18.10.16

18.10.1936 – Rumo ao Tarrafal



Foi num 18 de Outubro que saíram de Lisboa os primeiros presos que iriam inaugurar o campo de concentração do Tarrafal.

Há dois anos, publiquei um post que inclui uma pequena descrição, feita por Edmundo Pedro, que foi um desses presos. 
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Dica (415)




«Compreende-se que Mário Centeno entenda que este Orçamento é de Esquerda. O ministro das Finanças, antes de o ser, nunca se imaginou a apresentar medidas tão significativas de recuperação de rendimentos. Pelo menos não no terreno do Partido Socialista, o da aceitação das imposições europeias. Esse facto faz deste um orçamento de Esquerda? Não. Mas prova a utilidade dos acordos celebrados com Bloco e PCP. Sem esse acordo, muitas das medidas anunciadas por Centeno não existiriam.»
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A salsicha vegetariana



«A austeridade e a despesa sem limites tornaram-se, entre nós, as duas lâminas da guilhotina. Se a Comissão Europeia tem a secreta esperança de que Portugal suba voluntariamente até ao cadafalso, mais intrigante é a política seguida pelo PSD quando fala do OE para 2017. Depois do "brutal aumento de impostos" do tempo de Vítor Gaspar, do empobrecimento da classe média e do estrangulamento real dos mais desprotegidos (como ficou evidenciado no estudo feito pela Fundação Francisco Manuel dos Santos), parece que os partidos que partilharam o anterior Governo e funcionaram como mordomos da troika descobrem agora uma nova teoria da relatividade.

Há qualquer coisa de autofágico na oposição do PSD. Durante meses, guiados pelo novo homem que nunca tem dúvidas e raramente se engana, Passos Coelho, o PSD martelou os ouvidos dos portugueses com uma música digna de "heavy metal": o Governo era despesista. Ou seja, ia gastar o que tinha e, especialmente, o que não tinha. Estranhamente, nos últimos dias, o PSD engole o que disse e transformou-se numa salsicha vegetariana. É um espectáculo comovedor. Mas, ao mesmo tempo, um menu dispensável. Agora o Governo, em vez de investir, promove a austeridade, diz o PSD. O que disse, desdiz. O que defende, contradiz. Não há aqui coesão de ideias. Nem há ideias sobre um modelo que Portugal deva seguir fora da guilhotina da austeridade ditada por Berlim. Há uma balbúrdia andante, em que um neurónio choca com o outro e não sai nada. Este é o momento Robespierre de Passos Coelho. O problema é que é o seu pescoço que está em causa.»

Fernando Sobral

17.10.16

Catarina Martins: Pão pão, queijo queijo



«Um Orçamento de esquerda teria de reestruturar a dívida. Um Orçamento de esquerda não excluía ninguém da reposição de rendimentos e, portanto, teria de ter uma estratégia mais forte para a criação de emprego. Este é um Orçamento que continua um caminho que foi iniciado para parar o empobrecimento e recuperar rendimentos do trabalho e isso nós assinalamos e é positivo, mas um Orçamento de esquerda teria de responder mais pelo emprego.»

Em entrevista à TSF, que pode ser ouvida AQUI
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17.10.1968 - Jogos Olímpicos do México



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Neurónios chamados à recepção



Eu sei que é segunda-feira, que o dia está cinzento e os meus neurónios também. Mas importa-se de repetir, prof. Marcelo:

Memória, memória…



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Manter a aposta. E a crítica



«A direita agrediu o país durante quatro anos com um mantra sobre a suposta inevitabilidade de empobrecermos para ficarmos ricos e de cortarmos direitos sociais para termos uma sociedade mais justa. O caminho que a atual solução governativa contrapôs a essa estratégia de injustiça tem dois pilares: recuperar rendimentos para a população mais frágil e defender o Estado Social. Isso ficara claro no orçamento para 2016. O orçamento para 2017, apesar de todas as suas limitações, prossegue essa aposta. (…)

Chega? Não, não chega de todo. Mas, para quem se empenha em mais justiça na economia, valeu a pena o empenhamento nesta primeira fase da negociação do orçamento. Digo-o com a consciência de que os impasses económicos e os problemas sociais do país se mantêm, a exigir uma resposta à altura da sua complexidade. Se o êxito da consolidação orçamental imposta pelos guardiões do euro continuar a significar uma justiça, uma saúde, uma cultura ou um ensino condenados à míngua, então é a própria democracia que exige que questionemos as consequências de um aperto que se perpetua. Se o saldo primário das nossas contas para 2017 é de 5 mil milhões de euros mas continuarmos a ter de afetar 8 mil milhões ao pagamento de juros da dívida, então é o bom senso e a sobrevivência mesma da nossa economia que exigem que a renegociação da dívida seja, enfim, assumida como uma prioridade nacional.

