.

Ontem, numa conferência realizada em Lisboa, resolveu «ajudar» o partido a que pertence, referindo as cautelas que este é obrigado a ter no seu posicionamento político por existirem na AR «forças revolucionárias» que identificou com a «extrema-esquerda parlamentar». Se não fosse patético (e pateta), seria apenas cómico dizer-se que PCP e Bloco são «forças revolucionárias», mas adiante.

O único objectivo de LA foi defender a criação de um bloco central (entenda-se uma grande coligação do PS com os partidos à sua direita). Lamenta mesmo que isso não tenha acontecido em 2009 (quando o PS formou o XVIII Governo Constitucional com maioria relativa), com um argumento curioso: teria sido mais fácil «a gestão das expectativas dos eleitores, por um lado, e dos credores, por outro, considerando que a mesma é "incompatível"», «porque, "a maioria [parlamentar] preocupa-se com os credores e a oposição com os eleitores"». Registe-se.

Indo ao que mais interessa. LA diz-se convicto de que «no próximo ano, ou no seguinte, isto [a formação de um bloco central] poderá acontecer». De acordo: o PS de Amado e de muitos outros não se aliará à perigosíssima «esquerda revolucionária» portuguesa presente na AR e cimentará a sua força de braço dado com a direita. Mas aquilo que eu apreciaria mesmo era que fosse feito um inquérito (com voto secreto, claro) dentro dos principais órgãos actuais do PS (Comissão Nacional e Comissão Política, por exemplo) e  saber-se-ia então para que lado penderia a balança em termos de desejos de alianças. Por mim, não tenho dúvidas: LA está muito longe de ser minoritário, porque é muito mais o que aproxima o actual PS da direita do que aquilo que tem em comum com a esquerda. Com «culpas» de todos? Certamente. Mas, contra factos, raramente há argumentos.

(Fonte)

8.10.13

A dívida é sustentável quando não há escrúpulos



José Vítor Malheiros escreve, no Público de hoje, um excelente artigo sobre a dívida e sua (in)sustentabilidade. 

Alguns excertos:

«Quando se decide pagar custe o que custar e não renegociar nunca, o incumprimento pode nunca acontecer, mesmo que as condições dos empréstimos sejam moralmente abjectas e economicamente destrutivas. Pode-se vender a Batalha e a Torre de Belém. Pode-se vender o Algarve e a Madeira. Pode-se vender o voto nas instâncias internacionais a quem pagar mais. Pode-se vender concessões mineiras sem exigir garantias para o ambiente. Pode-se garantir uma exportação de milhares de engenheiros por ano para a Alemanha (a Alemanha gosta de receber Fremdarbeiter). Pode-se oferecer o país para fazer experiências científicas difíceis de aceitar noutros países. Pode-se criar uma rede de bordéis para utilização de altos funcionários de organizações credoras. Pode-se fazer imensas coisas para gerar dinheiro, pagar a dívida e satisfazer os credores. Custe o que custar.

Inversamente, quando existe um mínimo de moralidade e de sentido patriótico, há abjecções a que não se admite descer e que fazem com que a dívida seja insustentável.»

Na íntegra AQUI.
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