27.10.15

Dica (152)




«Mr. Cavaco Silva’s sharp words against the bid by Socialist Party leader Antonio Costa to lead a leftist government has sparked a wider debate across Europe, given that he suggested he won’t allow the far-left parties to be part of any governing solution. (...)

The maneuvering is being watched very closely in neighboring Spain, where another conservative government that, like Portugal’s, followed Brussels’ austerity recipe faces a tough election on Dec. 20.»
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Reconnect - Help refugees find their families



Acaba de ser lançada uma campanha que visa a angariação de fundos para apoiar o programa de reunião de famílias do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Nesta página, encontra-se a história e a descrição do projecto e podem ser feitas as doações. Pequenas ou grandes serão sempre uma modesta contribuição para ajudar a diminuir um drama perante o qual nos sentimos tão impotentes (e valem certamente mais do que a assinatura numa qualquer Petição).


(Nota pessoal - A iniciativa foi lançada por Marta Moita, filha e sobrinha de amigos meus muito próximos. Não só mas também por isso, insistirei na difusão deste «RECONNECT» e agradeço, antecipadamente, a partilha por quem entender fazê-lo.)


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Pablo Iglesias, sem papas na língua



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Ser ou não ser?



«Cavaco Silva, julga-se, ainda é Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa, mesmo olhando para uma bola de cristal que adivinha o futuro, ainda não é. Mas Marcelo, não sendo PR, tem a noção da função que Cavaco, por motivos que só os deuses descortinam, deixou de ter.

Talvez por cansaço. Ou por distracção. Ou por convicção desleixada. Marcelo disse duas coisas simples: não é hora de dividir os portugueses em bons e maus e não é tempo de apostar num Governo de gestão que seria uma espécie de carrinho de choques sem travões. O ainda PR deveria escutar aquele que poderá ser o futuro inquilino de Belém. É certo que Cavaco vive o dilema que Sérgio Godinho cantou: "Pode alguém ser quem não é?" É difícil. É, para Cavaco, uma tarefa própria de um montanhista que quer escalar o Evereste, mas que se esqueceu de trazer botas apropriadas.

É certo que Cavaco é austero e dá-se bem com a austeridade. Mesmo a das ideias. Por isso torna-se evidente que ninguém, bafejado pelo juízo, vê vantagens num Governo de gestão. Torpedeado, todos os dias, pelo Parlamento que não o deixaria fazer umas coisas e o impeliria a fazer outras. Isto no meio de um OE inexistente. Componentes perfeitos para uma nova temporada de "The Walking Dead".

Cavaco pode não ser bom em estratégia e ser deficitário em táctica política, mas teria de sair da sua câmara de eco, onde a única voz que escuta é a sua. Há grupos de "heavy metal" que fazem isso, mas depois sofrem as consequências auditivas da sua atitude. Portugal precisa de um Governo sensato. Que perceba que não vai repor salários e pensões ou o confisco do IRS por inteiro. Um Governo que não diga, antes das eleições, que devolve 35% da sobretaxa de IRS. E que agora só dá 9,7%. Que finge dar com uma mão e depois faz desaparecer a oferta com um gesto mágico. Também não quer um Governo que, Quixote na luta contra os poderes instituídos, é uma alma santa que polvilha os lugares públicos com "boys" que poderiam ficar desempregados. Por isso Cavaco deveria ter-se resguardado. E ser, ainda, PR.»

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26.10.15

Mahalia Jackson nasceu num 26 de Outubro



Mahalia Jackson nasceu em 26 de Outubro de 1911, gravou o primeiro disco com 26 anos, acumulou sucessos no mundo inteiro ao longo de décadas.

Cantou quando John Kennedy foi eleito presidente em 1961 e na inesquecível «Marcha sobre Washington», em 1963, depois do célebre discurso de Martin Luther King «I have a dream!». Mais tarde, em 1968, cantou também no seu enterro.





Entre todas as canções por que passou, esta será talvez a mais «batida» de todas, mas com selo de garantia para sempre:


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26.10.1969. As primeiras eleições do marcelismo



Há 46 anos, votei pela primeira vez e pela última durante a ditadura. Em 26 de Outubro de 1969, realizaram-se as primeiras eleições legislativas do marcelismo e muitos acreditaram que a tal «primavera» anunciada iria permitir que o processo eleitoral se passasse mais normalmente do que no passado, ou seja, com um mínimo de liberdade e de decência. Não foi o caso, como é sabido.