A recuperação de rendimentos é uma condição de dignidade, mas essa recuperação será sempre tímida se o país se mantiver refém de imposições europeias que mutilam o investimento e paralisam os serviços públicos. As forças da maioria política que viabiliza o Governo não podem eximir-se à responsabilidade de transformar a esperança em futuro.

Neste orçamento, a aposta foi, e bem, mantida. A crítica tem que o ser também.»

16.10.16

Peniche: encontro de ex-presos políticos



Encontro convívio a realizar no Forte de Peniche no dia 29 de Outubro, Sábado, a partir das 14.30h. 

Ex-presos políticos, surpreendidos com a notícia sobre a concessão do Forte de Peniche a privados, e tendo já tornado público a sua indignação, apelam à realização do encontro convívio de ex-presos políticos, familiares e amigos em defesa da preservação do Forte de Peniche como salvaguarda da memória da resistência ao fascismo e da luta pela liberdade.

Venham, participem, tragam outros amigos também.

Os ex-presos políticos:
Adelino Pereira da Silva / Álvaro Pato / António Almeida / António Gervásio / Bárbara Judas / Conceição Matos / Daniel Cabrita / Domingos Abrantes / Encarnação Raminho / Eugénio Ruivo / Faustino Reis / Francisco Braga / Francisco Lobo / Georgette Ferreira / José Ernesto Cartaxo / José Pedro Soares / José Revez / Manuel Candeias / Manuel Pedro / Marcos Antunes / Maria Artur Botequilha / Mário Araújo / Mercedes Ferreira Lopes / Modesto Navarro / Sérgio Ribeiro

Lisboa, 13 de Outubro de 2016 
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Gentes do Porto e não só



Worst Tours: mudar um quiosque como quem muda o mundo.

Um belo projecto em que se lançaram dois arquitectos desempregados e que já faz títulos no The Guardian, na BBC, no Huffington Post e no guia Lonely Planet.

Para além do resto, amiga que sou da Gui Castro Felga, é também orgulho que sinto.
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Vicente Jorge Silva



Num Público cada vez mais indigente, saúde-se o recente regresso de Vicente Jorge Silva: sempre é alguém que nos recorda melhores tempos e esperanças de jornalismo decente.

«Remar contra a maré», diz ele hoje.

«Até que ponto as preocupações sociais traduzidas no Orçamento do Estado para 2017 — apesar do gradualismo na eliminação da sobretaxa do IRS ou no aumento das pensões, por exemplo — irão sobreviver ao anémico crescimento económico interno, aos constrangimentos externos e, sobretudo, à doutrina austeritária germânica que continua a governar a Europa? Eis talvez a questão mais relevante que se poderá colocar ao exercício de equilibrismo orçamental de Mário Centeno, tão difícil de digerir — e aparentemente tão mal gerido até António Costa ter regressado da China — pelos parceiros do Governo socialista (sobretudo pelo PCP).

Presume-se que terá sido a inesgotável habilidade política do primeiro-ministro que permitiu desatar o nó da corda esticada na maratona negocial de sexta-feira, embora se presuma que ondas revoltas poderão ainda levantar-se durante o debate na especialidade até à votação final do Orçamento. Mas mesmo com todo o génio de sobrevivência de Costa, persiste o milagre em suspenso da sobrevivência do Governo, entalado entre as exigências dos seus parceiros de esquerda e as imposições de Bruxelas e Berlim. Até quando — e como?

Mergulhada numa crise existencial sem precedentes, abalada pelo “Brexit” e as derivas populistas que a atravessam de Budapeste e Varsóvia a Paris, a Europa parece incapaz de encontrar um caminho reunificador. E a nossa fragilidade económica, a nossa condição periférica, tendem a expor-nos cada vez mais aos ditames erráticos e suicidários dessa Europa que perdeu o rumo. Basta ver o destino trágico da Grécia — e a humilhação e impotência com que se confronta o Syriza — para interiorizarmos os temores do desconcerto europeu.»

Na íntegra AQUI (acessível em janela privada de qualquer browser). 
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Adriano morreu um 16 de Outubro



O Adriano tinha apenas 40 anos e morreu há 34, num 16 de Outubro.

Estudante de Direito em Coimbra, aderiu ao PCP na década de 60, foi activista na crise académica de 1962 e participou num elevado número de actividades culturais, sobretudo naquela cidade universitária.

«Trova do vento que passa», com poema de Manuel Alegre, gravado no seu primeiro EP em 1963, viria a tornar-se uma espécie de hino da resistência dos estudantes à ditadura.




Muitos outros temas se juntaram, de um dos nossos mais célebres cantores de intervenção, antes e depois do 25 de Abril.







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