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9.1.19
Um país, dois sistemas
«Marcelo Rebelo de Sousa foi confrontado com o facto de ter estado presente na cerimónia de posse do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no dia 1 de janeiro, em Brasília, e interrogado se não entende que é também importante para a comunidade portuguesa na Venezuela a sua presença na posse de Nicolás Maduro.
O Presidente da República remeteu a questão para o Governo e nada mais acrescentou sobre este tema.»
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09.01.1908, Simone de Beauvoir
Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir nasceu a 9 de Janeiro e faria hoje 111 anos.
Tudo já foi escrito sobre Simone, mas vale talvez a pena recordar o papel decisivo de uma das suas obras: Le Deuxième Sexe. Se esteve longe de ser um manifesto militante ou arauto de movimentos feministas que, em França, só viriam a surgir quase duas décadas mais tarde, a verdade é que os espíritos não estavam preparados para a problemática da libertação da mulher, tal como Simone de Beauvoir a abordou, nem para a crueza da sua linguagem.
As reacções não se fizeram esperar, tanto à esquerda (onde o problema da mulher estava fora de todas as listas de prioridades), como, naturalmente, à direita. François Mauriac escreveu: «Nous avons littérairement atteint les limites de l’abject», Albert Camus acusou Beauvoir de «déshonorer le mâle français».
Esta obra foi certamente uma das maiores «pedradas» que levei como leitora no início da idade adulta. Estudante recém-chegada a Lovaina, com uma mala quase de cartão, ida desta west coast salazaríssima e com dezanove anos – tentem imaginar o cenário. Apanhei então, em cheio, a grande repercussão do livro na Europa francófona.
Para a sua compreensão e consagração terá sido decisivo o sucesso nos Estados Unidos, onde foi publicada em 1953. O movimento feminista, em que Betty Friedman e Kate Millet eram já referências, estava aí suficientemente avançado para a receber. Efeito boomerang: Le Deuxième Sexe «regressou» à Europa no fim da década de 50, com um outro estatuto, quase bíblico, e teve a partir de então uma longa época de glória.
Paralelamente, iam sendo publicadas outras obras da autora, como a trilogia das Memórias – o que mais apreciei de tudo o que dela li e que não foi pouco (Mémoires d’une jeune fille rangée (1958), La force de l’âge (1960), La force des choses (1963)).
Simone de Beauvoir nunca provocou grandes empatias e foi sempre objecto de discussões sem fim sobre a sua importância relativa quando comparada com a de Sartre. Mas, goste-se ou não, estava no centro do Olimpo que Paris era então – quando, no Café de Flore, toda a gente vivia envolta em fumo e Juliette Greco cantava «Il n’y a plus d’après».
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Marcelo também na RTP – Um filme de terror, ao que isto chegou!
«Marcelo Rebelo de Sousa gravou uma mensagem ao cantor Roberto Leal, que será transmitida às 17 horas desta quarta-feira no programa da tarde do canal público, confirmou ao PÚBLICO um assessor do Chefe de Estado. (…)
O cantor Roberto Leal tem revelado em várias entrevistas que se encontra doente e na tarde desta quarta-feira estará no programa da RTP1, o que levou a estação a fazer o pedido ao Presidente para se dirigir ao cantor.»
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A moda é provocar vizinhos
«Luigi Di Maio é o líder do Movimento 5 Estrelas e acaba de oferecer apoio digital aos manifestantes franceses do movimento "coletes amarelos". Isto é, um político italiano proclamou dar ajuda àqueles que fazem movimentos sediciosos no país vizinho - manifestações não autorizadas e violentas - para eles melhor se organizarem.
"Não se rendam, o M5S apoia-vos!", disse Di Maio. Não se rendendo, os "coletes amarelos" podem continuar a ocupar as rotundas francesas, a partir vitrinas das lojas francesas e a queimar automóveis franceses.
A proposta de ajuda, claro, estava integrada no inalienável direito de quem quer que seja dar a quem quer que seja o que quer que seja e gritar aos microfones esse apoio. Não sei em que artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos está consignado tal direito, cito de memória, mas certamente alguém na caixa de comentários desta crónica há de lembrar: "Eu cá dou o que me apetece e a quem me apetece." Pois. Acontece, porém, que Luigi Di Maio é vice-primeiro-ministro de Itália.
Vice-primeiro-ministro de Itália, Itália que tem 488 kms de fronteira com França. França que enviou Stendhal escrever Viagens em Itália. Itália que exportou Yves Montand para ele cantar para o mundo em francês. Francês em que se tornou Pietro Brazzà para explorar África em nome de França, apesar de ter nascido em Castel Galdolfo, na província de Roma.