Apesar da velha querela de ir ou não às urnas, a oposição foi a votos – com resultados bastante modestos porque todo o processo foi marcado, uma vez mais, pela manipulação e pela arbitrariedade do governo. Concorreu-se em duas frentes – CDE e CEUD –, depois de um longo processo de alianças e dissidências, hoje largamente documentado.

P.S. – Alguns podem estar interessados em conhecer, ou relembrar, o «Resumo do programa político da Comissão Democrática Eleitoral do Distrito de Lisboa».
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Polónia: já abriram champanhe em Bruxelas?




Nenhum partido de esquerda conseguiu lugares no Parlamento - verdadeiro sonho molhado para Cavaco!
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Cavaco e Darth Vader



«Depois de ter indigitado, e bem, Pedro Passos Coelho, Cavaco Silva conseguiu, e mal, dividir ainda mais a sociedade portuguesa. Como se vivêssemos num episódio da "Guerra das Estrelas" e os portugueses estivessem divididos entre guerreiros Jedi, os do Bem, e Sith, os do Mal.

Nesse aspecto o PS tanto pode estar de um lado ou de outro, mas para Cavaco, António Costa é Darth Vader. Antes do seu infeliz discurso, o PR talvez devesse ter escutado Yoda: "O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva à raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento." Não ouviu. Tantas vezes arauto do consenso, Cavaco agarrou numa espada e dividiu dolorosamente Portugal ao meio. Seguindo a Constituição, deu a Passos Coelho luz verde para avançar. Nada de errado. Mas deveria, a seguir, ter-se abstido de comentários que acabam por ser delimitadores da sua própria actuação no futuro e que são tiros pela culatra. (...)

Os PR devem ter opiniões. Mas devem saber que, no quadro constitucional português (semi-presidencialista), são um fiel da balança. Se deixarem de o ser, dissolvem a sua função. Agora, se face às circunstâncias, o PS aparecer, comprometendo-se com o euro, o Tratado Orçamental e com os acordos com os credores, mas tendo o apoio parlamentar da esquerda, com uma solução de Governo, que faz Cavaco? Bloqueia tudo? À espera que a PàF tenha maioria absoluta lá para Junho? Em vez de unir, Cavaco contribuiu para desintegrar. Esperava-se outra coisa dos seus últimos dias em Belém.»

Fernando Sobral
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25.10.15

Dica (151)




«Portugal has entered dangerous political waters. For the first time since the creation of Europe’s monetary union, a member state has taken the explicit step of forbidding eurosceptic parties from taking office on the grounds of national interest. (...)

Europe’s socialists face a dilemma. They are at last waking up to the unpleasant truth that monetary union is an authoritarian Right-wing enterprise that has slipped its democratic leash, yet if they act on this insight in any way they risk being prevented from taking power.

Brussels really has created a monster.» 
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António Barreto: o algodão nunca enganou

Ó Evaristo


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O processo de apagamento em curso



Este texto, que Ferreira Fernandes publicou ontem no DN, é genial. Aqui fica, na íntegra:

«Gostaria de conviver (três minutos, não mais) com Aníbal Cavaco Silva, vocês sabem, esse. Eu só queria saber o que se passa quando ele pede um café. Suspeito que o pedido cause grande rebuliço no Palácio de Belém. O empregado da copa começa por não entender o que foi pedido. O chefe da Casa Civil, Nunes Liberato, aconselha calma, e pondera que talvez o Presidente nem tenha pedido nada. A assessora das Relações Internacionais divaga, não se querendo comprometer, "talvez seja qualquer coisa relacionada com Timor, talvez com a Colômbia". Nuno Sampaio, dos Assuntos Políticos, considera que o momento não é para estimulantes, mais valia camomila.

O consultor Fernando Lima faz um sorriso de quem entendeu tudo mas não diz nada, próprio de quem já não é ouvido, e pensa: "No meu tempo, eu não teria dúvidas de que ele pediu um café, mas também sei que se a coisa desse para o torto ele negava." O consultor para a Inovação, Jorge Portugal, hesita, mas acaba por ousar: "Eu por mim, trazia-lhe um negroni, o cocktail da moda." José Carlos Vieira, da assessoria para a Comunicação Social, de memória toma nota de todas as interpretações, sendo certo que fará um comunicado assaz vago. E a assessora do Gabinete do Cônjuge, Margarida Mealha, depois de um telefonema, sussurra para o empregado: "Um café, mas não traga açúcar"...

