26.1.13
A Europa ou o caos
Será apresentado num debate que terá lugar em Paris, na próxima segunda-feira, um texto-alerta sobre o estado actual da Europa, lançado por um grupo de filósofos, escritores e jornalistas – Vassilis Alexakis, Hans Christoph Buch, Juan Luis Cebrián, Umberto Eco, György Konrád, Julia Kristeva, Bernard-Henri Levy, António Lobo Antunes, Claudio Magris, Salman Rushdie, Fernando Savater e Peter Schneider.
O jornal El País difundiu-o ontem:
«Europa no está en crisis, está muriéndose.
No Europa como territorio, naturalmente.
Sino Europa como Idea.
Europa como sueño y como proyecto.
La Europa acorde con el espíritu elogiado por Edmund Husserl en sus dos grandes conferencias pronunciadas en 1938 en Viena y Berlín, en vísperas de la catástrofe nazi.
Europa como voluntad y representación, como sueño y como construcción, esta Europa que pusieron en pie nuestros padres, esta Europa que supo transformarse en una idea nueva, que fue capaz de aportar a los pueblos que acababan de salir de la Segunda Guerra Mundial una paz, una prosperidad y una difusión de la democracia sin precedentes, pero que, ante nuestros propios ojos, está deshaciéndose una vez más.
Se deshace en Atenas, una de sus cunas, en medio de la indiferencia y el cinismo de sus naciones hermanas: hubo un tiempo, el del movimiento filohelénico de principios del siglo XIX, en el que desde Chateaubriand hasta el Byron de Missolonghi, desde Berlioz hasta Delacroix, desde Pushkin hasta el joven Victor Hugo, todos los artistas, poetas, grandes mentes de Europa, volaban en su auxilio y militaban en favor de su libertad. Hoy estamos lejos de eso; y da la impresión de que los herederos de aquellos grandes europeos, mientras los helenos libran una nueva batalla contra otra forma de decadencia y sujeción, no tienen nada mejor que hacer que reprenderles, estigmatizarlos, despreciarlos y —con el plan de rigor impuesto como programa de austeridad, que se les conmina a seguir— despojarles del principio de soberanía que, hace tanto tiempo, inventaron ellos mismos.»
Continuar a ler AQUI.
P.S. - Versão em francês, publicada em Le Monde e divulgada por Bernard Henri-Lévy.
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RTP: Comunicado da plataforma sindical
Os sindicatos desta plataforma foram confrontados, na noite de ontem, com o anúncio de um processo de despedimentos, feito em direto no Telejornal pelo Ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Dr. Miguel Relvas.
Após a derrota que lhe deram os trabalhadores da RTP e aqueles que em Portugal, com coragem e contra poderosos interesses, defenderam os serviços públicos de rádio e de televisão, eis que o Sr. Ministro anuncia agora uma reestruturação que nada mais é do que um processo de despedimentos, como que em jeito de vingança enraivecida, imprópria do cargo que ainda ocupa no governo da República.
Um processo de despedimento colectivo como o que parece preparar-se para a RTP não tem precedentes na história da gestão pública em Portugal e, a acontecer, seria mais uma página negra do terrível mandato governamental a que os portugueses estão agora sujeitos. Uma vilania.
Os sindicatos desta plataforma não aceitam que numa empresa com as responsabilidades da RTP os mais elementares preceitos legais não sejam respeitados. Uma reestruturação, que o ministro da tutela confirmou estar em curso, não pode processar-se sem consulta prévia aos órgãos representativos dos trabalhadores da empresa. O não cumprimento deste preceito torna-a ilegal.
Os sindicatos da plataforma sindical têm, já, uma reunião agendada com o Ministro, Miguel Relvas para o próximo dia 4 de fevereiro às 10h e entregaram, hoje, um pedido ao Conselho de Administração, com caráter de urgência.
Os sindicatos da plataforma sindical apelam ao reforço da união de todos os trabalhadores em torno dos seus órgãos representativos, e reafirmam a sua determinação em fazer tudo o que esteja ao seu alcance na defesa dos legítimos interesses dos trabalhadores da Rádio e Televisão de Portugal.
