15.12.15

Ninguém há-de calar a voz do MRPP



Confesso que não estava psicologicamente preparada para ler textos como este, escrito pelo grande educador do início dos anos 70, Arnaldo Matos, a propósito dos acontecimentos de Paris.


Um «cheirinho»:

«E atenção: não só não foi um massacre, como foi um acto legítimo de guerra; não foi cometido por islamitas, mas por jiadistas, isto é, combatentes dos povos explorados e oprimidos pelo imperialismo, nomeadamente francês; e acima de tudo – coisa que estes revisionistas de pacotilha intentam ocultar – foi praticado por franceses, nascidos em França, vivendo em São Dinis e noutros bairros do Paris suburbano. (...)

Os atacantes de Paris nem chocolates roubaram: levaram a guerra aos franceses, apenas para acordá-los: para lembrar-lhes que o governo e as forças armadas do imperialismo francês estão, em nome da França e dos franceses que julgam ter o direito de se poderem divertir impunemente no Bataclan, a matar, a massacrar, a aterrorizar com crueldade inenarrável os povos do mundo.»
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Uma prenda de Natal



«Quando a situação se começa a deteriorar costuma dizer-se, parafraseando Shakespeare em "Hamlet", que: "Há algo de podre no reino da Dinamarca". E a Dinamarca, por estes dias, chama-se Banif.

Como nos próximos poderá chamar-se Novo Banco. Duas caixas de Pandora deixadas por Maria Luís Albuquerque nas mãos de Mário Centeno como prenda de Natal. Como adenda está incluído o cartão de desculpas: o Banco de Portugal dirá que nada teve a ver com o estudo da venda do Banif ou, sequer, com uma solução que vai sugar mais dinheiro dos contribuintes.

Nada de admirar: desde a chegada da troika que as relações entre o Estado, o BdP e os bancos anémicos são um segredo de Polichinelo: parte do dinheiro era para tornar saudável o sector financeiro. Foi? (...)

Esta prenda de Natal, deixada à porta do ministério das Finanças, não deixa no entanto de fazer esquecer um elefante que está de quarentena: o Novo Banco. E que está parqueado no Banco de Portugal e no Fundo de Resolução que este gere. A eloquência gongórica de Carlos Costa não dissipará para sempre as nuvens ameaçadoras que esse problema transporta. Até porque, neste caso, o BdP deixou de ser o mordomo protector do ministério das Finanças: está na mira deste.»

Fernando Sobral
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14.12.15

Dica (184)




«There were no winners in an election that consisted of establishment parties running around at the last minute trying desperately to outwit what they warned was a racist, xenophobic, Islamophobic and overwhelmingly dangerous party. (...)

Even if the FN has failed to win overall control of a region – just as it had failed to win overall control of any smaller local départements earlier this year – its broad trajectory is on the up.» 
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«Regressar» a Gabriel García Márquez



Há três anos eu estava em Arataca, na Colômbia, a terra onde nasceu Gabriel García Márquez e na qual se inspirou para criar a mítica aldeia de Macondo, em Cem anos de solidão. Foi mais um dia inesquecível, entre mais uns tantos, que tenho coleccionado em digressões várias por esse mundo fora. Retomo, em parte, o que então escrevi.

Aracataca é hoje uma localidade de 45.000 habitantes, feia, desmazelada, que não honra como devia o que de mais importante deu ao mundo, a não ser pela (boa) conservação da moradia em que «Gabo» nasceu, actualmente transformada num pequeno museu que justifica, sem dúvida, o desvio e a visita. Trata-se da casa dos avós, com quem viveu até aos 10 anos e que o marcaram profundamente. Família desafogada que não aprovou o casamento da filha com um simples telegrafista e que, por esse motivo, guardou a custódia do neto.

No museu, vêem-se as várias divisões da antiga habitação, documentadas com muitas citações de obras de GGM, sobretudo do primeiro volume da sua autobiografia – Vivir para contarla –, ao qual, infelizmente, não se seguiu nenhum outro.

«Gabo» foi pela última vez a Aracataca em 2007, para uma tripla comemoração: dos seus 80 anos, do 40º aniversário da publicação de Cem anos de solidão e do 25º da atribuição do Nobel da Literatura.