Como não tenho o número do telemóvel da doutora Maria Cavaco Silva não sei bem o que dizer da comunicação do PR sobre a situação política, proferida na quinta-feira. Mas, como todos, tenho a minha interpretação e, essa, entendi bem. Desde logo, notou-se no discurso o dedo da cônjuge: amargo, não trazia açúcar nem adoçante. Depois, confirmou-se que Cavaco Silva, homem que lida mal com as palavras, deve ser ouvido mais pela sua linguagem gestual. Assim, quando apontou, esticou o dedo, enfim, indigitou Passos Coelho, todos entendemos que o líder do PSD foi mandado fazer governo. A seguir, foi a fúria de palavras, não como se tivesse engolido uma fatia de bolo-rei mas, desta vez, uma broa de Avintes. E inteira.

Em palavras, Cavaco Silva começou por prestar homenagem à Constituição e respeito sem condições pela Assembleia da República: entregou a decisão aos digníssimos 230 deputados. Essas pedras basilares da vontade do povo português, disse, podem - e saberão certamente fazê-lo - consubstanciar o desiderato da Nação e aprovar o governo de Passos Coelho. Cavaco fez uma pausa e prosseguiu: "Agora, meus meninos [e, aí, pôs o tal dedo em riste com que fala melhor e ficou todo afogueado], se alguém tiver a lata de boicotar isto, atiro-lhe com uma gorpelha de figos à cabeça!", disse Sua Excelência o Presidente da República. Já as câmaras se apagavam e ouviu-se gritar: "Andem cá! Ninguém disse que já acabei..." e viu-se o PR a espernear e a ser levado por Nunes Liberato, que se voltou para os telespectadores, encolhendo os ombros e fisgando um sorriso tímido que pretendia tranquilizar-nos.

Resumindo, voltando aos gestos, porque é assim que se entende melhor Cavaco Silva, na quinta-feira foi-nos mostrado o boletim do dia 4, sobre o qual pusemos uma cruzinha, dobrámos e metemos na urna. Mostrado o voto, apareceu um indicador a fazer de limpa-vidros, da esquerda para direita. A imagem voltou outra vez ao voto - continuo a contar-vos o resumo da comunicação de quinta, à hora dos telejornais - e apareceu o PR, mestre-escola zangado, a dar-nos uma lição. Com uma esferográfica no punho, o PR riscou a linha dizendo "CDU" e as imagens da foice e do martelo e do girassol. Depois, o PR riscou a linha dizendo "Bloco de Esquerda" e a imagem da estrelinha de quatro pontas e uma cabeça. A câmara mostrou Cavaco, olhos furibundos: "Perceberam?!"

Dando-se conta de que talvez não, Cavaco voltou ao boletim. Desta vez, com a parte azul, a mais abrasiva, duma borracha, Cavaco continuou a sua sanha contra aquelas duas linhas malditas. Olhou-nos, outra vez: "E, agora, já perceberam?!" Achando-nos estúpidos, ele insistiu na explicação: com um X-ato, cortou as duas linhas. E com a convicção de que uma imagem vale mais do que cinco pareceres de constitucionalistas mostrou-nos os dois finos buracos em rectângulo: os comunistas e os bloquistas tinham sido abolidos da democracia portuguesa. Eu estava num café quando ouvi o senhor Presidente da República. Olhei à volta e foi terrível. Percebi que as pessoas agora nem por gestos entendiam Aníbal Cavaco Silva. Aquilo era um olhar alucinado e poucos viram isso.

Saí do café a matutar na velha e desiludida ideia de que as pessoas só entendem quando lhes batem à própria porta. O abuso cometido, por enquanto, é só um problema "deles", os do PCE e do BE, só 996 872 portugueses, só 18,44% dos votantes, a quem acenaram com um direito que depois rasuraram, mas só a eles. Ninguém, para lá dos comunistas e dos bloquistas, pensou: e se amanhã outro alucinado também me quiser apagar?» 
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