Os trabalhadores da RTP, e todos os que defendem o Serviço Público de Rádio e Televisão continuarão juntos uma caminhada contra os que, apesar de derrotados nesta batalha prosseguem, no entanto, por outros caminhos e meios, a sua guerra contra o setor público de comunicação social.
Lisboa, 25 de Janeiro de 2013.
Em defesa do Serviço Público de Rádio e Televisão
(Via Facebook)
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25.1.13
Água - Operação Secreta
As grandes empresas multinacionais pressionam a Comissão Europeia, a Comissão Europeia pressiona os Governos, os Governos pressionam os Municípios. Tudo em surdina?
Esta é uma reportagem alemã «Água - Operação Secreta - como a Comissão Europeia promove a privatização da água», onde se fala de Paços de Ferreira.
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(Se não vir as legendas em português, clique em cc na barra inferior do vídeo)
(Daqui)
P.S. - Entretanto: Assunção Cristas diz que sector da água é “insustentável do ponto de vista económico”
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RTP: hoje vão umas centenas para a rua, amanhã não sabemos
Ontem, não vi telejornais às 20h, mas, mais tarde, ouvi uma série de comentadores pronunciarem-se sobre a entrevista de Miguel Relvas quanto ao futuro da RTP. Uns achavam normal e razoável o adiamento anunciado, outros celebravam-no como uma vitória dos que defendem a não privatização da estação (e, portanto, uma vitória também de Paulo Portas).
Ninguém me pareceu preocupado com o despedimento de centenas de trabalhadores, que pode chegar a atingir 620 em dois anos, ou seja cerca de 1/3 dos actuais (a somar às centenas que saíram nos últimos dois anos).
Não vou discutir se a RTP tem ou não trabalhadores a mais, nem se será possível uma programação decente com este corte . Choca-me a indiferença generalizada com que (não) se regista mais esta machadada em centenas de famílias. Vamos estando habituados – e isso é uma tragédia.
P.S. - Claro que, na entrevista, Relvas se recusou a confirmar que haverá «despedimentos» e repetiu, à saciedade, que se trata de uma «reestruturação». Quem tem estômago, que o oiça.
(Fonte)
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24.1.13
Em cada esquina um banqueiro
O ritual de quinta-feira com Ricardo Araújo Pereira. Excelente como sempre.
«O ideal seria que todos os estabelecimentos comerciais portugueses tivessem "banco" escrito no nome. Um talho chamado Banco Carnes de Ouro. Uma mercearia chamada Banco Frutas Idalina. Um restaurante chamado Banco Adega Regional O Botelho. Nenhum negócio iria à falência, porque o estado acudiria a todos. Se falisse, pagava o País inteiro.»
Na íntegra AQUI.
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IAC – No balanço de um primeiro ano
Resolução do 1.º Encontro Nacional da
Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida (IAC)
Lisboa, 19 de Janeiro 2013
1. SAIR DA ARMADILHA:
AUDITAR E RENEGOCIAR A DÍVIDA PÚBLICA
1.1 A Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública (IAC) tem
vindo desde a Convenção de Lisboa, realizada a 17 de Dezembro de 2011, a
analisar a dívida pública, estimular o debate sobre as suas causas e
consequências, e a reclamar a necessidade de uma renegociação com os credores
que permita aliviar o fardo da dívida pública.
1.2 Apesar da experiência e da constatação da falência da austeridade e
da estratégia inscrita no memorando da troika, partimos para o novo ano com um
orçamento ferido de inconstitucionalidade, que insiste no erro, agravando-o para
lá de todos os limites. Sabemos que o orçamento vai falhar nos objetivos de
controlo do défice e da dívida pública. Quem o propõe também o sabe. Para quem
governa em nome dos credores, a austeridade tem como objetivo impor um programa
não sufragado de destruição do estado social e do estado de direito
democrático.