Roma do rei de Roma, Napoléon François Joseph Charles Bonaparte, filho de Napoleão. Napoleão que não roubou La Gioconda - nem na primeira nem na segunda campanha que o imperador fizera em Itália (séc. XVIII), num intercâmbio que já levara as legiões romanas de Júlio César à Bretanha (séc. I a.C.) - porque a pintura já estava em Paris, 300 anos antes, levada pelo autor, o italiano Leonardo da Vinci... Enfim, Itália e França, dois países mais do que amigos, um encontro antigo e profundo, naturalmente ligado na União Europeia...
"Não se rendam, apoio-vos!", disse o vice-primeiro-ministro italiano Luigi Di Maio aos insurretos que atacam o legítimo e eleito governo francês. Foi insulto mas não uma novidade nas relações entre dois países aliados e com negócios e pactos comuns. Na campanha eleitoral que o levou à Casa Branca, Donald Trump propôs um muro que ainda hoje insiste em fazer entre os EUA e o México. E permitiu-se um chiste: disse, então, que o muro seria pago pelos mexicanos "mas eles ainda não sabem..." Conhecem maior insulto que a prepotência apresentada em forma de gozo?
Em qualquer bairro, a falta de respeito entre vizinhos abre o apetite que leva muitas vezes à bofetada. Os países criaram a diplomacia para prevenir tais derivas. Vale de pouco quando palhaços de cinco estrelas chegam a vice-primeiro-ministro e carroceiros milionários chegam a presidente.»
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8.1.19
Não é Papa, é Pepa!
Francisco intercedeu pela vitória do Tondela? Parece que não: alguém confundiu Papa com Pepa, o treinador do clube em questão. Queridos jornais!
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20 anos de euro: um balanço desolador
«Faz agora duas décadas que o euro substituiu o escudo e várias outras moedas nacionais. Apesar da data redonda, não houve grandes festejos. Não é de estranhar. Por muito amor que se tenha à ideia de integração europeia, é difícil não concluir que a moeda única ficou muito aquém das promessas e expectativas que gerou.
A evolução dos indicadores macroeconómicos para Portugal é clara. Desde que existem dados disponíveis, não houve nenhuma sequência de 20 anos em que o crescimento médio do PIB nacional fosse tão baixo, a taxa média de desemprego tão elevada e os défices externos tão expressivos. Tendo em conta o poder aquisitivo, o rendimento médio dos portugueses está hoje mais distante da média da zona euro do que estava há 20 anos. Esta não é certamente uma história de sucesso.
Ao ler estas linhas não faltará quem se apresse a atribuir o mau desempenho da economia portuguesa neste período aos erros dos sucessivos governos nacionais. É uma conclusão apressada. O balanço desolador da moeda única não é uma especificidade portuguesa. Não é sequer uma característica peculiar dos países do Sul da Europa.
Nestes 20 anos o PIB da zona euro como um todo cresceu 20 pontos percentuais abaixo do PIB dos EUA e criou menos 1,5 milhões de empregos. O falhanço da moeda única não é apenas económico. Longe de representar um factor de coesão entre os Estados e os povos europeus, o funcionamento da zona euro tornou-se um dos principais focos de tensão e instabilidade do processo de integração europeia. A cada nova eleição nacional cresce o peso dos partidos nacionalistas e eurocépticos. Seguramente, a Europa não é hoje um continente mais unido do que era há 20 anos.
Uma visão generosa tenderá a atribuir o mau desempenho da zona euro a factores externos (como a crise financeira originada nos EUA) e a considerar que as dificuldades políticas presentes são apenas as dores de parto de um projecto com futuro assegurado. É efectivamente uma visão generosa.
Os problemas da moeda única europeia são em larga medida o resultado da sua arquitectura institucional. Era sabido à partida que submeter economias com estruturas produtivas muito diferentes à mesma política monetária era uma aposta arriscada. A taxa de juro e a taxa de câmbio mais adequadas a cada economia nacional dependem muito das características de cada país e da fase do ciclo económico em que se encontram. Restava a esperança de que a unificação das moedas contribuísse para que as estruturas económicas ficassem mais semelhantes e os ciclos económicos mais alinhados. Não foi isso que aconteceu, pelo contrário.