Ao pôr os pés em Aracataca, está-se sempre à espera de reencontrar algum membro da família Buendía ao virar de uma esquina, um qualquer José Arcádio ou um dos muitos Aurelianos…




(A escola primária frequentada por GGM)


(A Casa do Telégrafo, onde trabalhava o pai de GGM)
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Argel, «esta é a Voz da Liberdade»



Por razões de memória histórica e não só, há anos que procurava gravações da Rádio Voz da Liberdade durante os anos do fascismo, rasto das emissões que tantas vezes procurava ouvir, umas vezes com sucesso outras sem ele, com som mais ou menos roufenho mas sempre acolhido com emoção. Mais: há bem pouco tempo tentei mesmo encontrar algumas, a pedido de alguém que instalava o Museu do Aljube onde até à data não existem nenhumas.

Eis senão quando, numa conversa acidental, descobri há dois dias que um amigo tem muitas, feitas por ele e em excelente estado, com acabei de comprovar pela primeira que me enviou: uma verdadeira pérola que data certamente do dia em que Salazar morreu (era segunda-feira, nesse 27 de Julho de 1970, um dos dias da semana em que a Rádio emitia) e onde se dá conta também, entre outras notícias, do acidente aéreo em que morreram quatro deputados da ala liberal, ocorrido dois dias antes.



(Já vai a caminho do Museu do Aljube, com todos os agradecimentos e créditos atribuídos ao meu amigo Alexandre Romeiras.)
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Entretanto em Espanha



Hoje é o último dia em que é permitida a divulgação de sondagens relativas às eleições do próximo Domingo.
Em relação à última sondagem da mesma empresa ( de 30/11): PP subiu 2,6%, PSOE baixou 1,5%, Podemos subiu 2% e Ciudadanos desceu 4,4%.

(Fonte)

O PSD «recomenda»...



«O País, não tendo a possibilidade de (...) cativar Jar Jar Binks, o célebre militar e político de Gungan, requisitado para o novo episódio da "Guerra das Estrelas", tem de se contentar com candidatos mais mundanos para o cargo de Presidente da República. Todos têm virtudes e defeitos. E ainda bem que assim é. Mas isso não impede de termos assistido a um episódio de comédia, como se PSD e CDS, em vez de estarem a apoiar Marcelo Rebelo de Sousa, estarem a declarar o seu apoio a Jar Jar Binks. O PSD, nesse aspecto, tornou-se um George Lucas em versão Groucho Marx: "recomenda" Marcelo, o que aparenta ser um apoio ao estilo "já que não há camarão podem servir tremoços". E, depois, realça a razão fulcral da sua murcha "recomendação": Marcelo é "a favor da Europa e da NATO".

Como lógica de escolha é inabalável, revelando convicções ideológicas profundas. Só faltou acrescentar: "é contra o Governo de António Costa, o Pacto de Varsóvia e recusa usar gravatas vermelhas". Ao apoiar assim Marcelo o PSD parece querer que ele não ganhe votos à esquerda. E perca.»

Fernando Sobral

13.12.15

Dica (183)




«Paul Krugman comments that Portugal can be a situation where its aging population, combined with a large outflow of younger people due to high unemployment, can lead to an ever worsening financial situation where fewer workers are left to support a larger debt and non-working population.» 
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Vive la France




...e a «derrota» da Frente Nacional que não conseguiu ganhar em nenhuma das 13 regiões.
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Sampaio da Nóvoa, candidato do centro



«Eu estou sempre no mesmo lugar. E o meu lugar é um lugar de independência, é um lugar de uma grande serenidade, é um lugar do centro, é um lugar de falar para toda a gente.» (Sampaio da Nóvoa)

(Ouvido aqui.)
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A Espanha no seu labirinto



A uma semana das eleições, uma sondagem revelou ontem estas previsões (PSOE em 4º lugar, atrás de Podemos). 

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Marisa Matias



Ontem na TVI24, Marisa Matias, bem diferente de outros candidatos, sem calculismos nem papas na língua. A entrevista pode ser vista AQUI (ou, «rebobinando» em televisão: 12.12.2015, início às 21h14). 
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