1.3 Apesar de todos os cortes e impostos, das perdas de direitos, do
aumento da precariedade, e das reduções nos salários, nas pensões, nas
prestações sociais e no acesso à saúde e à educação, a dívida pública não pára
de aumentar.
1.4 A dívida é uma armadilha de que temos de nos libertar para vencer a
crise.
1.5 A IAC pronunciou-se, na Convenção de Lisboa, a favor de uma «urgente
reestruturação da dívida pública, liderada pelo Estado soberano, estendendo a
maturidade dos empréstimos, reduzindo as suas taxas de juro, ou mesmo reduzindo
o capital em dívida.»
1.6 É responsabilidade do Estado e dos cidadãos promover as iniciativas
e tomar as medidas necessárias para libertar o país e a sociedade desta grave
situação de espiral recessiva provocada pela dívida sufocante e respetivo
serviço. O Estado português e a sociedade portuguesa devem preparar-se para a
renegociação da dívida. Tal preparação requer um conhecimento aprofundado dos
modos em que um processo de reestruturação deve ser conduzido, assim como o
esclarecimento da origem da despesa ilegítima, isto é, despesa pública
realizada em benefício de interesses particulares, com o correspondente
apuramento de responsabilidades, quando tal se justifique Os recursos e o
conhecimento disponíveis no Estado e na sociedade devem ser mobilizados para
estas tarefas, num processo de auditoria e preparação da renegociação, que se
quer transparente e aberto à participação e ao escrutínio da sociedade.
1.7 O 1.º Encontro Nacional da
Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública (IAC)
a) Reafirma a necessidade de proceder-se à renegociação da divida
e a urgência em abrir-se esse processo, com todos os credores, incluindo a
União Europeia, o FMI e Banco Central Europeu, de forma a libertar recursos
essenciais para travar a recessão económica e relançar e reorientar o
investimento, com vista a criar novo emprego, combater as desigualdades e os
desequilíbrios no território e assegurar a existência de um estado social,
condição essencial da democracia.
b) Defende que esse processo de renegociação a ser desencadeado
pelo Estado português deve ser entendido como uma afirmação de vontade e de
soberania democráticas, ditado pela defesa do interesse nacional e deve admitir
a necessidade de declarar uma moratória ao serviço da dívida enquanto decorrer
o processo de renegociação. Urge mobilizar a sociedade portuguesa para este
processo.
c) Reclama a assunção de responsabilidades por parte do Estado
português na auditoria à dívida pública e na preparação do seu processo de
renegociação, e propõe que para isso a Assembleia da República promova a
criação de uma Comissão de Auditoria e Preparação do Processo de Renegociação
da Dívida. A sua composição deve ser aberta à sociedade, integrando os
organismos públicos competentes da administração, os parceiros sociais,
designadamente organizações sindicais e, eventualmente, peritos independentes.
A Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Divida Publica, IAC, estará, neste
quadro, pronta a assumir as responsabilidades que lhe incumbem num tal
processo. A auditoria e a preparação do processo de renegociação devem ser
conduzidas com total transparência, garantindo o acesso à informação e
assegurando a participação e o envolvimento dos cidadãos nas tomadas de
decisão.
d) Decide lançar uma campanha de sensibilização e mobilização da
opinião pública para
a necessidade de proceder-se de imediato à preparação da renegociação da dívida
e para a exigência de promoção, pela Assembleia da República, de uma Comissão
de Auditoria e Preparação da Renegociação da Dívida Pública Portuguesa, aberta
à participação e escrutínio cidadão. Esta campanha deve recorrer aos meios
considerados mais eficazes e adequados, incluindo o recurso a uma petição
pública massiva ou a uma iniciativa legislativa.
2. REFORÇAR A INICIATIVA
PARA A AUDITORIA CIDADÃ
2.1 A situação exige uma intervenção mais atuante. A prioridade da IAC
deve ser o reforço da coordenação e da articulação das atividades, tendo em
vista o melhor aproveitamento das energias de todos os que manifestem
disponibilidade para intervir, de diferentes modos, no processo de auditoria.
