9.10.18

Manuela Moura Guedes



Como referiu, sem criticar, que Bolsonaro defende o porte de arma, ela antecipou-se e levou um revólver pendurado ao pescoço, ontem, na sua estreia na SIC. Será que foi oferta da estação de Balsemão para enquadrar as parvoíces que debitou?
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O sítio do Picapau Amarelo



«Monteiro Lobato foi o criador do célebre "Sítio do Picapau Amarelo". Mas não só. Ele escrevia, em 1927, os diálogos de mister Slang, um expatriado, com o Brasil. E aquele dizia: "O orçamento do Brasil compõe-se de uma torneira como aquela, a Receita, e de uma infinidade de 'ladrões' por onde a água escapa. Sabe o que é 'ladrão' em técnica hidráulica?" O interlocutor respondia: "Sei. Falso escapamento de água." E mister Slang: "Isso. Há ladrões em excesso na caixa d'água do Tesouro deste país." O dinheiro que jorrou do petróleo (e da venda de matérias-primas da Amazónia) serviu para tudo, especialmente nas últimas décadas: até para servir de combustível para esta crise que abala a economia, a sociedade e o poder político brasileiro. O milagre esgotou-se. A vitória de Jair Messias Bolsonaro era previsível. Mas esmagou. Poderá perder para o voto útil em Fernando Haddad na segunda volta. Mas o mote está dado: o Brasil está dividido ao meio. Messias Bolsonaro, no seu extremismo fascizante, é a resposta radical à corrupção do PT (e não só, ao contrário do que faz crer o juiz Sérgio Moro) e à falta de segurança. É a implosão do sonho brasileiro: o país do futuro, construído à volta da alegria, do samba e das chuteiras, percebeu que tem pés de barro. A vitória de Messias Bolsonaro é o fim da grande conciliação brasileira promovida por Lula da Silva durante os seus momentos áureos, entre a elite e os excluídos. Durante anos, Lula, apresentado como se fosse o novo Roberto Carlos nos círculos de São Paulo, uniu o impossível: a elite económica do Brasil e o povo. Mas, nas vésperas da sua primeira eleição, o filme "Cidade de Deus" explicava como esse "contrato social" era impossível a prazo. O Mensalão e a Lava Jato ensombraram o PT. Mas o "sonho brasileiro" da conciliação nacional e do futuro próspero e global electrocutou-se. E a elite culpa Lula por isso. A luta anticorrupção foi apropriada por Bolsonaro. A elite vê nele o seu Messias redentor. O sítio do Picapau Amarelo desapareceu.»

Fernando Sobral
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8.10.18

Marcelo e Cavaco




A ideia que tenho é que Marcelo, que deve acordar cedo já que dorme pouco, salta da cama e pensa o seguinte: como é que vou hoje atirar-me a Cavaco?
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Bolsonaro: Quem financia a campanha?


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Nova Sondagem: finalmente uma óptima notícia!




«O PS cai um ponto percentual para 38,9% das intenções de voto (...) Os socialistas são mesmo a força que mais cai relativamente ao barómetro político de Setembro.

Em sentido inverso, o partido liderado por Catarina Martins é o que mais sobe ao ganhar 1,3 pontos para 9,1%. As restantes forças políticas com assento parlamentar (o PAN não é avaliado no barómetro Aximage) praticamente não mexem relativamente à sondagem do mês passado que marcou a rentrée política.»

Claro que, no próximo barómetro da Eurosonagem, o PS terá mais e o Bloco menos: Oliveira e Costa é como o teste do algodão… Mas recordo que a Aximage foi quem mais cedo, e mais correctamente, previu os resultados das últimas legislativas.




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Brasil: é isto


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Aguardando o colapso do sistema político



«Haverá uma segunda volta nas presidenciais brasileiras. O ex-capitão Jair Bolsonaro dispõe de uma larga vantagem mas três semanas de campanha é muito tempo. Os termos do debate vão mudar. Limitamo-nos a três notas de enquadramento, sobre Bolsonaro, o “cisne negro” da campanha eleitoral, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o impacto destas eleições sobre o sistema político brasileiro.

O ex-capitão tornou-se num fenómeno eleitoral, com uma irresistível dinâmica nos últimos dias. “De todos os candidatos competitivos, ele foi o único a registar uma alta consistente em todos os segmentos do eleitorado, em especial nos tradicionais redutos do lulismo. Conseguiu com isso estancar o movimento de ascensão do petista Fernando Haddad”, resumiu o jornalista Helio Gurovitz. Mas não foi suficiente para vencer na primeira volta.

PUB Se é um fenómeno, “ele tem raízes na sociedade brasileira. Há elementos que não apenas aderiram mas produziram o seu ‘mito’”, sublinha o politólogo Carlos Melo. “O ‘mito’ sustenta-se numa visão crítica, radical e sectária, que reage a um sistema político que, convenhamos, colapsou.”

A socióloga Esther Solano estudou durante meses as motivações dos seus eleitores. “Alguns que [antes] escolheram Lula, por ser um nome anti-sistema, votam hoje em Bolsonaro pelo mesmo motivo.” Ele surge com a imagem “do político honesto” em contraponto com “a classe política corrupta”. “Compraram a ideia de que o PT é o partido mais corrupto do Brasil.”