A criação do euro e a integração plena dos mercados financeiros traduziram-se na queda abrupta e duradoura das taxas de juro reais nos países do sul, e em fluxos de capital nunca vistos em direcção às periferias. Como acontece em qualquer parte do mundo, a abundância súbita de liquidez estimulou o crescimento explosivo da construção e do imobiliário, criando novas e boas oportunidades de investimento para os bancos dos países do centro da UE. Num primeiro momento isto trouxe mais emprego e investimento. Mas conduziu também ao inevitável aumento de preços e custos nas economias periféricas, e ao crescente endividamento de empresas e famílias. A unificação monetária criou assim condições para a emergência de uma Europa dividida entre países credores e países devedores.
Como se não bastasse, a partir de 2002 registou-se uma forte subida do câmbio do euro face a outras moedas internacionais, que produziu efeitos claramente assimétricos: em países especializados em produtos de exportação de baixo valor acrescentado, como Portugal, tornou mais difícil competir internacionalmente; em países exportadores de capital, como a Alemanha ou a Holanda, traduziu-se numa maior capacidade de investimento internacional.
Nos países periféricos, o crescimento do mercado interno e as dificuldades acrescidas de competir internacionalmente levaram, naturalmente, à canalização dos investimentos para actividades menos expostas à concorrência externa. Assim, ao mesmo tempo que as importações aumentavam, as exportações estagnaram em percentagem do PIB. Os défices externos sucessivos implicaram o recurso ainda maior ao financiamento estrangeiro. Tal como vários outros países com estruturas produtivas semelhantes, Portugal viu a sua dívida externa aumentar continuamente até à grande crise de 2008-2009. Nesse contexto, mais do que o nível das dívidas públicas (que variavam muito de país para país), foi a acumulação de dívida externa que levou os investidores internacionais a duvidar da capacidade dos países periféricos da zona euro para pagarem o que deviam.
A crise da zona euro é assim, em larga medida, o resultado da arquitectura institucional da moeda única, que não só não diminuiu como aumentou a divergência nas estruturas económicas dos países membros. Quando a crise chegou, tornou-se claro que a zona euro não estava preparada para lidar com os problemas que ajudou a criar. A resposta à crise, como sabemos, consistiu numa austeridade profunda, duradoura e contraproducente, a qual acentuou ainda mais as divergências.
Se hoje se vivem tempos mais tranquilos nas economias europeias, os problemas não estão resolvidos. A zona euro continua dividida entre países credores e países devedores (hoje ainda mais do que no passado), entre economias especializadas em sectores intensivos em capital e conhecimento e economias que se baseiam em actividades de reduzido valor acrescentado. Tal como há 20 anos, a política monetária do BCE não dá nem pode dar respostas adequadas a situações tão diversas. Tal como há 20 anos, a única forma que os países têm de lidar com os seus desequilíbrios externos é desvalorizar os salários e reduzir os serviços públicos, prolongando a crise social e regredindo nos direitos sociais. Tal como há 20 anos, quaisquer mudanças substanciais na arquitectura da zona euro estão dependentes de decisões unânimes entre os Estados membros, o que é tanto mais improvável quanto mais divergentes são as suas economias e interesses dominantes.
Não é por falta de ideias que estes problemas não se resolvem: é por falta de consenso sobre as possíveis saídas da actual situação e pela impossibilidade institucional de conciliar interesses divergentes por via democrática no quadro da UE. Vinte anos depois, a crise existencial da zona euro veio para ficar. Não temos como escapar disto: o balanço é mesmo desolador.»
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7.1.19
Volta, Américo Tomás
«Interrompi aqui uma reunião que tinha. Acabei uma e ia começar outra e espreitei para ver o seu primeiro programa. Como, ao longo da vida, várias vezes estive consigo quando arrancou com novas fases da sua vida (…), queria desejar-lhe felicidades.»
Mas por que raio é que gozávamos tanto Américo Tomás?
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Marcelo: só tem surpresas quem quer
Eu ando com um tal pó aos actos de Marcelo, mais recentemente por causa dos afectos com o irmão Bolsonaro e a amiga Cristina, que não me sai da cabeça o seu passado que só engana quem não o conhece ou quem quer ser enganado.
Quando ainda havia esperança de que ele não fosse eleito PR, escrevi um texto relacionado com uma saga em que estive envolvida. Marcelo vigiado pela PIDE desde os 16 anos? Quem tiver paciência que leia isto.
Professor, ligue-me
«Professor ligue -me . Pode ser às 12 às 14 ou às 15 para a RTP3. Também mereço.»
Alberta Marques Fernandes no Facebook.
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