2.2 Quanto ao conhecimento da dívida e dos modos e implicações da sua
reestruturação, há que combinar a abordagem de conjunto com o estudo de casos
particulares. Importa estimular a constituição de equipas que se dediquem à
análise de dossiers concretos de relevância regional ou nacional.
2.3 Do ponto de vista da presença no espaço público, torna-se
necessário continuar a valorizar os meios de que a IAC dispõe, nomeadamente a
página na Internet e as redes sociais, e reforçar o relacionamento com os
órgãos de comunicação social. O objectivo é promover o desenvolvimento e
divulgação de análises, resultados e conclusões obtidos para os diferentes
aspectos da dívida pública, através da produção de documentos com conteúdos
específicos e sucintos, de forma acessível à generalidade da população, com
recurso a múltiplos mecanismos de divulgação.
2.4 No plano internacional, maior atenção deve ser conferida às
relações com movimentos de auditoria similares, numa ótica de aprendizagem e de
ação conjunta, assim como à contribuição para a dinamização de estruturas de
cooperação entre movimentos, nomeadamente, o ICAN – International Citizen Debt
Audit Network .
2.5 Do ponto de vista organizativo, é necessário melhorar a capacidade
de integração no trabalho das pessoas que se têm disponibilizado para tarefas
diversas, assim como não negligenciar as potencialidades da cooperação com
outras organizações e movimentos. A continuação da dinamização regional,
fundamental para a mobilização cidadã, deve ser entendida como parte integrante
deste propósito. Urge ultrapassar as limitações existentes nos aspetos
financeiros, logísticos e administrativos.
2.6 Importa tornar os órgãos da IAC mais eficazes. A Convenção de
Lisboa instituiu como órgão principal da IAC a Comissão de Auditoria. Esta
comissão, apoiada por uma Comissão Executiva por ela designada, trouxe a IAC
até este Encontro Nacional. Em consequência da experiência de um ano, o
Encontro Nacional decide reforçar a Comissão de Auditoria, elegendo como novos
membros pessoas com participação ativa no trabalho do primeiro ano. Nos termos
da resolução da Convenção de Lisboa, incumbe à Comissão de Auditoria a condução
e coordenação do processo de Auditoria Cidadã. A Comissão de Auditoria
constituirá uma Comissão Executiva em quem delegará as funções de coordenação
entre reuniões.
2.7 Reforçar a ligação aos movimentos
sociais, sensibilizando-os para as questões da dívida e estimulando e apoiando
tecnicamente iniciativas que a sociedade civil empreenda no sentido da transparência
das contas públicas e do reforço da participação cidadã nas fiscalização das
instituições.
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Comissão de Auditoria eleita no
Encontro Nacional de 19 de Janeiro
Alberto Melo / Alcides
Santos / Alexandre Romeiras / Alexandre Sousa Carvalho / Ana Benavente / Ana
Nicolau / António Avelãs / António Carlos Santos / António Romão / Bernardino
Aranda / Boaventura Sousa Santos / Bruno Maia / Deolinda Martin / Eugénia Pires
/ Guilherme Pereira / Helena Dias / Helena Romão / Henrique Sousa / Isabel
Castro / Joana Lopes / João Camargo / João Labrincha / João Neves / José Castro
Caldas / José Goulão / José Guilherme Gusmão / José Reis / José Vítor Malheiros
/ Lídia Fernandes / Luís Bernardo / Luísa Teotónio Pereira / Manuel Brandão
Alves / Manuel Carvalho da Silva / Manuel Correia Fernandes / Maria da Paz
Campos Lima / Mariana Avelãs / Mariana Mortágua / Martins Guerreiro / Nuno
Teles / Octávio Teixeira / Olinda Lousã / Paulo Coimbra / Paulo Jacinto / Pedro
Bacelar de Vasconcelos / Pedro Santos / Ramiro
Rodrigues / Raquel Freire / Ribeiro Cardoso / Rosário Caetano / Sandra Monteiro
/ Sandro Mendonça / Sara Rocha / Vítor Dias / Vítor Louro
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(Daqui).
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