A sua retórica do “bandido bom é bandido morto” encontra eco em vastas camadas que se consideram reféns da violência, “enquanto o criminoso está superprotegido pelo Estado”. A Bolsa Família e as quotas universitárias são interpretadas como incentivo à preguiça e a parasitar o Estado. Os movimentos identitários — negro, feminista ou LGBT — produzem o “caos social” e desestruturam a família tradicional.

Os jovens identificam Bolsonaro como rebelde. “Se nos anos 70 ser rebelde era ser de esquerda, agora, para muitos desses jovens, é votar nesta nova direita, que se apresenta de uma forma cool, disfarçando o seu discurso de ódio sob a forma de memes e vídeos divertidos.”

Assinala Solana que “vivemos um momento de ascensão da extrema-direita no mundo e de frustração generalizada com a política”. Mas o caso brasileiro tem uma particularidade: “A extrema-direita não se construiu na retórica do inimigo externo”, como na Europa e nos Estados Unidos. “A ideia é que a ameaça vem de dentro: o jovem negro, o político de esquerda, o académico, a feminista.”

O Brasil progressista ignorou o que fermentava no fundo da sociedade.



7.10.18

Dica (815)




«Agora, o que temos mesmo de esclarecer é o essencial: 1) em Tancos roubaram-se armas e urge apanhar os ladrões; e 2) em consequência do roubo, militares e não se sabe quem mais envolveram-se numa manobra para proteger os ladrões. Os responsáveis de 1) e de 2) devem ser perseguidos e punidos. E devemos saber tudinho sobre isso.

Entretanto, que um hipotético caso Azeredo Lopes não lance poeira para cima da resolução do 1) e do 2). Um ministro cair é irrelevante perante a gravidade do 1) e do 2). Mais importante que estes, só um 3), com o ministro Azeredo Lopes a participar no roubo das armas e/ou no encobrimento da entrega das armas. Sobre os dois primeiros casos, grito perguntas. Sobre o 3), confesso, não estendo por enquanto microfones.»
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«Diário de Notícias» – do bom gosto



Isto é a capa de hoje. E querem convencer-me de que agora é que o DN está óptimo, que é o tal jornal de referência.
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Brasil, Brasil



Se Deus existe, prove que é brasileiro...
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Uma 4.ª via?



«Há precisamente três anos, na ressaca de umas eleições com um resultado atípico e após um período de austeridade que fragmentou a paisagem política na periferia da zona euro, Portugal encontrou uma solução de governo em contracorrente com a Europa. De tal forma que, hoje, muitos olham para a ‘geringonça’ como um caso de sucesso, passível de ser exportado. Será que é assim?

É, de facto, surpreendente a forma como, em Portugal, se integrou no arco da governabilidade partidos tradicionalmente de protesto e, ao mesmo tempo, se preservou o vínculo europeu e garantiu uma trajetória de consolidação orçamental. Vista assim, a ‘geringonça’ assenta numa combinação única de êxito político com sucesso nas políticas.

Em todo o caso, talvez seja pouco avisado olhar para a experiência portuguesa como uma 4ª via, passível de ser exportada, da mesma forma que convém manter algum ceticismo quanto à capacidade da gestão política se traduzir numa novidade estrutural nas políticas.

Desde logo, os fatores que tornaram possível a ‘geringonça’ são específicos do contexto português. Do ponto de vista conjuntural, se António Costa foi capaz de formar uma maioria a partir de uma derrota eleitoral, isso deveu-se à vontade maioritária de colocar fim à coligação Passos/Portas. Não menos importante, assistimos, entre nós, a um processo de radicalização do centro-direita, que viu na troika um álibi e uma oportunidade, escancarando as portas para que o PS resistisse eleitoralmente e ocupasse um espaço de moderação centrista.

No que também é singular, perante a crise económica, o sistema partidário português revelou uma notável resiliência: porque a influência do PCP nos movimentos sociais e o seu papel histórico de institucionalização do protesto diminuíram o espaço para a formação de um partido nativista com uma agenda conservadora, e porque o BE ocupou prematuramente um espaço que, noutros países, foi ocupado por novos partidos de matriz populista. Foi esta estabilidade do sistema partidário que tornou viável um acordo tático que, além do mais, permitiu aos três partidos preservarem a sua matriz ideológica.

Em países onde a volatilidade do voto, o desmoronamento dos partidos tradicionais e o reposicionamento ideológico têm sido a regra, dificilmente se formaria uma ‘geringonça’.

Resta o fundamental. A ‘geringonça’ representa uma mudança estrutural nas políticas, capaz de cortar com a ortodoxia europeia e afirmar uma plataforma política modernizadora? Também aqui o Governo português vive uma crise de sucesso. Se poucos anteviam a trajetória de consolidação orçamental e de recuperação do emprego, persiste uma incapacidade de articular interesses sociais em torno de um novo programa político. Sem esse exercício, dificilmente, desde Portugal, se contribuirá para uma 4ª via, que ultrapasse os bloqueios que a social-democracia enfrenta em toda a Europa. É, aliás, aí que radica a chave para o pós-legislativas.»

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Brasil




Bem gostaríamos de mandar um cheirinho de alecrim!
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