@Joe Fenton
«Na vida real, o Tribunal Constitucional veta leis. Acusar os juízes de facciosismo político é marrar contra o espelho sem querer parti-lo: os juízes foram coerentes com os acórdãos anteriores. Ou se muda a Constituição ou se mudam as leis. (...)
Na vida real, os funcionários públicos não sabem a quantas andam e, provavelmente, já nem querem saber. (...)
Na vida real, o povo vota, vota a favor e vota abaixo. Mais do que votar contra aquilo que não gosta, vota contra aquilo em que não acredita. Ou em quem não acredita. O povo português suportou a austeridade durante bastante tempo, provavelmente por aceitar que ela seria necessária, mas deixou de acreditar que era limitada (os cortes temporários são permanentes) e que tinha um propósito maior do que o défice nosso de cada ano. (...)
Na vida real, os partidos que não vingam, vingam-se. O PS está a vingar-se de Seguro. António Costa não está a trair mais do que Matteo Renzi traiu Enrico Letta — e Renzi é a nova coqueluche da democracia europeia. O problema de Costa não é o desafio a Seguro, que é legítimo, é ter sido eleito há meia dúzia de meses pelos cidadãos de Lisboa, que foram trampolim. Qual é a diferença entre Costa deixar Lisboa para ir para o Governo e Barroso ter deixado o Governo para ir para Bruxelas? Uma é Barroso ter fugido de uma derrota enquanto Costa corre para uma vitória. Outra é ter boa imprensa. Mas isso, na vida real, acaba num ápice.» (...)
(O link funciona para quem tiver acesso ao Expresso online.)
.